You give love a bad name

imagesVocê chega aqui com fama de galã…Apesar da idade, dos cabelos menos volumosos e das ruguinhas, ainda existem milhares de mulheres loucas para te dar um beijinho e outras coisas mais. Mas o tempo é inclemente com todos… a visão já não é mais a mesma… muita luz, reflexo dos holofotes, você não está enxergando nada, fica confuso. Você  acha que está vendo uma morena espetacular acenando. Não é só isto… ela ainda está carregando uma faixa que diz algo sobre os velhos tempos… Falar do seu passado te satisfaz , te  lembra do  tempo em que você era pegador, em que não perdoava nada. Você sabe que não é mais menino, que a fase  Mr. Magoo chegou, mas satisfazer o seu ego é maior do que qualquer dúvida que a sua visão possa gerar. Você pensa que ainda é o cara. Entendo…é natural, você só anda de limousine, uma multidão paga caro e grita por você. Mesmo correndo riscos, você confia no seu taco e acredita que não vai ter erro, que irá se  dar tão tão bem como acontecia há vinte anos…

Você dá uma piscadinha e manda ela subir…

Ela vem correndo, empolgada. Umas 80 mil pessoas assistem pelo telão, conversam entre si e discutem se você está mesmo com limitações de visão ou se tomou muita coisa no camarim. Estes “esquentas” são perigosos, né Jon ?  Ela chegou…Agora não tem mais jeito…Vai ter que rolar selinho e musiquinha ao pé do ouvido da criatura. Você é profissional mas não é de ferro. No meio de tantas músicas meladas do seu repertório, como se inspirar com esta musa ?Já era…. Que sucesso cantar ? O baterista grita: vai de  “You give love a bad name”… Você se lembra do refrão, mas o que te motiva mesmo são versos que você achava que eram secundários. Você enche o peito e solta a voz:

Whoa!
You’re a loaded gun
yeah, whoa…
There’s nowhere to run
No one can save me
The damage is done

Nada mais adequado para o momento e para aliviar um pouco da sua angústia.

Você está ainda está tenso, suando, mas sabe que não tem jeito. Faz parte do script do show….Vamos acabar logo com isto : 3,2,1 e  rola o beijinho. O público, que aplaude qualquer coisa, aplaude. Ufa, acabou…

É Bon Jovi, como saiu caro este cachê…

Togas Enroladas

imagesEscrever sobre embargos infringentes e o emocionante “tie break” em que se transformou o julgamento do processo do chamado “Mensalão” é uma uma ofensa aos meus bons amigos advogados, os únicos capazes de ao mesmo tempo, compreender as chicanes linguísticas e o parnasianismo bilaquiano com que discursam alguns dos ilustres ministros do STF e decifrar o que se passa na cabeça dos senhores de toga .

Na verdade, deixando de lado as prosopopéias, metonímias e hipérboles que pautam as discussões de Brasília, complicado mesmo é compreender a lógica da hierarquia do judiciário. No mundo onde os mortais vivem, há uma certa racionalidade  para as decisões…Nas empresas os presidentes tem um poder de decisão maior que os diretores, que por sua vez “podem” mais do que os gerentes…No exército há algo parecido, generais mandam mais do que coronéis, que por sua vez tem mais poder que os tenentes (há algo comum entre os dois exemplos citados, tanto soldados como estagiários não decidem nada mas cumprem as determinações de seus superiores).

Eis que chegamos ao judiciário. Ingenuamente, eu achava que a denominação “Supremo” indicava que se algo fosse decidido nesta instância, a decisão estaria efetivamente tomada e seria cumprida. Percebo hoje que não existe um “Supremo”, que decida e paute as instâncias inferiores. Os ministros abrem e reabrem as discussões de acordo com suas convicções pessoais e conseguem a proeza de fazer com que absolutamente nada de prático aconteça. Os puristas sempre dirão que é melhor a justiça tardia do que a inexistência de justiça.  Sim, sem dúvida. Tenho a impressão no entanto, que o judiciário brasileiro irá se notabilizar globalmente por criar a  “justiça de enceradeira”, que roda, roda, roda e não sai do lugar. Cada sessão do STF  parece um pouco com um jogo de tabuleiro: volte uma casa, retorne ao início, perca a sua vez, fique uma rodada sem jogar. O ponto é que não dá para os ministros fazerem de conta que estão disputando  uma animada sessão de “Banco Imobiliário” em um fim de semana chuvoso.  Eles estão tratando de assuntos sérios para a construção da imagem do poder que representam e para a confiança nas instituições do Brasil. Se for para andar em círculos (ou melhor,para facilitar a compreensão dos iluminados de toga : ao  redor do conjunto de pontos cuja distância ao centro é menor ou igual a um dado valor – também chamado de raio) mudem nome de  “Supremo” para  “Supreme”, em homenagem ao meu sabor favorito no Pizza Hut. Será mais apropriado.

Ring Ring

bling-ring-1Este final de semana assisti “Bling Ring”, último filme de Sophia Coppola. “Bling Ring” conta a história real de um grupo de adolescentes bem nascidos de Los Angeles, que resolve invadir casas de famosos que estão fora da cidade para surrupiar os seus pertences. Mais do que roubar vestidos e bolsas de Paris HIlton, Megan Fox ou Lindsay Lohan, eles querem se apoderar de seu estilo de vida. A brincadeira lhes rendeu US$ 3 mi. O filme não faz julgamentos, apenas mostra como é sua rotina de baladas, drogas e futilidade subsidiada pelos furtos. Por isto o filme incomoda…todos estão assaltando casas pois estão com fome, só que a fome é de Channel, Louboutin e Champagne…A turminha quer apenas viver como vivem os seus ídolos e mais do que tudo, se exibir para os colegas, compartilhando as suas peripécias em todas as redes sociais. Assistir ao filme sem pertencer a esta geração, é garantia de se sentir um velho. Os valores do grupo são incompreensíveis, a irresponsabilidade e a inconsequência da gang são irritantes e a obsessão por um jeito “VIP” de se viver, cercado por “grifes e points”  parece uma caricatura (mas não é).  O pior de tudo é a sensação de que o crime compensou…Um tempinho de cadeia que alavancou a exposição na mídia, o número de amigos no Facebook e a admiração dos amigos.

Você sai do cinema como se “Bling Ring” disparasse um chamado na sua consciência, uma espécie de “Ring Ring” …o filme gera uma angústia para você reforçar não só os cadeados de sua  casa para que os adolescentes não a invadam (embora eles não pareçam tentados a fazer  isto, afinal você possivelmente não tem pista de dança no porão), mas os cadeados da vida, para que os seus filhos não saiam…Minha conclusão é que para qualquer pai, seria melhor se o filme não fosse inspirado em uma história real.

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