Inclusão gasosa

Todo mundo parece estar obcecado para entender os hábitos de consumo das classes sociais mais pobres e encontrar produtos que possam atender as suas necessidades e caber no seu bolso.A Coca-Cola aprendeu na América Central que um número enorme de consumidores não tinha dinheiro para comprar a garrafa do refrigerante em função dos centavos a mais que tinham que pagar como depósito pelo “vasilhame” ( me senti bem velho escrevendo “vasilhame”, coisa da década de 70), ou a embalagem de vidro retornável do produto. Os consumidores continuavam querendo a sua Coca e encontraram sua fórmula: pagavam apenas pelo líquido que era colocado em saquinhos plásticos pelos comerciantes. Coca-Cola em saquinhos ? Sim…Nada de garrafas icônicas ou experiências completas com a marca… Como aproximar a marca deste consumidor para quem cada centavo conta ? A Coca-Cola então teve a idéia de distribuir para os pontos de venda saquinhos com a forma de sua garrafa…o consumidor manteve seu hábito mas agora desfila orgulhoso a sua compra. Coca-Cola em saquinhos mas com cara de garrafa de Coca-Cola. Fiquei pensando no que deve acontecer com o gás do refrigerante mas isto pouco importa para estes consumidores, agora ainda mais próximos da marca. Foi  um movimento de inclusão gasosa…


Arigatô

 

Demorei um pouco para escrever sobre a final da copa Libertadores e as mil e uma peripécias do Sheik que não é das Arábias mas sim das Américas. Queria esperar a poeira baixar, ter tempo para descarregar dúzias de sms e mensagens infames contra todos aqueles que azucrinaram por anos com piadinhas sobre falta de passaporte, Tolima e afins.  48 horas depois dá para dizer que o bullying futebolístico dará uma longa pausa. Os corinthianos ganharam sua alforria. Fiquei pensando em metáforas menos sexistas mas a verdade é que  antes éramos tratados como os meninos que ainda não tinham beijado, os adolescentes virgens, com espinhas e voz esquisita. Agora tudo mudou…ficamos com a menina mais  desejada da classe, levamos para a cama na  primeira noite e ela ainda mandou mensagem para as amigas impressionada com a nossa performance. O resto da turma está com muita inveja…Ganhamos do Boca, uma espécie de top model futebolística. Chegar perto já provocaria  respeito, dar um beijinho renderia história mas comer e todo mundo saber faz muito bem para o ego narcisista dos corinthianos. Agora que estamos de peito estufado e confiantes no nosso poder de sedução seguiremos viagem para novas conquistas no Japão. Arigatô…


Brasil na vitrine

Você entra na Macy’s, uma das maiores lojas de departamento dos Estados Unidos e se dá conta de que há um certo ar familiar, nas vitrines e na decoração. Como parte de uma temporada Brasil,  tudo na loja  está fazendo referência ao País, com uma série de produtos tipicamente  brasileiros sendo vendidos pelos corredores. De guaraná Antarctica a  café Pilão, passando por castanha de cajú e Bombons Garoto. A trilha sonora ambiente também está baseada em bossa nova, com Bebel Gilberto tocando sem parar. Ainda é um Brasil estereotipado, mistura de Carmem Miranda com Zé Carioca em que se coloca uma arara vermelha empalhada ao lado do banner que explica quem é Marcelo Rosenbaum.   As argolas e balangandans que enfeitam os manequins e uma pele de zebra em uma vitrine me causaram algum constrangimento com o lado “tropicália”  que ainda se associa ao Brasil. De qualquer maneira, fiquei contente de ver o Brasil crescendo, aparecendo e se vendendo. Depois dos portugueses,  parece que o mundo definitivamente nos descobriu…

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