Abóbora

Hoje é dia das bruxas. Sou tomado por um momento de profunda reflexão para descobrir quem está apoiando a proliferação desta moda no Brasil. Até alguns anos atrás não se falava de Halloween…Hoje observando vitrines durante o mês de outubro  é fácil ver uma profusão de preto, roxo, máscaras de bruxas, vassouras e sobretudo abóboras. Muitas abóboras, com seu sorriso desdentado. Em função disto, minha principal suspeita sobre quem está incentivando o surto do Halloween recai sobre a Associação Brasileira dos Plantadores de Abóbora. Fiquei pensando em uma possível reunião ocorrida há alguns anos em que algum agricultor iluminado, depois de fazer uma extensão universitária com especialização em marketing resolveu convencer os colegas a reposicionar o vegetal no mercado.

– O primeiro passo é renomear o nosso produto…nada de abóbora ou gerimum, daqui para frente seremos plantadores de  “pumpkins”. Como “pumpkin” descolaremos a nossa imagem de parceiros preferenciais de produtos de baixo valor agregado como a carne seca, a farinha e a rapadura…Queremos distância deles…são baratos, tem vendas regionalizadas e limitam o nosso potencial. Precisamos atingir a Emerging Middle Class brasileira ! Temos que ser fashion,descolados…Chamaremos estilistas para decorar as suas “pumpkin” e divulgaremos press releases desta ação com objetivo de cavar um espacinho na Caras. Com uma pequena contribuição monetária de cada um, poderemos também assegurar uma entrevista do presidente de nossa associação no programa do Amaury Jr. … se negociarmos bem podemos até pedir para ele exibir flashes da festa de Halloween em Miami.

Alguns agricultores mais tradicionais ficaram ressabiados…Será ? Isto tem alguma relação com o Brasil ?…Nem comer as abóboras as pessoas vão. Irão deixá-las banguelas e caolhas…Bruxas com fisionomia de gringas ? Nós já temos Curupira,  a Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo e até  Saci Pererê que metem medo em todo mundo. Junto com as abóboras irão tentar vender também balas e doces ? Mas o dia de Cosme e Damião não é em setembro ?? E a festa da abóbora agora se chamará Halloween ou se for muito difícil de falar, Rélouin ? O que quer dizer isto ?? Este texto é uma obra de ficção, talvez inspirada pelo medo de monstros e zumbis que rondam a noite,  mas foi a única tese  que a minha imaginação conseguir criar para entender a súbita paixão brasileira pelo dia das bruxas e suas abóboras, ou melhor, pumpkins…

Hava Nagila

Final de semana com festa de  casamento de um casal de amigos judeus. Perspectiva de cerimônia cheia de simbologia com o copo sendo quebrado, todos os convidados de quipá e como habitualmente acontece, animação garantida para a noite inteira. Já estava preparado para os noivos serem carregados nas cadeiras, e para as danças entusiasmadas ao som de “Hava Nagila”  e gritos de “Mazel Tov”.

Tudo corria bem e conforme o script, quando de repente me dei conta que estava presenciando um grande exemplo da segmentação de mercado. Ao invés de cantores imitando Elvis, baterias de escola de samba e a platéia com perucas coloridas e óculos da 25 de março, subiu ao palco uma banda chamada “GPS”. Não conhecia e a distância me parecia um típico conjunto de baile de formatura, especialista em generalidades e capaz de cantar de Frank Sinatra a Menudo, passando por Edith Piaf sem qualquer constrangimento ou peso na consciência.  A GPS assumiu o comando da balada e começou a desfilar uma sequência de hits típicos de festa de casamento, com um pequeno detalhe: todos cantados em hebraico.  Quando tocaram “Ilariê” e “Ai se te pego”, em versões idiche e vi que a grande maioria dos convidados estava se esbaldando na pista, fiquei impressionado com a visão de mercado dos músicos. Acharam um filão, um verdadeiro blue ocean : são uma banda especializada em celebrações da comunidade judaíca (eu não me surpreenderia nada se eles tivessem tocado também no bar mitzvah do Nissim Ourfali), adaptando para um público específico os grandes sucessos que “agitam a pista”. Estão com a agenda cheia, vão muito além do Hava Nagila e depois do vestido da noiva, foram a atração da noite…

Cavalos e Baionetas

“You mention the Navy, for example, and the fact that we have fewer ships than we did in 1916. Well governor, we also have fewer horses and bayonets”. “We have these things called aircraft carriers and planes land on them. We have ships that go underwater, nuclear submarines.”

