Incluir é não diferenciar

As grandes empresas no Brasil estão ficando mais responsáveis e atentas a importância de promoverem a diversidade em seu quadro de funcionários. Ainda que a lei que que determina cotas de pessoas com deficiência nas empresas precise de muitos ajustes , a verdade é que de modo geral, ela contribuiu para que os ambientes de trabalho fiquem mais inclusivos e um pouco menos preconceituosos. Há menos espaço e tolerância para discriminações motividadas por religião, sexo, cor ou deficiências físicas. A adaptação de espaços físicos começou a acontecer. Estamos engatinhando mas a minha sensação é que ao menos já existe a sensibilidade e a preocupação com o tema.
A comunicação externa e as propagandas das nossas empresas no entanto, ainda refletem bem pouco este despertar e ainda existe um modelo bastante rígido e inflexível de clones genéricas de Giseles. Isto poderia ser bem diferente. Vejam que interessante a história que encontrei no http://www.adweek sobre um menino de 9 anos, chamado Ryan e que é modelo fotográfico nos EUA. Ryan tem síndrome de Down e é uma das estrelas do catálogo de roupas da Target, depois de também já ter feito campanhas para a Nordstrom. A aparição de Ryan nas campanhas de ambas as empresas, gerou uma onda de mensagens positivas e simpatia, não pela presença do menino mas sobretudo pela maneira como ocorreu. Em ambas as campanhas, Ryan foi tratado como um menino qualquer, misturado a outras crianças, sem nenhum alarde, sem dizer que existiam roupas especiais para crianças especiais e sem apelo piegas ou com chantagem emocional. Inclusão pura e simples,sem diferenciação.

“Cavalo de guerra”, um pangaré do Spielberg…

Depois de pagar ingresso para assistir a “Cavalo de Guerra” de Steven Spielberg, concluí que o verdadeiro quadrúpede da história era eu, não na categoria equina mas na dos muares (mulas e afins…). O filme conta a história da amizade entre o cavalo Joey e o jovem Albert, que o domestica e o treina. Quando eles são forçados a se separar, o filme acompanha a jornada do cavalo, seguindo sua trajetória durante a primeira guerra mundial, passando pela cavalaria britânica, os soldados alemães e um fazendeiro francês e sua neta. A história atinge o seu ápice em uma batalha na Terra de Ninguém em que nosso amigo Joey é transformado em um soldado Ryan de quatro patas . A narrativa inteira é feita sob a perspectiva do cavalo e apesar do filme transcorrer em época de guerra, não existem grandes diferenças entre heróis e vilões e mocinhos e bandidos. Empolgante?

Está certo que pela descrição já daria para prever uma mistura de filmes como “minha amiga Flicka” com o “Corcel Negro” mas saí do cinema achando que fui atacado pela maldição equina dos ponêis da propaganda viral da Nissan e xingando até o coitado do ET que também tem o Spielberg como pai…O filme é uma coleção de chavões melodramáticos, é totalmente previsível e o cavalo, apesar de ser o melhor ator do filme, acaba sendo transformado em um Rambo trotador. Faz milagres, sobrevive a tudo: tiros, arames farpados, bombas. Escolha outro filme para começar a temporada de cinema de 2012. Literalmente caí do cavalo com minha escolha…

Histórias de avião

Eu pensava que já tinha passado por quase tudo em minha vida como passageiro de avião. Já tive mala perdida, avião arremetendo, voo cancelado, voo perdido, overbooking, upgrade e a cereja do bolo que adoro contar em mesas de bar: abandonei um avião em evacuação de emergência, com direito a descida de escorregador e corrida pela pista com medo de explosão. Esta semana ganhei mais uma história…tudo começou quando em função do voo lotado, fomos remanejados para a classe executiva da TAM de Manaus para Guarulhos (nota para aficcionados: a TAM utiliza um A330 nesta rota, por isto existe a classe executiva). As crianças já martelavam todos os botões disponíveis, fascinados com a perspectiva de voarem quase na horizontal, pulando, jogando e assistindo Harry Potter ao mesmo tempo. Eis que um passageiro resolveu se indignar com os upgrades dados a nós e a outros passageiros. Dizia que havia pago R$ 1342,00 (falou tanto com o pessoal da tripulação que memorizei o número) para voar naquela classe e que aquilo era injusto, pois os outros estavam ganhando aquilo de graça. Esbravejou, levantou, bufou com um comissário, esperneou com duas aeromoças e finalmente retornou ao seu assento. Para mim o desabafo estava concluído e em breve partiríamos.
Passam-se 10 minutos e dois agentes da polícia federal, a pedido do comandante, entram no avião para retirar o reclamão. Ele até tentou dizer que não era bem assim, apelou para o “deixa disso”, disse que tinha sido mal compreendido, que estava apenas reclamando dos seus direitos e por fim tentou o nobre golpe da carteirada, dizendo que era o projetista da nova ponte de Manaus (realmente não me pareceu um grande argumento mas que ele tentou, tentou).

