Toma lá, dá cá

Tenho lido que o governo brasileiro tomou a decisão de dificultar a entrada de espanhóis no Brasil. Agora eles tem que comprovar que tem dinheiro para se sustentar durante a sua estadia e caso venham para ficar em casa de familiares ou amigos, tem que exibir uma carta convite, com firma reconhecida do proprietário! Segundo o governo brasileiro esta medida é uma resposta a forma como a Espanha tem recebido os brazucas. Vários foram barrados e devolvidos no voo seguinte. É a chamada reciprocidade…
Os americanos nos pedem visto, nós pedimos vistos para os americanos. Os espanhóis nos tratam mal, nós tratamos mal os espanhóis. Reciprocidade parece algo sofisticado e erudito mas no fundo é mesquinho e é um nome mais educado para o olho por olho, dente por dente ou toma lá dá cá…Fiquei pensando que a reciprocidade se aplica a quase tudo na vida…Você me dá uma havaiana de presente e eu te retribuo com um presente de R$ 30,00, você dá o cano na minha festa de aniversário e eu não vou na sua, você não apóia a minha opinião durante uma reunião e eu não te apóio na próxima. Os ensinamentos bíblicos de oferecer a outra face ou de ser soberano, absoluto e engolir os ressentimentos, não existem ou ficam em segundo plano. Esta é a natureza humana e até na diplomacia as pequenas vinganças dominam…para azar dos viajantes.

Mosca na sopa

Neste final de semana fui assistir, o “Início, o fim, o meio”, documentário que conta a vida de Raul Seixas. Nunca fui fã de Raul Seixas…alguma coisa não era muito clara para mim na personalidade dele e não conseguia entender como o cara que cantava “Metaformose Ambulante”, também era responsável por “Plunct Plact Zum”. Confesso que na minha juventude além de tudo, eu ficava bem assustado com o figurino alternativo e com letras que estavam além da minha capacidade de compreensão (algumas delas permanecem neste estágio até hoje…). A turma que gostava do Raul, não era a minha turma e por ele ser um ícone para aquela moçada, por definição, não poderia ser um ícone para mim. Para mim, resumí-lo a gênio, alternativo ou maluco era uma simplificação exagerada. Na dúvida eu preferia passar longe. Ele era assustador.
Anos se passaram, a cabeça evoluiu e o legado de Raul Seixas ficou. Tempo de revisitá-lo, tempo de assistir o documentário. O filme não é neutro. Ele é um tributo de fã. Isto no entanto, não tira o seu valor. Das origens na Bahia, tempos nos EUA, ao final decadente em São Paulo, a história da vida dele é absolutamente exagerada. Difícil pensar que o “maluco beleza” casou de terno e gravata com a filha de um pastor…Difícil entender o que é personalidade o que é personagem. Difícil concluir se era manipulado por mulheres e parceiros ou ele era o grande manipulador. Complexo compreender Gita e Rock das Aranhas saindo da mesma mente. Forte por ter vivido intensamente, fraco por não ter parado quando outros pararam. Saí do filme mais tolerante e aberto do que eu era na minha adolescência em relação ao Raul (isto é um alívio, sinal de que os anos servem para alguma coisa) mas precisarei de mais um tempo para digerí-lo. Ele é mesmo uma mosca na sopa.