Barack Obama para Mitt Romney durante o último debate dos candidatos a presidência dos EUA

Esta doeu…Se fosse na escola a turma do fundão puxaria aquele grito de “IIIEEEEE”

Último capítulo

Mulheres em geral nunca foram capazes de entender como os homens após acompanharem uma partida de futebol, transmitida ao vivo, tem paciência para assistir programas esportivos que nada fazem além de recontar a história do jogo e  estabelecer debates épicos sobre a existência ou não de um penalti, se o impedimento foi corretamente marcado e se o jogador deveria ou não ter sido expulso. O resultado já está definido, nada mais mudará, os comentaristas desfilam um festival de obviedades mas lá estamos nós, homens do Brasil, prestigiando as chamadas “mesas redondas” com seus cenários toscos, anunciantes bizarros e conteúdos ocos. Neste final de semana, descobri que além da mesa redonda futebolística, criou-se no país uma enorme mesa redonda novelística. Com um agravante…era impossível mudar de canal ou desligar as pessoas. Em cada lugar que você ia, recomeçava o debate…E aí ? O que você achou do final da novela ? Pronto…horas e horas de discussão e comentários sobre a morte do Max, o destino da Carminha, a chatice da Nina, a idolatria ao Tufão. Isto não bastava…as pessoas queriam criar finais diferentes e davam vazão a sua imaginação, criticando ou defendendo apaixonadamente o autor da novela . Confesso que como alguém que não é noveleiro, me senti voltando de uma temporada na lua, completamente alienado . Tenho certeza que um monte de gente assistiu a reprise do último capítulo para ver se o final se modificava e ficava mais próximo de suas fantasias criativas. Alías, deveriam ter feito um “Você decide” para este capítulo e cobrado R$ 10,00 por cada  voto… O engajamento era tamanho que com a renda obtida a Globo poderia ter mandado a turma do Divino em bloco para a Capadócia para animar a próxima sessão de  tortura (neste caso turca e não chinesa) da Glória Perez ou se existisse um apelo mais social, financiado uns dez anos de “Criança Esperança versão Lixão”, tirando todos os personagens da miséria. Quem sabe não adaptam esta idéia para o “Vale a Pena Ver de Novo” de Avenida Brasil , que se dependesse da maioria, poderia estrear amanhã. A verdade é que depois de um final de semana de ressaca de “Avenida Brasil”, ganhei um crédito quase vitalício para  assistir “Linha de Passe”, “Terceiro Tempo”, “Cartão Verde”, “Bem Amigos”  e para a vingança ficar ainda mais doce, zapeando de um canal para o outro e com direito a merchand do Milton Neves, no lugar do Oi,Oi,Oi. 

A princesa latina

A globalização chegou ao mundo da fantasia. Sofia, ganhou o status de primeira princesa latina do reino do Mickey Mouse e sua coroação ocorrerá em Novembro, quando um desenho animado narrando as suas peripécias estreará na Disney Channel. Na lógica da Disney, sendo latina, não era de se esperar que ela tivesse sangue azul e fosse preparada para lidar com os rituais e as exigências da realeza. A Sofia latina, mudou-se para um castelo depois que sua mãe, Miranda, casou-se com o Rei Roland II. Roteiro moderno…o Rei casou com uma mulher plebéia que já tinha uma filha. Moderno  mas não muito poético…Miranda, dona de uma loja de sapatos, conheceu o rei quando ele foi comprar um par de chinelos em sua loja de sapatos….

Será que o rei era cool é foi comprar Havaianas ? Terei que aguardar o filme para confirmar mas pelos traços do desenho que foram recém divulgados, esta não parece ser a tendência. É um clássico desenho Disney..Na verdade, o desenhista da Sofia deve ter se inspirado no que aconteceu com a pele do Michael Jackson. Se a Disney não tivesse anunciado a “latinidad” de Sofia em seus press releases, eu diria que ela é a primeira princesa irlandesa a merecer lugar em um desenho animado. Cabelos ruivos e olhos azuis fazem de Sofia uma latina um tanto única. Enfim, nada que uma legenda e uma boa assessoria de imprensa não resolvam. Provavelmente em função do potencial de seu mercado, os latinos finalmente mereceram um ingresso na família real…Depois da malandragem do Zé Carioca, a redenção veio através da princesa Sofia. De repente, pensando no futuro (Sofia 2, a missão), a Disney promove o casamento da Sofia com o  seu príncipe encantado, quem sabe Hugo Chavez…ao som de rumba em Maracaibo…aí sim o pacote seria mais completo e a ficção se aproximaria da realidade.

