Menu confiança

Cardápios tem sido uma coisa menos complexa do que eu imaginava aqui no Japão. Não são todos os restaurantes que possuem versão em inglês mas todos tem uma vitrine que coloca em exposição as réplicas dos pratos oferecidos. Não sei que material eles usam nas réplicas mas é uma arte ! Certamente devem existir milhares de “maqueteiros de comida” e do jeito que as coisas são por aqui, devem levar uns quinze anos de estudos até serem capacitados. O peixe parece que tem mesmo escamas, o tempurá fica com casquinha crocante e até nos restaurantes que servem comida ocidental você encontra réplicas de pizza com borda crocante e queijo derretendo. O fato de ver os pratos porém, não significa que você tenha a menor idéia do que é aquilo, o que comprova que o cardápio é de fato irrelevante…Sopas misteriosas, vegetais que você nunca viu, uma quantidade de peixes e frutos do mar que nem o Jacques Costeau deve ter encontrado…o cardápio é mesmo um detalhe. Geralmente você escolhe o que te parece mais apetitoso e manda vir, por mímica mesmo. É um “menu confiança” atrás do outro.

Manual do sushi

Comer aqui no Japão tem os seus desafios. Esqueça algumas das idéias que você tem sobre restaurante japonês com esteira rodando, shimeji na manteiga , duplinhas de Luizinho com cream cheese e banana caramelada com sorvete de creme. Algumas constatações: não pense que você irá encontrar sushi em cada esquina…Cada restaurante é especializado em um tipo de comida. Tem o restaurante de tempurá, de yakisoba , de noodles e assim por diante. Você não encontra sushi no restaurante de noodles, assim como não come feijoada na churrascaria. A lógica é a mesma, embora eu nunca tivesse pensado nisto.

Esqueça a sua preferência pelo salmão. Salmão por aqui está para o sushi assim como o acém está para os apreciadores de carne no Brasil…Ou seja: é tratado como ingrediente de terceira categoria, inexistente nos restaurantes. O rei dos mares e das mesas por aqui é mesmo o atum que dependendo do seu tamanho chega a ser vendido por vários milhares de dólares no mercado de Tokyo. Pedir salmão é equivalente a comer pizza de frango com catupiry. É uma espécie de crime contra o patrimònio…

Nem pense em mergulhos acrobáticos de seu sushi em piscinas de shoyu. Esqueça também pedir mais raiz forte para incrementar o sabor de seu sushi. Ela já foi colocada na preparação do prato e acredite: o sushiman entende disto.. A mensagem é que o sabor do peixe deva prevalecer e ele deve ser a estrela da festa, não o molho de soja ou outros ingredientes criativos como maionese ou manga. Um último comentário: peça um barco cheio de sushi e sashimi, o que nós chamamos de “combinado” e se prepare para afundar a sua conta bancária. O barquinho será o Titanic de seu bolso. O sushi custa caro…você sentirá saudades de conseguir pagar a conta de sua comida japonesa com o ticket refeição…

Olho maior que a barriga

Durante esta semana estou em um daqueles hotéis gigantescos, com restaurantes igualmente enormes e aqueles buffets de um kilômetro.  Talvez em um restaurante por kilo as pessoas fiquem um pouco mais inibidas em encher os seus pratos, temendo que a sua gula seja punida pelo seu bolso. Nestes hotéis, em que tudo está incluído, esta restrição não aparece e todos  desfilam orgulhosos com seus pratos cheios de comida empilhada, que ficam parecendo miniaturas das pirâmides do Egito.

Além da torre alimentar em forma de monumento , impressionam as misturas.  As pessoas iniciam sua romaria pelo buffet pela panela do arroz e vão agregando carne, peixe, frango, salada, verduras, massas e um pãozinho para completar. É verdade que a organização do buffet, linear, com uma surpresa a cada caçarola, não ajuda a composição harmônica do prato. Todos colocam um pouco de cada coisa em seus pratos instintivamente, sem grandes reflexões.  Formam-se pratos que são verdadeiros mosaicos alimentares  que devem gerar pesadelos em nutricionistas.

Ir andando e não se servir,  por sua vez,  parece gerar uma sensação de insegurança, como se todos estivessem  em um campo de refugiados na Etiópia, sem acesso a alimentos e condenadas a inanição permanente.  Com este temor, vários entopem os seus pratos com uma quantidade de comida capaz de alimentar um batalhão por uma semana.

No final, desta jornada gastrônomica sempre sobra comida…Para combater o desperdício, a solução deveria ser  pesar o que restou no prato de cada um e cobrar pelos excessos.  Simples como isto. O bolso sempre ajuda a combater os excessos do olho maior que a barriga…

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