O homem da nota de US$ 5,00

us_5_obverseFui assistir “Lincoln”, dirigido por Steven Spielberg e indicado para uma montanha de Oscars. Resumo: Ótima interpretação de Daniel Lee Lewis, bons atores coadjuvantes, um pouco de aula de história para poder replicar para os amigos e uma nova visão sobre o homem da nota de US$ 5,00 que de vez em quando passa pela minha mão.

Não é fácil se manter alerta nas duas horas e meia do filme…o roteiro tem alguns detalhes históricos difíceis de serem absorvidos por não americanos, exceto por algumas práticas de compra de votos de parlamentares que foram  globalizadas e fazem com que o espectador brasileiro se sinta em casa em vários momentos…São citados personagens, batalhas e fatos que dificultam a conexão. Nada que impeça a compreensão geral de “Lincoln” mas uma apostila de cursinho ajudaria.

A iluminação, os figurinos e os planos sempre fechados te dão a impressão que você está em um estúdio construído no Projac com personagens de um museu de cera. Admito que deu um certo sono, ainda mais estimulado por vários colegas de sessão que roncavam sem constrangimento. O filme deve ganhar mesmo um monte de coisas porque é tecnicamente correto, segue a formulinha, mas não tem a proposta de gerar nenhum “uau” nos espectadores.  Eu diria que é um filme burocrático que vale pelo seu elenco…images

Marca Registrada

DjangoUnchained

Toda vez que assisto a um filme de Quentin Tarantino tenho absoluta certeza que o roteiro foi escrito por alguém em completo estado de alucinação. Com “Django” não foi diferente. Se quisesse simplificar muito, poderia dizer que o filme é uma bela história de amor de Django, um ex-escravo, agora homem livre, que arrisca a vida para resgatar sua esposa,  ainda escrava e que está sob o domínio de um fazendeiro cruel. Isto é simples demais para Tarantino e a história é bem mais complexa e menos doce…O ex-escravo se transforma em um caçador de recompensas, vira parceiro de  um falso médico alemão que se utiliza do idioma para conversar com a escrava perdida e que também é fluente no idioma. Tudo isto dois anos antes da abolição da escravidão, em um ambiente em que o racismo era absolutamente predominante . Complicado ? No filme tudo se encaixa…”Django” é um faroeste que permite a Tarantino aplicar sua fórmula maluca com perfeição. A vingança está presente, sobra sangue, sobra ironia, sobram diálogos inteligentes, trilha sonora de primeira, figurinos impecáveis e ótimos atores…Esta é a grande virtude de Tarantino: seus filmes tem marca registrada. Tarantino porém  é capaz de se reciclar, mudar sua roupagem e sempre fazer isto com muita categoria. Você pode gostar ou não da sua receita de bolo mas não dá para ignorá-lo…é cinema de primeira…As 2:45h de Django passaram voando…

Richard e Wilson

15704_aventuras-piConfesso que a perspectiva de assistir duas horas de uma história de um menino náufrago que é forçado a conviver em um bote com um tigre feroz não me entusiasmava muito. Pior ainda quando os meus filhos, críticos impiedosos, qualificaram o filme como entediante. 11 indicações para o Oscar e empolgação generalizada de pessoas que saíram do cinema transformadas e espiritualizadas me fizeram dar uma chance para “As Aventuras de Pi”. Fiquei com a convicção de que assisti “O Náufrago 2” em que saem de cena Tom Hanks e o avião da Fedex, e são substituídos por um menino indiano e um navio japonês. O jovem Pi é mais atual e globalizado…ele está se mudando da Índia para o Canadá, afunda perto das Filipinas, é resgatado no México e de brinde tem um nome dado em  homenagem as “Piscines” de Paris…

