Here goes the sun

Ah,o pôr-do-sol…Vivo em uma cidade em que mal consigo ver o céu, que dirá o sol, ainda mais se pondo laranja no horizonte. Em alguns lugares inventaram de bater palmas quando o sol some, outros enfeitaram mensagens de auto-ajuda em powerpoints com a imagem do sol se pondo ao fundo, namorados meio melados vivem fazendo suas juras de amor eterno sob os últimos raios coloridos antes do anoitecer. Em resumo: fizeram de tudo para colar uma imagem meio breguinha no pôr-do-sol e admirá-lo passou a dar uma certa vergonha…Complicaram ainda mais a vida do sol com as novas regras da língua portuguesa que transformam em um enigma de esfinge a grafia correta de qualquer palavra composta e o pôr- do-sol escapou de ser fundido,  ganhou hífens e continua complexo de ser escrito. Se eu fosse o “astro-rei” (até esta denominação tem gosto bem duvidoso, parece que estamos falando do Roberto Carlos…), contrataria um personal stylist para retrabalhar a minha imagem e me repaginar… Nesta viagem porém, o sol se reabilitou e foi com força total. Dubrovnik,com seus muros ao lado do mar, seria naturalmente um ponto alto da Croácia… com a bola alaranjada descendo atrás da cidade murada será lembrada para sempre…que pores-do-sol !

 

 

Sol na laje

As experiências de praia sem a existência de uma praia propriamente dita prosseguiram nos nossos últimos dias em Dubrovnik, na Croácia. Desta vez, em nosso hotel tivemos uma legítima sensação de como é tomar sol na laje. O rochedo abaixo do hotel, foi todo cimentado, criando pequenos platôs, onde espreguiçadeiras são colocadas…Quer sentar na primeira fila, mais próximo do mar ? Reservas na recepção e pagamento de 25 euros por cadeira. Nos contentamos em ficar um pouco mais longe da água, afinal por 25 euros Iemanjá em pessoa deveria vir nos receber…

Fiquei pensando como conseguiram bater lajes e descaracterizar  o paredão de pedras sem serem destruídos por ecologistas…Enfim…lá estávamos nós, como lagartos tropicais em cimentão croata….Para a experiência ficar plena, tivemos a companhia de poleiro de um grupo animado de brasileiros. Abordaram o garçom e pediram ” very much beer with very much ice in the bucket”. Apesar do dialeto, conseguiram se comunicar, receber um baldinho cheio de cervejinhas  e beber felizes e animados. Não precisaram nem do pagodinho ou do little mimi barbecue para completar a dominação absoluta….Falando alto e virando uma cerveja atrás da outra, o território era brazuca. Aha, uhu, a laje é nossa….era sinal que estava chegando a hora de voltar para casa.

Passado próximo

A ponte de Mostar,Bósnia

As fronteiras com os vizinhos da Croácia são bem próximas e resolvemos nos aventurar pelas terras da Bósnia e Herzegovina para conhecer Mostar. Mostar é reconhecida como um patrimônio da humanidade pela Unesco e é conhecida pelo seu centro histórico e por  sua ponte do século XVI.  Na verdade, a ponte original era do século XVI, a ponte atual tem menos de dez anos e foi reconstruída após a destruição da original em 1993, durante a guerra da Bósnia.

Paredes furadas por balas ainda estão por todos os lados

Entrar em contato com as marcas de uma guerra tão recente é perturbador e constrangedor. Como assim um bombardeio no meio da Europa em 1993 ?  Eu já estava formado e trabalhando…Claro que eu já tinha ouvido falar na guerra da Bósnia mas quando você observa de perto que o pau comeu tão próximo de vizinhos tão poderosos e sem maiores interferências, dá uma certa vergonha da humanidade. Fora a ponte nova, você ainda encontra ruínas de várias casas derrubadas e diversas paredes furadas de balas…

Hoje em dia os turistas estão por todas as partes e se você quiser  pode se concentrar apenas em tirar as suas fotos, comprar ímãs de geladeiras com a imagem da ponte e contribuir com algumas moedas para que um nativo dê um salto acrobático no rio mas a verdade é que mais do que um day trip, foi uma viagem a um passado muito próximo e muito feio.

