Bloquinho “Unidos da Netflix”

fantasia-masculina-elefante-cinza-carnaval-halloweenÓ abre alas que eu quero passar…Estou preso no trânsito, eu preciso chegar…

Ó abre alas, Carnaval é semana que vem, para que precisa antecipar ?

Ó abre alas, está encalhado o ano inteiro, não é hoje que vai conseguir compensar.

Ó abre alas, muro não é banheiro, aprenda o lugar certo para mijar.

Ó abre alas, arranjo na cabeça não te faz mais bonita. Pede um espelho para a amiga, você irá se decepcionar.

Ó abre alas, não discuta se devem cantar se a Maria é sapatão, se a Nega tem cabelo duro, se o Zezé é o ou não é Maomé. Deixe eles em paz, não finja querer intelectualizar.

Ó abre alas, a cerveja está quente mesmo. Ambulante não tem freezer. Pare de reclamar.

Ó abre alas, cheirinho gostoso, amiguinhos grudentos, né ? Não tampe as narinas e não acredite quando te dizem que com o Dória finalmente isto irá mudar.

Ó abre alas, olhe em volta…se o pessoal tem idade para ser seu filho, saia de fininho. O carnaval de Águas de São Pedro quem sabe seja o teu lugar.

Ó abre alas, não era você que ia para a Bahia e achava que Bel Marques,Durval Lelys, John Lennon e Mick Jagger estavam no mesmo patamar ?

Ó abre alas, não faça a coreografia do “Olha o Gás” e nem vá ao delírio com o Mc Beijinho.  A Internet está aí…Vão te filmar, postar e depois não vai adiantar tentar se justificar.

Ó abre alas, amigas, cuidado quando cantam “eu não espero o Carnaval para ser vadia, sou todo dia“. Depois do carnaval o seu lema de vida, tende a mudar.

Ó abre alas, podem transmitir o desfile inteiro da Acadêmicos do Tucuruvi, entrevistar todos os ex-BBB desde a primeira edição, falar que a mulher do Belo não será mais a rainha de bateria da Unidos do Cabuçu, explicar que a fantasia da Daniela Mercury é inspirada no encontro de Shah Jahan com a princesa Mumtaz Mahal, chamar a Preta Gil de a Madonna brasileira…Meu bloco favorito para o carnaval deste ano será o Unidos da Netflix, nada disto irá me abalar.

 

Sansão

?????????????????????Hoje li que o nobre presidente do Senado da República, enviou um ofício ao comandante da Força Aérea Brasileira, questionando se deveria ou não ressarcir os cofres públicos por ter utilizado um avião oficial para ir a Recife fazer um procedimento de implante capilar. Embora o conteúdo da missiva não tenha sido divulgado pela imprensa, eu me pus a imaginar o que constaria em tão importante correspondência.

Excelentíssimo Sr.,

Na condição de autoridade aeronáutica máxima  de nosso país varonil, gostaria de obter o seu aval para o fato de eu, na condição de presidente do Senado Nacional, ter utilizado um avião da gloriosa Força Aérea Brasileira para viajar ao Recife, com o intuito de  me submeter a mais uma etapa de meu tratamento para crescimento de cabelo. Não compreendo o motivo pelo qual alguns setores da sociedade insistem em afirmar que esta viagem teve cunho particular e que eu deveria ter pago por isto (sem entrar no mérito de todo o óbvio desconforto que teria sido me submeter a um voo regular, sentado em uma poltrona que não reclina e alimentado com barrinha de cereal e um copo d’água) . Refuto veementemente este ponto de vista mesquinho e estou seguro que vossa excelência será solidária aos meus argumentos.

