Tubos e Conexões

tubosEsta fórmula do campeonato paulista é tão desinteressante que tenho que admitir que por mais que eu seja fã de futebol, assistir partidas de uma primeira fase interminável, em que o time reserva do Corinthians enfrentava Barbarense, Penapolense e Mirassol foi dose para mamute. Ontem, final do campeonato, ainda que em clima de ressaca pós-Libertadores, me dignei a acompanhar a partida pela televisão. Qual não foi minha surpresa ao observar que o Santos, talvez desesperado por recursos, aceitou colocar um patrocínio de tubos e conexões na parte de trás do calção da equipe, ou falando em bom português, na bunda do time. Já tinha visto isto para cuecas, mas para tubos e conexões, certamente  foi um dos exemplos mais interessantes de anti-marketing que vi nos últimos tempos…Ontei me dei conta, que a parte nobre do “derriere” do Neymar, é patrocinada pela Corr Plastik !!! Qualquer torcedor adversário que se preze, certamente recomendará aos jogadores do Santos, que se utilizem fartamente do produto patrocinado, indicando inclusive um destino nobre onde o mesmo deva ser inserido. Reclamavam do desodorante Avanço patrocinando as axilas dos corinthianos…Se comparado ao tubo no traseiro dos santistas (que para piorar, ainda tem direito também a conexões, o que permite gracinhas em dobro), a ação da marca Avanço, era digna de prêmio Nobel. Clubes de futebol…Por favor profissionalizem os seus departamentos de Marketing !avanço

As partes e o todo

IMG_4771Estive no Japão para assistir o Corinthians jogar o Mundial de Clubes. Muito mais do que o título, o que gerou uma enorme repercussão foi a nossa torcida. Torcida no sentido coletivo. O bando que atravessou o mundo, a festa, a interação com os japoneses. Ninguém falou dos indivíduos que estavam lá. Provavelmente o idiota que atirou o sinalizador e matou o menino na Bolívia, passeou pelas ruas de Tokyo e quem sabe não  confraternizou comigo após o gol do Guerrero. Mas isto não importou em dezembro: o todo era maior do que as partes e nós como corinthianos sentimos um orgulho enorme disto. Sempre dissemos que somos uma torcida que tem um time e não vice versa…Nos auto-proclamamos nação.

O fogueteiro agora tem que ser encontrado e punido mas indiretamente ao matar o garoto, ele conseguiu um outro feito: feriu o coletivo. O peito estufado com que eu fico quando conto as aventuras da epopéia japonesa deu lugar a uma vergonha equivalente  por conta do falatório pós-jogo de Oruro. A nossa torcida foi novamente notícia em todo o mundo mas com manchetes bem diferentes das que vimos no Japão. O orgulho deu lugar a uma vontade de se esconder por um tempo…O sujeito manchou a nossa imagem. Isolar a história e dizer que foi um ato independente, que não tem nada a ver com o Corinthians me incomoda…Não será o fulano desaparecido que ficará com a fama de assassino. Seremos todos nós, aqueles mesmos que ficaram com a fama de loucos apaixonados na invasão do Maracanã, na invasão japonesa e em tantos outros momentos da história de nosso time. Jogar com os portões fechados ficou barato e acho que a nossa torcida ao invés de reclamar e protestar da decisão, deveria acatar , concordar e reconhecer que pisamos (no sentido coletivo…) feio na bola. Isto é postura de líder…Isto nos faz diferentes. É tempo de dar uma pausa…respirar um certo luto futebolístico e três jogos com estádios vazios podem fazer este papel.

Sintam-se em casa

92C9E03758C5443BA36755D70F936A08Todo mundo já leu sobre as defesas do Cássio, sobre o gol do Guerrero, sobre a multidão que se encontrava em cada esquina do Japão com o mesmo mantra de “Vai Corinthians”…Antes e depois do jogo, o Facebook foi inundado com comentários eufóricos dos “prós”, com os comentários depreciativos dos “contra”, como sempre ocorre quando há a rivalidade. A rivalidade estimula, provoca, machuca e diverte.Fiquei pensando que historicamente os rivais do Corinthians pejorativamente sempre disseram se tratar de um time sem expressão internacional, que só vencia quando jogava em casa, que faltava passaporte…Ao assistir aos dois jogos aqui no Japão, fui obrigado a concordar com eles, afinal ganhamos jogando em casa !  É verdade que o time de azul não era o Cruzeiro nem o São Caetano, que a estação do Metrô não era a Clínicas, que a PM não se vestia de cinza e tinha olho puxado, que a venda de cerveja no estádio era permitida e que no lugar do pernil tinha sushi.  Estava um pouco mais frio que o habitual, talvez uma massa de ar polar vinda da Argentina, o que forçava alguns torcedores a vestirem gorros e cachecóis, mas tudo continuava preto e branco. A Gaviões estava lá, era proibido gritar gol antes da hora, ninguém assistiu o jogo sentado…Estas são as regras da nossa casa.

