Cavalos e Baionetas

“You mention the Navy, for example, and the fact that we have fewer ships than we did in 1916. Well governor, we also have fewer horses and bayonets”. “We have these things called aircraft carriers and planes land on them. We have ships that go underwater, nuclear submarines.”

Barack Obama para Mitt Romney durante o último debate dos candidatos a presidência dos EUA

Esta doeu…Se fosse na escola a turma do fundão puxaria aquele grito de “IIIEEEEE”

Último capítulo

Mulheres em geral nunca foram capazes de entender como os homens após acompanharem uma partida de futebol, transmitida ao vivo, tem paciência para assistir programas esportivos que nada fazem além de recontar a história do jogo e  estabelecer debates épicos sobre a existência ou não de um penalti, se o impedimento foi corretamente marcado e se o jogador deveria ou não ter sido expulso. O resultado já está definido, nada mais mudará, os comentaristas desfilam um festival de obviedades mas lá estamos nós, homens do Brasil, prestigiando as chamadas “mesas redondas” com seus cenários toscos, anunciantes bizarros e conteúdos ocos. Neste final de semana, descobri que além da mesa redonda futebolística, criou-se no país uma enorme mesa redonda novelística. Com um agravante…era impossível mudar de canal ou desligar as pessoas. Em cada lugar que você ia, recomeçava o debate…E aí ? O que você achou do final da novela ? Pronto…horas e horas de discussão e comentários sobre a morte do Max, o destino da Carminha, a chatice da Nina, a idolatria ao Tufão. Isto não bastava…as pessoas queriam criar finais diferentes e davam vazão a sua imaginação, criticando ou defendendo apaixonadamente o autor da novela . Confesso que como alguém que não é noveleiro, me senti voltando de uma temporada na lua, completamente alienado . Tenho certeza que um monte de gente assistiu a reprise do último capítulo para ver se o final se modificava e ficava mais próximo de suas fantasias criativas. Alías, deveriam ter feito um “Você decide” para este capítulo e cobrado R$ 10,00 por cada  voto… O engajamento era tamanho que com a renda obtida a Globo poderia ter mandado a turma do Divino em bloco para a Capadócia para animar a próxima sessão de  tortura (neste caso turca e não chinesa) da Glória Perez ou se existisse um apelo mais social, financiado uns dez anos de “Criança Esperança versão Lixão”, tirando todos os personagens da miséria. Quem sabe não adaptam esta idéia para o “Vale a Pena Ver de Novo” de Avenida Brasil , que se dependesse da maioria, poderia estrear amanhã. A verdade é que depois de um final de semana de ressaca de “Avenida Brasil”, ganhei um crédito quase vitalício para  assistir “Linha de Passe”, “Terceiro Tempo”, “Cartão Verde”, “Bem Amigos”  e para a vingança ficar ainda mais doce, zapeando de um canal para o outro e com direito a merchand do Milton Neves, no lugar do Oi,Oi,Oi. 

Marketing Espacial

O passeio pela estratosfera de Felix Baumgartner foi fantástico. Ele saltou de  39,000 m, atingiu a velocidade  de 1,342 k.h, enfrentou uma temperatura de -57° C e despencou em queda livre por 4 minutos e  20 segundos. Pousou suavemente e saiu andando como se tivesse acabado de desembarcar da ponte aérea. Alguns críticos estão falando que foi um grande espetáculo de Marketing mas que não representou nenhum avanço para a ciência, afinal o que ele conseguiu não foi muito diferente do que se fez em 1960. Exceto pelos técnicos da Nasa que trabalharam no projeto Apolo ou pela família do Yuri Gagarin, será que alguém mais se importa com isto ? Li que por recomendação médica, Baumgartner  não pode tomar uma latinha de energético antes do salto, no que provavelmente seria o merchand  mais glorioso da história (imagino o gerente de produtos pressionando por isto até o início da contagem regressiva). Isto não atrapalhou o show de exposição da Red Bull… Não sei quantas latinhas  se venderão a mais por conta do salto e quanto custou o projeto  mas ontem eu senti que a Red Bull literalmente deu asas para o nosso amigo Felix e associou de vez sua marca a tecnologia, aventura e  tudo que é radical. Ir para o espaço é para poucos… 