Mas a moral da história é que quando surgia na tela Richard Parker (sim, este é mesmo o nome do tigre de Pi…nada de Sansão, Brutus ou algo do gênero) eu tinha certeza que ele era a versão felina da bola Wilson com a qual Chuck Noland, personagem de Hanks, interagia o tempo inteiro em “Náufrago”. O roteiro é todo em torno de projeções, angústias, solidariedade, amizade,medo, esperança… Wilson era redonda e muda e Richard Parker tem quatro patas, urra e come peixe mas para mim o tigrão é uma reencarnação da bola. Sim, “Pi” tem uma fotografia bonita, efeitos especiais que fazem com que o tigre seja perfeito e um jovem ator indiano que se destaca mas não voltei para casa me sentindo uma pessoa melhor…”Pi” não me tocou muito…Meu espírito está mais para Django. 277948_Papel-de-Parede-Bola-do-Filme-o-Naufrago_1680x1050

Ni sí ni no

AOntem foram indicados os filmes candidatos ao Oscar. Começa uma temporada de estréias e coisas melhores para se assistir do que “De pernas para o ar 2”.Esta semana fui assistir a “No”,  candidato a melhor filme estrangeiro e que conta a história do plebiscito realizado no Chile, em 1988 e que pretendia validar a permanência de Augusto Pinochet no poder. Todo o filme é contado sob a ótica de René Saavedra, interpretado pelo mexicano Gael García Bernal, publicitário que teve a responsabilidade de comandar a campanha do “não” à ditadura.

“No” foi filmado com uma câmera da época, o que assegura ao filme uma estética dos anos 80, reforçada pela utilização de uma uma série de imagens de arquivo . O visual granulado e amarelado ao longo de duas horas de filme gera um leve incômodo, como se você estivesse assistindo a um VHS que estava na prateleira há anos. Não fiquei decepcionado mas esperava um filme com mais impacto e profundidade. “No”, acaba refletindo um pouco da campanha criada por René para o plebiscito chileno: um pouco superficial, sem querer tocar em temas muito pesados e com um roteiro previsível. De qualquer maneira vale como registro histórico e como lembrete dos dias cinzentos da ditadura no Chile. Em homenagem aos chilenos, diria que achei “No” más o menos, ni sí ni no…

Independentemente disto “No” serviu também para eu concluir que o Gael Bernal e o Rodrigo Santoro foram separados na maternidade. São gêmeos univitelinos. Certamente as mulheres não concordarão com o ponto de vista (que tal um plebiscito ?) , mas o visual “barbudinho carente e cool” de ambos é idêntico…

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Se cuide Penélope…

” O melhor filme de Daniel Craig como 007″, “Um dos melhores 007 da história”…Fui assistir a “007 – Operação Skyfall” e  gostei. É um ótimo passatempo mas li muito poucos comentários sobre o vilão interpretado por Javier Bardem. Bardem está simplesmente fantástico no papel de Raoul Silva, um ciberterrorista bizarro com os cabelos loiros oxigenados ao melhor estilo HeMan. O foco das comparações recai sempre sobre a performance de Daniel Craig, que terá em Sean Connery uma sombra eterna, mas Bardem transforma o James Bond em coadjuvante de seu próprio filme. Bardem parece que nasceu para fazer papel de psicopatas e são poucos outros atores que podem ser comparados a ele (Jack Nicholson, Anthony Hopkins…) .

 

Se combinarmos a maluquice de Silva, com a loucura de Anton Chigurh, personagem de Bardem em  “Onde os fracos não tem vez”   chegamos a conclusão que Barden é um mestre na arte de meter medo. E faz isto silenciosamente, cinicamente… É assustador…Se eu fosse a Penélope Cruz, mulher dele na vida real, eu dormiria em quartos separados e manteria uma arma no criado mudo. Vai que depois de uma briguinha de casal o cidadão resolve incorporar um destes personagens ?

Ted, o ursinho pervertido

Neste final de semana assisti “Ted”. O filme não vai ganhar Oscar, não entrará para a história do cinema mas a idéia do roteiro é muito boa e faz com que  “Ted”  comece inocente como filme infantil e termine como uma comédia totalmente politicamente incorreta. O filme conta a história de John, um menino tímido e isolado do mundo, que ganha um ursinho de pelúcia de presente de natal e faz um pedido aos céus, para que Ted ganhe vida e seja seu amigo para a vida inteira. Pedido feito, pedido atendido e Ted, transformado em um bicho de pelúcia “vivo”, se transforma em seu companheiro de todas horas. Algo fofo quando o cidadão tem 8 anos e difícil de administrar quando ele tem 35 e o ursinho vira um depravado chegado em drogas e ninfomaníaco. Fiquei pensando na quantidade de Mammys desinformadas sobre o conteúdo de Ted, exibindo o filme por engano aos seus rebentos. Será um choque e certamente depois dos primeiros minutos de “Sessão da Tarde”, muitos pedaços terão que ser pulados. Valeu o ingresso…”Ted” foi das coisas mais divertidas que assisti recentemente.

