Feliz 2012 !

Depois de vários anos voltei a passar o reveillon na praia. É aqui que os rituais acontecem…trânsito infernal, calor, as sete ondinhas, as roupas brancas, o foguetório. Do trânsito eu escapei espetacularmente. Já as primeiras sete ondas que pulei foram no terraço de casa, completamente inundado pela chuva torrencial que caiu ontem a noite. Acabei pulando as 7 do terraço mais 7 no mar, o que me gera uma expectativa de um ano fantástico, afinal estou com crédito com Iemanjá, e ela como deusa das águas não pode diferenciar água do mar de água do terraço. O meu deslize foi com o branco… com medo de pegar uma pneumonia em função de uma camiseta encharcada, abdiquei da cor oficial e fui de azul. Isto aconteceu não por uma questão de superstição mas sim porque esta era a cor da minha sunga e este era o meu único traje de reveillon. E se sunga já é uma coisa duvidosa, sunga branca somente seria permitida se eu fosse lutador de jiu jitsu. Fui de azul mesmo…
Saí de casa 23:58 e 00:02 eu estava de volta, completamente ensopado mas com os rituais devidamente completos. Mar, fogos, votos de ano novo…Aliás alguém poderia me explicar a graça de se soltarem rojões ? Fogos de artifício eu entendo, são realmente bonitos. Mas rojões servem apenas para aborrecer e assustar os cachorros e os bebezinhos da vizinhança. Não saem sequer em fotografias.Poderiam ser banidos das comemorações juntamente com as reportagens que informam que já é ano novo na Nova Zelândia…
Enfim, mais um ano se passou e a história começa toda de novo. A coisa boa é que se chuva servir para lavar a alma, certamente comecei 2012 completamente purificado. Feliz ano novo !

Lembranças de natal

Confesso que tive um choque quando vi a turma da Rede Globo cantando o seu clipe de natal embalados pelo Robertão. O William Bonner de carteiro, a Angélica de empregada doméstica e o Faustão de garçom certamente negociaram um bônus dobrado para se prestarem a estes micos. O peru da Andréa Beltrão deveria estar recheado de cogumelos alucinógenos…parece que ela está em uma rave natalina. E a animação da Cléo Pires ? Em velório ela deve demonstrar maior entusiasmo…
De qualquer maneira, é impossível ouvir “hoje é um novo dia, de um novo tempo” e não lembrar da infância e das noites de natal.
São inesquecíveis as rodas em torno da árvore na casa dos meus avós, que começavam com as velas sendo acesas ao som de “O Tannembaum” e sempre terminavam com um discurso de meu avô agradecendo pelas conquistas do ano e dando boas vindas aos novos membros da família. E a árvore natural gigante , de 5m de altura, da casa dos meus pais ? Decoração com bolas vermelhas que se espatifavam no chão ao menor toque, laços e velas.

Presentes marcantes, presentes frustrantes,momentos emocionantes, momentos alegres, momentos muito tristes.Abraços, beijos,brigas, uniões,afastamentos. É natal, quanta coisa volta na cabeça e quanta coisa se projeta para o futuro. Tem os que adoram, tem os que detestam, mas todos concordam que é a hora do balanço, hora de reflexão e de pensar no que virá no ano que vem…Não dá para esquecer que hoje é natal.

Verde abacate

Tudo começou com uma ida despretensiosa ao Natural da Terra, uma espécie de sacolão com grife. Rotina da família…comprar toneladas de frutas e verduras que em um primeiro momento você imagina que seriam capazes de abastecer um exército ou acabar com a fome da África e que na vida real duram menos do que uma semana na sua geladeira. Ir a feira, supermercado ou hortifruti é uma ritual entediante em que se faz necessário um grande esforço para quebrar a monotonia ! Desenvolvi uma técnica em que pequenos gestos me animam e fazem com que a tarefa fique menos penosa. De vez em quando escolher tomate Débora ao invés do tomate Carmem. Trocar a uva Thompson vermelha pela verde. Comprar ou não 100g de cerejas por R$ 15,00…Tripudiar do pepino caipira e eleger o pepino japonês. Minha fórmula anti-tédio é transformar estas decisões em algo crítico, vital. Escolhas, diferenciações, favorecimentos. Absolutamente difíceis mas necessárias…carga de drama,vida ou morte para quem ficou para atrás. No meu momento de carrasco absoluto confesso que hajo como um torturador e escondo um tomate bonito embaixo da pilha para que ele nunca seja escolhido e sofra como aqueles que vem amassados e são abandonados pelas donas de casa.
No final de semana passado meu momento de tensão foi quando reencontrei com o bom e velho abacate. Levá-lo ou não para casa…que drama, afinal de contas ele é taxado de gorduroso, cara feia mas ao mesmo tempo me remete a uma imediata lembrança da minha infância. A nostalgia venceu e o abacate teve um novo lar. Aproveitando a solidão de um dia da semana, sem esposa e sem crianças, solicitei a auxiliar do lar que preparasse o abacatão como nos velhos tempos: batido com leite e açucar.
Foi minha sobremesa e me levou a uma espiral de recordações. O ponto alto da trip com o abacate foi me lembrar de um abacateiro plantado pelo meu irmão no quintal de casa. Foram anos vendo o acateiro crescer e produzir frutos. Bons tempos, lembranças com sabor.A escolha foi acertada…não me arrependi. O abacate que resgatei das gôndolas frias do Natural da Terra adoçou minha noite…

