O Bom Pastor

Hoje ao assistir a corrida de Fórmula 1 e ver a vitória do venezuelano Pastor Maldonado no GP da Espanha, fiquei feliz pelo cidadão. É sempre legal ver algum novato ganhar pela primeira vez.  Durante a prova torci para  ele conseguir segurar o Alonso … Torcer pelo mais fraco é das coisas que mais dá prazer no esporte (embora se eu fosse  ser consistente com os mais fracos, deveria abrir um fã-clube coletivo para o Massa e para o Senna mas por eles, confesso que não está dando nem para torcer…). Como o milagre foi grande demais, durante a festa da equipe, pegou fogo nos boxes da Williams…Foi a famosa alegria que durou pouco…

O que não gosto nem de pensar é no uso político que farão da vitória do cidadão quando ele aparecer em Caracas. O nosso bom Pastor, corre patrocinado pelos muitos dólares da PDVSA, a companhia petrolífera estatal da Venezuela e é, nada mais nada menos,  que garoto propaganda de Hugo Chavéz. Misturar dinheiro público com esporte para mim é uma combinação bem esquisita. Nunca entendi nadadores patrocinados pelos Correios ou  judocas com quimonos de companhias elétricas . É monopólio, para que precisa de patrocínio ?  Com o Maldonado,  já consigo imaginar o desfile em carro aberto, o discurso em um estádio, Chavéz ao seu lado…a pregação do Pastor…Fora o rapaz, o governo da Venezuela patrocina outros 6 pilotos que estão na GP2, a categoria de acesso à Fórmula 1. Neste ritmo em breve teremos as 24 horas de Maracaibo ou as 500 milhas de Los Roques nos calendários automobilísticos mundiais…Valeu pela vitória mas confesso que seria mais legal se parasse por aqui, sem exploração messiânica do Pastor, mas pelo que aconteceu quando ele ganhou o campeonato da GP2, podemos esperar uns 3 dias de feriado nacional na Venezuela…

Extreme makeover no tênis

O tênis é um esporte que apesar das tradições e rituais tem procurado gradualmente se modernizar. Ainda se exigem uniformes inteiramente  brancos em Wimbledon mas ao mesmo tempo a tecnologia foi incorporada e os jogadores podem desafiar as decisões dos juízes. Desta vez porém, parece que exageraram na dose da inovação e isto tem gerado um grande debate entre os jogadores.

Para o aberto de Madrid, que se inicia esta semana, e é um dos campeonatos mais importantes do circuito , atrás apenas dos tradicionais torneios de Grand Slam (Austrália, Wimbledon, Roland Garros e Estados Unidos), resolveram mudar a cor do saibro. As quadras deixarão de ter a consagrada cor de tijolo e serão tingidas de azul . O principal argumento para este extreme makeover  é facilitar a visualização da bola e auxiliar as transmissões de TV. Nadal, Djokovic e cia. estão reprovando abertamente a mudança alegando que ela fere o espírito do esporte. Fiquei pensando em como seria um corrida de Fórmula 1 com asfalto amarelo ou uma competição de judô em um tatame cor de rosa. Pode melhorar a visualização do que quer que seja mas com certeza descaracteriza o esporte. Quero só ver se o saibro azul manterá o poder de manchar tênis e meias da mesma maneira que o seu primo avermelhado. Se não conseguir fazer isto, já terá perdido metade do charme.

