Se não pode vencê-los junte-se a eles

Outro dia me lembrei de uma antiga paixão de infância pelos carrinhos Matchbox. Os Matchbox eram carrinhos miniatura feitos de metal que reproduziam perfeitamente os carros originais Eu tinha vários modelos e fazia diversas corridas imaginárias pelo chão da casa onde existiam acidentes espetaculares,capotagens, resgates de guincho e finais de prova emocionantes que por vezes envolviam arremessos de carrinhos na cabeça do meu irmão. Os Matchbox ficaram pelo tempo. Chegaram os Hot Wheels mas nunca percebi na geração dos meus filhos um grande entusiasmo pelos carrinhos. A fascinação pelos games e pelo universo virtual sempre foi muito maior. Acho que a Mattel, fabricante dos Hot Wheels percebeu a mesma coisa e resolveu se modernizar e tentar conciliar os dois mundos. A Mattel anunciou para maio o lançamento de sua linha de appcessories, ou acessórios para aplicativos de IPad. As crianças (e obviamente os adultos…), poderão utilizar os seus brinquedos físicos para interagir com o IPad e levar a diversão para além da dimensão chapada do tablet. Os carrinhos terão tecnologia embutida que permite que eles sejam reconhecidos pelo aplicativo.
Além dos carrinhos “reais” que correrão em circuitos virtuais, a Mattel lançará também bonequinhos que interagirão com alguns dos games mais populares do IPad:Angry Birds, Fruit Ninja e Batman Cavaleiro das Trevas. Cada bonequinho custará US$ 20,00. A Mattel percebeu que já que não dá para vencer os games virtuais, o melhor é se juntar a eles. Vi esta notícia no http://www.laptopmag.com.

Haja saco

Conseguiram transformar a proibição dos sacolinhas plásticas dos supermercado em algo parecido com as discussões sobre o aborto e a pena de morte. Posições apaixonadas, contra e a favor da nova regulamentação que proíbe a distribuição gratuita nos pontos de vendas. Literalmente, um saco.
Polêmicas a parte e superada a fase da negação, a verdade é que agora precisamos nos adaptar a levar sacolas de pano,carrinhos de feira ou caixas para o supermercado para acomodar as nossas compras. Mais dramático no entanto é reaprendermos a vida sem os saquinhos que iam direto para as nossas lixeiras da pia e do banheiro. Tudo isto não é nada perto da reclamação da auxiliar do lar, sofrendo e revoltada com a lei. Inspirado nas aulas de artes que eu fazia no primário, decidi que daqui para frente em casa, como parte da mais valia da empregada, a ensinaremos a produzir “sacos de lixo” de papel de jornal.
O processo é fácil, ecologicamente correto e depois de a iniciar no maravilhoso mundo da separação de materiais para reciclagem em que ninguém nunca sabe se a caixa de leite é reciclável ou não, nada mais natural do que a transformarmos em uma artesã. O problema dos saquinhos estará resolvido, pelo menos enquanto eu continuar assinando jornal, o que também não deverá durar muito.

Fora de sintonia

Hoje li a notícia que a rádio MIT FM vai sair do ar a partir de março. As poucas pessoas da minha faixa etária com as quais convivo e que gostam de rádio, ouvem a MIT FM e a identificam como a melhor opção de um dial tomado por Victors, Léos, Telós e sertanejos pseudo universitários. Cada dia que passa eu me convenço que o problema sou eu e que minha audiência deve ser subqualificada. Não é possível…Alguns anos atrás fui dormir ouvindo Rock na 89FM e fui despertado com acordes axézisticos e gritos de Aê,Aê,Aê,Ô,Ô,Ô…Primeiro achei que tinha errado e depois percebi que a “rádio rock” tinha virado a “rádio tudo menos rock” (agora se chama rádio Fast, o que não me diz muito…). Em uma fase mais cabeça, migrei para a Eldorado FM, onde aprendi quem eram os ” Móveis Coloniais de Acajú” e que Mariana Aidar, Céu, Roberta Sá e Teresa Cristina, embora cantem coisas quase iguais e com a mesma voz,não são a mesma pessoa com vários pseudônimos…Durou pouco. A Eldorado virou rádio Estadão ESPN e lá fui eu em busca de uma nova estação de referência. Estava feliz com a MIT…musiquinhas década de 80/90, lançamentos na medida certa, poucos comerciais e hoje leio que a rádio também acabará. Acho que perceberam que os ouvintes não estão comprando Pajeros. Parece que o meu gosto musical não está sendo o da maioria, estou fora de sintonia. Acho que chegou a hora de me iniciar no pagode , no axé e no sertanejo universitário. Se fizer isto com certeza meus ouvidos serão um pouco torturados mas não sofrerei novas desilusões estereofônicas…

