Brasil: capital Buenos Aires

ImagemQuem viaja por aí sabe que embora isto tenha diminuído, não são incomuns questionamentos sobre que língua falamos, se a nossa capital é Buenos Aires e outras dúvidas peculiares sobre florestas, índios e cobras. A famosa globalização e a entrada do Brasil no circuito pop deram uma melhorada na situação e embora Rio de Janeiro com o Pão de Açucar e Corcovado ainda sejam referências e sinônimos de Brasil, aos poucos São Paulo, a Marginal Tietê e o Sanduíche de Mortadela do Mercadão, gradativamente passaram a ser incluídos no mapa mundi.

Era o que eu achava…Eis que vejo que a NBC, uma das maiores redes de TV dos Estados Unidos, ao reportar a desgraça de Santa Maria, resolveu brindar os seus espectadores com a geo-localização dos fatos. No mapa da NBC, São Paulo, pequenininha, com seus alguns milhões de habitantes se deslocou uns 4000 Km e a selva que era de pedra, agora é amazônica. Quem sabe até a Copa do Mundo não resolvem acertar o mapinha….

Brasil na vitrine

Você entra na Macy’s, uma das maiores lojas de departamento dos Estados Unidos e se dá conta de que há um certo ar familiar, nas vitrines e na decoração. Como parte de uma temporada Brasil,  tudo na loja  está fazendo referência ao País, com uma série de produtos tipicamente  brasileiros sendo vendidos pelos corredores. De guaraná Antarctica a  café Pilão, passando por castanha de cajú e Bombons Garoto. A trilha sonora ambiente também está baseada em bossa nova, com Bebel Gilberto tocando sem parar. Ainda é um Brasil estereotipado, mistura de Carmem Miranda com Zé Carioca em que se coloca uma arara vermelha empalhada ao lado do banner que explica quem é Marcelo Rosenbaum.   As argolas e balangandans que enfeitam os manequins e uma pele de zebra em uma vitrine me causaram algum constrangimento com o lado “tropicália”  que ainda se associa ao Brasil. De qualquer maneira, fiquei contente de ver o Brasil crescendo, aparecendo e se vendendo. Depois dos portugueses,  parece que o mundo definitivamente nos descobriu…

Xu Xaine

Fim de viagem e volta ao Brasil. Estava tudo muito estranho e atípico em Cumbica: tinha vaga para o avião encostar no finger, não tinha fila para mostrar o passaporte, a mala já estava circulando pela esteira e foi chegar e passar direto pela deserta receita federal. Tudo tão rápido e eficiente que saí do aeroporto muito antes do que havia combinado com o motorista que iria me buscar. Fiquei do lado de fora esperando e aí Cumbica voltou a ser Cumbica e percebi que meu momento suiço tinha sido ilusório. Enquanto esperava, via todas as tripulações saindo em direção aos seus ônibus que os levariam aos hotéis para descansarem. No caminho todos eram abordados por meninos de rua, que gritavam e perguntavam “Xu Xaine ?”, “Xu Xaine ?”. Alguns tripulantes passavam reto e os ignoravam. Outros paravam esticavam os seus sapatos para uma sessão de “shoe shining” ou em bom português, para terem os seus sapatos engraxados. O pagamento ? Iogurtes, refrigerantes e restos de comida trazidos de bordo. Triste. Privatizamos os aeroportos, melhoraremos nossa infra estrutura mas ainda falta muito para o Brasil deixar de engraxar os sapatos dos outros.

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