Como sempre acontece com os anfitriões, disseram para que os convidados se sentissem em casa. Fizemos isto. Abrimos a geladeira e  fizemos xixi de porta aberta. A casa foi nossa como nunca tinha sido. Acho que os nossos rivais ficaram ainda mais convictos de nossa fama, o que eles aprenderam de vez é que a dimensão da nossa casa não é a que eles imaginavam. Somos latifundiários, prontos para seguir conquistando. Não falamos do vizinho, do bairro, da cidade ou do país. Falamos do mundo e por isto seremos sempre um time caseiro. Jogamos em casa em qualquer lugar, no Pacaembu, em La Bombonera, no Itaquerão ou em Yokohama. Pensem se querem mesmo nos convidar…Nós acabaremos sendo os donos da casa.

Expresso Itaquerão

Para sair de Tokyo e ir para Toyota, onde o Corinthians jogou a sua primeira partida na busca do bi-mundial, o meio mais rápido e eficiente é o trem. São 2 horas, com conforto e qualidade para chegar até Nagoya, maior cidade grande próxima do estádio. O trem marcado para sair 11:03h, saiu às 11:03h, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos, e chegou na hora programada. Muito tranquilo e com direito a uma bela vista do monte Fuji pela janela.

Com os milhares de corinthianos que estavam na estação, não deu para não pensar em como será o acesso para se chegar ao Itaquerão e refletir sobre a infra-estrutura (ou a falta dela) do Brasil. A viagem teve seus elementos pitorescos como o término da cerveja a bordo, abordagem de membros das torcidas organizadas vendendo badulaques para ajudar a pagar a sua estadia e um guardinha desesperado com os passageiros (por coincidência não eram os japoneses) que andavam de um lado para o outro, sentavam no braço das cadeiras e falavam alto.

Nada comparável a saga para se conseguir trocar os ingressos comprados pela internet e a desorganização pós jogo no metro de Nagóia.Se o trem é mesmo bala, lidar com uma multidão latina não é a maior fortaleza dos japoneses…ficam perdidinhos…Ainda bem que a vitória amenizou os problemas e o frio…

O início da epopéia

Chegar ao aeroporto e ter a convicção que você está no estádio gera uma sensação de alucinação, como se você estivesse imaginando coisas…. Em todos os guichês de check in, independentemente do destino: Londres, Cingapura e Paris, a cena se repetia…Passageiros vestidos de preto e branco por todos os lados. A passagem pela polícia federal lembrava a entrada do Pacaembu, onde se respeitar filas não é um hábito muito consolidado. Na minha rota, via Londres, todos os meus vizinhos de voo estavam uniformizados criando uma cumplicidade diferente a bordo. Viajavam contidos…nada de gritos de guerra ou batucadas.Todos calmos e comportados, guardando energia para a sua longa jornada.

Falar inglês não parecia ser a principal virtude da maioria e depois de interceder para ajudar um comissário que obtinha “Coke” como resposta a sua oferta de English Newspapers, fui informalmente nomeado por ele como seu ajudante na vizinhança. Ele me perguntou incrédulo se era verdade que todos ali viajavam para o Japão e quanto tempo duraria o tal campeonato. Quando respondi que eram dois jogos, vi surgir aquele leve sorriso irônico britânico e ele me disse: espero que seu time ganhe, senão o voo de volta será um pouco longo…A simpatia só foi retomada na chegada a Londres, quando o comissário, depois de agradecer a todos pela preferência e lembrar para não esquecer os pertences de mão, desejou boa sorte aos corinthianos. Aí não teve jeito…o avião virou arquibancada.

Algumas horas de espera, tempo para visitar a rainha e felicitar a Kate pela gravidez. Mais 12 horas , atualização completa dos filmes e cheguei ao Japão. A viagem está começando !

 

Temporada Japonesa

Hoje começa a temporada japonesa do Blog. Ver o Corinthians jogar era o pretexto perfeito para eu me aventurar pelo oriente. Umas 10.000 pessoas tiveram a mesma idéia. Mais do que uma viagem de turismo, esta experiência tem tudo para ser uma grande experiência antropológica. Haverá a cultura local, os templos, os samurais, as gueixas, a modernidade, o respeito, a disciplina e tudo isto se encontrando com um bando capaz de cruzar o mundo para ver seu time jogar . Ganhar ou perder será o menos importante, o mais divertido será testemunhar este encontro. O Japão jamais esquecerá estes dias e eu tenho certeza que não faltarão histórias para contar.


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