Twitter: o passarinho vai para a gaiola

Recentemente o Twitter anunciou que desenvolveu um mecanismo que permite que os tweets passem a ser monitorados e bloqueados em diferentes regiões. Um mesmo tweet poderia ser liberado em um país e bloqueado em outro. Um determinado país faria uma solicitação ao Twitter para que os tweets relacionados a temas “ilegais” fossem bloqueados. No lugar, o Twitter postaria uma mensagem de censura ao invés da mensagem originalmente postada.
Parece um roteiro perfeito para Cuba, Síria e afins. Eis que surge o primeiro candidato a exercer o poder de censura: Brasil! Justo nisto fomos ser pioneiros ?!
O governo brasileiro entrou com um processo solicitando que o Twitter exerça o bloqueio sobre mensagens relacionadas a ocorrência e localização de blitz de trânsito,fiscalização de lei seca, radares móveis etc… Se a liminar for concedida, o Twitter será considerado co-responsável pelos tweets que estimulam o drible a lei e pagará R$ 500.000,00/dia por infração. Será que não existe alguma solução mais inteligente ? Não me parece que mesmo que a censura seja implementada irá resolver alguma coisa. Comunicação não se prende na gaiola. Telefones celulares e e-mails continuarão existindo, mensagens cifradas serão criadas. É algo bem parecido com tirar o sofá da sala para que a filha não namore. Cidadania e responsabilidade não virão com censura.

Lin, a cinderela da NBA

Jeremy Lin é o fenômeno do momento da NBA, a liga de basquete americana. A sua história é incrível. Parecia ser um filho de imigrantes de Taiwan, sempre bom aluno mas que gostava mesmo de jogar basquete. Foi bem quando fazia o high school e tentou lugar nos principais times de basquete universitário, o atalho para chegar a liga profissional. Nada…não foi escolhido.
Por ser um bom aluno, acabou ganhando uma bolsa justamente de Harvard, famosa pela qualidade de seu ensino mas sem nenhuma tradição no basquete universitário. Estudou,se formou com notas altas em economia e ainda continuou jogando bem no time da faculdade.
Tentou duas vezes ser selecionado por um time da NBA e não conseguiu. Ser escolhido por um time profissional jogando por Harvard é ir contra qualquer estatística. Mas Lin não desistiu. No meio da temporada foi contratado por duas temporadas pelo Golden State Warriors, o equivalente ao Grêmio Barueri do campeonato brasileiro. Conseguia assim ser o primeiro jogador desde 1953 a ir para a NBA tendo estudado em Harvard. Mas Lin mal teve a chance de jogar. Foram pouco mais de 50 minutos acumulados…Foi mandado embora ao final do primeiro ano e pensou em desistir.

