Pela manhã li que durante uma obra, havia sido localizada uma bomba não explodida da segunda guerra mundial e isto havia gerado a evacuação de 2000 moradores durante a madrugada. Achei bizarro, aprendi que há uma estimativa de 2500 bombas dormentes só em Munique (onde estou) e toquei minha vida… Não imaginei que a descoberta iria bagunçar tanto o meu dia. Faça uma simulação e imagine o que é entrar no metrô a caminho de volta para o seu hotel e ouvir mensagens em alemão informando que algumas estações estão fechadas em função da necessidade de detonação da senhora de 67 anos e 250 Kg .. Por mais que eu tenha me esforçado, se para os locais estava difícil, para os turistas estava impossível de decifrar o que estava se passando e como continuar. Nordfriedhof, Giselastrasse e Kartoffelsalat são a mesma coisa nesta hora…Violando os meus princípios de macho desnorteado, fui obrigado a buscar informações…Tentei abordar um guardinha e com ar de desamparo, mostrei no mapa o meu destino desejado. Com uma marcante doçura germânica ele apenas me disse que lá eu não chegaria de metrô. E ? Ele disse algo próximo de em,em,em Ihr Problem…Parti em busca de um taxi. Eu e a torcida do Bayern. Meia hora de caminhada e um taxi localizado. Não eram apenas as estações que estavam fechadas…as avenidas também. Uma hora de city tour não planejado e o bloqueio definitivo. De lá para frente apenas a pé…A beleza da história: o motorista do táxi me pediu desculpas pela má impressão que eu poderia ter ficado da cidade. Disse que me cobraria metade do valor do taxímetro pois foi forçado a pegar uma rota mais longa e que aquele não seria o valor justo da corrida. Uma explosão de civilização para fechar o dia.
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Explodieren
Infinita highway
Final de semana. Você entra na estrada querendo chegar logo ao seu destino. Não importa para onde você vá, praia, campo, leste ou oeste, se o dia for de sol, estarão pelo caminho aquelas dezenas de motoqueiros. Confesso que fico bem interessado com o fenômeno. Tem a turma da Harley, em geral formada por senhores mais fortinhos e grisalhos e que não se importam com a temperatura ambiente do nosso país tropical e vestem suas roupas de couro e capacetes em forma de tigela. Se orgulham de ostentar os brasões de seus grupos nas suas jaquetas…Angels, Free Riders, Papa Léguas. Fantástico…Sempre fico na dúvida se eles estão passeando, estão a caminho de algum ritual sado masoquista em que o chicotinho está na caçamba ou se estão fazendo regime e o traje ajuda a transpirar e a perder peso. Em geral andam cautelosamente e se espalham por todas as pistas da estrada. Ultrapassar o grupo leva alguns minutos.
Alguns kilometros adiante você encontra a turma das motos velozes. Machos alfa, frequentemente exibindo as suas conquistas na garupa. As presas se dividem entre abraçar fortemente os seus príncipes da velocidade ou puxar as calças para cima, tentando disfarçar o cofrinho que insiste em aparecer em função da posição desconfortável em que viajam. Também vestem roupas esquisitas mas abrem mão do preto, a tendência é usar macacões coloridos que para leigos, parecem collants desconfortáveis… Você chega perto e eles aceleram, barulhentos. Ficam brincando de pega pega entre si…um sai correndo e os outros correm atrás e pelo que entendi, os pedágios e os postos de gasolina são os piques.
Sempre pensei que uma moto fosse símbolo de independência e liberdade. Vento no rosto e andar sem destino. Andar em bando e uniformizado, para mim vai na direção oposta deste princípio. Quem sabe eu devesse experimentar o mundo de duas rodas para compreender melhor este fenômeno.
Novos ares

Quantas vezes não nos pegamos reclamando da rotina, do tédio e suplicando por novos ares. Férias e viagens tem este papel de nos oxigenar com pequenas fugas do cotidiano. Viagens mais do que levar o corpo para outras terras, servem para levar a mente para outra dimensão. Porém, são fugazes. Nos deixam com boas lembranças e um enorme gosto de quero mais. Tentamos congelar estes momentos…Revemos as fotos, relembramos as histórias, compramos souvenirs e buscamos perpetuar as nossas experiências. Hoje vi no www.psfk.com que o fotógrafo tcheco Kirill Rudenko radicalizou na tentativa de fazer com que as pessoas se lembrem das pequenas doses de oxigênio que respiraram em suas andanças por aí. Ele acabou de lançar “ar” enlatado de algumas das principais cidades do mundo…Ar de Paris, ar de Nova York, ar de Berlim e por aí vai…Será que embalados pelo ritmo de Copa do Mundo e Olimpíadas teremos extensões de linha com latinhas brasileiras ? Poluição de São Paulo ? Queimadas da Amazônia ? Maresia do Rio de Janeiro ? Um detalhe…cada respirada do ar da sua cidade favorita custa $8 euros.
