Estratégia furada

PirelliReunião do departamento de Marketing da Pirelli 2 anos atrás…

O gerente de produtos Giuseppe chega para o seu diretor de Marketing e fala:

Luigi, as nossas pesquisas de mercado indicam que precisamos associar a nossa marca a performance, velocidade…Os nossos concorrentes são vistos como melhores do que a gente. Precisamos mudar isto…

Sim, Giuseppe . Qual o plano ?

Pensei que poderíamos ser fornecedores exclusivos de pneus  para a Fórmula 1.

Mamma mia …Isto é muito caro !

Sim, é caro. Mas é uma oportunidade única. É a categoria mais veloz do mundo. Toda a vez que o pessoal for comprar pneus lá na D Paschoal, na Zacharias e na rede Caçula eles se lembrarão de nós…Somos da Pirelli, a fornecedora oficial e exclusiva de pneus da Fórmula 1! Ferrari, Red Bull, McLaren e nós…Aliança perfeita ! Vou exigir ainda que no pódio os vencedores usem o boné com a nossa marca…Vai ser um estouro !

Acho que você está certo. Vamos ! Além disto vai ser legal porque nós do Marketing ganharemos ingressos para todas as corridas. Não vejo a hora de ir para Mônaco. Vai ser legal para motivar o nosso time…Ah! Deixe-me participar da escolha das recepcionistas do nosso camarote vip…

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MassaReunião do departamento de Marketing da Pirelli amanhã…

Giuseppe, bem que você disse que a estratégia seria um estouro…5 pneus nossos explodiram durante a corrida. Todos os pilotos estão nos xingando. Os caras não podem andar rápido senão o pneu vai pelos ares. O que vamos fazer agora ?

Pois é chefe…Até minha avó me perguntou se tem risco do pneu do seu Uno desmanchar no trânsito da 23 de Maio. O gerente do departamento comercial por sua vez, me ligou para dizer que os borracheiros estão muito contentes com a nossa empresa. Talvez devessemos divulgar esta notícia boa para o presidente.

Sobre a sua avó fale para ela andar devagar e evitar subir na calçada…Não quero problemas com a sua família. Vamos guardar o feedback dos borracheiros para a reunião do comitê. Realmente isto é um trunfo para nós…Estes estouros na Fórmula 1 estão levando mais gente para as borracharias do mundo. Todo mundo imagina que os pneus de seus carros também explodirão.Foi uma grande estratégia.E quais são os novos planos ?

Camisinha PirelliBom, o pessoal da fábrica ligou e disse que com a queda das vendas está sobrando um pouco de borracha. Pensei que este talvez seja o momento certo de diversificarmos  o nosso negócio e produzirmos camisinhas…A matéria prima está disponível e este é um mercado que cresce sem parar.

Você tem razão…Talvez seja mesmo a hora de tirar um pouco o foco deste negócio de Fórmula 1. Vamos diversificar e crescer em outros segmentos. Certamente esta estratégia tem potencial para ser um novo estouro…Dá para prever que o pessoal das maternidades, assim como os borracheiros, também nos adorará. Você é um visionário…Avante !

O Bom Pastor

Hoje ao assistir a corrida de Fórmula 1 e ver a vitória do venezuelano Pastor Maldonado no GP da Espanha, fiquei feliz pelo cidadão. É sempre legal ver algum novato ganhar pela primeira vez.  Durante a prova torci para  ele conseguir segurar o Alonso … Torcer pelo mais fraco é das coisas que mais dá prazer no esporte (embora se eu fosse  ser consistente com os mais fracos, deveria abrir um fã-clube coletivo para o Massa e para o Senna mas por eles, confesso que não está dando nem para torcer…). Como o milagre foi grande demais, durante a festa da equipe, pegou fogo nos boxes da Williams…Foi a famosa alegria que durou pouco…

O que não gosto nem de pensar é no uso político que farão da vitória do cidadão quando ele aparecer em Caracas. O nosso bom Pastor, corre patrocinado pelos muitos dólares da PDVSA, a companhia petrolífera estatal da Venezuela e é, nada mais nada menos,  que garoto propaganda de Hugo Chavéz. Misturar dinheiro público com esporte para mim é uma combinação bem esquisita. Nunca entendi nadadores patrocinados pelos Correios ou  judocas com quimonos de companhias elétricas . É monopólio, para que precisa de patrocínio ?  Com o Maldonado,  já consigo imaginar o desfile em carro aberto, o discurso em um estádio, Chavéz ao seu lado…a pregação do Pastor…Fora o rapaz, o governo da Venezuela patrocina outros 6 pilotos que estão na GP2, a categoria de acesso à Fórmula 1. Neste ritmo em breve teremos as 24 horas de Maracaibo ou as 500 milhas de Los Roques nos calendários automobilísticos mundiais…Valeu pela vitória mas confesso que seria mais legal se parasse por aqui, sem exploração messiânica do Pastor, mas pelo que aconteceu quando ele ganhou o campeonato da GP2, podemos esperar uns 3 dias de feriado nacional na Venezuela…