Marketing Espacial

O passeio pela estratosfera de Felix Baumgartner foi fantástico. Ele saltou de  39,000 m, atingiu a velocidade  de 1,342 k.h, enfrentou uma temperatura de -57° C e despencou em queda livre por 4 minutos e  20 segundos. Pousou suavemente e saiu andando como se tivesse acabado de desembarcar da ponte aérea. Alguns críticos estão falando que foi um grande espetáculo de Marketing mas que não representou nenhum avanço para a ciência, afinal o que ele conseguiu não foi muito diferente do que se fez em 1960. Exceto pelos técnicos da Nasa que trabalharam no projeto Apolo ou pela família do Yuri Gagarin, será que alguém mais se importa com isto ? Li que por recomendação médica, Baumgartner  não pode tomar uma latinha de energético antes do salto, no que provavelmente seria o merchand  mais glorioso da história (imagino o gerente de produtos pressionando por isto até o início da contagem regressiva). Isto não atrapalhou o show de exposição da Red Bull… Não sei quantas latinhas  se venderão a mais por conta do salto e quanto custou o projeto  mas ontem eu senti que a Red Bull literalmente deu asas para o nosso amigo Felix e associou de vez sua marca a tecnologia, aventura e  tudo que é radical. Ir para o espaço é para poucos… 

Isto porém não é exatamente uma novidade… uma outra marca se apoderou do espaço para construir a sua imagem: Tang. Sim, Tang, o suquinho em pó, que dependendo da quantidade de amigos que você convidava para almoçar, a sua mãe diluía em mais e mais água …Tang não foi desenvolvido pela Nasa mas fez parte do cardápio dos voos tripulados dos projetos Mercury e Gemini na década de 60. Ou seja, os astronautas tinham a sua disposição a mesma água tingida  que as mamães americanas serviam para os seus rebentos.   Estar a bordo destes voos foi um elemento de comunicação constante de Tang e um dos grandes responsáveis pelo seu crescimento no mercado americano por algumas décadas…O problema é que Tang, literalmente foi pelos ares e hoje é uma marca secundária no portfolio da Kraft, encontrada em regiões tão remotas do universo como Argentina e Filipinas, espécies de Plutão globais. Espero que este  não seja um mau presságio para a Red Bull e suas estratégias de Marketing…Com ciência ou sem ciência, o que eles fizeram em torno da missão Stratos quase me motivou a comprar uma latinha para agradecer e servir como ingresso pelo espetáculo. Deixei para comprar quando eles chegarem a Marte…

Piu-piu sem Frajola

Saída para o feriado, chuva, tédio. Dia das crianças…Hora de soltamos o playlist infantil para distrair a turma. A primeira conclusão é de que a trilha precisa ser rapidamente atualizada pois algumas músicas já estão completamente inadequadas para a faixa etária atual e para os interesses dominantes. Começa a tocar “Fico assim sem você ”  versão da Adriana, que era Calcanhoto mas para que para tentar vender mais discos, virou Partimpim.

“Avião sem asa,
Fogueira sem brasa,
Sou eu assim, sem você
Futebol sem bola,
Piu-piu sem Frajola,
Sou eu assim, sem você…”

Interrupção súbita por parte de uma das crianças:

– Como assim Piu-Piu sem Frajola ?

Outro rebate: – Frajola, o gato, aquele que vive brigando com o Piu-Piu. Eles se detestam mas não podem viver separados…

– Não, não é sobre isto que estou falando. Ela tem autorização da Looney Tunes para colocar o Piu-Piu e o Frajola na música ? Ela não pode fazer isto…

Algo me diz que meus filhos e os amigos andaram assistindo as sessões de julgamento do Mensalão na TV Justiça ao invés de Cartoon Network e Disney Channel. A polêmica sobre direitos autorais dominou o resto da viagem. No dia das crianças, meus filhos e seus amigos, estavam inconscientemente brincando de advogados e o carro se transformou em um tribunal. O veredicto ? Partimpim foi absolvida em um placar apertado. O derrotado quis levar o caso ao supremo, no caso, “eu”, mas diferente de alguns ministros da suprema corte, achei correto me abster por conflito de interesses.

Gangnam e Tchan

Nos últimos meses tem sido constante a disseminação de algumas pragas musicais que em função de seu ritmo e de alguma dancinha tipo Macarena ou YMCA reloaded , se espalham pela internet, ganham o reforço de algum famoso que se submete ao mico de tentar imitá-las e que se tornam unanimidades globais. Não há festinha infantil, baile de debutante, happy hour ou velório em que a tal música não seja reverberada…”Ai se eu te pego” e  “Gangnam Style”  foram exemplos recentes.  Mais do que a musiquinha em si, parei para pensar em quem eram estes cantores antes, no que se transformaram e qual será o seu futuro…Em um momento de tédio internético, fui pesquisar se o tal PSY, cantor de Gangnam Style,  também era uma versão coreana do Michel Teló, ou seja, alguém que passou de total desconhecido em seu país para ter alguns minutos de celebridade universal. Para enriquecimento de minha cultura de assuntos para conversas de bar, descobri  que diferentemente do Michel, que era bastante famoso nos almoços da família Teló e que dava autógrafos apenas quando assinava cheques, PSY já era um ícone pop na Coréia do Sul. Já tinha feito sucesso no passado e foi um dos grandes agitadores da torcida coreana durante a Copa do Mundo de 2002. A sua produção cultural provavelmente não lhe assegurará um lugar na Academia Coreana de Letras mas o conjunto de sua obra (aprendi isto com o “Oscar”) tira um pouco daquela sensação de que o cara ganhou na loteria, com uma música e nada mais …No caso do PSY, ele já foi condenado a cantar e dançar Gangnam Style umas dez vezes ao dia pelo resto de sua existência, mas descobri que ele poderá seduzir a platéia e tentar emplacar seus outros hits como “We are the one” and “Champions”, que por enquanto animaram apenas os seus fãs de Seul.  