Falafel
Seu filho de quase dez anos embarca para uma viagem a Paris. Você sabe que ele tirará fotos da torre Eiffel e do Arco do Triunfo, passeará as margens do Sena e visitará a Monalisa. Conhecerá Paris e guardará as suas lembranças de uma das cidades mais bonitas do mundo. Você fica feliz pela experiência que ele está tendo e ao mesmo tempo um pouco triste pela saudade e frustrado de não estar mostrando a sua Paris para ele, da maneira egoísta e pretensiosa que você acredita que a cidade deva ser mostrada. A torre é de todos, a Monalisa é primeiro dos japoneses e depois de todo o resto mas você precisa mostrar para ele que tem um pedacinho de Paris que não é de todo mundo, que não pertence a multidão, é apenas para ele se lembrar de você.
– Filho, vá ao bairro do Marais (lembre-se de um Marreco…) e você verá um monte de restaurantes vendendo um sanduíche com um bolinho chamado Falafel. Experimente . Papai adora e você também irá gostar…Bebê a bordo
Nada como um agradável voo de algumas horas com uma criancinha se esgoelando para despertar a insatisfação dos demais passageiros. Todos discretamente lançam olhares fuzilantes para a mãe do rebento. Por vezes além do choro, você recebe de brinde alguns pontapés no seu assento ou um puxão de cabelos vindo do banco de trás.
Li que a Malaysian Airlines, atendendo a pesquisas com seus “frequent flyers”‘ em sua maioria executivos, resolveu criar zonas child free a bordo de suas aeronaves. Em seus aviões que possuem dois andares, o andar superior agora tem acesso limitado a passageiros maiores de doze anos. Ou seja, mammys e suas proles se quiserem viajar, tem que ir de classe econômica no andar de baixo do avião. A United Airlines também parece que cansou das traquinagens dos pequenos infantes e acabou com o privilégio de acesso prioritário para famílias com crianças. Conseguiu gerar um abaixo-assinado de protesto de mães indignadas que colheu 30 mil assinaturas pedindo a reversão da medida. Os sisudos executivos, que sustentam o dia dia das companhias aéreas, estão derrotando as crianças, que continuarão voando e chorando mas em áreas limitadas dos aviões.
Aprendizado na neve
Uma das belezas da vida é a capacidade de se poder continuar aprendendo independentemente da idade. Esta semana lá fui eu para o desafio de tentar desenvolver minhas habilidades para conseguir esquiar na neve. Se colocar no papel de ignorante não é das coisas mais fáceis de se fazer (ao menos para mim..),requer uma boa dose de humildade e um exercício para deixar a vaidade de lado, ainda mais quando vários dos seus colegas de “escola” tem entre 3 e 5 anos de idade.É uma sensação um tanto estranha…você tentando frear colocando os seus skis em uma bizarra posição de pizza e sendo ultrapassado por crianças recém
saídas das fraldas e que ainda fazem questão de passar ao seu lado descendo de costas e sorrindo. O mico se intensifica com o instrutor pedindo para fazer exercícios de equilíbrio que você não conseguiria fazer nem parado, no plano e sem nada nos pés, que dirá na descida e com skis nos pés…Você tem a impressão que a estação de ski inteira está se divertindo com os seus incríveis tombos desengonçados, que te deixam em posições dignas de um kama sutra, porém gelado e sem parceira. A perseverança vence e aos poucos você vai relaxando, se abrindo para a beleza da natureza, ignorando os outros e se realizando com as pequenas conquistas como não cair na saída do
teleférico, conseguir descer uma montanha de cima a baixo e ver que você não evolui sozinho: os seus filhos que alguns dias atrás nunca haviam visto neve, agora parece que nasceram em alguma província da Suiça. O prazer não vem do grau de dificuldade da pista e sim de conseguir superar os seus limites, aprender, continuar evoluindo e sair com a certeza que a próxima vez será ainda melhor. É duro mas realmente não existe aprendizado sem tombos.
Romarinho e eu
Vai começar a partida. Você esta se virando bem. Arruma uma rede wi-fi que parece honesta e que te permitirá assistir o jogo em seu IPad através do aplicativo da justin.tv. Começou. A imagem congela, você não ve muito bem a partida, acompanha um duelo de sombras brancas contra azuis, mas é o famoso “bem melhor que nada”. O Paulinho chuta…quase gol…Você se empolga, manda um sms de “quase” para a sua mulher. A resposta é fria : você só viu agora ? Nossa, que delay enorme…Falta compaixão com as condições sub-humanas a que você estava sendo submetido e ao seu estado emocional. Você torce para que, como sempre acontece, o voo atrase e você possa continuar assistindo. A pontualidade desta vez é total. Última chamada para embarque. Desliga o IPad. Entra no avião…o sinal de seu celular vai embora, não há “banda” para continuar assistindo pela internet. Plano B: liga para casa, transforma sua mulher em seu Galvão Bueno particular. Ela narra o que está acontecendo….ri, fala que o Sheik é engraçado e destaca como o Riquelme envelheceu. Falta foco, mas é companheira e te informa do fim do primeiro tempo. Empate… por enquanto está bom.Publicado em Aéreo, Cotidiano, Futebolístico, Viagem


