No final de dezembro sua sorte começou a mudar. O time de Nova York, os Knicks, estavam sem um armador reserva e resolveu assinar um contrato com Lin, que estava desempregado. Lin assinou um contrato de US$ 762 mil/ano. Muito? Sim, mas não para o padrão da NBA. Este é o piso salarial do elenco, vinte vezes menor que o salário das grandes estrelas.
Como a fase dos Knicks era horrorosa, com 11 derrotas em 13 jogos e o armador titular estava afundando, o técnico, no desespero, resolveu colocar Lin para jogar. E aí o conto de fadas começou…No primeiro jogo contra os Nets, 25 pontos + sete assistências. Contra Utah, 28+8, contra os Wizards 23+10 e ontem contra os Lakers, em um dos maiores clássicos da NBA, 38+7 e Lin foi o grande herói. Era o que bastava…quatro jogos, quatro vitórias e Lin virou celebridade e garantia de muitos dólares futuros vindos da Ásia. Uma verdadeira história de Cinderela.

Contra os Lakers, o conto de fadas de Lin


Trailer ao vivo

Lançamentos de filmes normalmente são anunciados através de trailers, historicamente exibidos nas salas de cinema antes das sessões começarem. Nos últimos anos até se ampliou um pouco este universo e os trailers também são divulgados através de virais na Internet. Na última semana em Nova York, a 20th Century Fox, juntamente com a Thinkmodo, uma companhia especializada na produção de virais, resolveram inovar para fazer a divulgação do novo filme “Chronicle”. O filme conta a história de 3 estudantes que adquirem super poderes e que ficam capazes de voar. A Thinkmodo produziu então 3 “objetos voadores não identificados”, bonecos controlados por controle remoto, e que foram feitos para parecer pessoas voando. O local do sobrevoo foi próximo a ponte do Brooklyn, com direito a contornar a estátua da Liberdade e rasantes sobre o Rio Hudson. Foram 6 voos de 5 minutos e até um acidente quando um boneco mergulhar no rio e teve que ser resgatado pela polícia. Vários nova-yorkinos não acostumados com pessoas voando próximas de suas janelas, ligaram para o 911 para relatar o episódio. O trailer ao vivo foi um sucesso e a repercussão em torno do lançamento do filme estava garantida.

O fim da música de elevador…

Todos os lugares mais ou menos descolados por aí tem criado uma ambientação para que o consumidor se sinta a vontade e conectado com aquele local. Começou pelo grande investimento na decoração, passou pelo perfil e aparência dos vendedores/garçons e hoje transita por aromas e sons. Aquele cheirinho de chocolate que você sente em algumas lojas não é da fábrica da Lacta que fica na vizinhança. A trilha sonora também não vem da rádio que sintoniza melhor. É fácil perceber que cada dia mais as famosas músicas de elevador, padrão Alpha FM, ficaram restritas a consultórios médicos e odontológicos. Tudo é pensado e planejado para reforçar a ligação entre o consumidor e o estabelecimento e a trilha sonora tem um papel fundamental nisto. Que tal ouvir da sua casa o que está tocando na loja que você mais gosta ? E na balada que você gosta de frequentar ? Pois é…agora você consegue fazer isto.Um site chamado http://www.awdio.com permite que você se conecte com o ambiente que toca as músicas que você gosta e em tempo real. Cada loja, hotel, restaurante cria o seu próprio canal e você ouve ao vivo, de qualquer computador, o que está tocando naquele momento. Mais uma maneira de se aproximar do consumidor. Depois das compras on line, agora chegou a hora de também vivenciar o ambiente on line, real time.

Raio, estrela e luar

Wando morreu. Do ponto de vista musical não acho que seja uma das maiores perdas para a música brasileira (ok, ele compôs Moça e Raio, Estrela e luar…), mas confesso que achava o Wando um grande personagem e um craque de marketing. Em um universo de cantores populares, ele conseguiu se diferenciar, criar uma marca própria e que fará com que seja lembrado por décadas. Wando definiu um posicionamento e foi fiel a ele até o final. Se colocava como um romântico, amante das mulheres e consolidou esta imagem se apropriando do símbolo máximo da intimidade feminina: as calcinhas. Seus shows (não, não compareci a nenhum) tinham banheiras, lençóis de cetim, cenas românticas e as fãs retribuíam atirando calcinhas no palco. Wando colecionava as calcinhas recebidas das fãs ( dizia ter mais de 17.000 peças ) e devolvia jogando calcinhas autografadas para a platéia. Virou até garoto propaganda de lingerie, a ponto da DuLoren, fabricante de peças íntimas ter enviado uma coroa de flores para o seu velório. Claramente era alguém que sabia se conectar com sua audiência e falar a sua linguagem. Preconceitos e estereótipos a parte era um craque na comunicação com a classe C. Provavelmente não se inspirou em Kotler ou em buscar um Oceano Azul para encontrar um diferencial como cantor, mas ainda que empiricamente, deu uma aula de marketing e de consistência de posicionamento, para várias marcas por aí.

