Mar e asfalto



Li no site da National Geographic uma estatística interessante que serve para animar conversas de bar e impressionar os amigos . Em 2011 não houve nenhuma vítima fatal de ataques de tubarões nos Estados Unidos.  Na verdade, o número de ataques sem mortes também caiu. Em 2011, apenas 29 pessoas foram atacadas, comparadas a uma média na última década de 39 ataques. Qual a explicação para esta súbita diminuição ? Segundo os especialistas, a tese mais provável é que a crise econômica fez com que o número de turistas na Flórida, meca dos ataques nos EUA, caísse sensivelmente…Menos turistas nas praias, menos comida farta, menos ataques de tubarões.

E quantas pessoas morreram atacadas por tubarões em todos os cantos do mundo no ano passado ? 12 ! Este ,em compensação, foi o recorde dos últimos 19 anos. Tudo bem que eu não gostaria de virar comida de tubarão e esta estatística só é desprezível para quem não  virou chiclete mas acho que estão exagerando um pouco na perseguição aos coitados dos tubarões.

O número de motoqueiros mortos por ano na cidade de SP é seis vezes maior do que isto…Será que a National Geographic também não deveria fazer este acompanhamento estatístico ? Vão chegar a conclusões bem mais relevantes e quem sabe tanto os tubarões sejam menos estigmatizados como os motoboys um pouco mais protegidos.

Maus usuários de e-mail: punição já !

Utilizar e-mail ainda parece ser uma ciência complexa para muita gente. Fico pensando no benefício para toda a sociedade se a função “reply to all” ou “responder para todos” apenas fosse habilitada para pessoas que comprovassem ter ao menos dois neurônios funcionando. Deveria existir processo similar ao da carteira de motorista…Você só pode dirigir um carro se for aprovado em provas teóricas e práticas e se cometer faltar graves, pode ter a sua habilitação cassada. Com e-mails também deveria ser assim…Enviou e-mail por engano para toda a lista de distribuição da empresa ? Bloqueio. Enviou e-mail para toda a empresa, repreendendo o indivíduo que mandou o e-mail errado ? E-mail suspenso – volte a se comunicar por memorandos e por telefone. Enviou e-mail que mais parecem romances de Machado de Assis ? Aula de recuperação, escrevendo  à mão, mil vezes em uma lousa “e-mails deve ser curtos e diretos”.

O mau uso da ferramenta não é privilégio tupiniquim. Esta semana li que na Aviva, segunda maior companhia de seguros do Reino unido, um cidadão enviou um e-mail por engano para 1200 funcionários . O conteúdo da mensagem ?  “Somos obrigados a lembrá-lo de suas obrigações contratuais para com a empresa que você está deixando. Você deve manter confidenciais informações relativas a operações da Aviva Investors, sistemas e clientes. Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para lhe agradecer e desejar sucesso no futuro”. Resumo: um e-mail que deveria ter sido enviado a apenas uma pessoa que seria demitida foi dirigido a 1200, de todas as partes do mundo, gerando um caos na empresa e obrigando o relações públicas a se manifestar perante o mercado para explicar o ocorrido. Alguém tem alguma dúvida que além do demitido original , o iluminado de recursos humanos que fez isto também deveria ter entrado na lista de demitidos e quem sabe, como último ato, enviar a dita mensagem a si próprio ?

O elefante quase roeu a roupa do rei da Espanha

Não está fácil a vida do Rei da Espanha. Apareceu de bacia fraturada, foi operado, está caminhando de bengala mas ninguém está com nenhuma pena. A fratura aconteceu durante uma viagem de sua majestade a Botswana, para onde tinha ido com a nobre finalidade de caçar elefantes.

Detalhe é que  ninguém sabia da aventura e enquanto o rei se divertia, a Espanha enfrenta uma grave crise econômica com desemprego recorde e uma série de medidas austeras sendo tomadas pelo governo. Primeiro veio o desconforto de que a viagem estaria sendo paga com dinheiro público, agora se descobriu que quem pagou a conta foi um amigo saudita do rei, que tem uma série de negócios imobiliários na Espanha, configurando um pequeno conflito de interesses. Caçar elefantes também não parece ser uma atividade muito compatível com o cargo de presidente honorário da filial espanhola WWF (Fundo para Conservação da natureza), cargo que o rei também ocupa. O rei não teve escolha e veio a público pedir suas desculpas a população espanhola. Foi a primeira vez na história que sua realeza se dirigiu aos súditos para pedir perdão…Certamente compreendeu que seria melhor se desculpar do que ver crescer a pressão popular por um pontapé ainda maior em seu traseiro, que já está machucado. Fiquei pensando no que aconteceria se a mesma coisa ocorresse com o CEO de uma empresa e qual seria a posição  dos acionistas. Será que eles teriam a mesma paciência de elefante ?