Lin, a cinderela da NBA

Jeremy Lin é o fenômeno do momento da NBA, a liga de basquete americana. A sua história é incrível. Parecia ser um filho de imigrantes de Taiwan, sempre bom aluno mas que gostava mesmo de jogar basquete. Foi bem quando fazia o high school e tentou lugar nos principais times de basquete universitário, o atalho para chegar a liga profissional. Nada…não foi escolhido.
Por ser um bom aluno, acabou ganhando uma bolsa justamente de Harvard, famosa pela qualidade de seu ensino mas sem nenhuma tradição no basquete universitário. Estudou,se formou com notas altas em economia e ainda continuou jogando bem no time da faculdade.
Tentou duas vezes ser selecionado por um time da NBA e não conseguiu. Ser escolhido por um time profissional jogando por Harvard é ir contra qualquer estatística. Mas Lin não desistiu. No meio da temporada foi contratado por duas temporadas pelo Golden State Warriors, o equivalente ao Grêmio Barueri do campeonato brasileiro. Conseguia assim ser o primeiro jogador desde 1953 a ir para a NBA tendo estudado em Harvard. Mas Lin mal teve a chance de jogar. Foram pouco mais de 50 minutos acumulados…Foi mandado embora ao final do primeiro ano e pensou em desistir.

No final de dezembro sua sorte começou a mudar. O time de Nova York, os Knicks, estavam sem um armador reserva e resolveu assinar um contrato com Lin, que estava desempregado. Lin assinou um contrato de US$ 762 mil/ano. Muito? Sim, mas não para o padrão da NBA. Este é o piso salarial do elenco, vinte vezes menor que o salário das grandes estrelas.
Como a fase dos Knicks era horrorosa, com 11 derrotas em 13 jogos e o armador titular estava afundando, o técnico, no desespero, resolveu colocar Lin para jogar. E aí o conto de fadas começou…No primeiro jogo contra os Nets, 25 pontos + sete assistências. Contra Utah, 28+8, contra os Wizards 23+10 e ontem contra os Lakers, em um dos maiores clássicos da NBA, 38+7 e Lin foi o grande herói. Era o que bastava…quatro jogos, quatro vitórias e Lin virou celebridade e garantia de muitos dólares futuros vindos da Ásia. Uma verdadeira história de Cinderela.

Contra os Lakers, o conto de fadas de Lin


Honda CR-V favorito para vencer o SuperBowl

Domingo é dia de SuperBowl, a grande final do campeonato da liga de futebol americano. Este ano a partida será entre os New England Patriots, do famoso marido da Gisele, e os New York Giants. É um grande clássico. Os Patriots que são os favoritos para vencer, tem um perfil almofadinha, típico da região de Boston. O time do Giants é mais Curintia…mais povão. É amado por alguns e odiado pela maioria.
O nível de mobilização das pessoas em torno do jogo é enorme e a data é tratada quase como feriado nacional. Todos combinam onde assistirão a partida, os bares fazem grandes promoções e abrem cedo e o assunto domina a pauta da mídia. Mesmo aqueles que não acompanham o jogo, participam indiretamente de uma outra grande competição em torno do SuperBowl: qual será o comercial mais impactante da temporada. O anúncio durante o SuperBowl é o espaço publicitário mais caro da TV americana e os anunciantes fazem uma disputa particular para ver quem fará mais barulho. Antes tudo era surpresa…agora em tempos de internet, a competição começa antes, com o vazamento dos virais, que servem como trailer do que será exibido no domingo. Por enquanto o comercial que está gerando mais repercussão nos Estados Unidos é o do lançamento do novo Honda CR-V, que é inspirado no filme “Curtindo a vida adoidado” (Ferris Bueller’s Day Off de 1986), e que ressucita Matthew Broderick, agora fazendo o papel dele mesmo.
Tudo bem que o comercial é legalzinho mas comparar a Ferrari que ele dirigia no filme com o novo Honda foi além da minha capacidade criativa. Para mim este filme era mais marcante pela cena do Twist and Shout nas ruas de Manhattan. .
Vamos ver o que aparece até domingo, mas a competição para ver qual será a campanha mais lembrada será tão acirrada quanto a partida.

Presente para a comunidade


Não é apenas no Brasil que a construção das arenas esportivas está na moda…A Nike acabou de patrocinar a reforma completa de um ginásio em um grande conjunto habitacional em Nova York. Os moradores das Masaryk towers, um conjunto habitacional composto por 6 torres e mais de 1000 apartamentos no Lower East Side, ganharão de presente da empresa, uma quadra integralmente reformada, com placar eletrônico, novos vestiários e equipamentos de treino. É uma forma da Nike se aproximar da chamada “comunidade”, e também capitalizar em cima desta boa ação.


