Fora de foco

São Paulo organiza um evento cultural com centenas de atrações, 4 milhões de pessoas vão às ruas e o foco está no caos para se conseguir comer a “galinhada” do Alex Atala. Entrevista-se o prefeito para que ele explique o  porquê da falta de  comida chique para a multidão.  A galinhada do Minhocão é tratada de forma similar aos brioches da Revolução Francesa.


O Rio de Janeiro tem uma final de campeonato de futebol, o Fluminense ganha de quatro, faz um gol de bicicleta e o principal destaque do jogo é uma gandula popozuda transformada em sex symbol na semana anterior. A gandula musa aparece em todos os programas possíveis, dá entrevistas e é elevada ao patamar de uma Angelina Jolie do Engenhão.



A chegada da Carolina Dieckmann a delegacia para prestar esclarecimentos sobre o extremamente relevante vazamento de suas fotos íntimas (que contribuíram para alegrar o final de semana de adolescentes por todo o país), tem cobertura de imprensa digna do julgamento de criminosos contra a humanidade. Depois de 7 horas de depoimento (como ela conseguiu falar 7 horas sobre isto ?), ela sai sem querer falar com a imprensa (quem sabe não haverá uma exclusiva no Fantástico ? Ou uma visita ao Faustão em que comentará sobre as lições do episódio, como daqui para frente utlizar um pen drive ou HD Externo para arquivar as suas brincadeirinhas …)

Neste últimos dias fiquei com a sensação que minha visão de mundo está um pouco desalinhada em relação as prioridades da  grande mídia. Estou fora de foco. Preciso rever meus conceitos…exigir galinhada de graça,  reverenciar a gandula como deusa e ficar com pena da ingenuidade da Carolina…

O verdadeiro grito

Esta semana leiloaram “O Grito” do pintor norueguês  Edvard Munch por US$ 120 milhões, quebrando o recorde de valor pago por uma obra de arte . O comprador não identificado, ao que tudo indica foi um colecionador particular. Fiquei pensando nas reações que o sr. Munch teve em seu túmulo…Certamente primeiro também gritou de espanto, não acreditando no  valor alcançado. Depois seu ego deve ter inflado…sou bom mesmo: esqueçam holandeses sem orelha, ou os espanhóis, sejam aqueles de bigodinhos duvidosos ou os outros que transformam suas mulheres em peças de quebra cabeças. O recorde é meu !

Depois da euforia, Munch deve ter refletido um pouco mais: foi para isto que pintei meus quadros ? Eu estava angustiado, deprimido, meus pais me controlavam, queria apenas me expressar e por isto fiz “O Grito”…  De repente a minha dor virou objeto de fetiche para enfeitar paredes de colecionadores milionários pelo mundo. Tenho quase certeza que os milhões pagos pelo “O Grito” vão muito além da satisfação de ter em casa a obra prima do expressionismo, o verdadeiro grito de quem o comprou é  :   “Ei amigos…o meu é maior que o seu… sou mais rico e  eu posso”… Satisfazer o ego pode valer mais do que US$ 120 milhões.

Extreme makeover no tênis

O tênis é um esporte que apesar das tradições e rituais tem procurado gradualmente se modernizar. Ainda se exigem uniformes inteiramente  brancos em Wimbledon mas ao mesmo tempo a tecnologia foi incorporada e os jogadores podem desafiar as decisões dos juízes. Desta vez porém, parece que exageraram na dose da inovação e isto tem gerado um grande debate entre os jogadores.

Para o aberto de Madrid, que se inicia esta semana, e é um dos campeonatos mais importantes do circuito , atrás apenas dos tradicionais torneios de Grand Slam (Austrália, Wimbledon, Roland Garros e Estados Unidos), resolveram mudar a cor do saibro. As quadras deixarão de ter a consagrada cor de tijolo e serão tingidas de azul . O principal argumento para este extreme makeover  é facilitar a visualização da bola e auxiliar as transmissões de TV. Nadal, Djokovic e cia. estão reprovando abertamente a mudança alegando que ela fere o espírito do esporte. Fiquei pensando em como seria um corrida de Fórmula 1 com asfalto amarelo ou uma competição de judô em um tatame cor de rosa. Pode melhorar a visualização do que quer que seja mas com certeza descaracteriza o esporte. Quero só ver se o saibro azul manterá o poder de manchar tênis e meias da mesma maneira que o seu primo avermelhado. Se não conseguir fazer isto, já terá perdido metade do charme.

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