Ontem foi dia de Barcelona e Real Madrid. Para variar um pouco, o Barcelona ganhou. Campeonato Espanhol de Futebol é mais ou menos como você fazer uma emocionante competição de par ou ímpar ou dançar com as suas primas em uma festa. Não tem surpresa, não tem variação. Ou ganha um ou ganha outro. Super clássico, mega rivalidade ? Concordo…mas falta graça.
A rivalidade entre Barcelona e Real Madrid vai muito além do futebol e neste aspecto ela é muito mais interessante. O Real representa a realeza e o poder central de Madrid,já o Barça joga representando a Catalunha e seu desejo de independência e de diferenciação. Basta ver que a mega-rivalidade ocorre entre times que não são da mesma cidade. O Real é muito mais rival do Barça do que do Atlético de Madrid…o Barça idem em relação ao Espanyol. Enfim, milhões de euros, Messi x Cristiano Ronaldo, Mourinho x Guardiola, recorde de telespectadores mas para mim falta surpresa, novidade. Para mostrar a importância do jogo para os Espanhóis, aí vai uma campanha da Audi (patrocinadora oficial dos dois times) para anunciar a partida. Será que um dia teremos algo equivalente para os nossos clássicos locais ?
Um show à parte durante o show do Ben Harper
Foi separado no nascimento do Jack Johnson e tem uma série de músicas legais. Enfim, está no playlist oficial da minha casa com “She’s only happy in the sun”, “With my own two hands” e outras que também nunca ouvi falar mas que a minha esposa como fã diz que são incríveis e coloca para tocar com freqüência (dá para perceber que eu não tenho carteirinha de sócio do fã-clube dele mas estou em processo de evolução contínua).
Algumas vezes um pouco entediado com longos solos de bateria, além de ouvir as músicas, resolvi prestar atenção no universo ao meu redor. Além das fotos do show e da gravação de trechos das músicas favoritas com meu telefone resolvi brincar com um aplicativo do IPhone chamado “Socialcam”. O que ele faz ? Permite que você grave um vídeo e na hora já publique na sua conta de Facebook,Twitter e Youtube. Ou seja, transmissão quase ao vivo. Como vocês verão no vídeo que coloquei no post a definição ainda não é perfeita, falta zoom mas a interatividade é total. Outro entretenimento paralelo para mim foi ver o que as pessoas estavam achando do show, acompanhando os tweets que continham #benharper. Uns escrevem que é o melhor show da vida, outros dizem que estão chorando de emoção, já eu para testar a reação do povo, postei um #benharper chega de solos para encher linguica e vamos cantar ! Não tive eco…Fiquei frustrado…ninguém se manifestou. O smartphone foi um show à parte para mim.
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Corinthiano,maloqueiro e sofredor
Não gosto muito de discutir paixões clubísticas…cada um tem direito de escolher seu time e todos devem se lembrar de que apesar de tudo, futebol é apenas um esporte. Rivalidade é gostosa, serve para você atormentar os seus colegas de trabalho quando o seu time ganha e também para ser atormentado quando perde. Violência por causa time de futebol é ridícula e coisa de homem das cavernas…
Para mim, mais do que paixão, futebol serve para quebrar gelo e construir pontes, em qualquer ambiente, com qualquer classe social em todos os lugares do mundo. Ainda não encontrei nada mais universal e que fosse tamanho ponto de conexão entre as pessoas. 
Ser corinthiano dentro deste contexto é uma dádiva. O que conecta e integra os corinthianos não é um sobrenome italiano como os que tem os palmeirenses, o orgulho de ser da elite como imaginam ser os são-paulinos ou uma devoção eterna ao passado como a que tem os santistas. Ser corinthiano é ser maloqueiro e sofredor mesmo quando se paga uma fortuna para conseguir um ingresso da final no câmbio negro e se volta para casa de carro importado. É estado de espírito. É diferente e por isto é especial. Os outros times também tem torcida (pequenas é verdade) mas é a torcida do Corinthians que tem um time e determina o seu espírito e quais são os seus valores. É “top down”…ou se adapta ou não joga…Quem já pulou e cantou com o grito de que “Aqui tem um bando de loucos” sabe do que estou falando. Quem participou do minuto de silêncio pela morte do Sócrates entende…
Nesta hora não tem cor, não tem renda, pode ter ou não ter dente…A saída de ontem pelo portão principal do Pacaembu com a turma do Pavilhão Nove e da Gaviões foi uma aula avançada de etnografia. Todos diferentes, cada um vindo de um canto mas coesos: naquela hora éramos todos corinthianos, maloqueiros, sofredores….e felizes.
