O lado pouco cor de rosa do encontro com os botos.

Confesso que tenho bastante preguiça dos eco-chatos que não usam fraldas descartáveis em seus filhos, não lavam louça com detergente e que dão a descarga uma vez ao dia para economizar a água do planeta. Para mim, o importante é se encontrar o meio do caminho entre conforto e proteção ambiental. O homem tem que ser capaz de produzir fraldas melhores que se desintegrem mais rápido, detergentes bio degradáveis e descargas inteligentes. Consciência ecológica sim, chatice e radicalismo não. O progresso deve existir para nos ajudar a conciliar os interesses…

Os botos sendo alimentados no "quintal"da casa . Um jeito sem graça de ver a natureza.


Existem algumas coisas no entanto, que me pareciam aceitáveis alguns anos atrás e que hoje me incomodam. Nesta viagem foi assim com nossa excursão para ver os botos cor de rosa, os primos dos golfinhos, que vivem nos rios da Amazônia. Os botos que vimos, seguem vivendo dentro do rio Negro mas foram condicionados por uma ribeirinha a receberem comida no mesmo lugar e na mesma hora, em uma espécie de quintal aquático na frente de sua casa, na beira do rio. É uma situação distorcida da natureza, artificial, que gera um incômodo. De um lado um animal bonito, em seu habitat, de outro alguém fazendo dinheiro as suas custas. Vi e conheci o boto mas fiquei mais chateado do que feliz. Foi um jeito cinza de encontrar o boto cor de rosa.
Animais selvagens, condicionados para entreter humanos deixaram de ter qualquer graça para mim. É bom que já existam circos sem animais e pressão sobre touradas e rodeios. Acho que quando nossos netos crescerem eles não entenderão como em um passado tão recente as pessoas se divertiam as custas dos animais.

Os Forest Gumps da Rain Forest

Durante os nossos dias de Amazônia, caminhamos a pé pela floresta, andamos de barco de dia e de noite e vimos araras, tucanos, piranhas, botos cor de rosa, bichos preguiça, cobras e jacarés . A flora é muito mais exuberante do que a fauna e os olhos veem um infinito verde com árvores de todos os tipos e tamanhos. Esta para mim é a grande beleza da Amazônia…o seu verde combinado com os seus incríveis e gigantescos rios. A sensação que eu tenho é que na cabeça dos guias aparentemente árvores e rios não dão muito Ibope e eles pensam que os turistas esperam encontrar um grande zoo tropical a céu aberto. Como você não vê e não encontra grandes animais, os guias mesmo criam histórias. Te falam de aves que arrancam as preguiças da copa das árvores, piranhas que comem as mãos dos ribeirinhos, tucunarés que viram barcos de pescadores , ataques de índios aos caboclos mas a especialidade mesmo são as cobras. Sucuris de 12 metros, cobras que te perseguem e dão botes de 6 metros e até cobras que se penduram nos galhos e dão chicotadas em quem está embaixo. Amazônia tem suas lendas e seus mistérios mas os guias foram os Forest Gumps, os contadores de histórias, da Rain Forest…

A Amazônia é o jardim do quintal ?

Dinheiro secando na mesa do lobby. Indício de que você não está no Brasil...

Você chega no lobby do hotel e encontra uns R$ 350,00 , em notas molhadas, que um hóspede resolveu deixar sobre a mesa para secar. Depois na entrada do restaurante vê uma lousa explicando que jaguar=onça,forest=floresta e fish=peixe. O guia que te leva para pescar piranhas é um indiano que arranha o português. No meio de 30 hóspedes, uns 5 ou 6 falam português…
Em vários momentos você tem certeza que não está no Brasil. E na verdade a Amazônia é mesmo um pedaço do Brasil que o Brasil ainda não descobriu. É do mundo mas parece que não é do Brasil…Você tem a clara sensação de se sentir um estrangeiro em seu próprio país. Eles te perguntam porque os brasileiros não se interessam em vir para a Amazônia e você se esforça para encontrar uma boa resposta (que acaba não tendo.O mais perto que passei foi dizer que o motivo é que ainda não tinham inventado uma Best Buy flutuante no Rio Negro). De jardim do quintal do Brasil como dizia Raulzito, a Amazônia tem muito pouco…O jardim tem muitos outros jardineiros e bem poucos falam português. Fiz turismo sem sair do Brasil, mas certamente fiquei com a sensação de que me conectei um pouco mais com o mundo.