Durante os próximos 3 meses nada de socialização…A quadra será “private” e funcionará na base do convite, ou seja joga apenas quem a Nike quiser convidar.
Se você for um dos eleitos, marca hora (a quadra funciona 24h) e pode levar mais 19 amigos…Pode ir com as suas roupas mesmo, porque quando chegar lá a Nike se encarrega de te dar uniformes. A partir de abril a quadra passa para o domínio do condomínio e vira um presente definitivo da empresa para a comunidade. O modelo de construção e posterior doação parece ter sido inspirado no Itaquerão, só muda bastante quem está pagando a conta e quem irá usufruir com os amigos. A fonte da notícia é o http://www.boweryboogie.com.

O marido da Gisele

Janeiro é período de entresafra futebolística. Na falta de uma bola redonda rolando, estou seguindo a bola oval do futebol americano. Para quem nunca acompanhou o jogo, parece um duelo de brutamontes ou se preferir, uma pancadaria de trogloditas. Se você se familiarizar, vai ver que é um jogo que requer muita estratégia para se atingir o objetivo de avançar sobre o território do adversário. Cada jogador tem uma função bem específica e os times tem uma enorme variação de esquemas táticos. Fascinante ?
Se já é difícil explicar para sua esposa porque você não quer sair de casa para assistir seu time de coração jogando uma partida importante do campeonato brasileiro, é praticamente impossível justificar umas três horas e meia na frente da TV para acompanhar os playoffs do futebol americano com times como os Ravens, os Packers ou os Patriots e regras ainda mais abstratas que a do impedimento. Quem ajuda um pouco trabalho masculino de obtenção do álibi para assistir as partidas são os quarterbacks. Os quarterbacks são os cérebros do time…são os caras que determinam as jogadas a serem feitas e são as estrelas de suas equipes. São sempre bonitinhos, almofadinhas, heróis e ídolos das mulheres. São espécies de Cacás, Raís e Leonardos, com a diferença que cada time sempre tem o seu.
Ontem para assistir a partida dos Broncos como os Patriots bastou mostrar que o Tom Brady estava em campo e passei a ter companhia e permissão para assistir a partida. Tom Brady, conhecido por aqui como o marido da Gisele Bunchen, tem vida própria e ganhou em 2011 apenas US$ 31 milhões, sendo o 13o esportista mais bem pago do mundo. Ou seja, ele também ajuda a pagar o supermercado da casa e divide os custos da babá do Benjamin. Ontem tenho que admitir que ele jogou muito e ganhou o jogo sozinho. O cara é bom, trabalha 5 meses por ano…e ainda casou com a Gisele.

Pan demônio !

Bailinho na garagem em que alguém fica responsável por apagar a luz ? Desfile de carnaval de cidade de interior ? Teatro para os pais na escola com fantasias feitas pelos alunos ? Bem, confesso que ao ler as notícias e ver algumas imagens dos jogos Panamericanos tive a sensação de que era uma combinação com o pior de todos estes eventos. Tudo parece amador, quem está participando acha que é sério mas quem está assistindo só pode estar fazendo isto por questões familiares, por amizade a algum dos participantes ou por estar com a TV a cabo quebrada (eu)… Alguns fatos : foto do Roger Federer no site oficial para divulgação das competições de tênis do Pan (ele é suiço !), dupla brasileira vence por WO no Squash (vou me abster de comentar o que o Squash está fazendo lá, afinal temos competições de esqui aquático, pelota basca e boliche…) pois seus rivais chilenos esqueceram os óculos de proteção, equipamento obrigatório ! Animadora de torcida erra coreografia e cai na piscina ! Guadalajara 2011 está mais próximo de Olimpíadas do Faustão do que das Olimpíadas de Londres (http://www.london2012.com) …

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