Atualmente há um navio refazendo a rota percorrida pelo Titanic há 100 anos… Isto me fez pensar em quantas coisas se modificaram no mundo e como a tecnologia evolui mas a conclusão que cheguei, é que no segmento de transportes, passamos apenas por mudanças incrementais e nada realmente dramático ocorreu nas últimas décadas. Claro que os carros de hoje são muito mais desenvolvidos que os calhambeques de 1929, que um Jumbo é incrivelmente melhor que o 14 Bis e que o navio que o Schettino tombou ,em tese, era mais seguro que o próprio Titanic. Mas não é este o ponto…Onde estão os carros voadores que eu assistia nos Jetsons ?! 
Onde estão os aviões supersônicos que dariam a volta ao mundo em horas ? Meu foguete particular para passar o final de semana na lua ? Nasci em um mundo sem computador, sem e-mail, em que o telefone era primitivo. Achava que fitas de cromo TDK e vídeos cassete de quatro cabeças, eram o máximo de tecnologia a que eu seria exposto . Tudo isto se transformou dramaticamente e o ritmo de inovação segue alucinante. Mas quando penso nos transportes concluo que a única coisa que realmente evolui significativamente é o trânsito. Não vale o argumento de que temos carros com combustível flex, ABS, câmbio tiptronic e bluetooth . Nem que agora temos aviões gigantes para centenas de passageiros com telinha individual ou superpetroleiros que sequer podem cruzar o canal do Panamá , tudo isto é incrível mas é apenas ganho de escala, são melhorias e não revoluções. Queria poder assistir novamente os Jetsons e acreditar que as “profecias” de duas décadas atrás foram realizadas…Por enquanto sigo esperando as grandes revoluções dos transportes. No ritmo em que as caminham minha última esperança é que as transformações se apliquem a cadeira de rodas que precisarei usar na minha velhice…quem sabe elas sejam voadoras, se não der tempo, que ao menos sejam comandadas pela voz e estacionem sozinhas.
Arquivo mensal: abril 2012
Pisando em ovos
Mais uma Páscoa se foi e sobraram ovos e mais ovos de chocolate empilhados em casa. Depois de algumas reflexões infrutíferas de porquê os ovos, apenas com forma e embalagens diferentes, custam tão mais caro que as barras de chocolate das mesmas marcas e com a mesma quantidade de chocolate, resolvi me concentrar em pensamentos menos materialistas sobre qual havia sido o balanço do feriado.
Com os meus filhos mais crescidos e acreditando menos no coelhinho da Páscoa decidimos eliminar o ritual de esconder os ovos pelo jardim. 
A vingança foi sofrida… ao invés de questionarem pelo esconderijo dos chocolates, resolveram tentar encontrar coisas que por vezes estão escondidas em lugares mais profundos: respostas e explicações.
Ontem no jantar o assunto foi um interrogatório sobre como os gays faziam para ter filhos… Com direito à variações sobre gays homens e mulheres… E não no sentido bíblico que diz que pai é aquele que cria, mas no sentido mais carnal da discussão.
Sem dúvida é bem mais fácil esconder os ovos do que as explicações. O difícil é não pisar sobre eles quando resolvermos expor os nossos argumentos e as nossas teses.
Verde desbotado
Acabaram de vez com as sacolinhas plásticas no supermercado. A principal causa alegada é a consciência ecológica e uma preocupação com o futuro do planeta. Será que esta é mesmo a percepção das pessoas ? Tem vários momentos em que o meu lado marketeiro dialoga com o meu lado consumidor e se pergunta se as pessoas estão realmente acreditando nestas histórias. Quem esteve em qualquer quarto de hotel do mundo recentemente viu aquelas mensagens apelativas no banheiro para não se trocarem as toalhas todos os dias , convidando o hóspede a contribuir com o meio ambiente. Eu penso: é para ajudar o meio ambiente ou para gastarem menos com sabão em pó e amaciantes e as suas margens de lucro subirem… ? 