Novo mercado para a DDDrin

Cada vez que chego em casa e baixo os meus e-mails é a mesma coisa. Dezenas de ofertas para eu alongar meu dito cujo, propostas irrecusáveis de George Foreman grills com descontos incríveis, lançamentos de imóveis comerciais na Parada Inglesa e em Guianazes e convites de moças disponíveis para prestarem qualquer tipo de serviço. Hoje recebi nada mais nada menos do que cinquenta spams, sem contar aquelas pessoas que usam mal o e-mail e me repassam imagens do por do sol na Lapônia com 12 mega, correntes pedindo doação de leite em pó e convites de apoio a causa dos índios ianomâmis. Os spams parecem se reproduzir na minha caixa de entrada como coelhos ninfomaníacos e a impressão que dá, é que se eu ousar pedir para os remetentes cancelarem o meu nome da lista, a vingança será cruel,e meu inbox será tomado por coisas ainda mais perversas e em quantidades ainda maiores. Já tentei dedicar um e-mail exclusivo só para preencher fichas, cadastros e afins, sempre desclico a opção de receber qualquer coisa via e-mail e nada parece resolver. Os deleto, extermino, erradico da minha caixa de entrada e eles voltam. Pior…todos os spams passam por todos os filtros e todas as mensagens reais caem como spam. Parecem baratas virtuais. Você mata uma e aparecem três. A DDDRIN precisa migrar para o mundo digital e ajudar a acabar com as pragas.
!

1/2 calabresa e 1/2 muzzarella on line

Sou um adepto do e-commerce para várias coisas. Já comprei geladeira, máquina de lavar, livros, passagens aéreas e se eu puder escapar de ter que ir ao shopping ou ao supermercado para comprar qualquer coisa, estou dentro. Ainda não me converti no entanto, a fazer pedidos de comida pela internet. Não estou falando das compras do mês…me refiro a boa e velha pizza de domingo para ser entregue em casa. Não sei porque, mas tenho quase certeza que o tiozinho da pizzaria de bairro, que já tem dificuldades em entender a diferença entre calabresa e portuguesa em um pedido feito por telefone, ainda não migrou para o mundo digital. Pode ser um preconceito descabido mas a verdade é que a única vez em que fui convidado para um jantar em que o pedido de pizza foi feito pela internet, a refeição quase se transformou em uma ceia da meia noite, pois esqueceram de processar a compra na pizzaria.

Verdade é que li no http://www.brandrepublic.com que mais da metade dos pedidos de pizza da rede Domino’s na Inglaterra já são feitas via e-commerce, sendo que um quarto deste volume é solicitado por aplicativos instalados em telefones e IPads. A Domino`s é enorme…fatura £144.2m por ano e isto significa vender uma montanha de pizzas. Apesar da minha desconfiança o sistema deva estar funcionando bem e os ingleses não parecem estar passando fome ou terem sido esquecidos…são mais de 500.000 fãs da pizzaria no Facebook. Nem lembro se a Domino`s ainda existe aqui no Brasil mas serei obrigado a testar, menos pelo sabor da pizza e mais para superar o trauma…

A lei do Bauru

Li hoje que o Ponto Chic, restaurante onde o sanduíche Bauru foi criado, está comemorando 90 anos. O sanduíche se transformou em uma lenda e foi criado quase por acaso em 1936, quando um frequentador do restaurante, originário da cidade de Bauru e assim chamado pelos seus colegas de faculdade, pediu a um funcionário do local para montar o lanche pela primeira vez. Um colega que estava por perto, experimentou e gritou para o funcionário: quero um igual ao do Bauru! E assim o nome foi ficando…
Aprendi também no G1.com.br que o sanduíche é tão importante para a cidade de Bauru que ele é protegido por lei municipal que estabelece quem são os estabelecimentos certificados para sua preparação(Ponto Chic e Skinão) e não apenas quais são os ingredientes da receita original (a propósito: pão francês, fatias de rosbife, tomate em rodelas, picles de pepino em rodelas, mussarela, orégano, água e sal) mas também a forma de preparo.
Parabéns ao Ponto Chic e reverências ao já falecido sr. Casimiro, o Bauru, responsável pela invenção, mas fiquei refletindo no tempo dos vereadores dedicado a tão nobre questão e como foi a sessão da câmara tratando do tema. Será que o congresso americano faria algo equivalente para proteger o Big Mac ? 2 Hamburgers, Alface, Cebola, Picles, Queijo, Molho Especial em um pão com gergelim…De qualquer maneira a reflexão sobre o bauru me deu água na boca e vontade de comer um sanduba.

