O meu é diferente do seu

Várias vezes os marketeiros de plantão falam da necessidade de personalização de conteúdo, ou seja, é preciso desenvolver produtos e serviços que sejam realmente relevantes para o consumidor em potencial e que sejam feitos “sob medida” para as pessoas. Quando pensamos em um terno ou em uma camisa, conseguimos enxergar o alfaiate ou o camiseiro tirando as suas medidas e fazendo algo único e especial para você (e cobrando bem caro por isto) mas e quando falamos de refrigerantes ?

Na Austrália a Coca Cola acaba de lançar uma campanha que tenta atender a este desejo do consumidor de ter alguma coisa feita especialmente para ele…Foram criadas 150 embalagens diferentes do refrigerante, cada uma utilizando os nomes mais populares no país: John,Steve,Mary,Jack,Kate e por aí vai. Todos os nomes nas embalagens são escritos com a mítica e inconfundível fonte da Coca Cola. Resultado: uma corrida de consumidores para as gôndolas procurando a “sua” Coca Cola personalizada e a Coca Cola esperando vender 270 milhões de latas nos próximos 3 meses. Legal, mas e se eu me chamasse Jenecrilson e me revoltasse com a Coca Cola por ela não haver se preocupado comigo e ter me preterido das latinhas personalizadas ? Não se preocupe Jenecrilson…pensando em você (e em mim), foram criados 18 quiosques em shopping centers onde você pode personalizar a sua própria lata.Além disto, a campanha toda é reforçada por uma enorme atividade de mídia social para estimular você a compartilhar as latinhas personalizadas com os seus amigos de Facebook (desde que neste caso, eles tenham um dos 150 nomes) . Deu no http://www.brandchannel.com

Facebook vs. vida real

Nas redes sociais muitos dos nossos “amigos” são na verdade desconhecidos..Chega o convite e a primeira reação é tentar fazer um raio-x do passado…
Alguém com quem você já trabalhou ? Não. Colega da faculdade que você só conhecia pelo apelido ? Não. Alguém do colégio com mais barriga e menos cabelo ? Não. Brincaram juntos no maternal ? Não. Algum pecado cometido em uma noite remota ? Não. Raio-x completo. Diagnóstico ? Desconhecido. Você reflete…aceita ? não aceita ?? Resolve competir com seus colegas e se mostrar como alguém que é mais popular, querido e socialmente aceito. Yes ! You’re now connected ! Tirando que o fato do pescoço passar a ter acesso a sua vida, não existem grandes riscos. E na vida real ? Vejam esta campanha da Cruz Vermelha da Polônia que busquei no http://www.bluebus.com.br e que mostra os riscos de contágio por HIV. Totalmente baseada na relação que as pessoas tem com seus amigos virtuais e os perigos de repetir a abordagem na vida real. Exagerada mas com uma boa idéia !

Preconceitos e seus efeitos

Blatter, o iluminado

Esta semana fomos brindados com uma declaração iluminada do presidente da FIFA, Joseph Blatter, que disse que não havia racismo no futebol, apenas disputas e discussões que ocorriam dentro do campo e que deveriam ser resolvidas com um aperto de mão. Frente a tamanha besteira, choveram ataques de todos os lados, de David Beckham ao primeiro ministro da Inglaterra, todo mundo jogou a sua pedrinha no poeta. O que achei mais interessante no entanto, é que li ontem no Brand Republic, que a companhia aérea Emirates está estudando não renovar o seu contrato de patrocínio com a FIFA. São apenas US$ 200 milhões…

A Emirates é uma das 6 patrocinadoras oficiais da Copa do Mundo e não quer ter a sua imagem associada a entidades lideradas por pessoas que fazem declarações deste tipo. Os outros 5 patrocinadores também foram obrigados a vir a público e dizer que não toleram o racismo. Aliás, por falar em racismo e preconceito, a Benetton ressurgiu….e bem mais legal do que o ruído causado pelas imagens de beijos entre celebridades da sua nova campanha publicitária, é o filme que está por trás da idéia e que se chama UNHATE. Passou completamente despercebido em função da polêmica causada pela bicotinhas do Papa e do Obama mas tem mensagens fortes contra todas as formas de discriminação.

Foi bom para me fazer lembrar que a Benetton ainda existe e ter uns flash-backs de uns casacos de cores bonitas que tive na adolescência…Para mim a Benetton já havia se juntado a outras marcas mais extintas a ararinha azul e ao mico leão dourado como espécies quase em extinção.

