Marca Registrada

DjangoUnchained

Toda vez que assisto a um filme de Quentin Tarantino tenho absoluta certeza que o roteiro foi escrito por alguém em completo estado de alucinação. Com “Django” não foi diferente. Se quisesse simplificar muito, poderia dizer que o filme é uma bela história de amor de Django, um ex-escravo, agora homem livre, que arrisca a vida para resgatar sua esposa,  ainda escrava e que está sob o domínio de um fazendeiro cruel. Isto é simples demais para Tarantino e a história é bem mais complexa e menos doce…O ex-escravo se transforma em um caçador de recompensas, vira parceiro de  um falso médico alemão que se utiliza do idioma para conversar com a escrava perdida e que também é fluente no idioma. Tudo isto dois anos antes da abolição da escravidão, em um ambiente em que o racismo era absolutamente predominante . Complicado ? No filme tudo se encaixa…”Django” é um faroeste que permite a Tarantino aplicar sua fórmula maluca com perfeição. A vingança está presente, sobra sangue, sobra ironia, sobram diálogos inteligentes, trilha sonora de primeira, figurinos impecáveis e ótimos atores…Esta é a grande virtude de Tarantino: seus filmes tem marca registrada. Tarantino porém  é capaz de se reciclar, mudar sua roupagem e sempre fazer isto com muita categoria. Você pode gostar ou não da sua receita de bolo mas não dá para ignorá-lo…é cinema de primeira…As 2:45h de Django passaram voando…

Richard e Wilson

15704_aventuras-piConfesso que a perspectiva de assistir duas horas de uma história de um menino náufrago que é forçado a conviver em um bote com um tigre feroz não me entusiasmava muito. Pior ainda quando os meus filhos, críticos impiedosos, qualificaram o filme como entediante. 11 indicações para o Oscar e empolgação generalizada de pessoas que saíram do cinema transformadas e espiritualizadas me fizeram dar uma chance para “As Aventuras de Pi”. Fiquei com a convicção de que assisti “O Náufrago 2” em que saem de cena Tom Hanks e o avião da Fedex, e são substituídos por um menino indiano e um navio japonês. O jovem Pi é mais atual e globalizado…ele está se mudando da Índia para o Canadá, afunda perto das Filipinas, é resgatado no México e de brinde tem um nome dado em  homenagem as “Piscines” de Paris…

Mas a moral da história é que quando surgia na tela Richard Parker (sim, este é mesmo o nome do tigre de Pi…nada de Sansão, Brutus ou algo do gênero) eu tinha certeza que ele era a versão felina da bola Wilson com a qual Chuck Noland, personagem de Hanks, interagia o tempo inteiro em “Náufrago”. O roteiro é todo em torno de projeções, angústias, solidariedade, amizade,medo, esperança… Wilson era redonda e muda e Richard Parker tem quatro patas, urra e come peixe mas para mim o tigrão é uma reencarnação da bola. Sim, “Pi” tem uma fotografia bonita, efeitos especiais que fazem com que o tigre seja perfeito e um jovem ator indiano que se destaca mas não voltei para casa me sentindo uma pessoa melhor…”Pi” não me tocou muito…Meu espírito está mais para Django. 277948_Papel-de-Parede-Bola-do-Filme-o-Naufrago_1680x1050

Ni sí ni no

AOntem foram indicados os filmes candidatos ao Oscar. Começa uma temporada de estréias e coisas melhores para se assistir do que “De pernas para o ar 2”.Esta semana fui assistir a “No”,  candidato a melhor filme estrangeiro e que conta a história do plebiscito realizado no Chile, em 1988 e que pretendia validar a permanência de Augusto Pinochet no poder. Todo o filme é contado sob a ótica de René Saavedra, interpretado pelo mexicano Gael García Bernal, publicitário que teve a responsabilidade de comandar a campanha do “não” à ditadura.