Como vossa excelência bem sabe, como presidente do Senado e notável figura pública, a minha imagem é fundamental. É impossível imaginar que as minhas madeixas interessem apenas a mim. São definitivamente uma questão de Estado e se me submeto a este penoso ritual de ter tufos enxertados em minha cabeça, é com o único objetivo de melhor servir à população de meu país e de contribuir com o fortalecimento das instituições desta auspiciosa nação . Como sumo especialista em aeronaves e aeroportos, vossa excelência compreenderá o dano que se causa a nossa pátria,o fato do presidente da mais importante casa do legislativo, ser frequentemente e jocosamente chamado de “aeroporto de mosquito”.  Seguro de sua compreensão, peço o seu endosso para que este voo seja formalmente classificado como uma despesa justificada, cujo propósito era absolutamente indissociável dos requisitos que a função de presidente do Senado exige.

Atenciosamente,

Sansão

A próxima onda

obama-turkey-pardon-del-blogAinda estou sob o impacto da Black Friday tupiniquim. Não por ter aproveitado os generosos descontos concedidos sobre preços gulosamente aumentados na véspera, a  “Increase Thursday”, mas por ver como o comércio brasileiro foi capaz de incorporar em gênero, número e grau mais uma tradição americana. Esqueça “liquidação do lápis vermelho”, “bota fora”, “saldão”…Nós agora também temos Black Friday ! Rumo ao primeiro mundo ! Brasil-il-il-il !

O “Black Friday” verde amarelo, foi consistente… Seguiu perfeitamente os passos do Halloween, praga que se alastrou a partir das inocentes escolinhas e inglês de bairro. Começou silencioso, clandestino e em menos de 3 anos, você tem impressão que sempre esteve por aqui. É verdade que ainda podemos evoluir…Faltou o camping de véspera, nas portas do Shopping Cidade Jardim e do Iguatemi JK, para a invasão  das lojas já às 7 horas  da sexta feira sagrada.Ano que vem isto possivelmente ocorrerá…aí sim estaremos com padrão USA.

Alguém tem alguma dúvida do que mais nos aguarda em breve ? Thanksgiving…Estou impressionado pela demora em ver um boom na venda de perus na última semana de novembro…Daqui a alguns poucos anos, será inevitável ver as famílias se reunindo para comemorar a data. Ainda nesta encarnação, tenho certeza que verei o presidente da república, do alto da rampa do palácio do Planalto, concedendo o perdão e salvando a vida de um peru, como Obama acabou de fazer esta semana.

Vai Brasil..um pouquinho mais de personalidade e autoestima caem bem de vez em quando….Sejamos um pouco mais originais…

Togas Enroladas

imagesEscrever sobre embargos infringentes e o emocionante “tie break” em que se transformou o julgamento do processo do chamado “Mensalão” é uma uma ofensa aos meus bons amigos advogados, os únicos capazes de ao mesmo tempo, compreender as chicanes linguísticas e o parnasianismo bilaquiano com que discursam alguns dos ilustres ministros do STF e decifrar o que se passa na cabeça dos senhores de toga .

Na verdade, deixando de lado as prosopopéias, metonímias e hipérboles que pautam as discussões de Brasília, complicado mesmo é compreender a lógica da hierarquia do judiciário. No mundo onde os mortais vivem, há uma certa racionalidade  para as decisões…Nas empresas os presidentes tem um poder de decisão maior que os diretores, que por sua vez “podem” mais do que os gerentes…No exército há algo parecido, generais mandam mais do que coronéis, que por sua vez tem mais poder que os tenentes (há algo comum entre os dois exemplos citados, tanto soldados como estagiários não decidem nada mas cumprem as determinações de seus superiores).