Isto porém não é exatamente uma novidade… uma outra marca se apoderou do espaço para construir a sua imagem: Tang. Sim, Tang, o suquinho em pó, que dependendo da quantidade de amigos que você convidava para almoçar, a sua mãe diluía em mais e mais água …Tang não foi desenvolvido pela Nasa mas fez parte do cardápio dos voos tripulados dos projetos Mercury e Gemini na década de 60. Ou seja, os astronautas tinham a sua disposição a mesma água tingida  que as mamães americanas serviam para os seus rebentos.   Estar a bordo destes voos foi um elemento de comunicação constante de Tang e um dos grandes responsáveis pelo seu crescimento no mercado americano por algumas décadas…O problema é que Tang, literalmente foi pelos ares e hoje é uma marca secundária no portfolio da Kraft, encontrada em regiões tão remotas do universo como Argentina e Filipinas, espécies de Plutão globais. Espero que este  não seja um mau presságio para a Red Bull e suas estratégias de Marketing…Com ciência ou sem ciência, o que eles fizeram em torno da missão Stratos quase me motivou a comprar uma latinha para agradecer e servir como ingresso pelo espetáculo. Deixei para comprar quando eles chegarem a Marte…

Gangnam e Tchan

Nos últimos meses tem sido constante a disseminação de algumas pragas musicais que em função de seu ritmo e de alguma dancinha tipo Macarena ou YMCA reloaded , se espalham pela internet, ganham o reforço de algum famoso que se submete ao mico de tentar imitá-las e que se tornam unanimidades globais. Não há festinha infantil, baile de debutante, happy hour ou velório em que a tal música não seja reverberada…”Ai se eu te pego” e  “Gangnam Style”  foram exemplos recentes.  Mais do que a musiquinha em si, parei para pensar em quem eram estes cantores antes, no que se transformaram e qual será o seu futuro…Em um momento de tédio internético, fui pesquisar se o tal PSY, cantor de Gangnam Style,  também era uma versão coreana do Michel Teló, ou seja, alguém que passou de total desconhecido em seu país para ter alguns minutos de celebridade universal. Para enriquecimento de minha cultura de assuntos para conversas de bar, descobri  que diferentemente do Michel, que era bastante famoso nos almoços da família Teló e que dava autógrafos apenas quando assinava cheques, PSY já era um ícone pop na Coréia do Sul. Já tinha feito sucesso no passado e foi um dos grandes agitadores da torcida coreana durante a Copa do Mundo de 2002. A sua produção cultural provavelmente não lhe assegurará um lugar na Academia Coreana de Letras mas o conjunto de sua obra (aprendi isto com o “Oscar”) tira um pouco daquela sensação de que o cara ganhou na loteria, com uma música e nada mais …No caso do PSY, ele já foi condenado a cantar e dançar Gangnam Style umas dez vezes ao dia pelo resto de sua existência, mas descobri que ele poderá seduzir a platéia e tentar emplacar seus outros hits como “We are the one” and “Champions”, que por enquanto animaram apenas os seus fãs de Seul.  

Resta esperar para ver qual será o próximo fenômeno midiático e se ele sobreviverá por mais de quinze dias…Eu fiquei imaginando o Compadre  Washington e sua frustração de não ter comandando uma multidão na Times Square dançando “É o Tchan” …A internet era mais fraquinha alguns atrás… Se fosse hoje em dia, as Sheilas seriam celebridades globais, fariam filmes do Almodovar e o Jacaré se sentaria no sofá do Oprah…

Alegria,ousadia e paciência

Ninguém parece ter muita dúvida que as chances de sucesso do Brasil na Copa do Mundo de 2014 passam pelo humor (ou pelos pés) do Neymar. Melhor jogador que apareceu no Brasil nos últimos anos, destoa do resto da turma e é capaz de decidir jogos e mais jogos praticamente sozinho. Saltos ornamentais espetaculares , coreografias ao comemorar os gols e cabelos que se alternam entre chapinhas japonesas, espanador e moicano também fazem parte de seu repertório e da construção de  sua imagem  de ídolo. Parabéns para o Neymar…Movido pelo seu lema de alegria e ousadia, ele chegou lá e carrega a esperança futebolística da nação. Isto dito, alguém por favor tire este cara dos breaks comerciais e preserve sua imagem (e minha paciência!) . Ok, que grande parte de seu salário vem de seus patrocínios pessoais mas não dá para um cidadão ao mesmo tempo mostrar a marca de sua cueca, aparecer como motorista de um Golzinho vermelho, fazer apologia de como trata a frieira de seus pés, divulgar marca de bateria de carro, celular, de chuteira, banco e agora aparecer vestido de Elvis e de vaquinha malhada para vender sorvete.  Tem que ter alguma lógica…fica difícil mostrar o corpo para a Lupo em poses de ex-BBB para o Paparazzo e ao mesmo tempo se fantasiar de leãozinho de pelúcia… Dirão os gurus do meio que são targets diferentes e que Neymar é o ícone do momento para todas as faixas etárias e sociais e que não há conflito. Outros dirão que por três milhões de reais por mês eu aceitaria até me vestir de odalisca..Sobre a odalisca eu precisaria refletir um pouco mas com conflito ou sem conflito, já deu. Estou quase cantando “eu quero tchu, eu quero tcha, mas me poupem do Neymar”…

