Safadinha

fotoEsta semana fui ao show da Madonna. Nunca fui um fã mas alinhado a sabedoria da frase que diz que “de graça até injeção na testa”, como ganhei os ingressos, resolvi ir. Se ela faz questão de cantar em estádios, deveriam ter pensado em fazer o espetáculo na Rua Javari…Está certo que a chuva e os preços não ajudaram mas tinha um público bem pequeno, digno de jogos do São Paulo, dono do Morumbi. Não dá para esquentar show em estádio sem público e achei que o resultado foi exatamente este : pouca vibração e um show morno. Na verdade é um show que tem de tudo, até um pouquinho de música. Tem teatro, tem cinema, tem performance, efeitos especiais, enredo… São tantos elementos que em vários momentos eu ficava procurando onde estava a criatura… Era um tal de bailarino correndo para um lado, malabarista para o outro, fumaça, coral que a Madonna desaparecia…Você presta atenção em tudo…menos na música e fica com muitas dúvidas se tem uma cantora por ali ou se apenas está rolando um bom e velho playback. Só tive certeza de ouvir a voz dela quando ela se auto-denominou “safadinha”. Uma coisa é inegável, apesar de algumas rugas comprovarem que faz tempo que a Madonna não está “like a virgin” , aparecer no palco e ter sua imagem ampliada no telão, vestindo apenas de calcinha e sutiã, com um “safadinha” escrito nas costas  é para poucas. Se como cantora ela não me encantou muito, tenho que reconhecer que fiquei admirado com a coragem da criatura !

O que você quer saber de verdade ?


Ontem fomos assistir ao novo show da Marisa Monte, chamado “Verdade, uma ilusão”, baseado em seu álbum “O que você quer saber de verdade” . Passaram-se 6 anos desde a sua última turnê e saí com a sensação de ter visto uma sessão de “vale a pena ver de novo”, aquelas novelas que a Rede Globo reprisa no meio da tarde. A estrutura deste show  é exatamente igual a dos outros espetáculos que eu havia assistido. Produção correta, profissionalismo, voz bonita e aquele ar blasé do tipo, hoje farei um favor de cantar para vocês.  Só que o tempo passou e o que era cool há  alguns anos, agora me provocou uma grande sensação de “déjà vu”, de estar um pouco defasado, sem atualização. A fórmula de reciclar versões de músicas de cantores populares que eu achava incrível, agora ficou vencida. Teve um momento do show que ela cantou uma música em italiano, em que eu tinha certeza que tinha baixado a Zizi Possi no meio do palco. Uma década atrás seria o máximo, agora ficou bem duvidoso. Reconhecer que a música dos personagens centrais da novela das 8 é um dos pontos altos do show também me incomodou um pouco… O ar de diva vintage que era “uau” , agora me gerou uma sensação de frieza e distância do público. O meu resumo é que o show pareceu um desfile de carnaval da Imperatriz Leopoldinense …Tecnicamente perfeito, tudo funciona, favorito dos jurados, você não se arrepende de ter pago ingresso, mas é completamente morno e sem sal, atravessa a passarela sem levantar a arquibancada. No fundo, quer saber a verdade ? Talvez a Marisa Monte não tenha mesmo mudado e realmente não tenha uma razão para investir em outra fórmula. Quem mudou fui eu.

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