A pecinha atrás do volante

Acordei na madrugada de domingo para assistir a corrida de fórmula 1 da Malásia. Tem muita gente que diz que neste tipo de esporte (assim como no hipismo, por exemplo), o homem não faz a diferença. Ganha quem tiver o melhor equipamento, seja um carro ou um cavalo. Quem acredita nesta tese e vê o Fernando Alonso ganhar a corrida e Felipe Massa terminar a prova em décimo quinto, deveria rever os seus conceitos. É fato…com equipamentos iguais, pessoas diferentes tem performances absolutamente diferentes. Estou vendo o calvário do Felipe Massa e ele me lembra bastante o ciclo dos CEOs que não entregam resultados. No começo, a culpa é sempre externa. No caso de Massa, as justificativas passaram por reflexos do acidente em que um parafuso atingiu sua cabeça, pneus que não atingiram a temperatura ideal, carros que não se adequaram ao seu estilo de pilotagem. Patriotadas e teorias da conspiração a parte, a verdade é que ele compete com pessoas melhores que ele. Massa é aquele funcionário que cumpre com os seus deveres e obrigações mas que nunca irá ser a estrela da companhia, já Alonso é “high potential”, promete, entrega e leva o time a um outro patamar. O problema para Massa, é que assim como no mundo corporativo, a fila anda e ele começou a bloquear o acesso de gente boa, jovens talentos que estão prontos para pegar o seu emprego.
Acabaram os álibis, esgotaram-se as justificativas e as pessoas passaram a acreditar que um dos problemas da Ferrari número 6, é justamente a pecinha atrás do volante. Será difícil o Massa sobreviver muito tempo neste ambiente…alías se a empresa fosse minha, depois deste final de semana, hoje ele estaria conversando com o RH e devolvendo o crachá.

Mundo de delícias

Há alguns meses a Kraft Foods anunciou que se dividiria em duas empresas.Eles tem uma montanha de produtos mas basicamente uma cuidará dos seus produtos prontos, congelados etc e outra cuidará de todo o resto (salgadinhos, chocolates, chicletes e afins). Ok, parte da estratégia…
Resolveram ser participativos e convidaram os funcionários a enviar sugestões de como deveria se chamar a nova empresa. Vieram mais de mil idéias de todas as partes do mundo, de pessoas ávidas em contribuir e perpetuar seu nome,ganhando um pin na festa de final de ano.
O que foi publicado esta semana é que o nome escolhido para a nova empresa é Mondelēz e que duas pessoas conseguiram ter a mesma inspiração e o mesmo devaneio. Infelizmente não haverá legendas para explicar, mas o nome quer fazer referência a um “mundo de delícias”. Mondo, Monde , délice, delicioso. Não pararam por aí…Para fazer com que a marca seja única resolveram colocar um traço em cima do segundo “e” do Mondelēz que indica que ele deve ser pronunciado com um som de “vogal longa” . Não importa que nenhum teclado do mundo tenha este “ē” e que ninguém conheça esta peculiaridade fonética.. o que contou foi a opinião dos advogados, loucos para evitar conflitos de trademark em alguma parte do mundo. Mondelēz já era difícil…com tracinho no e, virou um nome quase impossível de já ter sido utilizado por alguém. Mas como o mundo é cheio de surpresas, parece que já descobriram que em russo, o som de Mondelēz, equivale a algo como secreção vaginal. Não está muito próximo do conceito de mundo de delícias…