“No” foi filmado com uma câmera da época, o que assegura ao filme uma estética dos anos 80, reforçada pela utilização de uma uma série de imagens de arquivo . O visual granulado e amarelado ao longo de duas horas de filme gera um leve incômodo, como se você estivesse assistindo a um VHS que estava na prateleira há anos. Não fiquei decepcionado mas esperava um filme com mais impacto e profundidade. “No”, acaba refletindo um pouco da campanha criada por René para o plebiscito chileno: um pouco superficial, sem querer tocar em temas muito pesados e com um roteiro previsível. De qualquer maneira vale como registro histórico e como lembrete dos dias cinzentos da ditadura no Chile. Em homenagem aos chilenos, diria que achei “No” más o menos, ni sí ni no…

Independentemente disto “No” serviu também para eu concluir que o Gael Bernal e o Rodrigo Santoro foram separados na maternidade. São gêmeos univitelinos. Certamente as mulheres não concordarão com o ponto de vista (que tal um plebiscito ?) , mas o visual “barbudinho carente e cool” de ambos é idêntico…

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Safadinha

fotoEsta semana fui ao show da Madonna. Nunca fui um fã mas alinhado a sabedoria da frase que diz que “de graça até injeção na testa”, como ganhei os ingressos, resolvi ir. Se ela faz questão de cantar em estádios, deveriam ter pensado em fazer o espetáculo na Rua Javari…Está certo que a chuva e os preços não ajudaram mas tinha um público bem pequeno, digno de jogos do São Paulo, dono do Morumbi. Não dá para esquentar show em estádio sem público e achei que o resultado foi exatamente este : pouca vibração e um show morno. Na verdade é um show que tem de tudo, até um pouquinho de música. Tem teatro, tem cinema, tem performance, efeitos especiais, enredo… São tantos elementos que em vários momentos eu ficava procurando onde estava a criatura… Era um tal de bailarino correndo para um lado, malabarista para o outro, fumaça, coral que a Madonna desaparecia…Você presta atenção em tudo…menos na música e fica com muitas dúvidas se tem uma cantora por ali ou se apenas está rolando um bom e velho playback. Só tive certeza de ouvir a voz dela quando ela se auto-denominou “safadinha”. Uma coisa é inegável, apesar de algumas rugas comprovarem que faz tempo que a Madonna não está “like a virgin” , aparecer no palco e ter sua imagem ampliada no telão, vestindo apenas de calcinha e sutiã, com um “safadinha” escrito nas costas  é para poucas. Se como cantora ela não me encantou muito, tenho que reconhecer que fiquei admirado com a coragem da criatura !

Se cuide Penélope…

” O melhor filme de Daniel Craig como 007″, “Um dos melhores 007 da história”…Fui assistir a “007 – Operação Skyfall” e  gostei. É um ótimo passatempo mas li muito poucos comentários sobre o vilão interpretado por Javier Bardem. Bardem está simplesmente fantástico no papel de Raoul Silva, um ciberterrorista bizarro com os cabelos loiros oxigenados ao melhor estilo HeMan. O foco das comparações recai sempre sobre a performance de Daniel Craig, que terá em Sean Connery uma sombra eterna, mas Bardem transforma o James Bond em coadjuvante de seu próprio filme. Bardem parece que nasceu para fazer papel de psicopatas e são poucos outros atores que podem ser comparados a ele (Jack Nicholson, Anthony Hopkins…) .

 

Se combinarmos a maluquice de Silva, com a loucura de Anton Chigurh, personagem de Bardem em  “Onde os fracos não tem vez”   chegamos a conclusão que Barden é um mestre na arte de meter medo. E faz isto silenciosamente, cinicamente… É assustador…Se eu fosse a Penélope Cruz, mulher dele na vida real, eu dormiria em quartos separados e manteria uma arma no criado mudo. Vai que depois de uma briguinha de casal o cidadão resolve incorporar um destes personagens ?

Ted, o ursinho pervertido

Neste final de semana assisti “Ted”. O filme não vai ganhar Oscar, não entrará para a história do cinema mas a idéia do roteiro é muito boa e faz com que  “Ted”  comece inocente como filme infantil e termine como uma comédia totalmente politicamente incorreta. O filme conta a história de John, um menino tímido e isolado do mundo, que ganha um ursinho de pelúcia de presente de natal e faz um pedido aos céus, para que Ted ganhe vida e seja seu amigo para a vida inteira. Pedido feito, pedido atendido e Ted, transformado em um bicho de pelúcia “vivo”, se transforma em seu companheiro de todas horas. Algo fofo quando o cidadão tem 8 anos e difícil de administrar quando ele tem 35 e o ursinho vira um depravado chegado em drogas e ninfomaníaco. Fiquei pensando na quantidade de Mammys desinformadas sobre o conteúdo de Ted, exibindo o filme por engano aos seus rebentos. Será um choque e certamente depois dos primeiros minutos de “Sessão da Tarde”, muitos pedaços terão que ser pulados. Valeu o ingresso…”Ted” foi das coisas mais divertidas que assisti recentemente.

