Correntes migratórias

ElectraLá fui eu para mais uma viagem a trabalho partindo de Congonhas. Aeroporto central, de fácil acesso, permite que você ganhe alguns minutos de sono e economize no taxi. Mas o que realmente diferencia Congonhas de todos os aeroportos do mundo, é uma frase que acompanha todos os anúncios de voo: “devido ao reposicionamento de sua aeronave, o seu portão de embarque foi alterado.”

O que está impresso em seu cartão de embarque ou consta do painel informativo, não serve para nada. Ou melhor, serve de referência para você combinar encontros com os seus colegas de empresa que embarcarão na mesma viagem. Isto não é exceção.É regra. A partir dos anúncios,o que se observa são correntes migratórias dentro do aeroporto…Passageiros se deslocando de um portão para o outro como fazem as andorinhas no verão e as baleias jubarte no inverno. Alguns rumam para o piso inferior, outros sobem, outros não entendem nada e ficam parados,incrédulos esperando por uma lógica.O que causa este reposicionamento tão frequente ? Será que os pilotos se comportam como motoristas em um estacionamento de shopping center, procurando vagas próximas dos elevadores ? Estacionam onde querem e geram uma bagunça ou isto é a prova de uma notável desorganização tropical ?

Paz e amor

lamaNeste feriado enquanto milhares de pessoas chafurdavam pela lama tentando assistir ao festival de música do Lollapalooza em São Paulo, me trancafiei nas terras distantes da Serra do Ibitipoca, em Minas Gerais.

Eles preferiram ir à um festival de música e bastou aparecer a meleca no chão  para começarem as referências a  Woodstock… Mas a verdade é que a multidão que foi aos shows do The Killers e do Pearl Jam, provavelmente não sabe muito a respeito de Jimmy Hendrix ou Janes Joplin e tem certeza que Woodstock , nada mais é do que um amigo do Snoopy (acho que nem esta referência está certa, afinal o Snoopy não é o Snoop Doog…)

Eu optei pelos banhos de cachoeira. As cachoeiras nunca saíram de onde estão, não foram criadas na década de 60, mas sempre que eu comento que entrei em uma, me olham como se eu tivesse uma barraquinha na feira hippie  e andasse descalço, vendendo brincos e aneis de prata por aí.
Eles quereriam diversão e música, eu queria contato com a natureza. Ponto. Mas se pararmos para pensar, eu e essa turma temos algo em comum: somos olhados como se tivéssemos saídos do túnel do tempo, como se a “Peace and Love generation” ainda estivesse por aqui. Woodstock, banhos de cachoeira ao som de Raulzito…Isto já acabou há uns 40 anos. Será que as pessoas não vão atualizar os seus comentários… ?

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Alô,alô Marciano

Todo mundo te chama de Chinha.

É meu apelido. É como eu gosto de ser chamado.

Mas qual é seu nome ?

Meu nome é Marciano.

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Marciano ? Como os extraterrestres verdinhos, que vem de Marte ?

Não. Marciano em homenagem à dupla caipira. João Mineiro e Marciano. Meu pai gostava muito deles. Entendeu agora porque eu prefiro ser chamado de Chinha ? Marciano Júnior, não dá…

Marciano Júnior ? Então era seu avô quem gostava da dupla…Seu pai também chama Marciano.

Não. Meu pai se chama Domingos.

Não entendi. E o Júnior ?

Outra homenagem. Desta vez ao ex-lateral do Flamengo e da seleção brasileira.

Mas o nome dele é Leovegildo !

Pois é…por isto que eu gosto mesmo de Chinha. Não sou cantor e nem jogador de futebol. Sou guia do parque do Ibitipoca. Sou brasileiro !

