Novo mercado para a DDDrin

Cada vez que chego em casa e baixo os meus e-mails é a mesma coisa. Dezenas de ofertas para eu alongar meu dito cujo, propostas irrecusáveis de George Foreman grills com descontos incríveis, lançamentos de imóveis comerciais na Parada Inglesa e em Guianazes e convites de moças disponíveis para prestarem qualquer tipo de serviço. Hoje recebi nada mais nada menos do que cinquenta spams, sem contar aquelas pessoas que usam mal o e-mail e me repassam imagens do por do sol na Lapônia com 12 mega, correntes pedindo doação de leite em pó e convites de apoio a causa dos índios ianomâmis. Os spams parecem se reproduzir na minha caixa de entrada como coelhos ninfomaníacos e a impressão que dá, é que se eu ousar pedir para os remetentes cancelarem o meu nome da lista, a vingança será cruel,e meu inbox será tomado por coisas ainda mais perversas e em quantidades ainda maiores. Já tentei dedicar um e-mail exclusivo só para preencher fichas, cadastros e afins, sempre desclico a opção de receber qualquer coisa via e-mail e nada parece resolver. Os deleto, extermino, erradico da minha caixa de entrada e eles voltam. Pior…todos os spams passam por todos os filtros e todas as mensagens reais caem como spam. Parecem baratas virtuais. Você mata uma e aparecem três. A DDDRIN precisa migrar para o mundo digital e ajudar a acabar com as pragas.
!

Passaporte da alegria

Leio nos jornais que o Playcenter irá fechar e passar por uma transformação radical. Nos últimos anos o parque ficou mais conhecido por arremessar as crianças de seus brinquedos do que por alimentar o imaginário infantil. No passado não era assim. O acesso a Disney era algo intangível e as fantasias e os sonhos de se passar um dia no parque de diversões não chegavam até Orlando. Eles paravam na Marginal Tietê.
Ir ao Playcenter era uma ocasião especial, aguardada por todos. Sou capaz de me lembrar da Montanha Encantada, dos carrinhos de bate bate, do labirinto de espelhos e até da Monga, a mulher-macaca, mas talvez a minha maior lembrança seja das bolas infláveis gigantes, brancas, com pinceladas de tintas de todas as cores. As bolas eram conquistadas enchendo a boca do palhaço ou apostando no cavalo certo no derby. Chegar em casa com a bola na mão era uma conquista e era a senha para contar e recontar as histórias do dia.
O tempo passou, vieram noites do terror, parque fechado para raves de rádios de gosto duvidoso, Hopi Hari, dólar mais barato e o Playcenter foi ficando cada vez mais longe. Nos últimos anos eu passava pela marginal e não entendia como um espaço daquele tamanho poderia sobreviver no meio da cidade. Não tinha jeito….Era como se o passaporte da alegria tivesse dado lugar a um passaporte para a melancolia, vivendo das memórias e apenas justificando os seus seguidos problemas de manutenção. Junto com o Playcenter se vai um pouco da minha infância.

Brinquedo novo

A minha vinda para os Estados Unidos esta semana coincidiu com o dia de chegada as lojas do IPad 3, ou the new Ipad, como a Apple decidiu chamá-lo. Não sei se ele é tão mais rápido, se a definição da tela é tão melhor ou se o leitor de retina realmente funciona….O que sei é que é novidade, que eu estava por aqui e que faria o meu esforço de logística para comprá-lo. 
Assim foi. Mal minha reunião acabou e lá fui eu em busca da Apple Store mais próxima. Procurei manter minha expectativa baixa…o risco de já ter acabado e de eu voltar para casa de mãos vazias era real. Sempre tem uns mais esquisitos do que eu, dispostos a dormir na porta para serem os primeiros a terem a novidade, aparecerem na TV e zerarem os estoques nos primeiros dias.
Deu certo ! Os nerds deram uma chance, se esqueceram da loja em que eu fui e ainda tive a chance de escolher se queria preto ou branco. Já que não tenho certeza se o novo será tão diferente do Ipad 2, resolvi mudar de cor…assim me convenço que ao menos alguma coisa é diferente e não me confundo.
Para alguns, esta é uma compra técnica…o que mudou ? melhorou mesmo ? Há quanto tempo tenho o Ipad velho ? Quando virá a nova versão ? 
Para mim é puramente emocional. Dizem que a única diferença de meninos para homens é o tamanho e o preço dos seus brinquedos…Hoje estou me sentindo um menino bem feliz ,louco de vontade de brincar e de mostrar o brinquedo para os amigos.

