Conseguiram transformar a proibição dos sacolinhas plásticas dos supermercado em algo parecido com as discussões sobre o aborto e a pena de morte. Posições apaixonadas, contra e a favor da nova regulamentação que proíbe a distribuição gratuita nos pontos de vendas. Literalmente, um saco.
Polêmicas a parte e superada a fase da negação, a verdade é que agora precisamos nos adaptar a levar sacolas de pano,carrinhos de feira ou caixas para o supermercado para acomodar as nossas compras. Mais dramático no entanto é reaprendermos a vida sem os saquinhos que iam direto para as nossas lixeiras da pia e do banheiro. Tudo isto não é nada perto da reclamação da auxiliar do lar, sofrendo e revoltada com a lei. Inspirado nas aulas de artes que eu fazia no primário, decidi que daqui para frente em casa, como parte da mais valia da empregada, a ensinaremos a produzir “sacos de lixo” de papel de jornal. 
O processo é fácil, ecologicamente correto e depois de a iniciar no maravilhoso mundo da separação de materiais para reciclagem em que ninguém nunca sabe se a caixa de leite é reciclável ou não, nada mais natural do que a transformarmos em uma artesã. O problema dos saquinhos estará resolvido, pelo menos enquanto eu continuar assinando jornal, o que também não deverá durar muito.
Haja saco
Publicado em Cotidiano
Fora de sintonia
Hoje li a notícia que a rádio MIT FM vai sair do ar a partir de março. As poucas pessoas da minha faixa etária com as quais convivo e que gostam de rádio, ouvem a MIT FM e a identificam como a melhor opção de um dial tomado por Victors, Léos, Telós e sertanejos pseudo universitários. Cada dia que passa eu me convenço que o problema sou eu e que minha audiência deve ser subqualificada. Não é possível…Alguns anos atrás fui dormir ouvindo Rock na 89FM e fui despertado com acordes axézisticos e gritos de Aê,Aê,Aê,Ô,Ô,Ô…Primeiro achei que tinha errado e depois percebi que a “rádio rock” tinha virado a “rádio tudo menos rock” (agora se chama rádio Fast, o que não me diz muito…). Em uma fase mais cabeça, migrei para a Eldorado FM, onde aprendi quem eram os ” Móveis Coloniais de Acajú” e que Mariana Aidar, Céu, Roberta Sá e Teresa Cristina, embora cantem coisas quase iguais e com a mesma voz,não são a mesma pessoa com vários pseudônimos…Durou pouco. A Eldorado virou rádio Estadão ESPN e lá fui eu em busca de uma nova estação de referência. Estava feliz com a MIT…musiquinhas década de 80/90, lançamentos na medida certa, poucos comerciais e hoje leio que a rádio também acabará. Acho que perceberam que os ouvintes não estão comprando Pajeros. Parece que o meu gosto musical não está sendo o da maioria, estou fora de sintonia. Acho que chegou a hora de me iniciar no pagode , no axé e no sertanejo universitário. Se fizer isto com certeza meus ouvidos serão um pouco torturados mas não sofrerei novas desilusões estereofônicas…
Publicado em Cotidiano, Entretenimento
Twitter: o passarinho vai para a gaiola
Recentemente o Twitter anunciou que desenvolveu um mecanismo que permite que os tweets passem a ser monitorados e bloqueados em diferentes regiões. Um mesmo tweet poderia ser liberado em um país e bloqueado em outro. Um determinado país faria uma solicitação ao Twitter para que os tweets relacionados a temas “ilegais” fossem bloqueados. No lugar, o Twitter postaria uma mensagem de censura ao invés da mensagem originalmente postada.
Parece um roteiro perfeito para Cuba, Síria e afins. Eis que surge o primeiro candidato a exercer o poder de censura: Brasil! Justo nisto fomos ser pioneiros ?!