Publicado em Cotidiano, Etnografia, Futebolístico, Reflexivo
Keep walking de metrô e não de carro
Não é fácil a vida das companhias fabricantes de bebidas alcoólicas. De um lado elas precisam estimular o consumo de seus produtos… pragmaticamente falando, quanto mais bêbados existirem perambulando pelas ruas, mais elas venderão e ao mesmo tempo, as empresas precisam zelar pela sua imagem corporativa, que deve ser socialmente responsável. Neste aspecto, os bêbados não representam exatamente elementos de paz e tranquilidade e dizer que você conta com eles para crescer o seu negócio, não pega bem.
Tentando encontrar este balanço entre o céu e o inferno, a Diageo , líder mundial no segmento de bebidas anunciou ontem que pelos próximos três anos, será a patrocinadora oficial do metrô de Londres durante a noite de ano novo . Das 23:45h até às 4:30 AM, todo mundo poderá andar de graça no metrô, por conta do grande amigo Johnnie Walker. Lewis Hamilton, garoto propaganda da Diageo aparece como divulgador da iniciativa. 

Esta é uma boa forma de estimular as pessoas a se divertirem, celebrarem e portanto beberem e simultaneamente prestar um serviço a sociedade. Fiquei pensando que a Caninha 51 poderia fazer a mesma coisa com o Reveillon da Paulista e patrocinar o busão para a galera…Talvez não seja tão charmoso, mas sem dúvida que seria uma boa idéia (desculpem pela piada infâme mas é sexta-feira).
Acalmando a tropa
Em um post anterior (Cérebro de Canguru) mencionei a falta de habilidade da Qantas, companhia aérea da Austrália, em gerir a sua imagem nas redes sociais. O post de hoje é sobre uma outra companhia aérea, desta vez a Delta, e mostra como ela foi bem mais rápida e sensível em utilizar a web e as redes sociais para contornar uma crise que ameaçava a sua imagem. O fato ocorreu em Junho, quando um grupo de soldados americanos voltava para casa depois de servir no Afeganistão.
Havia um “acordo de cavalheiros” de que a companhia no momento do check-in, toleraria até 4 malas de cada soldado que estava a serviço e não cobraria excesso de peso de ninguém. Naquele voo porém, a Delta resolveu cobrar US$ 200,00 de cada soldado por excesso de bagagem. O que os soldados fizeram ? Um vídeo dizendo que esta era a maneira como a companhia lhes dava as boas-vindas de volta ao seu país e que eles tiveram que pagar pelo transporte de armas que haviam sido utilizadas para “defender as suas vidas e as de cidadãos afegãos inocentes”. O vídeo foi postado e em um dia havia sido visto 200.000 vezes.
Imediatamente também foi criada uma página no Facebook pedindo o “Boicote a Delta em favor dos soldados”.A Delta reagiu…no dia seguinte a companhia veio a público através de sua assessoria de imprensa e se utilizando de todas as mídias disponíveis (Twitter, Facebook, Blog) pediu desculpas aos soldados com uma mensagem emocional, dizendo que a única coisa que os soldados deveriam sentir era a satisfação por estar voltando para casa e anunciando uma nova política de bagagem para os militares que passavam a ter oficialmente direito de transportar 4 volumes. Gestão de crise melhor do que a da Qantas…
Publicado em Aéreo, Mundo de Dilbert, Tech
Cérebro de canguru
Você trabalha em uma companhia aérea. Sua empresa por causa de um conflito com sindicatos de pilotos e aeronautas que pedem aumentos, decide abandonar a mesa de negociações e deixar seus aviões em terra para pressionar os seus empregados. Faz tudo isto sem avisar os seus passageiros. Esta situação dura alguns dias e milhares de pessoas perdem os seus compromissos e ficam bastante irritadas com a situação, arranhando seriamente a imagem da companhia.
Duas semanas depois , com os ânimos acalmados e os voos (sem acento!) retomados é hora de melhorar a sua imagem corporativa, certo ? Que tal lançar uma campanha pedindo para que os passageiros descrevam em 140 caracteres, via Twitter, que experiência de luxo elas imaginariam ter a bordo das aeronaves ? O prêmio para as melhores respostas ? Um par de pijamas e as necessaires da primeira classe. Foi exatamente isto que a Qantas, companhia aérea da Austrália, resolveu fazer na semana passada, ainda orientando os passageiros a mencionar #qantasluxury na resposta.

O resultado ? Menos de 2 horas depois de lançada a promoção, #qantasluxury virou breaking trend do Twitter na Austrália, recebendo uma média de 130 tweets durante 10 minutos. Durante a noite, já existiam mais de 15.000 citações em mídias sociais, não mais limitadas a Austrália, mas vindas do mundo todo. O detalhe ? Todas eram menções amaldiçoando a companhia e fazendo paródia com os pijamas e os sonhos de luxo a bordo. Um viral ironizando a promoção, embora bem pouco original, já foi assistido mais de 50.000 vezes no http://www.youtube.com. Esta foi a resposta dos passageiros ao mau tratamento das semanas anteriores.