O fenômeno das viroses

Nestes dois últimos dias fui acometido por um dos maiores fenômenos da sociedade contemporânea: a virose. Não me lembro de ao longo da minha infância ter ouvido falar em viroses e no passado os médicos pareciam buscar diagnósticos mais específicos para dores de barriga, diarréias, vômitos, tonturas e afins. Acho que a virose como mãe de todas as coisas que os médicos não sabem o que são mas que acreditam que não sejam graves o suficiente para te mandar para o hospital, deve ter uns dez anos de existência. Tudo agora é justificado como uma virose…Não sei se os vírus passaram por grandes mutações nos últimos anos e ficaram mais selvagens ou se foi a medicina que encontrou uma maneira mais ampla de justificar o que parece não ter uma justificativa muito clara. Cada criancinha de menos de dez anos deve ter sido acometida por pelo menos umas cinquenta viroses e o pediatra ainda explica – “é que está tendo um surto, mesmo”. O que é incrível é que o surto parece ser contínuo, pois a justificativa é sempre a mesma. Recentemente passei a ouvir “quadro viral” para explicar o diagnóstico…quem sabe a virose comece a sair de moda. Independente de tudo chamada de virose, quadro viral ou de doença não identificada, sei que realmente ela tem potencial para te derrubar e deixar o blog desabstecido de novidades por quase três dias.

Descarregado

Hoje cheguei a um hotel e constatei que o meu carregador de celular não encaixava nas tomadas. Me esforcei para colocar o meu equipamento com “dois pauzinhos” na tomada com “três buraquinhos” e descobri que realmente a missão era impossível, apesar da minha delicadeza para resolver na marra esta equação geométrica.
Me ocorreu ligar para a recepção e pedir um adaptador , mas a revolta com a incapacidade do mundo se entender, foi maior do que a minha proatividade. Fico pensando em como é possível se sustentar a comunidade européia ….Se os países foram incapazes de combinar lados de direção de carro, sistemas métricos e furos em tomada, como podem conseguir alinhar suas culturas e economias ? Improvável …Este é o mundo em que vivemos…por vezes pensando em pirâmides e esquecendo dos tijolos.
Queriam o Esperanto como língua universal e esqueceram das tomadas. Alguém precisa levantar esta bandeira ! Pode ser o início da redenção do Mercosul…Quem sabe passemos a ser o único bloco econômico integrado (via cabos e fios, é verdade). Nos acostumamos com adaptadores universais de um kilo e não atacamos a raíz do problema. Basta ! Unifiquem as tomadas do mundo já…e que o padrão escolhido seja o da maioria, e não o brasileiro, que só serviu para deixar algum fabricante de plugs bem rico…O meu protesto silencioso de hoje foi deixar o meu celular descarregar…Dramaticamente, lentamente, com direito a gritos desesperados e tremidinhas no final, como um andarilho sedento no deserto que enxerga um oásis e delira. A energia elétrica que daria vida ao meu equipamento foi uma ilusão…uma miragem.Meu celular jaz sobre a mesa fria de um quarto de hotel…inerte, descarregado.

Os monstros que aparecem na hora de dormir


Nana nenê, gugu dádá, bilú bilú…sempre que pensamos em bebês estes sons nos vem a cabeça juntamente com imagens de fraldas, chupetas, berços e carrinhos de bebê. É tudo bonitinho, fofinho, azulzinho, rosinha, cheirosinho.
Hoje li uma história da MacLaren, fabricante de carrinhos de bebê inglesa e que várias mammies brazucas adoram importar de Miami, que me lembrou mais dos detritos que os bebezinhos deixam em suas fraldas do que de todo o resto.
Em 2009, a Maclaren convocou um recall de um milhão de carrinhos de bebês depois que se constatou que o mecanismo de fecho de um de seus modelos havia sido responsável por machucar, apertar e decepar os dedos de crianças e pais que os estavam manuseando. História horrível mas é só o começo. As famílias impactadas pelo defeito, algumas com crianças com dedos amputados, foram a justiça reinvindicar os seus direitos e pedir indenizações milionárias a empresa. O que a MacLaren acabou de fazer ? Pediu falência de seu braço americano, a MacLaren USA, a empresa que acumulava todo o passivo jurídico e apareceu com uma nova MacLaren North America, zerada e sem dívidas que agora assumiria a distribuição dos produtos nos Estados Unidos. Os advogados das famílias já se mobilizaram para combater a fraude mas o choque ético foi tão grande, que o responsável pela área de design da empresa, o golden boy da MacLaren, renunciou via Twitter e colocou a boca na imprensa, dizendo que esta era uma ação deliberada para se livrarem da chuva de processos.Enfim, parece que as criancinhas na hora de dormir e quando tiverem os seus pesadelos com monstros, verão as imagens de seus carrinhos de bebê e dos executivos da MacLaren.

