Jasmine

Blue_Jasmine_1_2013Assisti a Jasmim Azul, o filme mais recente de Woody Allen. O filme conta a história de Jasmine, uma dondoca nova-iorquina que depois da falência e prisão de seu marido é forçada a se mudar para a casa de uma irmã suburbana em San Francisco. A derrocada da socialite, que antes parecia ser a melhor amiga da Narcisa e da Val Marchiori e  que se transforma em uma  maluca que fala sozinha na rua, é a senha para Woody Allen falar de neuroses, traições, críticas à elite e outros temas que lhe são tão familiares. O filme é mais seco, bem mais focado no seu enredo e com menos distrações estéticas do que os mais recentes filmes padrão “agência de viagem” que Allen tinha feito para Barcelona, Paris e Roma. San Francisco, igualmente linda, é coadjuvante e subliminarmente (ou explicitamente ?) qualificada como provinciana e de segunda classe, sendo simbolizada pela irmã de Jasmine.

Quem realmente dá um show no filme é Cate Blanchett, acho que menos pela complexidade dramática de sua personagem e sim por sua enorme facilidade de parecer chique e classuda. Desafio grande para ela deveria ser representar uma mulher barraqueira…Até descabelada e de maquiagem borrada ela não perde a pose de rica e famosa…Pedir para Cate fazer papel de rainha ou de milionária é fácil…

Jasmim Azul, não é um Woody Allen inesquecível mas não deixa de ter o seu charme,

Bola oval

IMG_2319Lá fui eu assistir a uma partida de futebol americano…Era um desejo antigo conseguir conciliar uma viagem aos Estados Unidos com uma partida da NFL. Depois que você entende as regras do jogo, é difícil não gostar. Tudo correu conforme planejado…90.000 pessoas no estádio, vagas para estacionamento sem flanelinha, assento numerado, um monte de opções de comida, banheiros limpos, torcedores dos dois times sentados lado a lado e sem violência. Enfim, um espetáculo.

O jogo ? Quem já assistiu a alguma partida de qualquer esporte nos Estados Unidos, sabe que não importa muito para a torcida  é o que está acontecendo dentro do campo ou da quadra. Isto é um detalhe…Se o time está ganhando o pessoal capricha um pouco mais no hot dog, se está perdendo não muda muito…talvez comam pizza.

O mais estranho para nós brasileiros, é que a torcida é totalmente comandada pelo placar eletrônico…Eu queria ser um pai com a autoridade destes placares…se é para defender , o placar dá a ordem e todos gritam: Defense, Defense ! Se é para ficar quieto, o placar pede silêncio e todos cumprem. O placar foi uma inspiração para mim, pena que meus filhos não se comportem como bons torcedores…

Aprendi também um pouco sobre as  cheerleaders…Cheerleaders são aquelas moças, normalmente loiras e peitudas, que ficam chacoalhando pompons a todo instante e por qualquer motivo…Eu achava que todos os times da NFL tinham o seu exército de moças e senti falta delas. Descobri que não é bem assim…dos 32 times da NFL, apenas 6 não tem cheerleaders. Consegui ir a um jogo entre dois destes times: New York Giants e Green Bay Packers. O argumento deles para não terem as suas próprias moças ? Foco no que acontece dentro do campo…o resto é distração.  Foi um grande programa, mesmo sem a presença das moçoilas…

Gente como a gente

IMG_2295Diz a lenda que uma cidade desenvolvida não é aquela onde cada um tem o seu próprio carro, mas sim onde todos utilizam os transportes coletivos (que funcionam!) e as pessoas sequer sabem o que é IPVA.

Uma coisa boa de viajar é que nos podemos brincar de ser cidadãos civilizados por alguns dias. Usamos transportes coletivos : pegamos metrô, encaramos vagões lotados, tomamos pisões no pé, sentimos aromas bem diferentes de um Channel número 5 e nos sentimos integrados a uma cultura cidadã.

Bonito ? Super. Mas enquanto eu via um rato robusto, realmente bem nutrido, se deslocando tranquilamente pelos trilhos do metro nova-iorquino, eu tive uma recaída e pensei: será que um morador rico e famoso do Upper West Side  também se submete a este nobre ritual diário de  encontro com a comunidade ?

Pois bem…Lá estava eu, humildemente sentado no banco duro do meu vagão de metrô, quando vejo se juntar a mim na minha intrépida jornada, Sarah Jessica Parker. Sim, Sarah Jessica Parker, atriz e protagonista de Sex and the City, salário anual que daria para comprar todo o trem para dar para o filhinho brincar de maquinista. Será que era ela mesma ? Poderia ser uma clone indo participar de algum programa de imitações no Raul Gil…Quando eu vi a sua malinha no chão, com direito a monograma e tudo, minhas dúvidas acabaram…

Obrigado, Sarah, você me deu uma lição prática de cidadania. Foi um prazer tê-la como companheira de viagem por cinco minutos (#tamojunto,#toisnovagao).IMG_2298

Cronut, o mito.