O poder da mente

Muito antes do Francisco Cuoco brilhar como o “Astro” ou do Fábio Jr. cantar “O que é que há ?” e tentar descobrir o que se passava na cabeça da sua mulher (devido a sua coleção de ex-mulheres fica difícil ser mais específico), sempre existiu um enorme fascínio por conseguir ler a mente das pessoas. O tema ainda é atual e sedutor. A Febelfin (Belgian Financial Sector Federation) resolveu utilizar o tema da clarividência para fazer uma campanha educativa ! Vale a pena assistir o vídeo que é ideal para deixar os paranóicos por segurança, daqueles que acreditam que o namorado da filha talvez seja um terrorista infiltrado e que tem certeza absoluta que a casa do vizinho na verdade é um posto avançado do Al Qaeda no bairro, ainda mais inquietos….

Tatu bola

Já tinha achado a ilustração do mascote da Copa do Mundo de 2014 bastante esquisita. Um tatu não me pareceu ser algo extremamente representativo de nosso país. Se não poderia ser um tucano pela conotação política, poderiam ter se inspirado nas araras da Amazônia, nas sucuris do Pantanal ou até mesmo nas antas que são abundantes em todas as regiões de nossa nação. Resolvi ser tolerante…Tatu, Tatu bola, bola, futebol, Copa do Mundo…Ok, passa. Quando eu vi as opções de nome para o monstrinho, sinceramente eu não acreditei. Escolher entre Amijubi, Fuleco ou Zuzeco é algo indiscritível. Os iluminados que sugeriram os nomes explicaram: Amijubi remete a amizade + júbilo, Fuleco combina futebol com ecologia e Zuzeco faz referência ao azul. Já que estamos em tempos de eleição e democracia e a Fifa gostou dos nomes terminados em “eco” pelo seu apelo ecológico, eu proporia Cacareco, Treco ou Traveco. Traveco é o meu favorito… me parece o mais simpático e inclusivo dos nomes, livre de preconceitos ou discriminação.O tatu Traveco poderia entrar no buraco que desejasse e aparecer com a bola na mão sem qualquer problema…seria um sucesso !

Cinderela

Sua esposa um dia dançou ballet e se apaixonou por uma marca de sapatilhas chamada Repetto, segundo ela, as melhores que existem. Para ela, quem faz sapatilhas para bailarinas que vivem na ponta dos pés é mais capaz do que ninguém de fazer sapatos que tenham o conforto como marca registrada. Você nunca dançou a Suíte Quebra-Nozes ou o Cisne Negro, pas de deux não é sua maior virtude e por mais que tente  é incapaz de diferenciar um legítimo Repetto de um verdadeiro Shoestock….Os Repettos são vendidos no Brasil mas por preços mais caros do que o dos sapatinhos de cristal da Cinderela.

Sua mulher descobre que na cidade onde você foi trabalhar há uma loja que vende os divinos sapatos e te dá comandos claros…se for o modelo mole e a numeração for a européia, calço 38. Se o modelo for duro, compre 38 1/2. Mole, duro ? Parece gema e não sapato…Meio ponto ? Seria o Repetto primo dos calçados Di Pollini ? Cor ?? Não sei, mas preto eu já tenho….Escolha a que você achar que vai ficar mais bonita.  Chego na loja e encontro uns vinte modelos com variações que, para quem possui cromossomos XY, lembram mais figurinhas do jogo de 7 erros, com detalhes imperceptíveis entre si. Tentativas de envios de SMS com fotos dos modelos, explicações por telefone das diferenças e a compra concluída com sucesso, para euforia de sua amada. O Repetto ficou lindo no pé dela como certamente o Shoestock também ficaria. Entender a paixão das mulheres por sapatos é algo que ainda demandará algumas reencarnações da minha parte.