“Up in the air” versão kids

Reencontrei meus filhos que chegavam de uma viagem internacional. Foi bom para matar saudades e para refletir que com menos de dez anos de idade eles já viajaram o que eu levei quase trinta para fazer. A relação deles com aviões, aeroportos e distâncias é muito diferente da que a minha geração tinha . Algo parecido com o que se fala sobre as diferenças que também temos na interação com a tecnologia. Sempre comentamos que a nova geração nasceu com controles remotos, Ipads e Iphones nas mãos, mas mais do que isto,eles nasceram bem mais cosmopolitas e globalizados. A internet trouxe o inglês para o cotidiano e o mundo para dentro de casa. Você pergunta, o Google responde, e te mostra, ao vivo, na sua tela. Já o Facebook te coloca em uma vila globalizada, com amigos de todos os cantos. Banalizar as viagens de avião está absolutamente alinhado com tudo isto.
As crianças chegaram em casa sem excitação, sem histórias fabulosas sobre pilotos, aeromoças, aeroportos, filmes assistidos a bordo. Pareciam executivos mirins, estilo George Clooney em “Up in the air”, em breve estarão orgulhosos de seus cartões de milhagem. Admirei a perspectiva de tê-los como cidadãos do mundo mas senti falta dos necessaires e cobertores trazidos malandramente de bordo, da dor de barriga da ansiedade, dos relatos entusiasmados de terem conhecido o comandante. Não teve mais inocência, teve profissionalismo.

Peça pelo número

Várias pessoas falam que jamais poderiam ser médicos por lidarem com a morte e verem sangue. Outros dizem que ser advogado é uma profissão inimaginável  pelo seu linguajar rococó e pelos prazos enormes para que as coisas se decidam. Hoje, durante um voo concluí que mesmo que eu fosse ultra bem remunerado, jamais seria um “aeromoço”. Falar pelo menos umas 50 vezes por voo: o que o sr. desejaria para beber ? Prefere carne ou frango ? Seria uma tortura muito grande. Sempre ouço que eles conhecem o mundo mas para cada aeromoço que voa para Paris imagino que exista meia dúzia voando para alguns cafundós menos charmosos. Pela vocação de servir, sempre comparo o trabalho de um aeromoço com o de um garçom, mas acabo de concluir que o garçom interage mais com seu cliente, que pode ao menos escolher entre itens diferentes do cardápio.  Ou seja, tem alguma surpresa, tem variação. Aeromoço acaba sendo quase atendente do McDonalds…o passageiro tem que pedir pelo número.  No Mc, o cara ainda dá troco e o ambiente de trabalho não chacoalha e nem corre o risco de cair. Deve ser mais divertido…

Hors Concours

E começou o carnaval. E volta aquela sensação de já vi isto em algum lugar…Carro abre alas da escola de samba quebra e atrapalha a evolução da escola. Ivete anima milhões de foliões sob sol de trinta e poucos graus. Bonecos gigantes animam o carnaval de Olinda. Rainha da bateria arrebenta,equipada e turbinada por novos peitos de 500 ml de silicone. Celebridades B tentam aparecer no camarote das cervejarias. Enfim…mais do mesmo, 2012 igual a mil novecentos e bolinha. Me lembrei de um personagem que marcou época no carnaval do RJ e que para mim tinha a incrível capacidade de representar este tédio carnavalesco. Ele se chamava Clóvis Bornay e era o campeão máximo dos desfiles de fantasia. Ganhou tanto e era tão superior aos outros que me fez aprender qual o significado da palavra Hors Concours.
Clóvis participava dos concursos mas em uma categoria a parte e por isto era Hors Concours, ou em francês,literalmente, fora do concurso. Ano após ano surgia o Clóvis. Exuberante ! 150 toneladas de paêtes, uma duna de purpurina e uns 50 pavões sacrificados para fazer sua fantasia. Todos os anos eu achava que ele estava vestindo a mesma roupa que havia sido tingida, mas não. Percebia que algo havia mudado pelo nome de seus trajes: em um ano era algo como “Libélula gloriosa abençoada pelo sol de deus Rá” , no ano seguinte surgia o “Netuno enfeitiçado pela magia de Iara no resplendor do Rio Nilo”. Eu não entendia nada, achava tudo igual e acho que era igual mesmo. Clóvis morreu faz tempo mas esta sensação de tédio momesco e de repetição não me abandonou.

Haja saco

Conseguiram transformar a proibição dos sacolinhas plásticas dos supermercado em algo parecido com as discussões sobre o aborto e a pena de morte. Posições apaixonadas, contra e a favor da nova regulamentação que proíbe a distribuição gratuita nos pontos de vendas. Literalmente, um saco.
Polêmicas a parte e superada a fase da negação, a verdade é que agora precisamos nos adaptar a levar sacolas de pano,carrinhos de feira ou caixas para o supermercado para acomodar as nossas compras. Mais dramático no entanto é reaprendermos a vida sem os saquinhos que iam direto para as nossas lixeiras da pia e do banheiro. Tudo isto não é nada perto da reclamação da auxiliar do lar, sofrendo e revoltada com a lei. Inspirado nas aulas de artes que eu fazia no primário, decidi que daqui para frente em casa, como parte da mais valia da empregada, a ensinaremos a produzir “sacos de lixo” de papel de jornal.
O processo é fácil, ecologicamente correto e depois de a iniciar no maravilhoso mundo da separação de materiais para reciclagem em que ninguém nunca sabe se a caixa de leite é reciclável ou não, nada mais natural do que a transformarmos em uma artesã. O problema dos saquinhos estará resolvido, pelo menos enquanto eu continuar assinando jornal, o que também não deverá durar muito.

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