Nós vamos invadir a sua praia

Depois de dez anos chegou a hora de renovar o meu visto para entrada nos Estados Unidos.
Eu nunca havia ido ao consulado. Todos os meus outros vistos anteriores haviam sido providenciados por despachantes e as histórias que ouvia sobre o processo, para mim eram apenas lendas e exageros. Bem, ontem foi dia de testemunhar e vivenciar a experiência. Antes de chegar já vem os alertas: celulares e eletrônicos não são permitidos (o meu token do Banco Itaú é qualificado como um eletrônico de última geração e também não entra), o que fez prosperar o negócio dos guarda volumes na região. Por R$ 5,00 eles se encarregam de proteger os seus bens. Horas de espera (no meu caso, sendo liberado de fazer a entrevista, foram 3 horas admirando a minha senha número 3161) permitem que você observe as pessoas…2 grupos distintos: o grupo 1 é composto por executivos engravatados aborrecidos com as filas, preocupados com os seus compromissos da sequência da tarde e fazendo cara de que vão com tanta frequência para os EUA que chamam o Obama de Barack… exalam um ar de menosprezo e repulsa pelo processo e ficam isolados, solitários. Já o outro grupo é bem mais divertido: pessoas que estavam lá pleiteando o seu primeiro visto. Um grande contingente de estudantes, famílias indo para as férias na Disney e aqueles que ainda acreditam que podem “fazer a América” pensando em conseguir um trabalho por lá. Este grupo ao contrário, transpira tensão. Não sabem se obterão ou não o visto…Trazem pilhas de documentos, compartilham entre si histórias escabrosas de pessoas que tiveram seu visto negado, analisam quais pessoas nos guichês tem uma aparência mais amistosa, trocam dicas sobre o que falar e o que não falar para o entrevistador. Sente-se no ar uma cumplicidade e solidariedade. Um “torcendo” pelo outro…
O mais interessante é no final…depois de todo o longo circuito interno com triagem de documentos, digitais e entrevistas, ainda há uma fila do “Sedex”, onde se fazem os pagamentos para que os passaportes já com o visto, sejam remetidos de volta aos seus donos. As pessoas do grupo “executivo” mantém a sua aparência blasé…entendiadas em encarar mais meia hora de fila. Já o time do grupo 2 não esconde a alegria pela conquista. Sorriem, se cumprimentam mutuamente e compartilham os seus planos de viagem aos Estados Unidos. A sensação de inclusão social é enorme! Todos foram aceitos no chamado “primeiro mundo” e estão ansiosos para colocar os chapéuzinhos com as orelhas do Mickey e comprar eletrônicos na Best Buy.
Valeu pela etnografia do dia mas fico feliz de apenas ter que passar por isto novamente daqui uma década….

Sua chance de realizar um sonho de criança

A maioria dos meninos tem alguns sonhos do que gostariam de ser quando crescessem: jogadores de futebol, bombeiros e astronautas. O tempo passa, nem sempre as oportunidades se materializam e os meninos acabam se transformando em homens contadores, auditores, farmacêuticos e outras coisas bem distantes das suas fantasias. Pois bem…encontrei uma grande oportunidade para aqueles que estão dispostos a se reencontrar com seus antigos sonhos: a NASA está recrutando candidatos a astronautas !