O governo brasileiro entrou com um processo solicitando que o Twitter exerça o bloqueio sobre mensagens relacionadas a ocorrência e localização de blitz de trânsito,fiscalização de lei seca, radares móveis etc… Se a liminar for concedida, o Twitter será considerado co-responsável pelos tweets que estimulam o drible a lei e pagará R$ 500.000,00/dia por infração. Será que não existe alguma solução mais inteligente ? Não me parece que mesmo que a censura seja implementada irá resolver alguma coisa. Comunicação não se prende na gaiola. Telefones celulares e e-mails continuarão existindo, mensagens cifradas serão criadas. É algo bem parecido com tirar o sofá da sala para que a filha não namore. Cidadania e responsabilidade não virão com censura.
Trailer ao vivo
Lançamentos de filmes normalmente são anunciados através de trailers, historicamente exibidos nas salas de cinema antes das sessões começarem. Nos últimos anos até se ampliou um pouco este universo e os trailers também são divulgados através de virais na Internet. Na última semana em Nova York, a 20th Century Fox, juntamente com a Thinkmodo, uma companhia especializada na produção de virais, resolveram inovar para fazer a divulgação do novo filme “Chronicle”. O filme conta a história de 3 estudantes que adquirem super poderes e que ficam capazes de voar. A Thinkmodo produziu então 3 “objetos voadores não identificados”, bonecos controlados por controle remoto, e que foram feitos para parecer pessoas voando. O local do sobrevoo foi próximo a ponte do Brooklyn, com direito a contornar a estátua da Liberdade e rasantes sobre o Rio Hudson. Foram 6 voos de 5 minutos e até um acidente quando um boneco mergulhar no rio e teve que ser resgatado pela polícia. Vários nova-yorkinos não acostumados com pessoas voando próximas de suas janelas, ligaram para o 911 para relatar o episódio. O trailer ao vivo foi um sucesso e a repercussão em torno do lançamento do filme estava garantida.
Publicado em Entretenimento, Marketing
O fim da música de elevador…
Todos os lugares mais ou menos descolados por aí tem criado uma ambientação para que o consumidor se sinta a vontade e conectado com aquele local. Começou pelo grande investimento na decoração, passou pelo perfil e aparência dos vendedores/garçons e hoje transita por aromas e sons. Aquele cheirinho de chocolate que você sente em algumas lojas não é da fábrica da Lacta que fica na vizinhança. A trilha sonora também não vem da rádio que sintoniza melhor. É fácil perceber que cada dia mais as famosas músicas de elevador, padrão Alpha FM, ficaram restritas a consultórios médicos e odontológicos. Tudo é pensado e planejado para reforçar a ligação entre o consumidor e o estabelecimento e a trilha sonora tem um papel fundamental nisto. Que tal ouvir da sua casa o que está tocando na loja que você mais gosta ? E na balada que você gosta de frequentar ? Pois é…agora você consegue fazer isto.Um site chamado http://www.awdio.com permite que você se conecte com o ambiente que toca as músicas que você gosta e em tempo real. Cada loja, hotel, restaurante cria o seu próprio canal e você ouve ao vivo, de qualquer computador, o que está tocando naquele momento. Mais uma maneira de se aproximar do consumidor. Depois das compras on line, agora chegou a hora de também vivenciar o ambiente on line, real time.
Raio, estrela e luar
Wando morreu. Do ponto de vista musical não acho que seja uma das maiores perdas para a música brasileira (ok, ele compôs Moça e Raio, Estrela e luar…), mas confesso que achava o Wando um grande personagem e um craque de marketing. Em um universo de cantores populares, ele conseguiu se diferenciar, criar uma marca própria e que fará com que seja lembrado por décadas. Wando definiu um posicionamento e foi fiel a ele até o final. Se colocava como um romântico, amante das mulheres e consolidou esta imagem se apropriando do símbolo máximo da intimidade feminina: as calcinhas. Seus shows (não, não compareci a nenhum) tinham banheiras, lençóis de cetim, cenas românticas e as fãs retribuíam atirando calcinhas no palco. Wando colecionava as calcinhas recebidas das fãs ( dizia ter mais de 17.000 peças ) e devolvia jogando calcinhas autografadas para a platéia. Virou até garoto propaganda de lingerie, a ponto da DuLoren, fabricante de peças íntimas ter enviado uma coroa de flores para o seu velório. Claramente era alguém que sabia se conectar com sua audiência e falar a sua linguagem. Preconceitos e estereótipos a parte era um craque na comunicação com a classe C. Provavelmente não se inspirou em Kotler ou em buscar um Oceano Azul para encontrar um diferencial como cantor, mas ainda que empiricamente, deu uma aula de marketing e de consistência de posicionamento, para várias marcas por aí.
