Correntes migratórias

ElectraLá fui eu para mais uma viagem a trabalho partindo de Congonhas. Aeroporto central, de fácil acesso, permite que você ganhe alguns minutos de sono e economize no taxi. Mas o que realmente diferencia Congonhas de todos os aeroportos do mundo, é uma frase que acompanha todos os anúncios de voo: “devido ao reposicionamento de sua aeronave, o seu portão de embarque foi alterado.”

O que está impresso em seu cartão de embarque ou consta do painel informativo, não serve para nada. Ou melhor, serve de referência para você combinar encontros com os seus colegas de empresa que embarcarão na mesma viagem. Isto não é exceção.É regra. A partir dos anúncios,o que se observa são correntes migratórias dentro do aeroporto…Passageiros se deslocando de um portão para o outro como fazem as andorinhas no verão e as baleias jubarte no inverno. Alguns rumam para o piso inferior, outros sobem, outros não entendem nada e ficam parados,incrédulos esperando por uma lógica.O que causa este reposicionamento tão frequente ? Será que os pilotos se comportam como motoristas em um estacionamento de shopping center, procurando vagas próximas dos elevadores ? Estacionam onde querem e geram uma bagunça ou isto é a prova de uma notável desorganização tropical ?

Xu Xaine

Fim de viagem e volta ao Brasil. Estava tudo muito estranho e atípico em Cumbica: tinha vaga para o avião encostar no finger, não tinha fila para mostrar o passaporte, a mala já estava circulando pela esteira e foi chegar e passar direto pela deserta receita federal. Tudo tão rápido e eficiente que saí do aeroporto muito antes do que havia combinado com o motorista que iria me buscar. Fiquei do lado de fora esperando e aí Cumbica voltou a ser Cumbica e percebi que meu momento suiço tinha sido ilusório. Enquanto esperava, via todas as tripulações saindo em direção aos seus ônibus que os levariam aos hotéis para descansarem. No caminho todos eram abordados por meninos de rua, que gritavam e perguntavam “Xu Xaine ?”, “Xu Xaine ?”. Alguns tripulantes passavam reto e os ignoravam. Outros paravam esticavam os seus sapatos para uma sessão de “shoe shining” ou em bom português, para terem os seus sapatos engraxados. O pagamento ? Iogurtes, refrigerantes e restos de comida trazidos de bordo. Triste. Privatizamos os aeroportos, melhoraremos nossa infra estrutura mas ainda falta muito para o Brasil deixar de engraxar os sapatos dos outros.

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