Inclusão gasosa

Todo mundo parece estar obcecado para entender os hábitos de consumo das classes sociais mais pobres e encontrar produtos que possam atender as suas necessidades e caber no seu bolso.A Coca-Cola aprendeu na América Central que um número enorme de consumidores não tinha dinheiro para comprar a garrafa do refrigerante em função dos centavos a mais que tinham que pagar como depósito pelo “vasilhame” ( me senti bem velho escrevendo “vasilhame”, coisa da década de 70), ou a embalagem de vidro retornável do produto. Os consumidores continuavam querendo a sua Coca e encontraram sua fórmula: pagavam apenas pelo líquido que era colocado em saquinhos plásticos pelos comerciantes. Coca-Cola em saquinhos ? Sim…Nada de garrafas icônicas ou experiências completas com a marca… Como aproximar a marca deste consumidor para quem cada centavo conta ? A Coca-Cola então teve a idéia de distribuir para os pontos de venda saquinhos com a forma de sua garrafa…o consumidor manteve seu hábito mas agora desfila orgulhoso a sua compra. Coca-Cola em saquinhos mas com cara de garrafa de Coca-Cola. Fiquei pensando no que deve acontecer com o gás do refrigerante mas isto pouco importa para estes consumidores, agora ainda mais próximos da marca. Foi  um movimento de inclusão gasosa…


Haja saco

Conseguiram transformar a proibição dos sacolinhas plásticas dos supermercado em algo parecido com as discussões sobre o aborto e a pena de morte. Posições apaixonadas, contra e a favor da nova regulamentação que proíbe a distribuição gratuita nos pontos de vendas. Literalmente, um saco.
Polêmicas a parte e superada a fase da negação, a verdade é que agora precisamos nos adaptar a levar sacolas de pano,carrinhos de feira ou caixas para o supermercado para acomodar as nossas compras. Mais dramático no entanto é reaprendermos a vida sem os saquinhos que iam direto para as nossas lixeiras da pia e do banheiro. Tudo isto não é nada perto da reclamação da auxiliar do lar, sofrendo e revoltada com a lei. Inspirado nas aulas de artes que eu fazia no primário, decidi que daqui para frente em casa, como parte da mais valia da empregada, a ensinaremos a produzir “sacos de lixo” de papel de jornal.
O processo é fácil, ecologicamente correto e depois de a iniciar no maravilhoso mundo da separação de materiais para reciclagem em que ninguém nunca sabe se a caixa de leite é reciclável ou não, nada mais natural do que a transformarmos em uma artesã. O problema dos saquinhos estará resolvido, pelo menos enquanto eu continuar assinando jornal, o que também não deverá durar muito.

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