Quantas e quantas vezes voltei de um feriado de sol pensando em largar tudo para vender coco na praia…Pensava, esta foi a última vez… Neste feriadão, fui para o Nordeste e caminhando pela praia parei para tomar uma água de coco. Era quase meio dia e perguntei como estava o movimento de turistas. Desanimada a vendedora disse que estava fraco e que aquele era o segundo coco vendido do dia. Dia bom segundo ela, era dia com 30 unidades vendidas…Como eu tinha cara de turista e ainda mais de turista paulista, ela aproveitou e superfaturou o coco, que me custou R$ 2,50. Baseado naqueles preciosos insights resolvi simular os meus planos de aposentadoria . Fazendo uma projeção de que com um bom plano de marketing e com diferenciação em minha barraca, eu seria capaz de vender em média 20 cocos/dia (não sobrevalorizando temporadas chuvosas, dias úteis com praias desertas etc…) com um mark up de R$ 2,00 por unidade de coco, consegui projetar uma renda mensal otimista de cerca de R$ 1200,00. O meu futuro como vendedor de cocos ruiu como um castelo de areia…Decidi rever meus planos futuros e agora meus novos sonhos para manter viva a fantasia da aposentadoria praiana são virar pescador ou vender redes. Isto sim deve dar dinheiro !
Vendedor de coco
Publicado em Reflexivo
Caiu de maduro
E o Palmeiras caiu…Ou melhor, acabou de cair de maduro porque nem o mais otimista dos matemáticos ainda via salvação. De verdade, eu não sei porque tanto drama. Jogar a segunda divisão é ótimo para recuperar a auto-estima. Depois do trauma do rebaixamento vem um período de glórias…É como sofrer com o fim de um namoro e cair na vida na semana seguinte. Você não vai em busca de grandes conquistas…se satisfaz com a quantidade e adota a filosofia do “caiu na rede é peixe”. Com o Palmeiras será assim, se achará poderoso quando golear o CRB e o ABC de Natal…Se orgulhará quando disparar na ponta da tabela da série B. O problema é quando é só isto que te resta: quantidade e nivelamento por baixo. Chega uma hora que você precisa apresentar suas conquistas para a família e esta é a hora da verdade. O Palmeiras definitivamente não levará o troféu da série B para o almoço de domingo, levará bronca do pai dizendo que está na hora de tomar juízo mas o resto da família continuará apoiando. Siga na luta, um dia isto passa, é só uma fase… ainda não apareceu alguém que te mereça. Esta série A era chata mesmo…jogar aos domingos não tem nada a ver.
Vai Palmeiras, se esbalde na série B, seja o rei do submundo, galã dos inferninhos, terror das feinhas. Esta será sua sina em 2013
Publicado em Cotidiano, Futebolístico
Berimbau
Mistura de dança com luta, garantia de flexibilidade e agilidade, disciplina, gingado, estado de espírito, arte marcial brasileira.. Muitos dizem que a capoeira é tudo isto e muito mais…Respeito quem goste e veja graça mas para mim, definitivamente a capoeira é das coisas mais chatas que alguém já inventou. Assistir por mais de 2 minutos a uma roda de capoeira, vendo as pessoas dando estrelas no vácuo, cantando músicas hipnóticas e com trajes de noite de reveillon é dos maiores exercícios de paciência a que alguém pode ser submetido. Passei por isto no final de semana e confesso que quase tive um impulso de entrar na roda para animá-la um pouco e transformá-la em um octógono de vale tudo. Certamente eu tomaria uma voadora de algum mestre e viraria pó…Mestre Bira, Mestre Grilo, Mestre Pastinha…ninguém tem nome, só apelido e todo mundo é mestre… Ninguém luta nem dança, todos jogam…Enfim,capoeira não é para mim. Isto ficou reforçado quando acordei de um pesadelo em que eu estava sendo torturado…em um quarto fechado, tinha que ouvir meia hora de “Paranauê” , tocado lentamente, com berimbaus, atabaques e reco-recos , sem poder tapar meus ouvidos…Prometi para mim mesmo que nunca mais assistiria a nenhuma demonstração de capoeira, por mais curta que seja.