O avião chegou cedo. O moço da recepção do hotel, sadicamente me desejou um “enjoy your day” dizendo que o quarto estaria pronto por volta das 3 da tarde. Lá fui eu para a rua…Para começar a viagem em alto estilo fui em busca do Cronut, um novo fenômeno de NY. Cronut não é um extraterrestre ou um abominável homem das neves. Cronut é uma invenção de um “padeiro” local, Dominique Ansel (Olivier Anquier genérico) que resolveu fabricar Donuts(rosquinhas…) com massa de Croissant. So what ? Também pensei a mesma coisa mas ainda assim iniciei a excursão em busca do mito. A lenda aumenta ainda mais porque Dominique Ansel, o padeiro em questão (estou depreciando um pouco a sua função de dono de uma “boulangerie” no Soho) , não só patenteou a sua criação, como tira apenas uma fornada da iguaria por dia. Se acabar, acabou…

Resultado: filas, com gente trazendo banquinho e cobertor de casa a partir das 6 AM. Cheguei 7:45 e outros 100 otários já estavam na minha frente. Dia de semana, temperatura tipo 5 graus. Talvez anestesiado pelo fuso, ou para ter assunto para um post, eu encarei uma espera de 1,5 horas para ter direito de comer o meu Cronut. Custa USD 5,00, tem um único sabor por mês (agora é doce de leite) e você tem direito a comprar no máximo duas unidades. O sabor ? É fantástico, inesquecível, divino e mesmo que não fosse nada disto, eu estava com tanta fome que não acharia nada diferente disto.

Gravidade

gravity-2k-hd-trailer-stills-movie-bullock-cuaron-clooney-20Lá fui eu assistir “Gravidade” com Sandra Bullock e George Clooney. Ok, o filme tem imagens lindas do espaço. Ok, o filme utiliza bem os efeitos  3D. Ok, você realmente se sente flutuando no espaço. Desde o começo esta deveria ter sido a sua proposta original: venha ver como Hollywood e sua tecnologia, são capazes de produzir coisas incríveis. Nós iremos apenas concorrer ao Oscar de efeitos especiais e ser hors concours em cenas bonitas. Esqueça o resto que você possa esperar de um filme: não vamos tentar colocar isto em um roteiro, não vamos querer contar história, “Gravidade” servirá apenas como ferramenta de divulgação dos múltiplos recursos da indústria cinematográfica americana.

Mas aí  não cumpriram o combinado e tentaram inventar uma história para justificar o filme.  A coisa desandou. A que se prestou o George Clooney ? O mesmo papel de sempre…Grisalhão pegador, galã da menopausa, só que desta vez com roupa de astronauta. Fiquei pensando se não era fetiche da roteirista: tenho uma tara pelo George, só que sou original,  minha fantasia não é vê-lo vestido de Zorro ou de bombeiro mas sim de astronauta. Vou dar um jeito. Só pode ter sido isto…Para completar o pacote, só faltou George fazer merchand de Nespresso na estação espacial.

E a Sandra Bullock ? Seu figurino também é interessante, normalmente aparece vestidinha de astronauta, mas quando está mais relaxada, desfila com um traje de Lara Croft interestelar. Seu cabelo, com gravidade ou sem gravidade, não se mexe. O seu cabelereiro na estação espacial certamente era o mesmo do Roberto Justus. Mas o que pegou mesmo para mim foi quando ela resolveu sair voando pelo espaço turbinada por um extintor de incêndio. Uma releitura do que as bruxas faziam com vassouras. Transformaram a moça em uma espécie de MacGyver operando em gravidade zero que sobrevive a destroços de satélites, incêndios e ainda imita latido de cachorro enquanto está sem oxigênio…. Foi além da minha capacidade de abstração…

imgresEm resumo: assista uns quinze, vinte minutos de filme. Adquira repertório para comentar com os seus colegas como as imagens são lindas, como Hollywood é capaz de fazer coisas surpreendentes, como é fantástico vagar pela imensidão do espaço e depois saia no meio, para jantar mais cedo. Sem grandes culpas…

Recrutamento e Seleção

noticia_73518Você poderia me contar quais foram as suas maiores realizações na sua empresa anterior ? Se você estivesse no meu lugar, porque eu deveria te contratar ? Qual a sua maior fortaleza e onde ainda pode se desenvolver  ? Me fale onde você pretende estar nos próximos 5 anos ?

Com pequenas variações, as entrevistas de emprego acabam tendo um roteiro mais ou menos programado. Logicamente, os candidatos também acabam se preparando para responder sempre às mesmas perguntas e chegam com discursos pré-fabricados, pensando mais em falar o que acham que o entrevistador gostaria de ouvir, do que em expor a verdade.

Depois de entrevistar um candidato recentemente, fiquei com vontade de me inspirar no que a Heineken fez.  A Heineken, preocupada com a previsibilidade do comportamento da turma, resolveu radicalizar no processo seletivo de um estagiário (coitados, sempre eles são as cobaias… uma espécie de beagles do Instituto Royal, do mundo corporativo).

Como você se comportaria se o seu entrevistador resolvesse andar de mãos dadas com você pelo escritório ? E se ele tivesse um ataque cardíaco no momento da entrevista ? Bem…nada disto faz parte do script tradicional ou das boas práticas dos manuais de RH. O resultado pode ser visto neste vídeo e se não garante que o candidato venha a ser um profissional de sucesso, pelo menos o qualifica para ser um astro de internacional de pegadinhas …

PS: Apesar da inspiração, não está nos meus planos passear de mãos dadas com candidatos.

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