Hava Nagila

Final de semana com festa de  casamento de um casal de amigos judeus. Perspectiva de cerimônia cheia de simbologia com o copo sendo quebrado, todos os convidados de quipá e como habitualmente acontece, animação garantida para a noite inteira. Já estava preparado para os noivos serem carregados nas cadeiras, e para as danças entusiasmadas ao som de “Hava Nagila”  e gritos de “Mazel Tov”.

Tudo corria bem e conforme o script, quando de repente me dei conta que estava presenciando um grande exemplo da segmentação de mercado. Ao invés de cantores imitando Elvis, baterias de escola de samba e a platéia com perucas coloridas e óculos da 25 de março, subiu ao palco uma banda chamada “GPS”. Não conhecia e a distância me parecia um típico conjunto de baile de formatura, especialista em generalidades e capaz de cantar de Frank Sinatra a Menudo, passando por Edith Piaf sem qualquer constrangimento ou peso na consciência.  A GPS assumiu o comando da balada e começou a desfilar uma sequência de hits típicos de festa de casamento, com um pequeno detalhe: todos cantados em hebraico.  Quando tocaram “Ilariê” e “Ai se te pego”, em versões idiche e vi que a grande maioria dos convidados estava se esbaldando na pista, fiquei impressionado com a visão de mercado dos músicos. Acharam um filão, um verdadeiro blue ocean : são uma banda especializada em celebrações da comunidade judaíca (eu não me surpreenderia nada se eles tivessem tocado também no bar mitzvah do Nissim Ourfali), adaptando para um público específico os grandes sucessos que “agitam a pista”. Estão com a agenda cheia, vão muito além do Hava Nagila e depois do vestido da noiva, foram a atração da noite…

Último capítulo

Mulheres em geral nunca foram capazes de entender como os homens após acompanharem uma partida de futebol, transmitida ao vivo, tem paciência para assistir programas esportivos que nada fazem além de recontar a história do jogo e  estabelecer debates épicos sobre a existência ou não de um penalti, se o impedimento foi corretamente marcado e se o jogador deveria ou não ter sido expulso. O resultado já está definido, nada mais mudará, os comentaristas desfilam um festival de obviedades mas lá estamos nós, homens do Brasil, prestigiando as chamadas “mesas redondas” com seus cenários toscos, anunciantes bizarros e conteúdos ocos. Neste final de semana, descobri que além da mesa redonda futebolística, criou-se no país uma enorme mesa redonda novelística. Com um agravante…era impossível mudar de canal ou desligar as pessoas. Em cada lugar que você ia, recomeçava o debate…E aí ? O que você achou do final da novela ? Pronto…horas e horas de discussão e comentários sobre a morte do Max, o destino da Carminha, a chatice da Nina, a idolatria ao Tufão. Isto não bastava…as pessoas queriam criar finais diferentes e davam vazão a sua imaginação, criticando ou defendendo apaixonadamente o autor da novela . Confesso que como alguém que não é noveleiro, me senti voltando de uma temporada na lua, completamente alienado . Tenho certeza que um monte de gente assistiu a reprise do último capítulo para ver se o final se modificava e ficava mais próximo de suas fantasias criativas. Alías, deveriam ter feito um “Você decide” para este capítulo e cobrado R$ 10,00 por cada  voto… O engajamento era tamanho que com a renda obtida a Globo poderia ter mandado a turma do Divino em bloco para a Capadócia para animar a próxima sessão de  tortura (neste caso turca e não chinesa) da Glória Perez ou se existisse um apelo mais social, financiado uns dez anos de “Criança Esperança versão Lixão”, tirando todos os personagens da miséria. Quem sabe não adaptam esta idéia para o “Vale a Pena Ver de Novo” de Avenida Brasil , que se dependesse da maioria, poderia estrear amanhã. A verdade é que depois de um final de semana de ressaca de “Avenida Brasil”, ganhei um crédito quase vitalício para  assistir “Linha de Passe”, “Terceiro Tempo”, “Cartão Verde”, “Bem Amigos”  e para a vingança ficar ainda mais doce, zapeando de um canal para o outro e com direito a merchand do Milton Neves, no lugar do Oi,Oi,Oi. 