Até a nova ponte sobre o Amazonas foi citada na tentativa do cidadão ficar a bordo


Não teve conversa. Expulsão sumária do avião por destrato a tripulação e meia hora de atraso…Nem reclamei…voei com mais espaço, assisti a cena toda de camarote e ganhei uma nova história de avião para a coleção.

Memórias do encontro das águas

Uma das coisas mais impressionantes da visita a Manaus é o encontro das águas dos rios Negro e Solimões. São vários kilometros em que você percebe claramente os limites de cada um dos rios pois as suas águas não se misturam. Velocidades diferentes, densidades diferentes, temperaturas diferentes fazem com que a separação dos rios seja um espetáculo visual, algo como vinagre e azeite em escala monumental.
Para mim no entanto, a parte mais bonita do encontro das águas foi ver como meus filhos quiseram registrar esta lembrança para compartilhar, contar e mostrar para as pessoas na volta. Cada um com um potinho de shampoo vazio nas mãos, trazido do hotel, se esticando do barco e coletando a água do local onde os rios se encontravam. Queriam reproduzir no potinho o que estavam vivenciando e levar esta sensação para quem não estava com eles. Mais do que qualquer piranha empalhada ou chocalho indígena este é o verdadeiro presente de viagem que alguém pode receber: com emoção, com pureza e com poesia.

Crônica de um dia em que começou a chover e não parou mais

Nestes dias eu deveria estar vendo o mar, aquele que fica perto da praia, mas consigo ver apenas o mar de chuva que cai dos céus. Começou a chover em 2011 e não parou mais…O dilúvio combinado com a completa falta de atrações esportivas na TV (é férias e não tem sequer taça SP de futebol Jr, ou desafio Rio x SP de veteranos em futebol de areia) leva a um quadro definido pelos especialistas como sendo de tédio . Pensamos em voltar para SP, para vivenciar o tédio sob uma perspectiva urbana mas tédio com trânsito na Rio Santos/ Imigrantes é uma combinação ainda mais explosiva.
O tédio tem suas virtudes e quando ele chega a um estágio muito avançado te força a ser pró-ativo e criativo. Revirei todos os canais da TV a cabo, reencontrando filmes que já julgava extintos juntamente com os dinossauros. E a busca pelas estantes da casa ? Localizei um livro açucarado da Danielle Steel e concluí que retrospectivas da TV Globo ainda seriam melhores opções do que me aventurar pelas histórias de amor de Peter Haskell e Olívia Thatcher, personagens que encontrei na orelha do livro. Ressurgem as idéias dos jogos de tabuleiros ou cartas mas nos damos conta que o nosso plano de fazer uma série histórica de melhor de 71 partidas no gamão ficou preterido pelo esquecimento do tabuleiro. Tem o gamão no IPad mas não tem a mesma graça… Jogar “Stop” com mais de 40 anos de idade é justificativa para interdição e os anos de experiência me falam que eu devo fugir das polêmicas de colocar “Havana”como cor com a letra H e “Namorado” (o peixe!) como animal com a letra N. Prefiro evitar. E a Internet, mãe salvadora dos desocupados ? Sim, quando ela funciona, tem sido terapêutica mas até eu já cansei de ler sobre queimas de fogos pelo mundo, tráfego nas estradas e enchentes e desabamentos de verão. O que nos restou ? Minha esposa optou pelo projeto de mimetizar um urso em fase de hibernação e dorme umas 16 horas por dia. Eu estou mais ativo e me coloquei uma meta mais ambiciosa de concluir um sonho antigo: eliminar todos os porquinhos verdes do Angry Birds, mas tem que ser com classe, com 3 estrelas…Se continuar chovendo e com este tédio, acho que chego lá.

Feliz 2012 !

Depois de vários anos voltei a passar o reveillon na praia. É aqui que os rituais acontecem…trânsito infernal, calor, as sete ondinhas, as roupas brancas, o foguetório. Do trânsito eu escapei espetacularmente. Já as primeiras sete ondas que pulei foram no terraço de casa, completamente inundado pela chuva torrencial que caiu ontem a noite. Acabei pulando as 7 do terraço mais 7 no mar, o que me gera uma expectativa de um ano fantástico, afinal estou com crédito com Iemanjá, e ela como deusa das águas não pode diferenciar água do mar de água do terraço. O meu deslize foi com o branco… com medo de pegar uma pneumonia em função de uma camiseta encharcada, abdiquei da cor oficial e fui de azul. Isto aconteceu não por uma questão de superstição mas sim porque esta era a cor da minha sunga e este era o meu único traje de reveillon. E se sunga já é uma coisa duvidosa, sunga branca somente seria permitida se eu fosse lutador de jiu jitsu. Fui de azul mesmo…
Saí de casa 23:58 e 00:02 eu estava de volta, completamente ensopado mas com os rituais devidamente completos. Mar, fogos, votos de ano novo…Aliás alguém poderia me explicar a graça de se soltarem rojões ? Fogos de artifício eu entendo, são realmente bonitos. Mas rojões servem apenas para aborrecer e assustar os cachorros e os bebezinhos da vizinhança. Não saem sequer em fotografias.Poderiam ser banidos das comemorações juntamente com as reportagens que informam que já é ano novo na Nova Zelândia…
Enfim, mais um ano se passou e a história começa toda de novo. A coisa boa é que se chuva servir para lavar a alma, certamente comecei 2012 completamente purificado. Feliz ano novo !