Cores podem ter donos ? Mais uma doce história


Depois da emocionante disputa pela cor da sola de sapato entre YSL e Louboutin, eis que surge o desfecho de mais uma batalha. Desta vez no mundo dos chocolates e com uma posição favorável ao “dono” histórico da cor, a Cadbury. Estamos vivenciando um tipo de UFC (ou vale tudo) pela posse das cores…
A Cadbury tradicional fabricante de chocolates e confeitos, comprada recentemente pela Kraft Foods, venceu a briga com a Nestlé pelos direitos exclusivos de uso do roxo (para os marketeiros: escala pantone 2865C) em suas embalagens de chocolate na Inglaterra. Foi uma disputa de 3 anos e criando metáforas inspiradas em Willy Wonka (o legítimo ! Nada de Johnny Depp) e sua fantástica fábrica de chocolates, a Cadbury, que utiliza a cor em suas embalagens desde 1914, está usufruindo do doce sabor da vitória. Já a Nestlé ficou com a parte meio amarga da decisão…

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Nada além da verdade…

Quantas vezes você já ouviu que aquelas cerejas no frasquinho são na verdade chuchu ou mamão ? E que algumas minhocas fariam parte da composição dos hamburgers industrializados ? E que nas batatas fritas dos saquinhos tem tudo menos batata ? Pois é…parece que não fomos apenas nós que ouvimos. Alguém do marketing da Pepsico na Argentina também deve ter ouvido isto, teve um insight e resolveu convencer o consumidor da maneira mais transparente possível: colocando máquinas de “fabricação” de batatas em um ponto de vendas.

Moedinha ? Token ? Nada disto…para a máquina funcionar, o consumidor ganhava uma batata crua e acompanhava todo o processo, recebendo ao final o seu próprio saquinho produzido. Certamente neste caso, o segredo não estava ajudando a vender e dava espaço para lendas urbanas…Mais transparente e convincente impossível: batata,óleo e sal – nada mais. Será que o fabricante de salsicha teria coragem de repetir a mesma estratégia ?
. A fonte é o http://www.adage.com

Se identificando (ou não…) com uma causa…

Sempre que vejo ações como “Criança Esperança”, minha primeira reação é pensar porque a TV Globo ao invés de pedir para milhões de telespectadores doarem R$ 10,00, não anuncia que x % da verba publicitária arrecadada no break comercial do Fantástico, seria revertida para sustentar esta Ação Social ?

Acharia mais legal, honesto e certamente a verba doada seria muito maior…Eu admiraria mais a emissora e não teria a impressão de que estão contando com a compaixão dos “fracos e oprimidos” ouvindo o chamado do Luciano Huck e do Faustão. Certamente a Globo gasta um bom dinheiro para colocar o programa de pé, doa alguma coisa e não faz apenas o show mas para mim falta sustentação, visibilidade e um real engajamento da emissora para me convencer.
Tive a sensação oposta ao ver esta ação da Innocent, fabricante inglesa de “smoothies”. Desde 2003 quando a marca foi lançada, ela coloca “chapeuzinhos” em suas garrafas por duas semanas durante o ano.

Estes “chapeuzinhos” indicam que a empresa doa 0,25 cents de cada garrafa vestida para entidades que ajudam os idosos por todo o país. No primeiro ano, a Innocent vendeu 20.000 garrafas. Em 2011, venderão 650.000 e os velhinhos indiretamente receberão mais de 1,0 milhão de libras que os ajudarão a enfrentar o inverno. O que é mais interessante é que quem produz os chapéus não é a empresa e sim, voluntários, consumidores do produto. Depois os chapéus são colocados manualmente pela empresa em cada garrafa…O círculo se fecha perfeitamente…você se identifica com o produto, apóia a causa e contribui duplamente com os velhinhos. Me deu vontade de importar umas garrafinhas…