A princesa latina

A globalização chegou ao mundo da fantasia. Sofia, ganhou o status de primeira princesa latina do reino do Mickey Mouse e sua coroação ocorrerá em Novembro, quando um desenho animado narrando as suas peripécias estreará na Disney Channel. Na lógica da Disney, sendo latina, não era de se esperar que ela tivesse sangue azul e fosse preparada para lidar com os rituais e as exigências da realeza. A Sofia latina, mudou-se para um castelo depois que sua mãe, Miranda, casou-se com o Rei Roland II. Roteiro moderno…o Rei casou com uma mulher plebéia que já tinha uma filha. Moderno  mas não muito poético…Miranda, dona de uma loja de sapatos, conheceu o rei quando ele foi comprar um par de chinelos em sua loja de sapatos….

Será que o rei era cool é foi comprar Havaianas ? Terei que aguardar o filme para confirmar mas pelos traços do desenho que foram recém divulgados, esta não parece ser a tendência. É um clássico desenho Disney..Na verdade, o desenhista da Sofia deve ter se inspirado no que aconteceu com a pele do Michael Jackson. Se a Disney não tivesse anunciado a “latinidad” de Sofia em seus press releases, eu diria que ela é a primeira princesa irlandesa a merecer lugar em um desenho animado. Cabelos ruivos e olhos azuis fazem de Sofia uma latina um tanto única. Enfim, nada que uma legenda e uma boa assessoria de imprensa não resolvam. Provavelmente em função do potencial de seu mercado, os latinos finalmente mereceram um ingresso na família real…Depois da malandragem do Zé Carioca, a redenção veio através da princesa Sofia. De repente, pensando no futuro (Sofia 2, a missão), a Disney promove o casamento da Sofia com o  seu príncipe encantado, quem sabe Hugo Chavez…ao som de rumba em Maracaibo…aí sim o pacote seria mais completo e a ficção se aproximaria da realidade.

Mezza bocca

Se “Para Roma com amor” foi o melhor presente que Woody Allen conseguiu preparar para a cidade, Roma deve estar bem desconfiada. Deve estar pensando o que Barcelona e Paris fizeram para merecer dedicatórias e obras tão melhores. “Vicky Cristina Barcelona” e “Meia noite em Paris” são significativamente superiores a “Para Roma com Amor”, último filme de Woody Allen. . Diz o dito popular que quem tem boca vai a Roma.  No caso, Woody Allen necessitou só  de meia boca e um grande bolso, para filmar por lá e ganhar incentivos e alguns milhares de euros. Filme que é bom, ficou devendo…

O filme conta quatro histórias que  são independentes entre si que se passam em tempos diferentes. A única coisa comum entre elas é que são ambientadas em Roma.  O núcleo “cantando no chuveiro” , trata de um casal americano que vai a Roma para conhecer a família do noivo de sua filha e se envolve na producão de óperas . O segundo núcleo, o “alter ago”, retrata um arquiteto americano (Alec Baldwin) em férias na Itália  e que se projeta na figura de estudante que está vivendo na cidade , se transformando em uma espécie de grilo falante, voz da consciência. Há também a célula “Jeca Tatu” com dois  recém-casados provincianos que se perdem pelas ruas da cidade em que se salva a versão Piriguete italiana de Penélope Cruz.A última trama poderia ser definida como “esqueci minha Ritalina” ou “tributo ao BBB” e conta a história de Leopoldo (Roberto Benigni, tão afetado como quando apareceu na cerimônia do Oscar) um homem comum que é transformado em celebridade pela mídia.

Nada no filme é original, e “Para Roma com amor” acumula um monte de estereótipos e poucas surpresas. Você tem certeza que já viu tudo aquilo e fica esperando um gracejo, ou algo inovador que acaba não aparecendo. Roteiro bobo, piadas idem. Confesso que saí do cinema sem sequer ter aquela sensação de querer aprender italiano e comer macarrão…Até as imagens da cidade, tão espetaculares em “Vicky” e “Meia noite” e que se transformaram em cartões postais de Barcelona e Paris, faltaram um pouco neste filme. Roma aparece, bonita mas discreta, sem brilho. Woody não deve ter gostado de algum polpettone do passado e retribuiu com um  tributo a Roma que pode facilmente ser classificado como “mezza bocca”.

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Rumo a um bilhão de hits

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