Memórias do encontro das águas

Uma das coisas mais impressionantes da visita a Manaus é o encontro das águas dos rios Negro e Solimões. São vários kilometros em que você percebe claramente os limites de cada um dos rios pois as suas águas não se misturam. Velocidades diferentes, densidades diferentes, temperaturas diferentes fazem com que a separação dos rios seja um espetáculo visual, algo como vinagre e azeite em escala monumental.
Para mim no entanto, a parte mais bonita do encontro das águas foi ver como meus filhos quiseram registrar esta lembrança para compartilhar, contar e mostrar para as pessoas na volta. Cada um com um potinho de shampoo vazio nas mãos, trazido do hotel, se esticando do barco e coletando a água do local onde os rios se encontravam. Queriam reproduzir no potinho o que estavam vivenciando e levar esta sensação para quem não estava com eles. Mais do que qualquer piranha empalhada ou chocalho indígena este é o verdadeiro presente de viagem que alguém pode receber: com emoção, com pureza e com poesia.

Crônica de um dia em que começou a chover e não parou mais

Nestes dias eu deveria estar vendo o mar, aquele que fica perto da praia, mas consigo ver apenas o mar de chuva que cai dos céus. Começou a chover em 2011 e não parou mais…O dilúvio combinado com a completa falta de atrações esportivas na TV (é férias e não tem sequer taça SP de futebol Jr, ou desafio Rio x SP de veteranos em futebol de areia) leva a um quadro definido pelos especialistas como sendo de tédio . Pensamos em voltar para SP, para vivenciar o tédio sob uma perspectiva urbana mas tédio com trânsito na Rio Santos/ Imigrantes é uma combinação ainda mais explosiva.
O tédio tem suas virtudes e quando ele chega a um estágio muito avançado te força a ser pró-ativo e criativo. Revirei todos os canais da TV a cabo, reencontrando filmes que já julgava extintos juntamente com os dinossauros. E a busca pelas estantes da casa ? Localizei um livro açucarado da Danielle Steel e concluí que retrospectivas da TV Globo ainda seriam melhores opções do que me aventurar pelas histórias de amor de Peter Haskell e Olívia Thatcher, personagens que encontrei na orelha do livro. Ressurgem as idéias dos jogos de tabuleiros ou cartas mas nos damos conta que o nosso plano de fazer uma série histórica de melhor de 71 partidas no gamão ficou preterido pelo esquecimento do tabuleiro. Tem o gamão no IPad mas não tem a mesma graça… Jogar “Stop” com mais de 40 anos de idade é justificativa para interdição e os anos de experiência me falam que eu devo fugir das polêmicas de colocar “Havana”como cor com a letra H e “Namorado” (o peixe!) como animal com a letra N. Prefiro evitar. E a Internet, mãe salvadora dos desocupados ? Sim, quando ela funciona, tem sido terapêutica mas até eu já cansei de ler sobre queimas de fogos pelo mundo, tráfego nas estradas e enchentes e desabamentos de verão. O que nos restou ? Minha esposa optou pelo projeto de mimetizar um urso em fase de hibernação e dorme umas 16 horas por dia. Eu estou mais ativo e me coloquei uma meta mais ambiciosa de concluir um sonho antigo: eliminar todos os porquinhos verdes do Angry Birds, mas tem que ser com classe, com 3 estrelas…Se continuar chovendo e com este tédio, acho que chego lá.

Feliz 2012 !

Depois de vários anos voltei a passar o reveillon na praia. É aqui que os rituais acontecem…trânsito infernal, calor, as sete ondinhas, as roupas brancas, o foguetório. Do trânsito eu escapei espetacularmente. Já as primeiras sete ondas que pulei foram no terraço de casa, completamente inundado pela chuva torrencial que caiu ontem a noite. Acabei pulando as 7 do terraço mais 7 no mar, o que me gera uma expectativa de um ano fantástico, afinal estou com crédito com Iemanjá, e ela como deusa das águas não pode diferenciar água do mar de água do terraço. O meu deslize foi com o branco… com medo de pegar uma pneumonia em função de uma camiseta encharcada, abdiquei da cor oficial e fui de azul. Isto aconteceu não por uma questão de superstição mas sim porque esta era a cor da minha sunga e este era o meu único traje de reveillon. E se sunga já é uma coisa duvidosa, sunga branca somente seria permitida se eu fosse lutador de jiu jitsu. Fui de azul mesmo…
Saí de casa 23:58 e 00:02 eu estava de volta, completamente ensopado mas com os rituais devidamente completos. Mar, fogos, votos de ano novo…Aliás alguém poderia me explicar a graça de se soltarem rojões ? Fogos de artifício eu entendo, são realmente bonitos. Mas rojões servem apenas para aborrecer e assustar os cachorros e os bebezinhos da vizinhança. Não saem sequer em fotografias.Poderiam ser banidos das comemorações juntamente com as reportagens que informam que já é ano novo na Nova Zelândia…
Enfim, mais um ano se passou e a história começa toda de novo. A coisa boa é que se chuva servir para lavar a alma, certamente comecei 2012 completamente purificado. Feliz ano novo !

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