Confesso que tive um choque quando vi a turma da Rede Globo cantando o seu clipe de natal embalados pelo Robertão. O William Bonner de carteiro, a Angélica de empregada doméstica e o Faustão de garçom certamente negociaram um bônus dobrado para se prestarem a estes micos. O peru da Andréa Beltrão deveria estar recheado de cogumelos alucinógenos…parece que ela está em uma rave natalina. E a animação da Cléo Pires ? Em velório ela deve demonstrar maior entusiasmo…
De qualquer maneira, é impossível ouvir “hoje é um novo dia, de um novo tempo” e não lembrar da infância e das noites de natal.
São inesquecíveis as rodas em torno da árvore na casa dos meus avós, que começavam com as velas sendo acesas ao som de “O Tannembaum” e sempre terminavam com um discurso de meu avô agradecendo pelas conquistas do ano e dando boas vindas aos novos membros da família. E a árvore natural gigante , de 5m de altura, da casa dos meus pais ? Decoração com bolas vermelhas que se espatifavam no chão ao menor toque, laços e velas.
Presentes marcantes, presentes frustrantes,momentos emocionantes, momentos alegres, momentos muito tristes.Abraços, beijos,brigas, uniões,afastamentos. É natal, quanta coisa volta na cabeça e quanta coisa se projeta para o futuro. Tem os que adoram, tem os que detestam, mas todos concordam que é a hora do balanço, hora de reflexão e de pensar no que virá no ano que vem…Não dá para esquecer que hoje é natal.
Lembranças de natal
Verde abacate
Tudo começou com uma ida despretensiosa ao Natural da Terra, uma espécie de sacolão com grife. Rotina da família…comprar toneladas de frutas e verduras que em um primeiro momento você imagina que seriam capazes de abastecer um exército ou acabar com a fome da África e que na vida real duram menos do que uma semana na sua geladeira. Ir a feira, supermercado ou hortifruti é uma ritual entediante em que se faz necessário um grande esforço para quebrar a monotonia ! Desenvolvi uma técnica em que pequenos gestos me animam e fazem com que a tarefa fique menos penosa. De vez em quando escolher tomate Débora ao invés do tomate Carmem. Trocar a uva Thompson vermelha pela verde. Comprar ou não 100g de cerejas por R$ 15,00…Tripudiar do pepino caipira e eleger o pepino japonês. Minha fórmula anti-tédio é transformar estas decisões em algo crítico, vital. Escolhas, diferenciações, favorecimentos. Absolutamente difíceis mas necessárias…carga de drama,vida ou morte para quem ficou para atrás. No meu momento de carrasco absoluto confesso que hajo como um torturador e escondo um tomate bonito embaixo da pilha para que ele nunca seja escolhido e sofra como aqueles que vem amassados e são abandonados pelas donas de casa.
No final de semana passado meu momento de tensão foi quando reencontrei com o bom e velho abacate. Levá-lo ou não para casa…que drama, afinal de contas ele é taxado de gorduroso, cara feia mas ao mesmo tempo me remete a uma imediata lembrança da minha infância. A nostalgia venceu e o abacate teve um novo lar. Aproveitando a solidão de um dia da semana, sem esposa e sem crianças, solicitei a auxiliar do lar que preparasse o abacatão como nos velhos tempos: batido com leite e açucar. 
Foi minha sobremesa e me levou a uma espiral de recordações. O ponto alto da trip com o abacate foi me lembrar de um abacateiro plantado pelo meu irmão no quintal de casa. Foram anos vendo o acateiro crescer e produzir frutos. Bons tempos, lembranças com sabor.A escolha foi acertada…não me arrependi. O abacate que resgatei das gôndolas frias do Natural da Terra adoçou minha noite…
Cortando as asinhas
Red Bull te dá asas e voa alto. Os atributos ligados a marca austríaca de energéticos são de modernidade,vitória, sucesso. Exagerando bem mas é uma espécie de cigarros Hollywood versão século XXI, lembram-se ? Hollywood, o sucesso, clássico da década de 80…Esportes radicais, comerciais inovadores, bem produzidos e com trilhas sonoras incríveis, patrocinadora de todas as categorias de automobilismo…
Já a Red Bull, logicamente que em escala global e versão 2011,tem estratégia parecida. Tudo passa por Sebastian Vettel o mais jovem bi-campeão de Fórmula 1 da história e que é a cara da marca mas até no Brasil a fórmula da Red Bull foi parecida, patrocinando o carro de Cacá Bueno, filho do Galvão e piloto campeão da Stock Cars.
Mas e nos Estados Unidos, maior mercado do mundo para qualquer coisa ? Bom, por lá a fórmula de sucesso de associar a marca a times e pilotos vencedores fez água…Esta semana a Red Bull anunciou que está abandonando a Nascar, a categoria de automobilismo mais popular dos Estados Unidos. A experiência da Red Bull na Nascar foi um fracasso…
Este ano apesar de ter conseguido vencer uma prova, o seu melhor piloto, Kasey Kahne, terminou o ano em 14° no campeonato, enquanto o seu companheiro Brian Vickers, um genérico do Mark Webber,foi o 25°.Em 5 anos o time conseguiu 2 vitórias, 10 poles, 20 top-5s , 55 top-10s. Algo mais próximo de Rubinho,Bruno Senna e Felipe Massa que de Sebastian Vettel . A Red Bull fez uma série de iniciativas para promover os seus carros e seus pilotos na Nascar. Este ano fez o seu piloto saltar de paraquedas sobre o circuito de Daytona. Legal, cool,imagens lindas mas e as vitórias ? Sem sucesso as asinhas foram cortadas para a Red Bull nos EUA
Publicado em Automobilístico, Marketing
Crônica de quase natal
O natal está chegando e com ele vem junto aquele momento do ano em que o amor predomina. Começa pelo processo fácil de se pensar em quem merece presente e o que comprar. Algumas famílias adotam o empolgante amigo secreto e discutem por semanas qual a regra mais justa. Bem coerente com o espírito de natal,se fazem alianças, conchavos e artimanhas para que os favoritos não sorteem os chatos…Outras famílias abdicam da troca de presentes e agora fazem apenas doações para crianças desamparadas e lares de velhinhos. Existe um grupo mais conservador que estabelece informalmente que os homens troquem entre si caixas contendo camisas da Richard’s com variação da cor da listra e que as mulheres se surpreendam com a fragrância do sabonete L’Occitane que ganharão (será Verbena, Oliva ou Chá verde ?).
As avós competem para ver quem entrega o maior embrulho para os netos, tias distantes distribuem a todos pares de meias sociais, os amigos que gastam pouco dizem que não é um presente e sim “apenas uma lembrancinha”, um tio gordo se veste de papai noel com barba de algodão e todos, inclusive as crianças, morrem de medo. Já os casais discutem e brigam para ver se comerão o perú com a família de um e a sobremesa com a família do outro, ou vice-versa . Não estar presente na hora em que o perú é fatiado é prova de falta de amor e desperta sentimentos de vingança eterna. 
Enfim, muda o endereço, o tamanho do embrulho, os personagens mas o enredo é quase o mesmo. É época de natal…Odiamos, reclamamos mas adoramos. É quando a família é mais família. É difícil viver sem…
Publicado em Cotidiano, Etnografia, Família























