Hvar: Um pouco de Ilhabela, Angra e Maresias

A nossa temporada de praia continuou e nos últimos dias fomos para Hvar, a maior das ilhas da Croácia. 2 horas de ferry boat saindo de Split e mudamos de paisagem. Hvar é uma mistura de Ilhabela, Angra e Maresias. O lado Ilhabela aparece na quantidade enorme de veleiros de todos tamanhos e nacionalidades que circulam por aqui estimulados por um vento que sopra bem forte (não encontramos borrachudos para ficar ainda mais parecido). Já o lado Angra se manifesta na vida nas diversas ilhas próximas e no vai e vem de gente em barcos de todos os tamanhos. Já a faceta Maresias (a referência pode estar desatualizada pois baladas não fazem mais parte do meu repertório…) faz de Hvar um grande centro de badalação em que algumas das ilhas próximas são transformadas em raves, com festas rolando o dia inteiro. Há uma vida em terra firme e outra a bordo dos barcos.

No meio de todos estes mundos e em função de nossa idade , o nosso cotidiano foi mais ou menos fácil de estabelecer. Acordávamos e pegávamos uma taxi boat (nome sofisticado para barquinho lotação) para alguma das ilhotas. As ilhas são bonitas porém áridas, com pouca vegetação e muitas pedras. As praias são pequenas baías, com águas transparentes e logicamente,  pedras para todos os lados. Deitar no chão é um exercício de tortura chinesa e você acaba alugando uma cadeira. Mais do que topless, o nudismo é bastante tolerado e  praticado por senhores e senhoras que já perderam qualquer pudor de exibir os seus corpos. Você sai para dar uma caminhada até a ponta da prainha e lá está o senhorzinho, nú, com o bimbo “esturricando” nas pedras. Decidi poupar os demais turistas de praticar o nudismo, do contrário, a Europa nunca mais seria a mesma.

No meio do caminho tinham umas pedras

Depois da tempestade vieram o sol e o calor. Dia perfeito para conhecermos Trogir e Split, cidades próximas e parecidas entre si. Split é maior e tem maior relevância histórica. Lá ficam as ruínas do palácio onde viveu Diocleciano, imperador romano que nasceu e morreu na Dalmácia por volta dos anos 300. Ambas são muradas e recortadas por vielinhas estreitas e charmosas com dezenas de cafés e restaurantes.Do lado de fora dos muros em compensação, a arquitetura deixa de ter inspiração e charme romano e ganha a delicadeza e beleza dos grandes conjuntos habitacionais de legítimo padrão soviético. Muito feio..

É final de verão e ainda está escurecendo quase as 8 pm. e para aproveitar o dia ao máximo, depois do passeio, nos aventuramos em nosso primeiro banho no mar Adriático. A sensação foi bem esquisita…Não pela água, que tinha temperatura gostosa e era verdinha e cristalina mas deitar em uma espreguiçadeira em uma praia de cascalho é no mínimo estranho. As pedrinhas parecem material de construção e a praia dá a impressão de estar em obras…Você tem certeza que o próximo passo será asfaltá-la. Caminhar de seu lugar até o mar se transforma em algo próximo a um pagamento de promessa ou castigo por mau comportamento. Quem diria que eu teria que reconhecer que a areia, tão amaldiçoada quando gruda em lugares esquecidos do corpo, faz bastante falta…

Lagos,cachoeiras e muita chuva

Conseguimos chegar na Croácia sem problemas. As aeromoças piqueteiras da Lufthansa decidiram atrapalhar apenas os passageiros de Frankfurt, o que não era o nosso caso. Um reconhecimento rápido e uma noite em Zagreb e partimos para os 140 Km até o parque Nacional de Plitvice, patrimônio da Unesco, com dezenas de cachoeiras e lagos com água azul turquesa. Demorou quase tanto tempo para chegar ao parque quanto para achá-lo no GPS, afinal Plitvička-jezera, que depois descobrimos ser o que deveríamos inserir no equipamento, não se escreve  exatamente igual a Plitvice, como os guias de viagem se referem ao lugar… Esqueça pontos de interesse, buscas recentes ou coisas assim…A versão de GPS croata que recebemos é movida pelo endereço e nada mais.

O lugar é muito bonito, permite que você caminhe por  horas, vendo paisagens incríveis em um intensivão de contato com a natureza. O nosso único problema é que chovia tanto que estava difícil diferenciar a cachoeira que despencava das nuvens das cachoeiras originais, que aparecem nos cartões postais do parque. O nosso figurino summer, prontos para o verão europeu, também não combinava muito com a temperatura de 12 graus que encontramos no parque. Acabamos o dia com os nossos tênis com um mais ou menos um litro de água em cada pé, como se fossem réplicas em miniatura dos lagos que visitamos. Encharcados mas felizes, dirigimos nossa arca por mais três horas de dilúvio até chegarmos a Split. Detalhe: fazia quatro meses que não chovia na Croácia…

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