 

Hvar: Um pouco de Ilhabela, Angra e Maresias

A nossa temporada de praia continuou e nos últimos dias fomos para Hvar, a maior das ilhas da Croácia. 2 horas de ferry boat saindo de Split e mudamos de paisagem. Hvar é uma mistura de Ilhabela, Angra e Maresias. O lado Ilhabela aparece na quantidade enorme de veleiros de todos tamanhos e nacionalidades que circulam por aqui estimulados por um vento que sopra bem forte (não encontramos borrachudos para ficar ainda mais parecido). Já o lado Angra se manifesta na vida nas diversas ilhas próximas e no vai e vem de gente em barcos de todos os tamanhos. Já a faceta Maresias (a referência pode estar desatualizada pois baladas não fazem mais parte do meu repertório…) faz de Hvar um grande centro de badalação em que algumas das ilhas próximas são transformadas em raves, com festas rolando o dia inteiro. Há uma vida em terra firme e outra a bordo dos barcos.

No meio de todos estes mundos e em função de nossa idade , o nosso cotidiano foi mais ou menos fácil de estabelecer. Acordávamos e pegávamos uma taxi boat (nome sofisticado para barquinho lotação) para alguma das ilhotas. As ilhas são bonitas porém áridas, com pouca vegetação e muitas pedras. As praias são pequenas baías, com águas transparentes e logicamente,  pedras para todos os lados. Deitar no chão é um exercício de tortura chinesa e você acaba alugando uma cadeira. Mais do que topless, o nudismo é bastante tolerado e  praticado por senhores e senhoras que já perderam qualquer pudor de exibir os seus corpos. Você sai para dar uma caminhada até a ponta da prainha e lá está o senhorzinho, nú, com o bimbo “esturricando” nas pedras. Decidi poupar os demais turistas de praticar o nudismo, do contrário, a Europa nunca mais seria a mesma.

No meio do caminho tinham umas pedras

Depois da tempestade vieram o sol e o calor. Dia perfeito para conhecermos Trogir e Split, cidades próximas e parecidas entre si. Split é maior e tem maior relevância histórica. Lá ficam as ruínas do palácio onde viveu Diocleciano, imperador romano que nasceu e morreu na Dalmácia por volta dos anos 300. Ambas são muradas e recortadas por vielinhas estreitas e charmosas com dezenas de cafés e restaurantes.Do lado de fora dos muros em compensação, a arquitetura deixa de ter inspiração e charme romano e ganha a delicadeza e beleza dos grandes conjuntos habitacionais de legítimo padrão soviético. Muito feio..

É final de verão e ainda está escurecendo quase as 8 pm. e para aproveitar o dia ao máximo, depois do passeio, nos aventuramos em nosso primeiro banho no mar Adriático. A sensação foi bem esquisita…Não pela água, que tinha temperatura gostosa e era verdinha e cristalina mas deitar em uma espreguiçadeira em uma praia de cascalho é no mínimo estranho. As pedrinhas parecem material de construção e a praia dá a impressão de estar em obras…Você tem certeza que o próximo passo será asfaltá-la. Caminhar de seu lugar até o mar se transforma em algo próximo a um pagamento de promessa ou castigo por mau comportamento. Quem diria que eu teria que reconhecer que a areia, tão amaldiçoada quando gruda em lugares esquecidos do corpo, faz bastante falta…

Lagos,cachoeiras e muita chuva

Conseguimos chegar na Croácia sem problemas. As aeromoças piqueteiras da Lufthansa decidiram atrapalhar apenas os passageiros de Frankfurt, o que não era o nosso caso. Um reconhecimento rápido e uma noite em Zagreb e partimos para os 140 Km até o parque Nacional de Plitvice, patrimônio da Unesco, com dezenas de cachoeiras e lagos com água azul turquesa. Demorou quase tanto tempo para chegar ao parque quanto para achá-lo no GPS, afinal Plitvička-jezera, que depois descobrimos ser o que deveríamos inserir no equipamento, não se escreve  exatamente igual a Plitvice, como os guias de viagem se referem ao lugar… Esqueça pontos de interesse, buscas recentes ou coisas assim…A versão de GPS croata que recebemos é movida pelo endereço e nada mais.

O lugar é muito bonito, permite que você caminhe por  horas, vendo paisagens incríveis em um intensivão de contato com a natureza. O nosso único problema é que chovia tanto que estava difícil diferenciar a cachoeira que despencava das nuvens das cachoeiras originais, que aparecem nos cartões postais do parque. O nosso figurino summer, prontos para o verão europeu, também não combinava muito com a temperatura de 12 graus que encontramos no parque. Acabamos o dia com os nossos tênis com um mais ou menos um litro de água em cada pé, como se fossem réplicas em miniatura dos lagos que visitamos. Encharcados mas felizes, dirigimos nossa arca por mais três horas de dilúvio até chegarmos a Split. Detalhe: fazia quatro meses que não chovia na Croácia…

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