O lado pouco cor de rosa do encontro com os botos.

Confesso que tenho bastante preguiça dos eco-chatos que não usam fraldas descartáveis em seus filhos, não lavam louça com detergente e que dão a descarga uma vez ao dia para economizar a água do planeta. Para mim, o importante é se encontrar o meio do caminho entre conforto e proteção ambiental. O homem tem que ser capaz de produzir fraldas melhores que se desintegrem mais rápido, detergentes bio degradáveis e descargas inteligentes. Consciência ecológica sim, chatice e radicalismo não. O progresso deve existir para nos ajudar a conciliar os interesses…

Os botos sendo alimentados no "quintal"da casa . Um jeito sem graça de ver a natureza.


Existem algumas coisas no entanto, que me pareciam aceitáveis alguns anos atrás e que hoje me incomodam. Nesta viagem foi assim com nossa excursão para ver os botos cor de rosa, os primos dos golfinhos, que vivem nos rios da Amazônia. Os botos que vimos, seguem vivendo dentro do rio Negro mas foram condicionados por uma ribeirinha a receberem comida no mesmo lugar e na mesma hora, em uma espécie de quintal aquático na frente de sua casa, na beira do rio. É uma situação distorcida da natureza, artificial, que gera um incômodo. De um lado um animal bonito, em seu habitat, de outro alguém fazendo dinheiro as suas custas. Vi e conheci o boto mas fiquei mais chateado do que feliz. Foi um jeito cinza de encontrar o boto cor de rosa.
Animais selvagens, condicionados para entreter humanos deixaram de ter qualquer graça para mim. É bom que já existam circos sem animais e pressão sobre touradas e rodeios. Acho que quando nossos netos crescerem eles não entenderão como em um passado tão recente as pessoas se divertiam as custas dos animais.

Os Forest Gumps da Rain Forest

Durante os nossos dias de Amazônia, caminhamos a pé pela floresta, andamos de barco de dia e de noite e vimos araras, tucanos, piranhas, botos cor de rosa, bichos preguiça, cobras e jacarés . A flora é muito mais exuberante do que a fauna e os olhos veem um infinito verde com árvores de todos os tipos e tamanhos. Esta para mim é a grande beleza da Amazônia…o seu verde combinado com os seus incríveis e gigantescos rios. A sensação que eu tenho é que na cabeça dos guias aparentemente árvores e rios não dão muito Ibope e eles pensam que os turistas esperam encontrar um grande zoo tropical a céu aberto. Como você não vê e não encontra grandes animais, os guias mesmo criam histórias. Te falam de aves que arrancam as preguiças da copa das árvores, piranhas que comem as mãos dos ribeirinhos, tucunarés que viram barcos de pescadores , ataques de índios aos caboclos mas a especialidade mesmo são as cobras. Sucuris de 12 metros, cobras que te perseguem e dão botes de 6 metros e até cobras que se penduram nos galhos e dão chicotadas em quem está embaixo. Amazônia tem suas lendas e seus mistérios mas os guias foram os Forest Gumps, os contadores de histórias, da Rain Forest…

A Amazônia é o jardim do quintal ?

Dinheiro secando na mesa do lobby. Indício de que você não está no Brasil...

Você chega no lobby do hotel e encontra uns R$ 350,00 , em notas molhadas, que um hóspede resolveu deixar sobre a mesa para secar. Depois na entrada do restaurante vê uma lousa explicando que jaguar=onça,forest=floresta e fish=peixe. O guia que te leva para pescar piranhas é um indiano que arranha o português. No meio de 30 hóspedes, uns 5 ou 6 falam português…
Em vários momentos você tem certeza que não está no Brasil. E na verdade a Amazônia é mesmo um pedaço do Brasil que o Brasil ainda não descobriu. É do mundo mas parece que não é do Brasil…Você tem a clara sensação de se sentir um estrangeiro em seu próprio país. Eles te perguntam porque os brasileiros não se interessam em vir para a Amazônia e você se esforça para encontrar uma boa resposta (que acaba não tendo.O mais perto que passei foi dizer que o motivo é que ainda não tinham inventado uma Best Buy flutuante no Rio Negro). De jardim do quintal do Brasil como dizia Raulzito, a Amazônia tem muito pouco…O jardim tem muitos outros jardineiros e bem poucos falam português. Fiz turismo sem sair do Brasil, mas certamente fiquei com a sensação de que me conectei um pouco mais com o mundo.

Blog entra em ritmo de tartaruga nos próximos dias

Nos próximos dias será difícil postar qualquer coisa.Internet via satélite, em ritmo de tartaruga. Alinhada com o meu ritmo de férias… No momento a cidade mais perto de mim é Novo Airão (sejam curiosos e procurem no mapa). Estou me sentindo estrangeiro dentro do Brasil. Vou escrevendo…Quando tiver conexão melhor ,que me deixe anexar fotos e vídeos, eu descarrego os posts pendentes. Até a volta do sinal! (sem conexão semi-discada…)

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