A princesa latina

A globalização chegou ao mundo da fantasia. Sofia, ganhou o status de primeira princesa latina do reino do Mickey Mouse e sua coroação ocorrerá em Novembro, quando um desenho animado narrando as suas peripécias estreará na Disney Channel. Na lógica da Disney, sendo latina, não era de se esperar que ela tivesse sangue azul e fosse preparada para lidar com os rituais e as exigências da realeza. A Sofia latina, mudou-se para um castelo depois que sua mãe, Miranda, casou-se com o Rei Roland II. Roteiro moderno…o Rei casou com uma mulher plebéia que já tinha uma filha. Moderno  mas não muito poético…Miranda, dona de uma loja de sapatos, conheceu o rei quando ele foi comprar um par de chinelos em sua loja de sapatos….

Será que o rei era cool é foi comprar Havaianas ? Terei que aguardar o filme para confirmar mas pelos traços do desenho que foram recém divulgados, esta não parece ser a tendência. É um clássico desenho Disney..Na verdade, o desenhista da Sofia deve ter se inspirado no que aconteceu com a pele do Michael Jackson. Se a Disney não tivesse anunciado a “latinidad” de Sofia em seus press releases, eu diria que ela é a primeira princesa irlandesa a merecer lugar em um desenho animado. Cabelos ruivos e olhos azuis fazem de Sofia uma latina um tanto única. Enfim, nada que uma legenda e uma boa assessoria de imprensa não resolvam. Provavelmente em função do potencial de seu mercado, os latinos finalmente mereceram um ingresso na família real…Depois da malandragem do Zé Carioca, a redenção veio através da princesa Sofia. De repente, pensando no futuro (Sofia 2, a missão), a Disney promove o casamento da Sofia com o  seu príncipe encantado, quem sabe Hugo Chavez…ao som de rumba em Maracaibo…aí sim o pacote seria mais completo e a ficção se aproximaria da realidade.

Os excluídos

Este final de semana finalmente fui assistir ao filme francês “Os Intocáveis” .  O filme  é inspirado em uma história real e conta a relação de Philippe,  um milionário tetraplégico de Paris, e Driss, o seu improvável cuidador. Pobre, ex-presidiário, sem um currículo profissional mas cheio de vida e seguro de si, Driss acaba sendo o perfeito contraponto para Philippe e esta relação que começa restrita a patrão e empregado, acaba virando um elemento de transformação na vida de ambos.  Este enredo tinha tudo para se transformar em um melodrama mexicano mas o tom do filme passa longe de ser piegas e o bom humor é  marcante ao longo de toda a  história. Classificar o filme como comédia porém, acaba sendo bem superficial. Não  dá para sair do cinema e não pensar na vida…Comédias de verdade são esquecidas no caminho de volta para casa…Com “Os Intocáveis”, isto definitivamente não acontece e pelo menos para mim, sobrou aquele leve incômodo reflexivo. Fiquei pensando que talvez  mais do que “Os Intocáveis”, talvez o filme devesse se chamar “Os Excluídos”. O ponto de união entre os personagens é justamente a exclusão social de ambos. Philippe, rico, refinado, excluído por suas limitações físicas. Driss, imigrante, malandro, excluído por sua origem.  Dinheiro não compra a vitalidade e energia que Philippe tanto desejaria reconquistar…Driss provavelmente abriria mão de sua auto-confiança e poder de sedução, em troca de mais alguns passeios de Maseratti , banhos de banheira e restaurantes refinados. Escolher entre dinheiro e saúde  sempre me pareceu óbvio mas ao terminar o filme e me colocar no lugar de Driss fiquei pensando se a minha visão é realmente universal. Fiquei com dúvidas….

