Mistura de dança com luta, garantia de flexibilidade e agilidade, disciplina, gingado, estado de espírito, arte marcial brasileira.. Muitos dizem que a capoeira é tudo isto e muito mais…Respeito quem goste e veja graça mas para mim, definitivamente a capoeira é das coisas mais chatas que alguém já inventou. Assistir por mais de 2 minutos a uma roda de capoeira, vendo as pessoas dando estrelas no vácuo, cantando músicas hipnóticas e com trajes de noite de reveillon é dos maiores exercícios de paciência a que alguém pode ser submetido. Passei por isto no final de semana e confesso que quase tive um impulso de entrar na roda para animá-la um pouco e transformá-la em um octógono de vale tudo. Certamente eu tomaria uma voadora de algum mestre e viraria pó…Mestre Bira, Mestre Grilo, Mestre Pastinha…ninguém tem nome, só apelido e todo mundo é mestre… Ninguém luta nem dança, todos jogam…Enfim,capoeira não é para mim. Isto ficou reforçado quando acordei de um pesadelo em que eu estava sendo torturado…em um quarto fechado, tinha que ouvir meia hora de “Paranauê” , tocado lentamente, com berimbaus, atabaques e reco-recos , sem poder tapar meus ouvidos…Prometi para mim mesmo que nunca mais assistiria a nenhuma demonstração de capoeira, por mais curta que seja.
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Berimbau
Black Power
É impossível passar pela África do Sul e não lembrar que até alguns anos o Apartheid, regime de segregação racial existiu por aqui e sentir as cicatrizes que isto deixou.

Passaram quase vinte anos e fiquei pensando na habilidade e na liderança de Nelson Mandela para que o fim do regime não tenha sido uma carnificina. O poder político migrou de brancos para negros mas a distribuição de renda está idêntica. A bomba não explodiu mas fica a sensação que a pólvora continua espalhada. Talvez por isto Barack Obama continue sendo um pop star por aqui. Ninguém com quem falei quer saber o que ele fez ou fará, mas sim o que ele representa. De alguma maneira, ele é a África negra, oprimida e miserável, comandando o país mais poderoso do mundo.Obama ficará mais quatro anos…e tem o papel de além de simbolizar , realmente ser um guardião da igualdade e do acesso,não apenas nos EUA mas no mundo todo.Além disto como bônus pela sua permanência, eu ganhei mais algum tempo para até 2016 entender como funcionam as eleições americanas. Minha tese: os caras ficam um ano disputando prévias em seus partidos e mais não sei quantos meses em campanha mas em 90% dos estados, os democratas ou os republicanos sempre vencem, há séculos e independentemente do candidato. Na realidade, disputa mesmo e a definição do vitorioso ocorrem apenas nos chamados “swing states”, que mudam de opinião de tempos em tempos. É lá que a campanha não é café com leite.
Sandy sem Jr.
Nos últimos dias só dá Sandy (a tempestade americana, não a filha do Xororó e irmã do Júnior)…Chuva, inundação, destruição, falta de eletricidade, perspectiva de proliferação de ratos. Tudo muito ruim para toda a região atingida mas tem um aspecto interessante que é uma discreta solidariedade exibicionista aparecendo entre os brasileiros das redes sociais . Ficou cool falar coisas como: Vocês viram como ficou o Holland Tunnel ? E o Battery Park, destruído ? Para baixo da 27 ficou tudo completamente sem luz… Chelsea ficou intransitável… Acho que Bloomberg terá trabalho…Meatpacking foi muito atingido.Estão aproveitando a desgraça alheia para demonstrar uma enorme intimidade com NYC. Não estou falando dos nativos ou das pessoas que moram lá que devem estar absolutamente espantadas com o que aconteceu…Estou falando de uma parcela da Brazucada, que sempre que tem a chance, adora parecer “in” das cidades mais legais do planeta. Estou esperando alguma campanha de mobilização organizada pela elite paulistana com o propósito de ajudar os desabrigados New-Yorkers (os de New Jersey não dão muito Ibope nas nossas terras…deixemos que o Obama cuide deles)…Vamos arrecadar cupcakes,bagels e donnuts para as vítimas da Sandy. Pega bem entre as amigas e é importante que a cidade se reconstrua rápido para dar tempo de nossa tchurma voar e fazer compritchas de natal. Sujeira e destruição deixamos para São Paulo em Janeiro, quando o Tietê transbordar…isto não combina com NY.
