Hoje cheguei a um hotel e constatei que o meu carregador de celular não encaixava nas tomadas. Me esforcei para colocar o meu equipamento com “dois pauzinhos” na tomada com “três buraquinhos” e descobri que realmente a missão era impossível, apesar da minha delicadeza para resolver na marra esta equação geométrica.
Me ocorreu ligar para a recepção e pedir um adaptador , mas a revolta com a incapacidade do mundo se entender, foi maior do que a minha proatividade. Fico pensando em como é possível se sustentar a comunidade européia ….Se os países foram incapazes de combinar lados de direção de carro, sistemas métricos e furos em tomada, como podem conseguir alinhar suas culturas e economias ? Improvável …Este é o mundo em que vivemos…por vezes pensando em pirâmides e esquecendo dos tijolos.
Queriam o Esperanto como língua universal e esqueceram das tomadas. Alguém precisa levantar esta bandeira ! Pode ser o início da redenção do Mercosul…Quem sabe passemos a ser o único bloco econômico integrado (via cabos e fios, é verdade). Nos acostumamos com adaptadores universais de um kilo e não atacamos a raíz do problema. Basta ! Unifiquem as tomadas do mundo já…e que o padrão escolhido seja o da maioria, e não o brasileiro, que só serviu para deixar algum fabricante de plugs bem rico…O meu protesto silencioso de hoje foi deixar o meu celular descarregar…Dramaticamente, lentamente, com direito a gritos desesperados e tremidinhas no final, como um andarilho sedento no deserto que enxerga um oásis e delira. A energia elétrica que daria vida ao meu equipamento foi uma ilusão…uma miragem.Meu celular jaz sobre a mesa fria de um quarto de hotel…inerte, descarregado.
Arquivo mensal: março 2012
Descarregado
Publicado em Cotidiano
“Up in the air” versão kids
Reencontrei meus filhos que chegavam de uma viagem internacional. Foi bom para matar saudades e para refletir que com menos de dez anos de idade eles já viajaram o que eu levei quase trinta para fazer. A relação deles com aviões, aeroportos e distâncias é muito diferente da que a minha geração tinha . Algo parecido com o que se fala sobre as diferenças que também temos na interação com a tecnologia. Sempre comentamos que a nova geração nasceu com controles remotos, Ipads e Iphones nas mãos, mas mais do que isto,eles nasceram bem mais cosmopolitas e globalizados. A internet trouxe o inglês para o cotidiano e o mundo para dentro de casa. Você pergunta, o Google responde, e te mostra, ao vivo, na sua tela. Já o Facebook te coloca em uma vila globalizada, com amigos de todos os cantos. Banalizar as viagens de avião está absolutamente alinhado com tudo isto.
As crianças chegaram em casa sem excitação, sem histórias fabulosas sobre pilotos, aeromoças, aeroportos, filmes assistidos a bordo. Pareciam executivos mirins, estilo George Clooney em “Up in the air”, em breve estarão orgulhosos de seus cartões de milhagem. Admirei a perspectiva de tê-los como cidadãos do mundo mas senti falta dos necessaires e cobertores trazidos malandramente de bordo, da dor de barriga da ansiedade, dos relatos entusiasmados de terem conhecido o comandante. Não teve mais inocência, teve profissionalismo.






















