Uh! Dom Odilo!

odiloBem, amigos !  Apita o carmelengo. Começa o conclave. Agora é para valer.

Dom Odilo é Brasil !!! Você torcedor do dom Majella, dom Raymundo, dom Cláudio, dom Braz de Aviz…É hora de se unir !! Dom Odilo a caminho de uma conquista inédita para o Brasil !!!

Bandeiras em verde e  amarelo por todos os cantos. A alegria do nosso povo contagia os italianos !

A torcida fiel não pára de gritar: Aha,uhu, o Vaticano é nosso…Sou brasileeeiro, com muita fééééé e com muito amor…Uh! Dom Odilo !

Mas não é fácil…este italiano, Scola, é perigoso…Vale a sua torcida contra  ! Não custa dar uma secada…

Fumaça cinza….Haja coração !!!!

Vigílias…orações…velas. Vale tudo ! É o conclave, amigos !

Talvez inspirados pela chegada da Copa do Mundo de futebol e pela suposta chance de termos um papa brasileiro, os meios de comunicação resolveram transformar o conclave em um campeonato e a possível eleição de dom Odilo em uma disputa pela conquista da taça.  Espero uma cobertura de mídia nunca antes vista. A partir de amanhã time reforçado:  Ilze Scamparini, sai de seu período de hibernação anual  e reaparece, com entrevistas exclusivas, direto da clausura… Padre Marcelo, com uma participação especial como comentarista de assuntos episcopais. Jornal Nacional transmitido direto da terra natal do dom Odilo…Entrevistas com colegas de classe, professores, a tia querida do nosso cardeal…Sua família e amigos vestindo camisetas com a sua foto…Se bobear , até o Galvão Bueno aparece para narrar. É um conclave patriótico, com clima de Copa !

odilo2Não conheço o pensamento de dom Odilo e a eleição de um papa não vai mudar em nada a minha vida, mas gostaria muito que o Brasil se consolidasse como um estado laico. Que se separasse de vez, política de religião e que pudéssemos avançar abertamente na discussão de assuntos como gravidez na adolescência, controle de natalidade, aborto etc…Posso estar muito enganado, mas não sei se um papa brasileiro ajudaria  nesta direção. Na minha opinião, fumaça verde e amarela no conclave pode embaçar ainda mais a nossa visão de futuro.

As partes e o todo

IMG_4771Estive no Japão para assistir o Corinthians jogar o Mundial de Clubes. Muito mais do que o título, o que gerou uma enorme repercussão foi a nossa torcida. Torcida no sentido coletivo. O bando que atravessou o mundo, a festa, a interação com os japoneses. Ninguém falou dos indivíduos que estavam lá. Provavelmente o idiota que atirou o sinalizador e matou o menino na Bolívia, passeou pelas ruas de Tokyo e quem sabe não  confraternizou comigo após o gol do Guerrero. Mas isto não importou em dezembro: o todo era maior do que as partes e nós como corinthianos sentimos um orgulho enorme disto. Sempre dissemos que somos uma torcida que tem um time e não vice versa…Nos auto-proclamamos nação.

O fogueteiro agora tem que ser encontrado e punido mas indiretamente ao matar o garoto, ele conseguiu um outro feito: feriu o coletivo. O peito estufado com que eu fico quando conto as aventuras da epopéia japonesa deu lugar a uma vergonha equivalente  por conta do falatório pós-jogo de Oruro. A nossa torcida foi novamente notícia em todo o mundo mas com manchetes bem diferentes das que vimos no Japão. O orgulho deu lugar a uma vontade de se esconder por um tempo…O sujeito manchou a nossa imagem. Isolar a história e dizer que foi um ato independente, que não tem nada a ver com o Corinthians me incomoda…Não será o fulano desaparecido que ficará com a fama de assassino. Seremos todos nós, aqueles mesmos que ficaram com a fama de loucos apaixonados na invasão do Maracanã, na invasão japonesa e em tantos outros momentos da história de nosso time. Jogar com os portões fechados ficou barato e acho que a nossa torcida ao invés de reclamar e protestar da decisão, deveria acatar , concordar e reconhecer que pisamos (no sentido coletivo…) feio na bola. Isto é postura de líder…Isto nos faz diferentes. É tempo de dar uma pausa…respirar um certo luto futebolístico e três jogos com estádios vazios podem fazer este papel.