Ted, o ursinho pervertido
Neste final de semana assisti “Ted”. O filme não vai ganhar Oscar, não entrará para a história do cinema mas a idéia do roteiro é muito boa e faz com que “Ted” comece inocente como filme infantil e termine como uma comédia totalmente politicamente incorreta. O filme conta a história de John, um menino tímido e isolado do mundo, que ganha um ursinho de pelúcia de presente de natal e faz um pedido aos céus, para que Ted ganhe vida e seja seu amigo para a vida inteira. Pedido feito, pedido atendido e Ted, transformado em um bicho de pelúcia “vivo”, se transforma em seu companheiro de todas horas. Algo fofo quando o cidadão tem 8 anos e difícil de administrar quando ele tem 35 e o ursinho vira um depravado chegado em drogas e ninfomaníaco. Fiquei pensando na quantidade de Mammys desinformadas sobre o conteúdo de Ted, exibindo o filme por engano aos seus rebentos. Será um choque e certamente depois dos primeiros minutos de “Sessão da Tarde”, muitos pedaços terão que ser pulados. Valeu o ingresso…”Ted” foi das coisas mais divertidas que assisti recentemente.
Publicado em Cinema, Entretenimento
Black Power
É impossível passar pela África do Sul e não lembrar que até alguns anos o Apartheid, regime de segregação racial existiu por aqui e sentir as cicatrizes que isto deixou.

Passaram quase vinte anos e fiquei pensando na habilidade e na liderança de Nelson Mandela para que o fim do regime não tenha sido uma carnificina. O poder político migrou de brancos para negros mas a distribuição de renda está idêntica. A bomba não explodiu mas fica a sensação que a pólvora continua espalhada. Talvez por isto Barack Obama continue sendo um pop star por aqui. Ninguém com quem falei quer saber o que ele fez ou fará, mas sim o que ele representa. De alguma maneira, ele é a África negra, oprimida e miserável, comandando o país mais poderoso do mundo.Obama ficará mais quatro anos…e tem o papel de além de simbolizar , realmente ser um guardião da igualdade e do acesso,não apenas nos EUA mas no mundo todo.Além disto como bônus pela sua permanência, eu ganhei mais algum tempo para até 2016 entender como funcionam as eleições americanas. Minha tese: os caras ficam um ano disputando prévias em seus partidos e mais não sei quantos meses em campanha mas em 90% dos estados, os democratas ou os republicanos sempre vencem, há séculos e independentemente do candidato. Na realidade, disputa mesmo e a definição do vitorioso ocorrem apenas nos chamados “swing states”, que mudam de opinião de tempos em tempos. É lá que a campanha não é café com leite.
Momento “revolta com o chefe”
“Leave me alone. I know what to do.”
Kimi Raikonnen, vencedor do Grande Prêmio de F1 de Abu Dabhi ao receber orientações do seu chefe de equipe .
Como ele ganhou a prova, ficou divertido o mini motim contra o “chefe” ,testemunhado pelo mundo inteiro via rádio. Para sua sorte ele ganhou…se tivesse perdido eu esperaria uma vingança doce e silenciosa por parte do chefe…Esculacho em chefe desta maneira é para poucos…
Publicado em Automobilístico, Mundo de Dilbert
Sandy sem Jr.
Nos últimos dias só dá Sandy (a tempestade americana, não a filha do Xororó e irmã do Júnior)…Chuva, inundação, destruição, falta de eletricidade, perspectiva de proliferação de ratos. Tudo muito ruim para toda a região atingida mas tem um aspecto interessante que é uma discreta solidariedade exibicionista aparecendo entre os brasileiros das redes sociais . Ficou cool falar coisas como: Vocês viram como ficou o Holland Tunnel ? E o Battery Park, destruído ? Para baixo da 27 ficou tudo completamente sem luz… Chelsea ficou intransitável… Acho que Bloomberg terá trabalho…Meatpacking foi muito atingido.Estão aproveitando a desgraça alheia para demonstrar uma enorme intimidade com NYC. Não estou falando dos nativos ou das pessoas que moram lá que devem estar absolutamente espantadas com o que aconteceu…Estou falando de uma parcela da Brazucada, que sempre que tem a chance, adora parecer “in” das cidades mais legais do planeta. Estou esperando alguma campanha de mobilização organizada pela elite paulistana com o propósito de ajudar os desabrigados New-Yorkers (os de New Jersey não dão muito Ibope nas nossas terras…deixemos que o Obama cuide deles)…Vamos arrecadar cupcakes,bagels e donnuts para as vítimas da Sandy. Pega bem entre as amigas e é importante que a cidade se reconstrua rápido para dar tempo de nossa tchurma voar e fazer compritchas de natal. Sujeira e destruição deixamos para São Paulo em Janeiro, quando o Tietê transbordar…isto não combina com NY.
Publicado em Cotidiano, Etnografia, Reflexivo

