Crônica de quase natal

O natal está chegando e com ele vem junto aquele momento do ano em que o amor predomina. Começa pelo processo fácil de se pensar em quem merece presente e o que comprar. Algumas famílias adotam o empolgante amigo secreto e discutem por semanas qual a regra mais justa. Bem coerente com o espírito de natal,se fazem alianças, conchavos e artimanhas para que os favoritos não sorteem os chatos…Outras famílias abdicam da troca de presentes e agora fazem apenas doações para crianças desamparadas e lares de velhinhos. Existe um grupo mais conservador que estabelece informalmente que os homens troquem entre si caixas contendo camisas da Richard’s com variação da cor da listra e que as mulheres se surpreendam com a fragrância do sabonete L’Occitane que ganharão (será Verbena, Oliva ou Chá verde ?).
As avós competem para ver quem entrega o maior embrulho para os netos, tias distantes distribuem a todos pares de meias sociais, os amigos que gastam pouco dizem que não é um presente e sim “apenas uma lembrancinha”, um tio gordo se veste de papai noel com barba de algodão e todos, inclusive as crianças, morrem de medo. Já os casais discutem e brigam para ver se comerão o perú com a família de um e a sobremesa com a família do outro, ou vice-versa . Não estar presente na hora em que o perú é fatiado é prova de falta de amor e desperta sentimentos de vingança eterna.
Enfim, muda o endereço, o tamanho do embrulho, os personagens mas o enredo é quase o mesmo. É época de natal…Odiamos, reclamamos mas adoramos. É quando a família é mais família. É difícil viver sem…

As espumas do Tietê

Enquanto as idades ainda permitem, sempre que posso enfio as duas crianças juntas no chuveiro, para tomarem banho ao mesmo tempo. Logicamente existem dias pacíficos, em que a harmonia impera e existem outros dias (mais frequentes) de duelos sub-aquáticos com reclamações sobre a temperatura da água, sobre o espaço de cada um dentro do box e um bullying básico entre irmãos. Quando o clima pesa um pouco mais entre os dois a gritaria pelo socorro paterno começa…Ontem não foi diferente. Chamados desesperados da Cacá, acusando o irmão de ter colocado sabonete na sua boca por duas vezes, me levaram ao banheiro em uma tentativa de pacificação do conflito. Algo tão simples como administrar o conflito de Israel e os árabes. Tudo dentro do script de quase todos os dias, quando fui surpreendido pelo argumento do Edu para ter enfiado alguns mls de sabonete líquido na goela da irmã : eu falei para ela que ela estava fazendo muita espuma no banho e poluindo o rio Tietê e ela não parou! Confesso que fiquei orgulhoso pela consciência ecológica mirim do meu filho, bastante estimulada pela escola e seus estudos do meio ambiente mas na dúvida sobre o seu potencial de eco terrorismo e quais serão suas próximas ações de retaliação a família.

Os “tios” do hotel fazenda

Este final de semana viemos para um hotel fazenda com as crianças. Já estivémos várias vezes neste mesmo lugar e consigo tirar “fotografias” de diferentes fases da minha vida com os meus filhos aqui. Desta vez nada de caminhada para alimentar o coelhinho ou passeios de pangaré com o papai. Hoje disseram tchau as 8:30h e foram explorar trilhas, cachoeiras,aproveitar a piscina e brincar com amigos. Tudo assustadoramente pré-adolescente… No passado já resmunguei muito quando eles não saiam do pé e ignoravam a presença dos monitores da recreação (os famosos “tios” com sua paciência infinita e prontos para brincar de qualquer coisa.Hoje está sendo um dia de independência total. Pai só serviu para estabelecer a cota de sorvetes que poderiam tomar e perturbá-los com o protetor solar.Dá orgulho de vê-los crescer e caminhando sozinhos mas não dá para deixar de sentir uma certa melancolia de ver a vida passando rápido e inveja dos monitores que depois de anos conseguiram seu objetivo e roubaram eles de mim.