Pirlimpimpim fitoterápico

Como é dura a vida das mães de recém nascidos…Ansiosas, tensas , angustiadas tem que lidar com os pequenos problemas de saúde de seus rebentos. Soluços, febres, brotoejas, cólicas, refluxo…Para tentar resolver os contratempos vale todo o tipo de recomendação: dicas passadas pela mãe (nunca pela sogra !), conselhos da vizinha, ligações no meio da madrugada para pediatras que possuem alma de monges budistas. As soluções caseiras então, são infinitas e criativas: Maizena para tratar as assaduras, fiozinho na testa para combater os soluços (se for de lã vermelha melhor ainda) e banhos de água morna para baixar a febre.

Pois bem, o exército de mães desesperadas acaba de ganhar mais um motivo para se preocupar: a Anvisa decidiu cancelar o registro de vendas da Funchicórea. A Funchicórea é um pózinho que se dilui em água ou se coloca diretamente  na chupeta para (teoricamente) aliviar a prisão de ventre e as cólicas dos pimpolhos. A argumentação para se retirar a Funchicórea do mercado (depois de 72 anos…) é a falta de estudos científicos que comprovem a eficácia do produto. Digamos que para algumas mães a funchicórea é um “pó pirlimpimpim fitoterápico”, capaz de fazer mágica com as dores de seus filhos. Na verdade não sei se funciona ou não para as barriguinhas dos bebês mas , com ou sem estudo científico, o produto parece funcionar incrivelmente como calmante para as mamães desamparadas.

Bafo de leão

Não existe nada pior do que ter que conviver com a turminha do bafo de leão. É constrangedor…Você não sabe o que falar com aqueles colegas de trabalho que tem mau hálito, digno de dragão e capaz de dificultar qualquer convívio social. Todo mundo sabe quem são os problemáticos, mas ninguém tem coragem de ter uma conversa franca com o cidadão. Existem ofertas de balinha, empréstimos de pasta de dente, frutas no break, mas nada parece resolver o bafo. Manter a distância se transforma em questão de sobrevivência e o  bafudo recebe vários codinomes deselegantes dos colegas. Pois é…a turma da Ogilvy captou este espírito para uma campanha de  Tic Tac  na França. Combinaram o mau hálito com o bom humor e produziram este flash mob pelas ruas da França. Não sei se irá resolver o problema e talvez eles precisassem também  fazer uma co-promoção com fabricantes de desodorante ,mas pelo menos deram o primeiro passo para o país ficar mais perfumado e divertido.

Se eu fosse um marinheiro

Minha relação com o mar sempre foi de respeito e uma certa distância. Acredito muito no lema que diz que “água no umbigo é sinal de perigo” e gosto mais de olhar para o horizonte  do que  vivenciar aventuras submarinas ou sofrer com enjoos que insistem em aparecer em passeios de barco. Confesso  também que nem a praia se salva e tenho uma leve predileção por piscinas azulejadas, livres dos grãos de areia, que sempre  se escondem em rincões remotos do seu corpo por dias a fio. Ainda assim, desde pequeno achei as histórias dos navegadores absolutamente fascinantes. Começando com os descobridores do passado que se aventuravam em caixotes flutuantes, até a turma de  hoje em dia, que embarca em seus veleiros para cruzar os oceanos sem ter data para voltar.  Existe um espírito de desprendimento (não estou falando do iate de R$ 15 mi do Neymar) , companheirismo e uma integração com a natureza que me cativam.

Minha paixão pelas histórias do mar cresceu um pouco mais ao saber do  naufrágio do barco brasileiro “Mar sem fim” , que estava em uma expedição na Antártica . O “Mar sem fim”  acabou afundando,  retorcido pelo gelo que se acumulou ao seu redor depois de ter brigado com ondas gigantes e vendavais. O relato dos tripulantes descrevendo a luta do barco pela sobrevivência é emocionante e  não dá para ler e não sofrer junto com eles , especialmente quando descobrem que o “Marzão”, como o chamavam, não resistiu.  Me deu uma vontade enorme de  reler  “Velho e o Mar” , “Moby Dick” e  as histórias do Endurance de  Shackleton…Conclui que muito mais do que  do mar, gosto da maneira como  os “marinheiros” o respeitam e o admiram.

10000 anos

Ainda estava sob o impacto do filme do Raulzito que dizia ter nascido há dez mil anos atrás. De repente descubro que o Jeff Bezos, fundador da Amazon.com está patrocinando o projeto de construção de um relógio para marcar o tempo pelos próximos dez mil anos (saiba mais clicando aqui 10000 year clock)! O relógio é um tributo ao pensamento de longo prazo e pretende simbolizar o compromisso com o futuro, tem escala monumental e está sendo construído no interior de uma montanha,
de propriedade de Bezos, no interior do Texas.

O “tic tac” do relógio acontecerá uma vez por ano, o ponteiro se moverá a cada cem anos e o cuco aparecerá a cada milênio! Depois de ver isto fiquei em dúvida para saber quem é o mais louco da história. O que diz que nasceu há dez mil anos atrás ou aquele que quer deixar um legado para dez mil anos para frente ao custo de US$ 42 milhões…só o tempo dirá.