Vendedor de coco

Quantas e quantas vezes voltei de um feriado de sol pensando em largar tudo para vender coco na praia…Pensava, esta foi a última vez… Neste feriadão, fui para o Nordeste e  caminhando pela praia parei para tomar uma água de coco. Era quase meio dia e perguntei como estava o movimento de turistas. Desanimada a vendedora disse que estava fraco e que aquele era o segundo coco vendido do dia. Dia bom segundo ela, era dia com 30 unidades vendidas…Como eu tinha cara de turista e ainda mais de turista paulista, ela aproveitou e superfaturou o coco, que me custou R$ 2,50. Baseado naqueles preciosos insights resolvi simular os meus planos de aposentadoria . Fazendo uma projeção de que com um bom plano de marketing e com diferenciação em minha barraca, eu seria capaz de vender em média 20 cocos/dia (não sobrevalorizando temporadas  chuvosas, dias úteis com praias desertas etc…) com um mark up de R$ 2,00 por unidade de coco, consegui projetar uma renda mensal  otimista de cerca de R$ 1200,00.  O meu futuro como vendedor de cocos ruiu como um castelo de areia…Decidi rever meus planos futuros e agora meus novos sonhos para manter viva a fantasia da aposentadoria praiana são virar pescador ou vender redes. Isto sim deve dar dinheiro !

Predadores da África

Diz a lenda que ir para a África e não fazer um safari é algo parecido com ir a Roma e não ver o papa (o ditado existe mas conheço muito pouca gente que se dispos a encarar um sermão papal na Praça de São Pedro). Estando por aqui não deixei passar a chance. Leões, Elefantes, Zebras, Rinocerontes passam bem perto do seu jipe  e a sensação de interação com a natureza é intensa e fantástica. O ranger, uma espécie de guia do safári, passa informações detalhadas sobre tudo…quantos Kg de carne um leão come por dia, que  a juba serve como proteção para a cabeça do leão, qual a velocidade de corrida de um hipópotamo e outros dados absolutamente relevantes para incrementar minha cultura inútil .Com o jipe estacionado ao lado dos dorminhocos leões, um turista questiona o ranger: qual é o bicho mais perigoso da África ?  Os palpites começaram…Alguns esperavam apenas a confirmação do leão como grande vilão, outros sabiam que hipópotamos e crocodilos vez por outra faziam um lanchinho humano, apostas em outros felino como leopardo…O guia porém, respondeu implacável: o maior predador da África é o mosquito…Diante do espanto dos turistas ele informou todos os anos 700.000 pessoas morrem de malária no continente. Vi os leões deitados e depois desta informação tive que pensar…não são de nada, são bichinhos de pelúcia. Para se defender dos predadores troquem os rifles por inseticidas…

Sandy sem Jr.