Fogos de artifício amazônicos

6a00d83451dba369e200e552af5f908834-800wiA Amazônia com sua concentração de flora e fauna é o paraíso dos estudiosos da natureza. Alguns deles estudam coisas que se transformam em poços de entretenimento para especialistas em cultura geral. Nestes últimos dias, convivemos com um jovem alemão que estava fazendo um estudo do meio para conclusão de sua tese de mestrado. O tema da tese ? Vaga-lumes…Sim, ele está estudando para se transformar em uma sumidade no comportamento dos nobres insetos. Tomando um café com o Darwin do século XXI, aprendi coisas que fizeram com que o meu 2013 começasse muito mais iluminado, como o fato de variadas espécies de vaga-lume brilharem em cores diferentes, inclusive vermelho e laranja e outras não terem qualquer brilho. Imagine que você pode ser um vaga-lume macho e jamais dar uma piscadinha…Certamente o inseto em questão vive em terapia…Aprendi também que apenas um pedaço específico do corpo do vaga-lume tem o poder de brilhar e este efeito aparece quando o vaga-lume ainda é uma lava…O baby vaga-lume já é uma estrela! Nasce para brilhar…Enfim, sem queima de fogos ou contagem regressiva do Faustão , o nosso começo de 2013 foi iluminado pelas estrelas do céu e pelo pisca pisca dos vaga-lumes do jovem alemão.

O canto do Uirapuru

Hoje o game é diferente. Não tem joystick, não tem tela. É no meio do mato. O objetivo não é derrotar o exército amarelo ou exterminar alienígenas. Vamos tentar encontrar o uirapuru, o pássaro de canto mais bonito da Amazônia. Canta alto, forte, apesar de ter uns quinze centímetros de altura. O guia vai na frente da trilha com um gravadorzinho e um amplificador na mão. Dá play na fita cassete (IPods com MP3 ainda não são comercializados na filial da Best Buy de Alta Floresta), reproduzindo o canto do pássaro.

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O uirapuru começa a responder. Paciência… silêncio… seguimos o guia para tentar chegar mais perto e encontrar o pequeno cantor…meus filhos olham e seguem desconfiados. Nada disto estava no pacote de pedidos das crianças para o papai noel…O guia o localiza. As crianças comemoram e observam com binóculos e câmeras o Nelson Ned amazônico. Difícil acreditar que com este tamanho o Uirapuru cante tão alto. Esta experiência não tem na Disney, não tem no XBox. Fiquei feliz pelo encontro e pela experiência. Mesmo um pouco desconfiados e saudosos do conforto da sala de estar, meus filhos agora sabem que Uirapuru é mais do que uma alameda em Moema.

Destino Cristalino

rio cristalinoO ritmo acelerado em que a informação não pára e onde estamos sempre conectados,deu um tempo nestes últimos dias impedindo a atualização do blog. Comecei 2013 na Amazônia..Nem parecia tão longe no mapa…

Chegar ao meu destino porém, foi mais demorado do que chegar a Londres.
Alta Floresta era o mais próximo do que se poderia chamar de civilização e estava distante 2 horas de estrada de terra e mais meia hora de barco. Ficamos em uma reserva ecológica no Rio Cristalino, norte de Mato Grosso, próximo da divisa com o Pará. Energia elétrica de gerador, em horário controlado,das 6 às 11 da noite. Banho de água quente só quando o dia estava ensolarado…Comunicação via rádio e uma internet que estava aguardando a visita de um técnico para consertá-la há 3 meses. Imersão total na natureza, floresta amazônica completamente preservada, um mar verde, encontro com tucanos, araras,macacos e como brinde uma sucuri de alguns metros, passando ao lado do barco.arara cristalinoTudo isto menos de 24 horas de chegar de Tokyo. O choque foi total mas a conclusão é que esta é a verdadeira graça do mundo. Poder conhecê-lo é um presente.

Arigato,Sayonara

Existem viagens que são marcantes pela beleza das praias, das montanhas. Existem outras que te marcam pela cultura, pela gastronomia. Existem os inesquecíveis encontros com as civilizações antigas ou com os prazeres do desenvolvimento e das compras. O Japão conseguiu combinar um pouco de cada um destes elementos: a simetria do monte Fuji, os templos de Kyoto, a descoberta da dimensão da culinária japonesa, a modernidade de Tokyo, o trem bala, o sumô, os samurais, as gueixas…

Mas a verdadeira marca desta viagem ao Japão é o encontro com o povo japonês. A simpatia, a delicadeza e o respeito com que você é tratado, chegam a ser desconcertantes. Você sai do Japão completamente desarmado e acreditando que o mundo realmente poderia ser bem melhor. É necessário passar por uma zona de descompressão para voltar para casa. Filas não existem para serem furadas, privacidade não é sinônimo de chatice, servir bem o cliente não é uma questão de gorjetas, segurança não é sinônimo de carro blindado e higiene e limpeza não são limitados aos hospitais. Claro que esta é uma visão de turista depois de vinte dias mas é a mesma que me permite comparar com outros lugares em que também estive a turismo.