Viagem do pensamento

Este final de semana fui assistir “Na Estrada”, o filme de Walter Salles que é uma adaptação para o cinema do livro “On the Road” de Jack Kerouac . O livro de 1957 (que eu não li) é uma retrato da juventude americana no pós-guerra, a geração ‘beatnik” e é centrado na história de Sal, Dean e Marylou e suas andanças pelas estradas dos Estados Unidos, Canadá e México. O filme tem uma fotografia bonita, bons atores mas em várias horas me senti como as crianças, perguntando se iria demorar muito para chegar ao destino, pois a viagem pelas horas do filme parecia interminável. Os momentos arrastados e contemplativos  de “Na Estrada” porém, não desqualificam as reflexões que ele provoca e não há como não sentir uma pequena inveja do prazer e da irresponsabilidade que os personagens do filme transbordam. Ver o filme me levou de volta a uma pergunta clássica da juventude: o que aconteceria com a minha vida se amanhã ao invés de ir para a escola ou para o trabalho, eu resolvesse ir morar na praia ? E se eu pegasse o carro e dirigisse sem destino ? Hoje em dia as respostas que viriam de minha mente seriam pragmáticas, adultas e talvez um pouco amargas: em algum momento você não teria dinheiro para colocar gasolina e seu carro pararia ou antes disto você seria preso pelo não pagamento da pensão dos seus filhos. O bom do cinema e dos sonhos é que você pode escrever roteiros de ficção…as vezes eles se despedaçam junto com o toque do despertador mas ainda assim servem de alimento para uma grande viagem do pensamento.

Mezza bocca

Se “Para Roma com amor” foi o melhor presente que Woody Allen conseguiu preparar para a cidade, Roma deve estar bem desconfiada. Deve estar pensando o que Barcelona e Paris fizeram para merecer dedicatórias e obras tão melhores. “Vicky Cristina Barcelona” e “Meia noite em Paris” são significativamente superiores a “Para Roma com Amor”, último filme de Woody Allen. . Diz o dito popular que quem tem boca vai a Roma.  No caso, Woody Allen necessitou só  de meia boca e um grande bolso, para filmar por lá e ganhar incentivos e alguns milhares de euros. Filme que é bom, ficou devendo…

O filme conta quatro histórias que  são independentes entre si que se passam em tempos diferentes. A única coisa comum entre elas é que são ambientadas em Roma.  O núcleo “cantando no chuveiro” , trata de um casal americano que vai a Roma para conhecer a família do noivo de sua filha e se envolve na producão de óperas . O segundo núcleo, o “alter ago”, retrata um arquiteto americano (Alec Baldwin) em férias na Itália  e que se projeta na figura de estudante que está vivendo na cidade , se transformando em uma espécie de grilo falante, voz da consciência. Há também a célula “Jeca Tatu” com dois  recém-casados provincianos que se perdem pelas ruas da cidade em que se salva a versão Piriguete italiana de Penélope Cruz.A última trama poderia ser definida como “esqueci minha Ritalina” ou “tributo ao BBB” e conta a história de Leopoldo (Roberto Benigni, tão afetado como quando apareceu na cerimônia do Oscar) um homem comum que é transformado em celebridade pela mídia.

Nada no filme é original, e “Para Roma com amor” acumula um monte de estereótipos e poucas surpresas. Você tem certeza que já viu tudo aquilo e fica esperando um gracejo, ou algo inovador que acaba não aparecendo. Roteiro bobo, piadas idem. Confesso que saí do cinema sem sequer ter aquela sensação de querer aprender italiano e comer macarrão…Até as imagens da cidade, tão espetaculares em “Vicky” e “Meia noite” e que se transformaram em cartões postais de Barcelona e Paris, faltaram um pouco neste filme. Roma aparece, bonita mas discreta, sem brilho. Woody não deve ter gostado de algum polpettone do passado e retribuiu com um  tributo a Roma que pode facilmente ser classificado como “mezza bocca”.

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