Questão de expectativa

Esta semana foi feito o anúncio de que Rubens Barrichello correrá na Fórmula Indy em 2012. Não cabe a mim entrar no mérito de sua competência como piloto mas ninguém corre por vinte anos de Fórmula-1, por uma série de equipes diferentes, acumula uma fortuna pessoal, caso não seja minimamente competente. Apesar disto,ao mesmo tempo, Rubinho no Brasil é quase sinônimo de um looser, do eterno perdedor.
Sempre que penso em Rubinho, penso no mundo corporativo e como os executivos são avaliados. Para mim, a negociação dos “budgets” do Rubinho sempre foram consistentemente mal feitas…Por mais que ele realizasse, as pessoas sempre esperaram dele resultados maiores do que aquilo que ele poderia entregar. Ele nunca parou para renegociar, não cumpria o “acordado” e ao contrário, continuava prometendo mais…Nunca disse que o objetivo estava puxado demais para a sua realidade e isto só ajudou a ganhar uma fama de fracassado. A primeira regra do mundo dos negócios é cumprir 100% do prometido. Primeiro as pessoas olharão para o seu percentual de cobertura de cota e depois atentarão para que número estava lá. Cumprir 90% da meta é fracassar, por mais que a meta seja puxada. Quem faz 100% do prometido não deve explicações. Quem faz 90% passa dias explicando…Rubinho só explicou por anos a fio.
Rubinho aceitou um “budget” de sucessor do Senna, de competir de “igual para igual” com o Schumacher. Nos últimos anos corria com uma Williams, que provavelmente perderia um racha para o meu carro,mas fazia de conta que estava quase lá com a Red Bull.
Rubinho nunca declarou que estava brigando por vice-campeonatos, para ser o terceiro melhor brasileiro da história da Formula-1 ou para que sua última equipe ganhasse da Force India. Nunca alinhou as expectativas.Não o conheço e não sei se tratou de um tema de falta de auto-consciência ou se foram caprichos para agradar patrocinadores megalomaníacos, mas tenho certeza que se deixasse claro qual era a sua aspiração verdadeira, sua imagem junto público seria outra. Espero que depois de vinte anos e iniciando uma nova carreira, a negociação e a comunicação de suas expectativas sejam mais realistas. Ele já conseguiu um grande feito, recomeçar aos 40 anos, mas se vier a público, entusiasmado pela nova onda de assédio e começar a prometer sambadinha em Indianápolis repetirá o mesmo erro. Cabe a ele prometer menos e entregar mais…É assim que funciona o mundo corporativo.No esporte não é diferente.Ele já deve ter aprendido.

Uma história que vale mais do que vários chavões

Não sou um adepto de livros de auto-ajuda. Eles me parecem a versão editorial das frases que sempre enfeitaram os pára-choques de caminhões com a diferença que nos caminhões eu tinha acesso ao conteúdo de forma gratuita e mais bem humorada. Para confirmar a minha tese, ontem tive contato novamente com a história de um cara que vale mais do que uma biblioteca de chavões reunidos: Alessandro Zanardi.

Alessandro Zanardi tem 45 anos, era um piloto italiano de fórmula Indy (chegou a correr de F1 sem muito sucesso), que após dominar a categoria por vários anos,sendo campeão em 1997 e 1998, sofreu um grave acidente durante uma prova em 2001,que resultou na amputação de suas duas pernas.

Desde então ele não abandonou o automobilismo e venceu algumas provas no campeonato mundial de carros de turismo, correndo em um BMW adaptado as suas limitações físicas. Ontem vi seu nome novamente nos jornais e soube que ele foi o vencedor da maratona de NYC, categoria bicicletas adaptadas ! Mais, ele em março já havia vencido a Maratona paraolímpica de Roma chegando 2 minutos na frente do segundo colocado. Com sua performance Zanardi é avaliado como um dos favoritos para a maratona em sua categoria nos de Londres em 2012.

Depois de ver um sujeito passar por tudo isto e continuar sendo competitivo, se reinventando e vencendo, fica difícil arrumar justificativas para a preguiça cotidiana que me impede de ir até a praça a 100 metros de casa para caminhar.

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