Pé na jaca não…agora é jaca tamanho família

Depois da minha descoberta sobre a promoção do Burger King no Japão que permite que a vítima coma quantos Whopper aguentar em meia hora, confirmei que por lá eles realmente fizeram uma opção clara entre o pé na jaca e o nutricionalmente correto. Li no http://www.inventorspot.com que eles decidiram lançar também o Whopper com dimensões de uma pizza !
A idéia é servir uma refeição para grupos ou para famintos ! Você ainda pode pedir o sanduíche no estilo “meio a meio”…para piorar as opções ainda são aterrorizantes. Além das tradicionais “coberturas” de Whopper como tomate, cebola, ketchup e picles, você pode pedir coberturas adicionais para a “outra metade”: abacate fresco ou nacho e queijo com tortillas e pimenta jalapeño !!! A recomendação é comer o sanduba em fatias como se fosse uma torta ! Parece que estão realmente fazendo um esforço para que os consumidores explodam suas balanças ! Aqui no Brasil a promoção de ganhar um sorvete de casquinha ao pedir um combo imitando a voz do Anderson Silva, além de um pouco menos calórica, é bem mais divertida…

O dilema dos fast foods: ser nutricionalmente correto ou colocar o pé na jaca ?

Esta semana meu filho reclamou que seu McLanche Feliz agora vinha com menos batatinhas e tinha fatias de maçã de sobremesa. Dei toda uma explicação nutricional sobre o motivo da mudança: menos gorduras trans, menos sal na batata, mais nutrientes na maçâ etc…Nada pareceu convencê-lo mas tenho certeza que desde que o brinde continue vindo junto com o lanche, mesmo que o Mc coloque pedras no lugar do hamburger nada modificará sua fidelidade (que para minha felicidade vem diminuindo com o passar dos anos)…É complexo este dilema das redes de fast foods… São perseguidas por serem trash mas ao mesmo tempo não consigo vê-las como um templo da culinária saudável, ou seja se você quer comer saladas orgânicas não será lá o seu destino…Mc Quinoa com aveia ? Mc Tofu com molho de soja ?? Estranho…Ao mesmo tempo vi no http://www.consumerist.com que o Burger King no Japão iniciará uma promoção bem demolidora e mais parecida com sua vocação: compre um combo Whopper (Whopper é o equivalente ao Big Mac do Burger King e o combo vem junto com batatas e refrigerante) e coma tantos Whoppers quanto você conseguir em 30 minutos! Dá para imaginar uma competição gastronômica de adolescentes com potencial para se transformarem em lutadores de sumô em uma semana. O argumento deles para a campanha ? Queremos nossos verdadeiros clientes satisfeitos. Quem tem razão? Difícil…

A torta da vovó é melhor do que apenas uma simples torta.

Esta masterpiece da cultura inútil eu encontrei no http://www.miller-mccune.com e mostra os resultados de uma pesquisa bem interessante para quem dúvida do papel do marketing. Durante 12 dias, em um restaurante da Bretanha na França, os pesquisadores Nicolas Guéguen e Céline Jacob (candidatos fortes ao troféu Ignóbil 2011) compararam o número de pedidos de itens do cardápio em sua forma tradicional vs. os mesmos itens “enfeitados” com uma descrição especial que remetia a memórias afetivas da família. Exemplo: em um dia no cardápio constava salada mista, no dia seguinte o mesmo prato era apresentado como salada mista do tio Jean, o mesmo valeu para a torta de maçã que em dias alternados virava a “deliciosa torta de maçã da vovó”. Os pedidos dos itens com “rótulo” disparavam !O estudo completo foi publicado na revista Food Quality and Preference (confesso que não fui atrás) mas para ser consistente a revista deveria ser rebatizada e passar a se chamar Grandma`s Old-Fashioned Food Quality and Preference Journal.

O vermelho agora é branco

Depois do post que escrevi sobre a importância da cor para uma marca e a briga para manter este vínculo protegido, vi uma notícia no http://www.brandchannel.com que me chamou a atenção e vai em outra direção. A Coca Cola decidiu que de Novembro a Março as suas tradicionais latinhas deixarão de ser vermelhas nos Estados Unidos e no Canadá. A razão para isto é divulgar a causa de proteção dos ursos polares no Ártico. O urso polar é símbolo da Coca Cola desde 1922 e com a espécie cada vez ameaçada, a Coca Cola resolveu ser solidária ao tema. Com isto, neste período serão produzidas 1,4 bilhões de latas brancas! Como nem só de cor da lata vivem os coitados dos ursos, a Coca Cola inicia a campanha doando US$ 2 MM para a WWF e além disto a uma mensagem na lata que estimula os consumidores a também fazerem doações de US$ 1,00 para a causa. Se o negócio der certo, o maior risco para os ursos deixará de ser a destruição do meio ambiente e passará a ser seres humanos interessados em um golpe do baú para herdar sua fortuna.

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