Encontrei em uma mesma viagem o lado cosmopolita de Nova York e Londres. A eficiência da Alemanha e da Suiça. A fascinação das descobertas da Ásia e o acolhimento dos latinos. Não tenho dúvidas em dizer que tudo o que uma viagem ao Japão tem de complexa em termos de distância e adaptação a um fuso de onze horas, ela te traz de volta com muitos juros em termos de experiência, cultura e conhecimento. Foi fantástico e tudo isto com o Corinthians de bônus… Arigatô, Sayonara

Por água abaixo

Vim ao Japão esperando encontrar privadas “Toto” em todos os banheiros que fosse frequentar. Para quem nunca ouviu falar ou nunca experimentou uma Toto, posso assegurar que existe uma vida antes e outra depois da Toto. A Toto possui um painel de controle que permite a você além de dar a descarga, regular a temperatura do seu assento e definir a intensidade e a direção do jato d’água que fará a sua limpeza íntima. Os modelos top de linha tem um sensor e a tampa se levanta automaticamente quando você chega perto. Enfim, só falta “lavar e passar”, o resto a Toto faz.

Em vários lugares porém, sobretudo fora dos hotéis, além da Toto não estar presente, não existem os banheiros em estilo ocidental, que te dão direito a assumir o trono. Nos banheiros públicos, predominam os vasos sanitários no chão, em que o “apertado” deve assumir a posição de cócoras. Se a região for mais turística, há um pequeno manual de procedimentos fixado na porta. Contrastes entre modernidade e tradição, característicos do Japão.

Natal de verdade

Já é noite de natal aqui no Japão. A influência ocidental até aparece em uma ou outra árvore decorada espalhada pelas cidades ou por alguns poucos vestidos de papai noel de olhos puxados. Pára por aí. Não é feriado. Não há correrias aos shoppings e a vida segue. Para nós no entanto, a noite é especial e diferente. Às sete horas tivemos a nossa ceia. Esqueçam peru, chester e tender. Vestidos de quimono (vou levar de recordação da noite de natal e para uma possível festa a fantasia) tivemos uma ceia de múltiplos pratos: arroz com caranguejo e gengibre, sashimi de lula, sopa de cogumelos com tofu, raiz de flor de lótus com mostarda e brinde a base de saque. Nada de camiseta e ventilador ligado na sala…agora lá fora está zero graus. A comida e a temperatura não importam tanto e não são elas que fazem um natal de verdade. O que importa é o espírito e quem está ao seu lado. As duas coisas estão ótimas. Feliz natal !メリークリスマス

Olhe o passarinho !

Os japoneses são reconhecidos mundialmente como os maiores tiradores de fotos da face da terra. Não há nada que escape as suas lentes super poderosas e cameras moderníssimas. De fato, aqui você vê todo mundo carregando a sua própria camera e tirando milhares de fotos. Apenas os mais jovens fotografam com seus celulares.

O fato de terem super equipamentos, me fez imaginar que por consequência, seriam também ótimos fotógrafos. Quando eles observam que você está com o braço estendido, tentando tirar uma “auto-foto”, vêm solícitos se oferecer para tirar uma foto com a sua máquina. Você dá uma medida,vê uma Nikon ou Canon de alguns milhares de dólares no pescoço da criatura e confia cegamente. Já imagina aquela foto decorando o porta-retrato da sala ou sendo o seu novo perfil do Facebook. Gentis, após tirarem a foto ainda pedem para você conferir e ver se ficou bom…check, check dizem sorrindo. Aí vem a desgraça: pés cortados, intrusos, placas de sinalização, cercas, fotos tremidas e sem foco. Um pouco de tudo, menos a foto sonhada…Coloquei algumas imagens ilustrativas que comprovam que mesmo com modelos, cenários lindos e muita boa vontade, só a tecnologia não resolve…

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