Publicado em Música, Mundo de Dilbert
Xu Xaine
Fim de viagem e volta ao Brasil. Estava tudo muito estranho e atípico em Cumbica: tinha vaga para o avião encostar no finger, não tinha fila para mostrar o passaporte, a mala já estava circulando pela esteira e foi chegar e passar direto pela deserta receita federal. Tudo tão rápido e eficiente que saí do aeroporto muito antes do que havia combinado com o motorista que iria me buscar. Fiquei do lado de fora esperando e aí Cumbica voltou a ser Cumbica e percebi que meu momento suiço tinha sido ilusório. Enquanto esperava, via todas as tripulações saindo em direção aos seus ônibus que os levariam aos hotéis para descansarem. No caminho todos eram abordados por meninos de rua, que gritavam e perguntavam “Xu Xaine ?”, “Xu Xaine ?”. Alguns tripulantes passavam reto e os ignoravam. Outros paravam esticavam os seus sapatos para uma sessão de “shoe shining” ou em bom português, para terem os seus sapatos engraxados. O pagamento ? Iogurtes, refrigerantes e restos de comida trazidos de bordo. Triste. Privatizamos os aeroportos, melhoraremos nossa infra estrutura mas ainda falta muito para o Brasil deixar de engraxar os sapatos dos outros.
Pedreiros made in USA

Quem tem experiência de passar por uma obra, seja ela a pintura de uma parede ou a construção de uma casa, já se deparou com o desespero da falta de prazos, dos desaparecimentos súbitos e do tsunami doméstico causado pelos nossos nobres prestadores de serviço. Ontem fiquei com inveja dos “pedreiros” americanos. Não sei se eles serviriam para bater laje e subir parede mas que foram incríveis para os vinte e poucos minutos de show da Madonna, isto foram…
Publicado em Cotidiano
De IPad para ICrash
Qual a sensação que você tem quando o seu IPad de estimação se esborracha no chão e a tela se transforma em um mosaico de cacos de cristal líquido ? No meu caso, a primeira reação foi procurar quem culpar. Pensei nas crianças e na empregada mas como eu estava sozinho, a responsabilidade obrigatoriamente recaiu sobre mim mesmo. Me repreendi duramente, me julguei uma anta e me auto-flagelei. Como nada disto foi suficiente, veio a dúvida entre esperar 2 meses e comprar um possível IPad 3 ou encarar o olhar de reprovação do vendedor da Apple Store, fazer cara de carente e chorar um desconto para pegar um novo. Ficar mais dois meses olhando a tela em migalhas e me recriminando pela orelhada, certamente geraria um mau humor tamanho em mim que a dúvida se dissipou rapidamente. Aproveitando que eu estava nos EUA, lá fui eu para a Apple Store. Algumas lendas da Internet diziam que a Apple reporia o meu Ipad de graça. Bem que tentei chegar com cara de vítima, de nerd abalado, mas não foi bem assim…Recolheram o IPad antigo e me venderam um novo, exatamente igual,pela metade do preço. Já sai da loja com o novo IPad clonado, com todos os aplicativos e configurado de maneira idêntica ao original. Achei justo e simpático, afinal eles não tiveram nada a ver com a minha falta de coordenação motora ao derrubar o IPad.
O vendedor ainda me ensinou que se eu baixar o aplicativo da Apple Store para a IPhone, consigo entrar na loja e comprar acessórios sem sequer ter que falar com ninguém. O aplicativo transforma meu celular em um leitor de código de barras e processador de cartão de crédito e eu mesmo faço tudo. Por isto a Apple é a Apple.