Resta esperar para ver qual será o próximo fenômeno midiático e se ele sobreviverá por mais de quinze dias…Eu fiquei imaginando o Compadre  Washington e sua frustração de não ter comandando uma multidão na Times Square dançando “É o Tchan” …A internet era mais fraquinha alguns atrás… Se fosse hoje em dia, as Sheilas seriam celebridades globais, fariam filmes do Almodovar e o Jacaré se sentaria no sofá do Oprah…

Memórias afetivas

Esta semana vi que haveria um show de comemoração dos 30 anos de carreira dos Titãs com sua formação original, com Arnaldo Antunes,Nando Reis e Charles Gavin. Baixou o momento nostalgia, comprei ingresso. Não fui esperando novidades  ou para avaliar se os rockeiros grisalhos ainda estão em boa forma ou ainda para criticar os infinitos “acústicos” dos últimos anos. Fui para encontrar o passado. Eu e a multidão que estava lá. A faixa etária dominante era próxima dos 40. Nada de fãs de Restart. Alguns kilos a mais, alguns cabelos a menos mas o desejo de voltar no tempo e rever músicas que se cruzaram com as histórias de cada um. Ninguém queria remix, banquinho e violão  ou versão samba dos grandes sucessos. Todos esperavam que, ao menos naquela noite, tudo fosse exatamente igual ao passado. Uma espécie de túnel do tempo musical. Faz de conta que todos os membros ainda fazem parte da banda, faz de conta que se dão bem e são amigos, faz de conta que “Polícia” e “Bichos Escrotos” são radicais e músicas de protesto , faz de conta que “pogo dance” ainda faz sentido, faz de conta que temos vinte e poucos anos. Valeu muito…”Sonífera Ilha” confirmou de vez sua inclusão no melhor dos playlists…aquele que  montamos, não no ITunes, mas na nossa mente, com as músicas que de um jeito ou de outro marcam e que quando começam a tocar nos transportam e  nos fazem reviver sensações,encontros e lugares…

Para completar a sessão de memórias afetivas foi obrigatório sair do show e comer um x-salada na madrugada e depois disto ainda ter disposição para assistir o GP de Fórmula-1 que começou  3 AM. O programa foi completo, as memórias foram revividas…

Alegria,ousadia e paciência

Ninguém parece ter muita dúvida que as chances de sucesso do Brasil na Copa do Mundo de 2014 passam pelo humor (ou pelos pés) do Neymar. Melhor jogador que apareceu no Brasil nos últimos anos, destoa do resto da turma e é capaz de decidir jogos e mais jogos praticamente sozinho. Saltos ornamentais espetaculares , coreografias ao comemorar os gols e cabelos que se alternam entre chapinhas japonesas, espanador e moicano também fazem parte de seu repertório e da construção de  sua imagem  de ídolo. Parabéns para o Neymar…Movido pelo seu lema de alegria e ousadia, ele chegou lá e carrega a esperança futebolística da nação. Isto dito, alguém por favor tire este cara dos breaks comerciais e preserve sua imagem (e minha paciência!) . Ok, que grande parte de seu salário vem de seus patrocínios pessoais mas não dá para um cidadão ao mesmo tempo mostrar a marca de sua cueca, aparecer como motorista de um Golzinho vermelho, fazer apologia de como trata a frieira de seus pés, divulgar marca de bateria de carro, celular, de chuteira, banco e agora aparecer vestido de Elvis e de vaquinha malhada para vender sorvete.  Tem que ter alguma lógica…fica difícil mostrar o corpo para a Lupo em poses de ex-BBB para o Paparazzo e ao mesmo tempo se fantasiar de leãozinho de pelúcia… Dirão os gurus do meio que são targets diferentes e que Neymar é o ícone do momento para todas as faixas etárias e sociais e que não há conflito. Outros dirão que por três milhões de reais por mês eu aceitaria até me vestir de odalisca..Sobre a odalisca eu precisaria refletir um pouco mas com conflito ou sem conflito, já deu. Estou quase cantando “eu quero tchu, eu quero tcha, mas me poupem do Neymar”…

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Rumo a um bilhão de hits

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