Eis que chegamos ao judiciário. Ingenuamente, eu achava que a denominação “Supremo” indicava que se algo fosse decidido nesta instância, a decisão estaria efetivamente tomada e seria cumprida. Percebo hoje que não existe um “Supremo”, que decida e paute as instâncias inferiores. Os ministros abrem e reabrem as discussões de acordo com suas convicções pessoais e conseguem a proeza de fazer com que absolutamente nada de prático aconteça. Os puristas sempre dirão que é melhor a justiça tardia do que a inexistência de justiça.  Sim, sem dúvida. Tenho a impressão no entanto, que o judiciário brasileiro irá se notabilizar globalmente por criar a  “justiça de enceradeira”, que roda, roda, roda e não sai do lugar. Cada sessão do STF  parece um pouco com um jogo de tabuleiro: volte uma casa, retorne ao início, perca a sua vez, fique uma rodada sem jogar. O ponto é que não dá para os ministros fazerem de conta que estão disputando  uma animada sessão de “Banco Imobiliário” em um fim de semana chuvoso.  Eles estão tratando de assuntos sérios para a construção da imagem do poder que representam e para a confiança nas instituições do Brasil. Se for para andar em círculos (ou melhor,para facilitar a compreensão dos iluminados de toga : ao  redor do conjunto de pontos cuja distância ao centro é menor ou igual a um dado valor – também chamado de raio) mudem nome de  “Supremo” para  “Supreme”, em homenagem ao meu sabor favorito no Pizza Hut. Será mais apropriado.

Sensação térmica

images-1 imagesSemana boa para tirar os casacos, luvas e cachecóis do armário e ouvir todas as estatísticas sobre o maior frio dos últimos anos. Neve em Florianópolis e Curitiba ( está certo que a neve derreteu antes de dar tempo das pessoas pegarem suas câmeras fotográficas para documentar o fato), geada por todo o lado mas o que me chamou a atenção foram os fantásticos discursos sobre a “sensação térmica”.  Os termômetros foram solenemente ignorados e suas medições pragmáticas e chatas foram preteridos pela muito mais impactante história da “sensação térmica”. Manchetes falavam de uma sensação de -33 C em Santa Catarina…Os moradores foram apresentados como esquimós e  as vaquinhas viraram renas. Por alguns dias parece que parte do Brasil se orgulhou de sentir  frio. Os institutos de meteorologia e as emissoras de TV queriam por que queriam transformar o país em uma espécie de Lapônia sub-equatorial, cuja capital é São Joaquim. Parece que para o brasileiro, o frio é coisa de país rico, alinhado com a tese colonialista que relaciona desenvolvimento econômico ao clima…Daqui a pouco o tempo esquenta ou para ser mais técnico, a frente fria se dissipa…Voltaremos a sina dos trópicos, com “sensações térmicas” dignas  do famoso calor senegalesco. Voltaremos à realidade.

Múltipla escolha

Chimpanzé

A operação “abafa protestos populares” teve o seu ponto alto nos últimos dias com a sugestão de um plebiscito para tratar do tema da reforma política. Automaticamente viajei no tempo e me lembrei da época de estudante, em véspera de provas. Vez por outra, a professora informava que o teste, ao invés de ser dissertativo, seria de múltipla escolha. Por menos que eu estivesse preparado e mesmo não tendo a menor idéia do conteúdo sobre o  qual eu seria avaliado, eu me sentia mais confiante, energizado para enfrentar o desafio. Nada mais lógico, afinal estatisticamente um chimpanzé fazendo cruzinhas randômicas nas alternativas, tenderia a acertar cerca de 20% das questões. Eu não poderia ter uma performance inferior a de um chimpanzé e confiava que com minha capacidade de chutes, o risco de eu zerar na prova diminuiria sensivelmente. O meu conhecimento sobre o tema era zero mas já que me davam a chance de chutar livremente, eu chutava…

Pois bem, não dá para brincar de superar o chimpanzé e escrever “x” em um assunto como uma reforma política. Não é uma questão binária…É querer transformar  um tema complexo e completamente técnico, que já deveria ter sido discutido há anos pelo congresso nacional em uma espécie de releitura do programa do Silvio Santos de antigamente…Antes acendia a luz vermelha e a criança respondia se queria trocar um tênis Montreal por um bicicleta…Agora ao acender a luz da urna o eleitor deverá responder singelamente se está disposto a trocar  o sistema atual pelo voto distrital ou por alguma outra coisa do gênero ?…Não pode ser sério… Estou convencido que algumas destas idéias brilhantes devem estar brotando do cérebro de algum primata que eu insistia em querer derrotar nas  minhas provas de múltipla escolha da  juventude…Só pode ser…

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