Você ainda tem que dar um jeitinho e se naturalizar americano mas a possibilidade é concreta e o prazo para submeter o currículo e concorrer as vagas irá até o dia 27/01/2012. O mais incrível é que esta posição de astronauta está publicada no http://www.usajobs.gov , número da vaga JS12A0001, da mesma maneira que se publicam vagas de secretária ou de telefonista. Tem explicações sobre quem é a NASA, o salário (entre US$ 64.000 e US$ 140.000, dependendo de sua experiência) e até os requerimentos, como por exemplo as suas medidas, afinal como no seu job description consta que você deverá ir ao espaço de carona com a Soyuz e é fundamental que você caiba lá. Dúvidas sobre o processo ? Mande um e-mail para astronaut.selection@mail.nasa.gov ou ligue para a Teresa Gomez, HR Business Partner da NASA, telefone: 281-483-5907 (não esquece do 00+operadora). Não acredita ? http://www.usajobs.gov/GetJob/ViewDetails/302967000. Ah…a NASA avisa que a posição requer viagens constantes e ausência de casa. Boa sorte no processo!

Milhas e milhas

Você já entrou em um avião em que todo o compartimento de bagagem acima de sua cabeça estava lotado e as aeromoças desaparecem misteriosamente ao invés de ajudar  ? Você teve sentimentos pouco nobres ao ver alguém embarcar com um urso de pelúcia gigante, com um berimbau, um violão ou sacolas embaladas com aquele plástico Magipack ?

Os passageiros resmungam, o vôo atrasa e as companhias aéreas perdem dinheiro. Como convencer os passageiros a despacharem seus cacarecos e enfrentarem o risco de bagagem perdida e horas nos carrosséis esperando suas coisas ? Que tal algum benefício ? Pois é. É isto que a American Airlines começará a fazer de modo experimental nos Estados Unidos.

“Through November 22, 2011, American Airlines will offer AAdvantage® elite status members the opportunity to earn a minimum of 500 AAdvantage bonus miles for checking bags on flights departing Boston Logan International Airport (BOS).

Earning the bonus miles is easy – simply visit a BOS Self-Service Check-In machine on the day of your departure and follow the normal steps to check-in with bags. Check at least one bag under your own name to earn the bonus miles, which will automatically post to your AAdvantage account five business days after you have completed the travel associated with your itinerary. As a reminder, all AAdvantage elite status members are entitled to check two bags free of charge (within current size and weight limits) in addition to earning the bonus miles with this special offer.”

Ela dará milhas adicionais para quem despachar as coisas no check-in ! Alguém fez a conta de que o que eles gastarão com milhas sairá mais barato do que as horas perdidas em terra por atrasos de vôos. Também deve estar na conta o prejuízo com o s espertos que despacharão caixas vazias apenas para ganhar umas milhas a mais !

Alfândega até para astronautas ?

Burocracia para mim se enquadra na categoria das top 10 coisas mais chatas do mundo.  Reconhecer firma , xerox autenticadas, formulários como a da imigração brasileira que pede para você declarar em que assento estava durante o voo (o que isto muda para a alfândega ??? – sempre declaro que sentei na fila 1, assento A, assim pensam que eu vim de primeira classe e sou importante)… Tenho a impressão que tudo isto serve apenas para deixar donos de cartórios e gráficas sorridentes e mais ricos. Sempre associei este problema a um fenômeno do Brasil com uma grande contribuição da legítima colonização portuguesa com a qual fomos brindados. Hoje estava navegando pela web e encontrei uma coisa bizarra…descobri que os astronautas da Apolo, depois de sua viagem a lua,no retorno a Terra, também preencheram formulário de imigração ! Pior: declararam que estavam trazendo amostras de terra e pedra ! Ou seja, as coisas tem potencial para ficarem piores…

Fechando o ciclo aéreo

Nas últimas semanas os aviões e aeroportos tomaram conta dos nossos posts. Atrasos, vistas aéreas inesquecíveis, quedas. Hoje fechamos o ciclo…foram mais de 24 horas entre vôos e esperas. É hora de voltar para casa e retomar a vida. Para ilustrar a transição escolhi uma foto que tirei hoje no longo vôo que nos trouxe de volta. É em cima de algum lugar do Oriente Médio e mostra perfeitamente os limites do deserto e do céu, terra e ar, como se fosse o encontro entre os sonhos e a realidade seca e árida. É um pouco assim que estou me sentindo.

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