Publicado em Cotidiano, Etnografia, Reflexivo
Piu-piu sem Frajola
Saída para o feriado, chuva, tédio. Dia das crianças…Hora de soltamos o playlist infantil para distrair a turma. A primeira conclusão é de que a trilha precisa ser rapidamente atualizada pois algumas músicas já estão completamente inadequadas para a faixa etária atual e para os interesses dominantes. Começa a tocar “Fico assim sem você ” versão da Adriana, que era Calcanhoto mas para que para tentar vender mais discos, virou Partimpim.
“Avião sem asa,
Fogueira sem brasa,
Sou eu assim, sem você
Futebol sem bola,
Piu-piu sem Frajola,
Sou eu assim, sem você…”
Interrupção súbita por parte de uma das crianças:
– Como assim Piu-Piu sem Frajola ?
Outro rebate: – Frajola, o gato, aquele que vive brigando com o Piu-Piu. Eles se detestam mas não podem viver separados…
– Não, não é sobre isto que estou falando. Ela tem autorização da Looney Tunes para colocar o Piu-Piu e o Frajola na música ? Ela não pode fazer isto…
Algo me diz que meus filhos e os amigos andaram assistindo as sessões de julgamento do Mensalão na TV Justiça ao invés de Cartoon Network e Disney Channel. A polêmica sobre direitos autorais dominou o resto da viagem. No dia das crianças, meus filhos e seus amigos, estavam inconscientemente brincando de advogados e o carro se transformou em um tribunal. O veredicto ? Partimpim foi absolvida em um placar apertado. O derrotado quis levar o caso ao supremo, no caso, “eu”, mas diferente de alguns ministros da suprema corte, achei correto me abster por conflito de interesses.
Memórias afetivas
Esta semana vi que haveria um show de comemoração dos 30 anos de carreira dos Titãs com sua formação original, com Arnaldo Antunes,Nando Reis e Charles Gavin. Baixou o momento nostalgia, comprei ingresso. Não fui esperando novidades ou para avaliar se os rockeiros grisalhos ainda estão em boa forma ou ainda para criticar os infinitos “acústicos” dos últimos anos. Fui para encontrar o passado. Eu e a multidão que estava lá. A faixa etária dominante era próxima dos 40. Nada de fãs de Restart. Alguns kilos a mais, alguns cabelos a menos mas o desejo de voltar no tempo e rever músicas que se cruzaram com as histórias de cada um. Ninguém queria remix, banquinho e violão ou versão samba dos grandes sucessos. Todos esperavam que, ao menos naquela noite, tudo fosse exatamente igual ao passado. Uma espécie de túnel do tempo musical. Faz de conta que todos os membros ainda fazem parte da banda, faz de conta que se dão bem e são amigos, faz de conta que “Polícia” e “Bichos Escrotos” são radicais e músicas de protesto , faz de conta que “pogo dance” ainda faz sentido, faz de conta que temos vinte e poucos anos. Valeu muito…”Sonífera Ilha” confirmou de vez sua inclusão no melhor dos playlists…aquele que montamos, não no ITunes, mas na nossa mente, com as músicas que de um jeito ou de outro marcam e que quando começam a tocar nos transportam e nos fazem reviver sensações,encontros e lugares…
Para completar a sessão de memórias afetivas foi obrigatório sair do show e comer um x-salada na madrugada e depois disto ainda ter disposição para assistir o GP de Fórmula-1 que começou 3 AM. O programa foi completo, as memórias foram revividas…
Um bilhão de amigos
Roberto Carlos cantava alguns anos atrás que gostaria de ter um milhão de amigos para poder cantar mais forte…Parecia muito. Mark Zuckerberg esta semana conseguiu ir um pouco mais longe e anunciou que aglutinou um bilhão de amigos em torno de seu Facebook. Mais do que um bilhão de usuários, como as pessoas se comunicam entre si, ele conseguiu criar um bilhão de redes sociais e isto é ainda mais impressionante. Me lembrei do McDonalds que um dia se orgulhou de dizer que tinha bilhões de hamburgers servidos e que agora se esforça para dizer que entre saladas e sorvetes, discretamente , até vende hamburgers.
Será que o Facebook sobreviverá ? Será que as pessoas seguirão se conectando através desta plataforma ou se cansarão de expor suas vidas ? Será que o “dislike” do Facebook está a caminho ?? Ainda faltam pelo menos 6 bilhões de pessoas para conquistar e Mark terá muito trabalho na Ásia e na África…
De qualquer maneira, ainda é tempo de comemorar e como seria difícil fazer uma festinha, Mark resolveu lançar a primeira campanha publicitária do Facebook. O fez em grande estilo…o filme é assinado por Alejandro Iñárritu, que dirigiu Babel e Biutiful. Nada como ter muitos amigos…




