Nem blau blau e nem pimpão

As empresas que não são nativas no mundo digital tem se esforçado para acompanhar os seus jovens consumidores em suas viagens por novos segmentos . Observam-se aventuras e projetos nas redes sociais e a busca crescente por mídias que até algum tempo não faziam parte do plano clássico de investimentos em marketing destas empresas. Todos querem parecer moderninhos no Facebook, Twitter, Instagram e afins e descobrir formas novas e eficientes de se aproximar dos seus consumidores. Esta também era a idéia da Nestlé na Austrália…Para inaugurar a área  Instagram em sua página de Facebook, a empresa resolveu postar a foto de um mascote, vestido de urso e tocando bateria, utilizando Kit Kat como baquetas e com a absolutamente inovadora legenda “Rufem os tambores…Kit Kat está no Instagram”. O impacto da foto e desta mensagem revolucionária, provavelmente teriam sido nulos, se não fosse por um único motivo: o ursinho, não tinha nada de blaublau ou pimpão, ele estava vestido de maneira similar ao Pedobear.

Pedobear ? O Pedobear, é uma imagem associada a pedofilia e espalhada pela rede como isca para atrair crianças vulneráveis. Este ícone já tem sido perseguido em vários cantos do mundo e por isto não irei reproduzí-lo aqui. Os muito interessados em ver o urso em questão, por favor recorram ao Google por conta própria…Kit Kat, chocolate para crianças, em sua página oficial, fazendo menção a um ursinho bem pouco ingênuo….Não existe combinação pior. Restou a Nestlé retirar a foto, pedir desculpas e indiretamente reconhecer que há muito para aprender antes de se aventurar na Internet.

Mezza bocca

Se “Para Roma com amor” foi o melhor presente que Woody Allen conseguiu preparar para a cidade, Roma deve estar bem desconfiada. Deve estar pensando o que Barcelona e Paris fizeram para merecer dedicatórias e obras tão melhores. “Vicky Cristina Barcelona” e “Meia noite em Paris” são significativamente superiores a “Para Roma com Amor”, último filme de Woody Allen. . Diz o dito popular que quem tem boca vai a Roma.  No caso, Woody Allen necessitou só  de meia boca e um grande bolso, para filmar por lá e ganhar incentivos e alguns milhares de euros. Filme que é bom, ficou devendo…

O filme conta quatro histórias que  são independentes entre si que se passam em tempos diferentes. A única coisa comum entre elas é que são ambientadas em Roma.  O núcleo “cantando no chuveiro” , trata de um casal americano que vai a Roma para conhecer a família do noivo de sua filha e se envolve na producão de óperas . O segundo núcleo, o “alter ago”, retrata um arquiteto americano (Alec Baldwin) em férias na Itália  e que se projeta na figura de estudante que está vivendo na cidade , se transformando em uma espécie de grilo falante, voz da consciência. Há também a célula “Jeca Tatu” com dois  recém-casados provincianos que se perdem pelas ruas da cidade em que se salva a versão Piriguete italiana de Penélope Cruz.A última trama poderia ser definida como “esqueci minha Ritalina” ou “tributo ao BBB” e conta a história de Leopoldo (Roberto Benigni, tão afetado como quando apareceu na cerimônia do Oscar) um homem comum que é transformado em celebridade pela mídia.

Nada no filme é original, e “Para Roma com amor” acumula um monte de estereótipos e poucas surpresas. Você tem certeza que já viu tudo aquilo e fica esperando um gracejo, ou algo inovador que acaba não aparecendo. Roteiro bobo, piadas idem. Confesso que saí do cinema sem sequer ter aquela sensação de querer aprender italiano e comer macarrão…Até as imagens da cidade, tão espetaculares em “Vicky” e “Meia noite” e que se transformaram em cartões postais de Barcelona e Paris, faltaram um pouco neste filme. Roma aparece, bonita mas discreta, sem brilho. Woody não deve ter gostado de algum polpettone do passado e retribuiu com um  tributo a Roma que pode facilmente ser classificado como “mezza bocca”.

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