Outra novidade agora são garrafinhas de água de algumas marcas que alegam que foram feitas com menos plástico pensando na sustentabilidade. Você abre, a garrafinha amassa na sua mão e a água derrama . É péssima e você fica com a convicção absoluta de que fizeram aquilo para reduzir custos. Será que não é a hora de algumas empresas fazerem um pouco mais de marketing da sinceridade ? Queremos ter preços competitivos e precisamos da sua ajuda. Você concorda em não trocar as toalhas ? Em beber água em uma garrafa que amassa ? Em trazer suas sacolas de casa ? Fazemos tudo isto e ainda ajudamos o meio ambiente ! A minha sensação é que o consumidor ficaria bem menos desconfiado com esta súbita mudança de conduta das empresas, as apoiaria e os argumentos da sustentabilidade, seriam utilizados onde eles são realmente necessários, de maneira consciente e correta. Usar a ecologia para justificar redução de qualidade de produtos e serviços é ruim para a causa e não contribui em nada com as empresas. Desbota a imagem verde que elas querem construir.
Toma lá, dá cá
Tenho lido que o governo brasileiro tomou a decisão de dificultar a entrada de espanhóis no Brasil. Agora eles tem que comprovar que tem dinheiro para se sustentar durante a sua estadia e caso venham para ficar em casa de familiares ou amigos, tem que exibir uma carta convite, com firma reconhecida do proprietário! Segundo o governo brasileiro esta medida é uma resposta a forma como a Espanha tem recebido os brazucas. Vários foram barrados e devolvidos no voo seguinte. É a chamada reciprocidade…
Os americanos nos pedem visto, nós pedimos vistos para os americanos. Os espanhóis nos tratam mal, nós tratamos mal os espanhóis. Reciprocidade parece algo sofisticado e erudito mas no fundo é mesquinho e é um nome mais educado para o olho por olho, dente por dente ou toma lá dá cá…Fiquei pensando que a reciprocidade se aplica a quase tudo na vida…Você me dá uma havaiana de presente e eu te retribuo com um presente de R$ 30,00, você dá o cano na minha festa de aniversário e eu não vou na sua, você não apóia a minha opinião durante uma reunião e eu não te apóio na próxima. Os ensinamentos bíblicos de oferecer a outra face ou de ser soberano, absoluto e engolir os ressentimentos, não existem ou ficam em segundo plano. Esta é a natureza humana e até na diplomacia as pequenas vinganças dominam…para azar dos viajantes.
Mosca na sopa
Neste final de semana fui assistir, o “Início, o fim, o meio”, documentário que conta a vida de Raul Seixas. Nunca fui fã de Raul Seixas…alguma coisa não era muito clara para mim na personalidade dele e não conseguia entender como o cara que cantava “Metaformose Ambulante”, também era responsável por “Plunct Plact Zum”. Confesso que na minha juventude além de tudo, eu ficava bem assustado com o figurino alternativo e com letras que estavam além da minha capacidade de compreensão (algumas delas permanecem neste estágio até hoje…). A turma que gostava do Raul, não era a minha turma e por ele ser um ícone para aquela moçada, por definição, não poderia ser um ícone para mim. Para mim, resumí-lo a gênio, alternativo ou maluco era uma simplificação exagerada. Na dúvida eu preferia passar longe. Ele era assustador.
Anos se passaram, a cabeça evoluiu e o legado de Raul Seixas ficou. Tempo de revisitá-lo, tempo de assistir o documentário. O filme não é neutro. Ele é um tributo de fã. Isto no entanto, não tira o seu valor. Das origens na Bahia, tempos nos EUA, ao final decadente em São Paulo, a história da vida dele é absolutamente exagerada. Difícil pensar que o “maluco beleza” casou de terno e gravata com a filha de um pastor…Difícil entender o que é personalidade o que é personagem. Difícil concluir se era manipulado por mulheres e parceiros ou ele era o grande manipulador. Complexo compreender Gita e Rock das Aranhas saindo da mesma mente. Forte por ter vivido intensamente, fraco por não ter parado quando outros pararam. Saí do filme mais tolerante e aberto do que eu era na minha adolescência em relação ao Raul (isto é um alívio, sinal de que os anos servem para alguma coisa) mas precisarei de mais um tempo para digerí-lo. Ele é mesmo uma mosca na sopa.
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