Nos últimos dias só dá Sandy (a tempestade americana, não a filha do Xororó e irmã do Júnior)…Chuva, inundação, destruição, falta de eletricidade, perspectiva de proliferação de ratos. Tudo muito ruim para toda a região atingida mas tem um aspecto interessante que é uma discreta solidariedade exibicionista aparecendo entre os  brasileiros das redes sociais . Ficou cool falar coisas como:  Vocês viram como ficou o Holland Tunnel ? E o Battery Park, destruído ? Para baixo da 27 ficou tudo completamente sem luz… Chelsea ficou intransitável… Acho que Bloomberg terá trabalho…Meatpacking foi muito atingido.Estão aproveitando a desgraça alheia para demonstrar uma enorme intimidade com NYC. Não estou falando dos nativos ou das pessoas que moram lá que devem estar absolutamente espantadas com o que aconteceu…Estou falando de uma parcela da Brazucada, que sempre que tem a chance, adora parecer “in” das cidades mais legais do planeta.  Estou esperando alguma campanha de mobilização organizada pela elite paulistana com o propósito de  ajudar os desabrigados New-Yorkers (os de New Jersey não dão muito Ibope nas nossas terras…deixemos que o Obama cuide deles)…Vamos arrecadar cupcakes,bagels e donnuts para as vítimas da Sandy. Pega bem entre as amigas e é  importante que a cidade se reconstrua rápido para dar tempo de nossa tchurma voar e fazer compritchas de natal. Sujeira e destruição deixamos para São Paulo em Janeiro, quando o Tietê transbordar…isto não combina com NY.

Memórias afetivas

Esta semana vi que haveria um show de comemoração dos 30 anos de carreira dos Titãs com sua formação original, com Arnaldo Antunes,Nando Reis e Charles Gavin. Baixou o momento nostalgia, comprei ingresso. Não fui esperando novidades  ou para avaliar se os rockeiros grisalhos ainda estão em boa forma ou ainda para criticar os infinitos “acústicos” dos últimos anos. Fui para encontrar o passado. Eu e a multidão que estava lá. A faixa etária dominante era próxima dos 40. Nada de fãs de Restart. Alguns kilos a mais, alguns cabelos a menos mas o desejo de voltar no tempo e rever músicas que se cruzaram com as histórias de cada um. Ninguém queria remix, banquinho e violão  ou versão samba dos grandes sucessos. Todos esperavam que, ao menos naquela noite, tudo fosse exatamente igual ao passado. Uma espécie de túnel do tempo musical. Faz de conta que todos os membros ainda fazem parte da banda, faz de conta que se dão bem e são amigos, faz de conta que “Polícia” e “Bichos Escrotos” são radicais e músicas de protesto , faz de conta que “pogo dance” ainda faz sentido, faz de conta que temos vinte e poucos anos. Valeu muito…”Sonífera Ilha” confirmou de vez sua inclusão no melhor dos playlists…aquele que  montamos, não no ITunes, mas na nossa mente, com as músicas que de um jeito ou de outro marcam e que quando começam a tocar nos transportam e  nos fazem reviver sensações,encontros e lugares…

Para completar a sessão de memórias afetivas foi obrigatório sair do show e comer um x-salada na madrugada e depois disto ainda ter disposição para assistir o GP de Fórmula-1 que começou  3 AM. O programa foi completo, as memórias foram revividas…

A velocidade e o tempo

Era uma vez um cara que surgiu do nada. Parecia ter potencial. Mereceu uma chance. Começou a vencer. Não parou mais de vencer. Ficou temido. Era imbatível. Ganhava de tudo e de todos. Foi eleito o melhor de todos os tempos. Um dia achou que a sua vida estava sem graça, monótona e resolveu se aposentar para ficar com a família e fazer outras coisas. Saiu dos holofotes, sentiu falta das glórias e pediu para voltar. As portas se abriram…O mito retornava. Onde está o mito ? O tempo passou, as vitórias do passado viraram lembranças. Os erros que antes eram perdoados e tratados como um sinal de arrojo, passaram a ser vistos quase como traços de senilidade. O respeito do passado se transformou em chacota no presente. O mito virou mortal. Pior do que mortal, virou descartável. Michael Schumacher foi gentilmente convidado pela Mercedes a abrir caminho para os mais jovens. Seus títulos serviram apenas para fazer com que merecesse uma saída com um pouco de mais classe. Depois de tantos anos lidando com a velocidade, ele deveria ter aprendido que nada passa mais rápido do que o tempo e que não adianta querer pará-lo. Ele sempre vence no final…a juventude sobrevive apenas nos retratos.

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