Maria Shavecova

Maria-Sharapova-HD-WallpaperJornalistas esportivos possuem um dom: a incrível capacidade de perguntar sempre as mesmas coisas. O efeito colateral desta monotonia é que os atletas também desenvolveram a também incrível capacidade de responder sempre as mesmas coisas ! É uma espécie de efeito Pavloviano da mídia esportiva. Todos condicionados…Há um pacto entre eles: “Eu sei o que você irá me perguntar e você sabe o que eu irei te responder”. O time está bem preparado…Temos que respeitar o adversário…A equipe está unida…2×0 é um placar perigoso…o script de uma entrevista blá,blá,blá.

Talvez entediada das perguntas chatas e cansada de dar as mesmas respostas, Maria Sharapova, que além de todos os seus atributos, ainda é uma boa jogadora de tênis, resolveu radicalizar…

Na coletiva de imprensa após a sua eliminação do Australian Open, Sharapova mandou um xaveco pesado para cima do jornalista que fazia mais uma pergunta genial. A cena inusitada foi bem mais divertida do que se ela tivesse respondido sobre preparação da adversária, próximos torneios etc…Quem se deu bem com a situação foi o repórter. Teve seus 30 segundos de fama e virou galã…A qualidade de suas perguntas ? Bem, isto é secundário…

Azul calcinha

image

Fui assistir “Azul, é a cor mais quente”.  Apesar do título poder sugerir algo relacionado a Smurfs sofrendo com o calor do verão, trata-se do filme que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2013, e que não é um passatempo para crianças. “Azul” conta a história da jovem Adele , com suas descobertas, frustrações e angústias  no período de transição entre a juventude e a vida adulta. O eixo do filme é o relacionamento de Adele, com Emma, uma mulher mais madura, decidida e independente. O filme gerou um enorme barulho por conta das cenas calientes entre as duas protagonistas, que de fato tem potencial de fazer com que desavisados e beatos abandonem a sala do cinema e proponham o exorcismo das duas mocinhas. Tirando estes momentos, em que rola este animado kamasutra lésbico, “Azul” nada mais é do que o superficial diário de Adele.  Isto me frustrou um pouco… Ler diários de meninas, a menos que você seja citado como o bonitinho da classe, não é das coisas mais animadas…como qualquer diário, o filme tem os momentos de tédio (“hoje almocei macarrão”, “dormi a tarde inteira”) e os momentos mais divertidos (“fiquei com o menino”, “briguei com a menina”). Foi um pouco assim que senti  “Azul” . Se a Emma chama-se Emmo e se as cenas de sexo não fossem tão explícitas, gerando toda a polêmica (as duas atrizes principais  disseram que nunca mais voltarão a trabalhar com o diretor Abdellatif Kechiche), acho que o filme passaria quase despercebido e não seria tão endeusado. “Azul” tem suas virtudes: faz com que o espectador compartilhe e vivencie os sentimentos de Adele  de uma maneira crua e real, sem grandes explicações ou notas de rodapé, tem duas atrizes fazendo um trabalho espetacular, tem uma estética européia charmosa…Apesar de tudo isto, fiquei um pouco com a sensação de estar assistindo  Malhação ou Confissões de Adolescente em longa metragem (aliás, longuíssima…são 3 horas de filme), em versão proibida para crianças. Daria para ter arrancado algumas páginas deste diário…

Família Mexicana

album-de-familia-destaque-610x250Este final de semana fui assistir a “Álbum de Família”, novo filme de Meryl Streep e Julia Roberts. Saí do cinema com a certeza que tenho a família mais estruturada do mundo e que as briguinhas em época de natal são bem café com leite…

O filme conta a história de três irmãs que voltam para casa para cuidar da mãe, após o desaparecimento do pai delas. O “get together” da turma é bem pesado, com acusações, conflitos e segredos que vão sendo revelados. Sobra para todo mundo…a lavanderia de insultos não poupa nenhum personagem e só quem é aparentemente normal, é a empregada doméstica … Embora a atuação de Meryl Streep no papel de matriarca viciada e doente, faça dela uma candidata natural a ganhar o seu bilionésimo Oscar, achei que o filme não conecta com o espectador. Ele não vê naquela família, a sua família.

Tudo é tão hiperbólico e “radioativo” que não existe a empatia. Todo mundo tem um primo bobo ou uma tia chata, mas o primo bobo do filme é tão booooobo que ele deixa de servir como referência e a trama em torno da família vira uma pura obra de ficção. Fica a impressão que você está assistindo a uma novela em que os roteiristas tem como função principal surpreender o público com pacotinhos de novidades a cada cinco minutos para conseguir manter a sua atenção e por consequência, a audiência. …Reunir em uma mesma família suicídio, traição, pedofilia, doença, violência e concentrar isto em duas horas foi um pouco demais para mim. Enfim, boa sorte para a Meryl mas o filme dela não me representa…Virou uma família esteriotipada, estilo “novela mexicana”. Para completar, só faltou a Chispita baixar no encontro deste clã de Oklahoma….

Posts anteriores

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Rumo a um bilhão de hits

  • 79.731 hits

Páginas mais populares

Separando meninos de homens
Para lá de Kathmandu
Sonho de Ícaro
Descompressão
Número 2
Rotina de monge
Yak e Yeti
Annapurna, sua linda
Soletre: Machhapuchhere
Termas e Namaste
janeiro 2014
S T Q Q S S D
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031