Honrem os Jetsons !

Atualmente há um navio refazendo a rota percorrida pelo Titanic há 100 anos… Isto me fez pensar em quantas coisas se modificaram no mundo e como a tecnologia evolui mas a conclusão que cheguei, é que no segmento de transportes, passamos apenas por mudanças incrementais e nada realmente dramático ocorreu nas últimas décadas. Claro que os carros de hoje são muito mais desenvolvidos que os calhambeques de 1929, que um Jumbo é incrivelmente melhor que o 14 Bis e que o navio que o Schettino tombou ,em tese, era mais seguro que o próprio Titanic. Mas não é este o ponto…Onde estão os carros voadores que eu assistia nos Jetsons ?!
Onde estão os aviões supersônicos que dariam a volta ao mundo em horas ? Meu foguete particular para passar o final de semana na lua ? Nasci em um mundo sem computador, sem e-mail, em que o telefone era primitivo. Achava que fitas de cromo TDK e vídeos cassete de quatro cabeças, eram o máximo de tecnologia a que eu seria exposto . Tudo isto se transformou dramaticamente e o ritmo de inovação segue alucinante. Mas quando penso nos transportes concluo que a única coisa que realmente evolui significativamente é o trânsito. Não vale o argumento de que temos carros com combustível flex, ABS, câmbio tiptronic e bluetooth . Nem que agora temos aviões gigantes para centenas de passageiros com telinha individual ou superpetroleiros que sequer podem cruzar o canal do Panamá , tudo isto é incrível mas é apenas ganho de escala, são melhorias e não revoluções. Queria poder assistir novamente os Jetsons e acreditar que as “profecias” de duas décadas atrás foram realizadas…Por enquanto sigo esperando as grandes revoluções dos transportes. No ritmo em que as caminham minha última esperança é que as transformações se apliquem a cadeira de rodas que precisarei usar na minha velhice…quem sabe elas sejam voadoras, se não der tempo, que ao menos sejam comandadas pela voz e estacionem sozinhas.

Pisando em ovos

Mais uma Páscoa se foi e sobraram ovos e mais ovos de chocolate empilhados em casa. Depois de algumas reflexões infrutíferas de porquê os ovos, apenas com forma e embalagens diferentes, custam tão mais caro que as barras de chocolate das mesmas marcas e com a mesma quantidade de chocolate, resolvi me concentrar em pensamentos menos materialistas sobre qual havia sido o balanço do feriado.
Com os meus filhos mais crescidos e acreditando menos no coelhinho da Páscoa decidimos eliminar o ritual de esconder os ovos pelo jardim.
A vingança foi sofrida… ao invés de questionarem pelo esconderijo dos chocolates, resolveram tentar encontrar coisas que por vezes estão escondidas em lugares mais profundos: respostas e explicações.
Ontem no jantar o assunto foi um interrogatório sobre como os gays faziam para ter filhos… Com direito à variações sobre gays homens e mulheres… E não no sentido bíblico que diz que pai é aquele que cria, mas no sentido mais carnal da discussão.
Sem dúvida é bem mais fácil esconder os ovos do que as explicações. O difícil é não pisar sobre eles quando resolvermos expor os nossos argumentos e as nossas teses.

Verde desbotado

Acabaram de vez com as sacolinhas plásticas no supermercado. A principal causa alegada é a consciência ecológica e uma preocupação com o futuro do planeta. Será que esta é mesmo a percepção das pessoas ? Tem vários momentos em que o meu lado marketeiro dialoga com o meu lado consumidor e se pergunta se as pessoas estão realmente acreditando nestas histórias. Quem esteve em qualquer quarto de hotel do mundo recentemente viu aquelas mensagens apelativas no banheiro para não se trocarem as toalhas todos os dias , convidando o hóspede a contribuir com o meio ambiente. Eu penso: é para ajudar o meio ambiente ou para gastarem menos com sabão em pó e amaciantes e as suas margens de lucro subirem… ?
Outra novidade agora são garrafinhas de água de algumas marcas que alegam que foram feitas com menos plástico pensando na sustentabilidade. Você abre, a garrafinha amassa na sua mão e a água derrama . É péssima e você fica com a convicção absoluta de que fizeram aquilo para reduzir custos. Será que não é a hora de algumas empresas fazerem um pouco mais de marketing da sinceridade ? Queremos ter preços competitivos e precisamos da sua ajuda. Você concorda em não trocar as toalhas ? Em beber água em uma garrafa que amassa ? Em trazer suas sacolas de casa ? Fazemos tudo isto e ainda ajudamos o meio ambiente ! A minha sensação é que o consumidor ficaria bem menos desconfiado com esta súbita mudança de conduta das empresas, as apoiaria e os argumentos da sustentabilidade, seriam utilizados onde eles são realmente necessários, de maneira consciente e correta. Usar a ecologia para justificar redução de qualidade de produtos e serviços é ruim para a causa e não contribui em nada com as empresas. Desbota a imagem verde que elas querem construir.

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