Revivendo os cartões

Nas últimas viagens que fizemos resolvemos retomar um hábito secular, que parecia definitivamente esquecido nos tempos de e-mails e tweets: enviamos cartões postais a amigos e parentes. As pessoas que recebem estranham um pouco (dependendo da imagem do cartão ficam chocadas…). Parece que não entendem como um cartão pode demorar tanto chegar, ficam desconfiadas de ver um selo colado e uma mensagem escrita a mão com uma letra que por vezes não reconhecem (você já reparou que atualmente não sabemos mais se as pessoas tem letra “bonita” ou “feia” ? Só nos comunicamos em fonte Arial tamanho 10) . A verdade é que a personalização da mensagem virou um ritual gostoso. Compramos os postais e selos, escrevemos, vamos ao correio (sim, ainda existem agências de correio) e esperamos a reação do destinatário…

Estamos pensando em repetir a dose para o natal (logicamente que com muitos carimbos de renas, papai noel e árvores). Será uma forma de resgatar a tradição e confesso, evitar que as caixas de entrada das pessoas travem com e-mails de correntes natalinas de estética questionável. Não faz muitos anos que eu media minha popularidade pelo número de brindes e cestas que eu recebia de fornecedores…quando a verba começou a diminuir e os códigos de conduta das empresas começaram a vetar o recebimento de presentes, cresceu rapidamente a quantidade de cartões Unicef….o tempo passou e de uns anos para cá só tenho recebido via e-mail os power points de alguns gigas que não abro por medo de vírus. Imagino que com todo mundo seja igual. É hora de reviver a tradição. Viva os cartões: postais, de natal e de crédito !

Bolinhos, pique pique e reflexões sobre a data de nascimento

Esta foi uma semana cheia de aniversários acontecendo perto de mim, mulher, filho, sobrinhos… Festas, bolinhos, mensagens do além que chegam via Facebook. Tudo acontecendo em ritmo de micareta, um carnaval fora de época em que todo dia tem uma comemoração ! Como alguém que nasceu no dia 30/12 (meu pai sempre falou que o parto foi acelerado para dar tempo de conseguir me lançar como dependente do imposto de renda dentro daquele ano e diminuir o que ele precisava pagar ao governo), celebrações de aniversários nunca foram uma constante na minha vida e jurei que jamais deixaria que meus filhos nascessem entre +- 20/12 e 05/01. É certeza que se isto acontecer, o tema terá que ser tratado futuramente com o analista: presentes que não aparecem, amigos e familiares que não telefonam, inexistência de festas…Dramático e horas de divã para recuperar a auto-estima ! Hoje percebi que não estou sozinho ! Vi que nos EUA , ainda que por motivos diferentes há uma queda de 5,3% nos partos naturais e 16,9% nas cesáreas no dia do Halloween (31/10) vs. a média de nascimentos dos outros dias. A data está relacionada a azar e mau agouro e ninguém quer que o filho passe por isto. Em compensação, no dia 14/02, dia dos namorados, o número de partos naturais cresce 3,6% e o de cesárias 12,1% ! Resumo: baciada de aniversariantes em 14/02…o famoso varejão ! Para quem quiser ver a reportagem sobre o tema está no site da http://www.abcnews.go.com

16/10 e o Guinness Book

Quem conhece a família sabe que 16/10 é dia de festa múltipla ! É automático…sempre que comento com alguém que meus pais tem 5 netos e que 4 deles, nascidos em três partos diferentes, fazem aniversário nesta data , primeiro as pessoas não acreditam e depois falam…seus pais vão para o Guinness Book of Records. Pois bem…resolvi pesquisar o Guiness…primeiro para ver se esta categoria existia, qual era o recorde e o que eu precisaria fazer para pleitear este reconhecimento para a família. Não consegui encontrar nada que fizesse referência a este recorde mas aprendi as regras para submissão da categoria “avós com maior número de netos de partos diferentes nascidos na mesma data” . O negócio é sério e trabalhoso. Como meu irmão é responsável por 3 dos 4 que nasceram no dia 16, entendo que o mais correto é ele liderar o processo. Imagino que embora demorada a  análise, temos boas chances. Ele se comprometeu a manter vocês informados da evolução do caso aqui no Catando Kokinhos. Enquanto isto, caso alguém se inspire e veja potencial em outras categorias , seguem as principais regras do Guinness para servir de referência (regras completas em http://member.guinnessworldrecords.com/member/is_it_a_record.aspx).

