A quermesse

0008424b-642Mandela descansou. Finalmente foi sepultado. Depois de ficar trancafiado em uma cela solitária por 27 anos, talvez merecesse um bônus divino e direito a uma prorrogação maior de vida, com direito a chegar inteiro aos 200 anos, mas não teve jeito e sua hora chegou. O mais incrível foi ver a transformação dos fatos ao longo da semana. O day after à sua morte começou com elogios ao seu espírito conciliador, sua liderança, carisma , o seu papel decisivo em juntar os cacos de um país, reconhecimento como uma das maiores lideranças do século. Enfim, havia um clima de consternação global, com homenagens por todos os cantos.Uma rara unanimidade….

Os dias foram passando, parece que as notícias e os obituários perderam impacto e eis que um clima de quermesse se abateu sobre a África do Sul. Teve de tudo: um fun tour de todos os ex-presidentes brasileiros vivos, chaveco do Obama com  direito a selfie com a primeira ministra da Dinamarca e David Cameron segurando vela, biquinho ciumento da Michelle, Naomi Campbell em uma performance teatral, com cara de viúva inconsolável, Bono Vox pronto para subir no palco e pregar  e a cereja do bolo, que foi um picareta fazendo uma tradução inventada e cheia de licenças poéticas para a linguagem de sinais. Todos viajaram para um funeral e se comportaram como se fosse carnaval.

Mandela sábio e mito, deve ter visto tudo de cima e dado boas risadas. Sempre esteve bem acima de tudo isto. Não deve ter ligado…mas que seu funeral virou uma quermesse, isto virou.

Black Power

É impossível passar pela África do Sul e não lembrar que até alguns anos o Apartheid, regime de segregação racial existiu por aqui e sentir as  cicatrizes que isto deixou.

Passaram quase vinte anos e fiquei pensando na habilidade e na liderança  de Nelson Mandela para que o fim do regime não tenha sido uma carnificina. O poder político migrou de brancos para negros mas a distribuição de renda está idêntica. A bomba não explodiu mas fica a sensação que a pólvora continua espalhada. Talvez por isto Barack Obama continue sendo um pop star por aqui. Ninguém com quem falei quer saber o que ele fez ou fará, mas sim o que ele representa. De alguma maneira, ele  é a África negra, oprimida e miserável, comandando o país mais poderoso do mundo.Obama ficará mais quatro anos…e tem o papel de além de  simbolizar , realmente ser um guardião da igualdade e do acesso,não apenas nos EUA mas no mundo todo.Além disto como bônus pela sua permanência, eu ganhei  mais algum tempo para até 2016 entender como funcionam as eleições americanas. Minha tese: os caras ficam um ano disputando prévias em seus partidos e mais não sei quantos meses em campanha mas em 90% dos estados, os democratas ou os republicanos sempre vencem, há séculos e independentemente do candidato. Na realidade, disputa mesmo e a definição do vitorioso ocorrem apenas nos chamados “swing states”, que mudam de opinião de tempos em tempos. É lá que a campanha não é café com leite.

Cavalos e Baionetas

“You mention the Navy, for example, and the fact that we have fewer ships than we did in 1916. Well governor, we also have fewer horses and bayonets”. “We have these things called aircraft carriers and planes land on them. We have ships that go underwater, nuclear submarines.”

Barack Obama para Mitt Romney durante o último debate dos candidatos a presidência dos EUA

Esta doeu…Se fosse na escola a turma do fundão puxaria aquele grito de “IIIEEEEE”

Desculpa não esfarrapada

Greve de metrô, pneu furado, consulta médica, morte na família….As desculpas para faltar ao trabalho embora sejam sempre parecidas, são infinitas. Um menino de 5 anos nos Estados Unidos, resolveu inovar e justificar a sua falta na escola alegando que estava em um compromisso com Barak Obama. Para que não restassem dúvidas, ele exibiu um cartão assinado pelo próprio presidente dos EUA, pedindo para o professor ser tolerante com o caso e justificando que de fato, Tyller Sullivan estava com ele. Tudo verdade: no dia anterior, Tyller foi a fábrica onde seu pai trabalha e que recebeu a visita de Obama, que ao ser apresentado ao menino, se prontificou a assinar o bilhete.  O professor, mesmo que seja republicano, não poderá dizer que a desculpa foi esfarrapada…

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