Passaporte da alegria

Leio nos jornais que o Playcenter irá fechar e passar por uma transformação radical. Nos últimos anos o parque ficou mais conhecido por arremessar as crianças de seus brinquedos do que por alimentar o imaginário infantil. No passado não era assim. O acesso a Disney era algo intangível e as fantasias e os sonhos de se passar um dia no parque de diversões não chegavam até Orlando. Eles paravam na Marginal Tietê.
Ir ao Playcenter era uma ocasião especial, aguardada por todos. Sou capaz de me lembrar da Montanha Encantada, dos carrinhos de bate bate, do labirinto de espelhos e até da Monga, a mulher-macaca, mas talvez a minha maior lembrança seja das bolas infláveis gigantes, brancas, com pinceladas de tintas de todas as cores. As bolas eram conquistadas enchendo a boca do palhaço ou apostando no cavalo certo no derby. Chegar em casa com a bola na mão era uma conquista e era a senha para contar e recontar as histórias do dia.
O tempo passou, vieram noites do terror, parque fechado para raves de rádios de gosto duvidoso, Hopi Hari, dólar mais barato e o Playcenter foi ficando cada vez mais longe. Nos últimos anos eu passava pela marginal e não entendia como um espaço daquele tamanho poderia sobreviver no meio da cidade. Não tinha jeito….Era como se o passaporte da alegria tivesse dado lugar a um passaporte para a melancolia, vivendo das memórias e apenas justificando os seus seguidos problemas de manutenção. Junto com o Playcenter se vai um pouco da minha infância.

Nuestra…

Estava em reunião com gente de vários cantos do mundo. Os papos sobre o Brasil giravam sobre o crescimento da economia, preparativos para a copa e afins. De repente um mexicano se aproximou de mim e perguntou se eu me incomodaria de responder alguns perguntas culturais sobre o Brasil. Imaginava algo sobre Niemeyer, Jorge Amado, Chico Buarque ou coisas do gênero. Eis que o mexicano me pergunta em qual contexto nós utilizamos a expressão “ai se eu te pego”…Tentei explicar para ele que a expressão não fazia parte do meu vocabulário mas que havia um certo contexto sexual na maneira como ela era usada.
Ele ficou meio desapontado…disse que a filha dele de cinco anos adorava a música e especialmente aquela parte. Seguiu o interrogatório e me perguntou quais eram os grandes sucessos do Michel Teló, ídolo do momento no México. Nova decepção, falei para ele que o Teló não tinha mais sucessos – era aquilo e nada mais. Por fim ele me falou que buscou no google translator o significado de “nossa”(….do “nossa, assim você me mata) e apareceu “nuestra”e ele não entendeu nada. Expliquei que “nuestra” equivaleria a um “uau”. Ele ficou meio desconfiado mas aceitou. A globalização por vezes nos faz passar vergonha.

Brinquedo novo

A minha vinda para os Estados Unidos esta semana coincidiu com o dia de chegada as lojas do IPad 3, ou the new Ipad, como a Apple decidiu chamá-lo. Não sei se ele é tão mais rápido, se a definição da tela é tão melhor ou se o leitor de retina realmente funciona….O que sei é que é novidade, que eu estava por aqui e que faria o meu esforço de logística para comprá-lo. 
Assim foi. Mal minha reunião acabou e lá fui eu em busca da Apple Store mais próxima. Procurei manter minha expectativa baixa…o risco de já ter acabado e de eu voltar para casa de mãos vazias era real. Sempre tem uns mais esquisitos do que eu, dispostos a dormir na porta para serem os primeiros a terem a novidade, aparecerem na TV e zerarem os estoques nos primeiros dias.
Deu certo ! Os nerds deram uma chance, se esqueceram da loja em que eu fui e ainda tive a chance de escolher se queria preto ou branco. Já que não tenho certeza se o novo será tão diferente do Ipad 2, resolvi mudar de cor…assim me convenço que ao menos alguma coisa é diferente e não me confundo.
Para alguns, esta é uma compra técnica…o que mudou ? melhorou mesmo ? Há quanto tempo tenho o Ipad velho ? Quando virá a nova versão ? 
Para mim é puramente emocional. Dizem que a única diferença de meninos para homens é o tamanho e o preço dos seus brinquedos…Hoje estou me sentindo um menino bem feliz ,louco de vontade de brincar e de mostrar o brinquedo para os amigos.

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