Xu Xaine

Fim de viagem e volta ao Brasil. Estava tudo muito estranho e atípico em Cumbica: tinha vaga para o avião encostar no finger, não tinha fila para mostrar o passaporte, a mala já estava circulando pela esteira e foi chegar e passar direto pela deserta receita federal. Tudo tão rápido e eficiente que saí do aeroporto muito antes do que havia combinado com o motorista que iria me buscar. Fiquei do lado de fora esperando e aí Cumbica voltou a ser Cumbica e percebi que meu momento suiço tinha sido ilusório. Enquanto esperava, via todas as tripulações saindo em direção aos seus ônibus que os levariam aos hotéis para descansarem. No caminho todos eram abordados por meninos de rua, que gritavam e perguntavam “Xu Xaine ?”, “Xu Xaine ?”. Alguns tripulantes passavam reto e os ignoravam. Outros paravam esticavam os seus sapatos para uma sessão de “shoe shining” ou em bom português, para terem os seus sapatos engraxados. O pagamento ? Iogurtes, refrigerantes e restos de comida trazidos de bordo. Triste. Privatizamos os aeroportos, melhoraremos nossa infra estrutura mas ainda falta muito para o Brasil deixar de engraxar os sapatos dos outros.

Pedreiros made in USA

Show da Madonna durante o Super Bowl, montado e desmontado em minutos

E os NY Giants ganharam o Super Bowl. Poderia escrever sobre o jogo, sobre a Madonna , sobre os comerciais mais assistidos, mas desta vez resolvi escrever sobre os “pedreiros” americanos. Pedreiros ? Pedreiros talvez não seja o nome mais adequado para o que os cenógrafos fizeram, mas quem viu a velocidade de construção e “desconstrução” do palco do show da Madonna durante o intervalo deve ter ficado impressionado. Em menos de dez minutos e sem destruir um gramado natural, os “pedreiros” construíram uma estrutura que foi capaz de sustentar a ginástica aeróbica da Madonna (bem mais em forma do que eu, ainda mais considerando a idade que tem) tendo uns cem bailarinos como coadjuvantes. Não sei como eles conseguem fazer isto mas juro que fiquei pensando que alguém tem que se inspirar nesta mão de obra qualificada! A capacidade de se construir ou reformar alguma coisa rapidamente, sem destruir tudo o que está em volta é algo bem escasso por aqui e deve existir um mercado ansioso por um trabalho minimamente profissional.
Quem tem experiência de passar por uma obra, seja ela a pintura de uma parede ou a construção de uma casa, já se deparou com o desespero da falta de prazos, dos desaparecimentos súbitos e do tsunami doméstico causado pelos nossos nobres prestadores de serviço. Ontem fiquei com inveja dos “pedreiros” americanos. Não sei se eles serviriam para bater laje e subir parede mas que foram incríveis para os vinte e poucos minutos de show da Madonna, isto foram…

Posts anteriores

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Rumo a um bilhão de hits

  • 79.731 hits

Páginas mais populares

Separando meninos de homens
Para lá de Kathmandu
Sonho de Ícaro
Descompressão
Número 2
Rotina de monge
Yak e Yeti
Annapurna, sua linda
Soletre: Machhapuchhere
Termas e Namaste
fevereiro 2012
S T Q Q S S D
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
272829