********************************************************************************

AGE

Record categories which we do not monitor in this area include the following:

  • Youngest or oldest to walk, swim, read, count, etc.
  • Any record which has a minimum age requirement (youngest scuba diver, licensed pilot, etc.).
  • Youngest or oldest variants of existing categories (i.e. longest tongue for a 14 year old), we generally only consider such records when the journeys involved are global in scale (e.g. youngest to climb Mt Everest; youngest to walk to the North/South Pole and claimants are 16 and above).

ANIMALS

We do not accept any claims for the following:

  • Records based on the killing or harming of animals.
  • We do not endorse speed records for travelling over large distances on horseback, because of concerns over the welfare of the animals involved.
  • We have discontinued accepting claims for heaviest or lightest pets.
  • We do not monitor separate categories for different breeds, only absolute records such as ‘longest ever dog’ and ‘oldest cat living’.
  • Endurance records, such as ‘longest time living with snakes’.

ART

  • We do not consider any claims for drawing/painting, other than what might fall within broader records, such as the largest painting in the world.
  • In the case of small origami, artwork or articles (unless working at a microscopic level), quality cannot be objectively proven and it reaches a point where it becomes impossible to judge what is the smallest item in the world for a particular object. We do however study which are the largest objects in the world.

HUMAN BEING

  • We do not accept any claims for beauty as it is not objectively measurable.
  • Fastest, quickest or longest birth is not categories we recognize.
  • Cancer survival – due to the varying types of cancer and degrees of severity they are found at, it is not possible to compare fairly between each individual case.
  • We do not currently recognise ‘gluttony’ records whereby people consume mass amounts of food.
  • We do not accept claims for elbow licking.
  • Due to the medical condition elephantiasis, we do not monitor a category for largest head.
  • We do not longer accept public claims for hunger strikes or fasting.
  • Massage marathons – we cannot visually judge style and form as to be correctly done for a long time.
  • We do not recognize medical records like the most operations in a short time span.
  • We do not accept claims for longest sleep or sleeplessness.
  • We do not accept claims for thinnest people.

LITERATURE/LANGUAGE/PUBLISHING

  • We no longer accept any email or postal based records, such as chain letters or similar variations.
  • With all handwriting related claims, we cannot possibly standardise levels of legibility, neatness etc, therefore we cannot accept claims for smallest handwriting.
  • We do not monitor categories for most generations with the same name.
  • We do not consider claims for longest or shortest poem.
  • We do not accept records that are qualified by subject matter.
  • We do not accept claims for silent reading.

MUSIC

  • With records regarding listening to music or the radio for the longest time there is no way of proving that the participants are actually listening to the music and indeed concentrating on this.
  • We do not consider any claims for longest or shortest song, or most songs written, other than what might ordinarily fall within our broader music records (i.e. most people singing).
  • We are unable to consider claims relating to jam sessions or improvisation as it is impossible to ensure the musical proficiency and quality of such performances.

PLANTS

  • We do not monitor small plant/fruit/vegetable records, mainly because the challenge is to grow the largest. In addition, a seed is arguably the smallest of the variety.

QUALIFIED – UNIQUENESS/UNUSUAL/ORIGINALITY/ONLY

  • ‘Uniqueness, unusual, originality, or luck’ are not objectively quantifiable and cannot therefore form the basis of a world record. It must be remembered that every record we publish is open to be challenged in future, and it must be possible to compare these future challenges objectively and fairly with the current record.
  • We also do not monitor any categories for ‘only’. An “only” is not necessarily, in itself, a record — records have to be breakable, measurable and comparable, e.g. tallest, fastest, heaviest, etc., and tend to have arisen as a result of a great deal of (usually international) interest and competition.

THEME PARK RIDES

  • We only list two records for this category. The first is for the longest continuous ride on any roller coaster that meets certain requirements, and the second is for the longest continuous ride on a Ferris wheel meeting particular requirements.

TRANSPORT

  • We accept cramming records only for small iconic vehicles such as the VW Beetle and the Mini.
  • We do not accept records for car sales as there are too many variables: model, price, location, time of day, the weather.
  • We do not endorse records which involve driving between two points in the least amount of time out of concern for public safety and the legality of encouraging such events.
  • We source all our aviation performance records directly from the FAI. We would therefore suggest that you contact your local FAI-affiliated flying organisation for further information on such records.
  • We must out of necessity select only those which are significant internationally (e.g. trans-continental journeys) or which over time have become the subject of much international competition (e.g. swimming across the English Channel, or sailing across the Atlantic).

Posts anteriores

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Rumo a um bilhão de hits

  • 79.731 hits

Páginas mais populares

Separando meninos de homens
Para lá de Kathmandu
Sonho de Ícaro
Descompressão
Número 2
Rotina de monge
Yak e Yeti
Annapurna, sua linda
Soletre: Machhapuchhere
Termas e Namaste
janeiro 2026
S T Q Q S S D
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031