“Cavalo de guerra”, um pangaré do Spielberg…

Depois de pagar ingresso para assistir a “Cavalo de Guerra” de Steven Spielberg, concluí que o verdadeiro quadrúpede da história era eu, não na categoria equina mas na dos muares (mulas e afins…). O filme conta a história da amizade entre o cavalo Joey e o jovem Albert, que o domestica e o treina. Quando eles são forçados a se separar, o filme acompanha a jornada do cavalo, seguindo sua trajetória durante a primeira guerra mundial, passando pela cavalaria britânica, os soldados alemães e um fazendeiro francês e sua neta. A história atinge o seu ápice em uma batalha na Terra de Ninguém em que nosso amigo Joey é transformado em um soldado Ryan de quatro patas . A narrativa inteira é feita sob a perspectiva do cavalo e apesar do filme transcorrer em época de guerra, não existem grandes diferenças entre heróis e vilões e mocinhos e bandidos. Empolgante?

Está certo que pela descrição já daria para prever uma mistura de filmes como “minha amiga Flicka” com o “Corcel Negro” mas saí do cinema achando que fui atacado pela maldição equina dos ponêis da propaganda viral da Nissan e xingando até o coitado do ET que também tem o Spielberg como pai…O filme é uma coleção de chavões melodramáticos, é totalmente previsível e o cavalo, apesar de ser o melhor ator do filme, acaba sendo transformado em um Rambo trotador. Faz milagres, sobrevive a tudo: tiros, arames farpados, bombas. Escolha outro filme para começar a temporada de cinema de 2012. Literalmente caí do cavalo com minha escolha…

Tweet seats

Outro dia escrevi sobre a minha experiência no show do Ben Harper, filmando, tirando fotos, usando o socialcam, tweetando e até de vez em quando, vendo o espetáculo e ouvindo música. Pois bem, parece que pessoas com este perfil, digamos assim, de hiperativo digital, estão se espalhando pelo mundo e gerando oportunidades de mercado.Li no http://www.nbcbayarea.com que alguns cinemas e teatros nos Estados Unidos estão criando assentos especiais para que as pessoas usem os seus equipamentos enquanto as peças e filmes se desenvolvem ! Os tweet seats ,como estão sendo chamados, ficam afastados dos demais para que as outras vítimas que compraram seus ingressos com boas intenções, não sejam perturbadas pelo brilho das telas dos smartphones e possam prestar atenção integral no palco ou na tela. A idéia é que o público também possa interagir com os diretores das peças,enviando perguntas em tempo real, comentando a performance dos atores e recebendo informações exclusivas sobre a produção…Ninguém sabe ao certo qual será o desfecho da experiência mas já tem gente disposta a cobrar mais por assentos assim e outros que estão topando pagar. Fiquei pensando em quem poderia ser pioneiro neste segmento no Brasil e não me ocorreu outro nome de artista além do João Gilberto, sempre tão aberto e simpático a participações da platéia.
O único problema é se ele tiver que faltar novamente aos shows marcados por causa de um novo surto de gripe infinita. Se devolver o dinheiro para os assentos “reais” já pagos é difícil, a devolução do dinheiro dos “tweet seats” com certeza seria em 140 parcelas, uma para cada caracter de elogio a sua santidade.

Um show à parte durante o show do Ben Harper

Ben Harper

Ontem fomos ao show do Ben Harper. Para os mais desavisados, o Ben Harper é mais conhecido por ficar desejando “good luck” para a Vanessa da Mata em uma música chamada “Boa Sorte” e que fez muito sucesso alguns anos atrás. A parceria daquela época me lembrou um pouco Jane e Herondy, mitos da década de 70, mas tudo bem e o Ben é mais do que isto.

Jane e Herondy, possível referência para Ben e Vanessa


Foi separado no nascimento do Jack Johnson e tem uma série de músicas legais. Enfim, está no playlist oficial da minha casa com “She’s only happy in the sun”, “With my own two hands” e outras que também nunca ouvi falar mas que a minha esposa como fã diz que são incríveis e coloca para tocar com freqüência (dá para perceber que eu não tenho carteirinha de sócio do fã-clube dele mas estou em processo de evolução contínua).

Ben, em versão cabeludo, com Vanessa, ainda mais cabeluda


Algumas vezes um pouco entediado com longos solos de bateria, além de ouvir as músicas, resolvi prestar atenção no universo ao meu redor. Além das fotos do show e da gravação de trechos das músicas favoritas com meu telefone resolvi brincar com um aplicativo do IPhone chamado “Socialcam”. O que ele faz ? Permite que você grave um vídeo e na hora já publique na sua conta de Facebook,Twitter e Youtube. Ou seja, transmissão quase ao vivo. Como vocês verão no vídeo que coloquei no post a definição ainda não é perfeita, falta zoom mas a interatividade é total. Outro entretenimento paralelo para mim foi ver o que as pessoas estavam achando do show, acompanhando os tweets que continham #benharper. Uns escrevem que é o melhor show da vida, outros dizem que estão chorando de emoção, já eu para testar a reação do povo, postei um #benharper chega de solos para encher linguica e vamos cantar ! Não tive eco…Fiquei frustrado…ninguém se manifestou. O smartphone foi um show à parte para mim.

Uma pele que requer nervos e estômago

Semana puxada, stress ? Que tal um cineminha para relaxar na noite de 6f ? Grande idéia. Já que não queremos ter os nossos pescoços sugados pela saga dos vampiros do Crepúsculo, nada mais óbvio do que nos atualizarmos para termos assuntos com os mais antenados e assistirmos “A pele que habito”, o mais novo filme do espanhol Pedro Almodóvar. Os ácaros em profusão da sala de cinema do Shopping Morumbi (fujam!!) já indicavam que a minha perspectiva de relaxamento iria por terra. Comecei o filme tenso, imaginando que em instantes teria uma crise de rinite alérgica. Meu corpo resolveu contribuir e se comportar, mas Almodovar não.

Fazia tempo que eu não saia do cinema com uma sensação de estômago tão embrulhado (estou excluindo “Rio”, “Um zelador animal” e “Carros 2” desta constatação). O filme é bem pesado e mais do que tentar decifrá-lo fiquei pensando que tipo de chá de cogumelos o roteirista tomou para elaborar uma história tão estapafúrdia e complexa. Vou me abster de contar o enredo pois cortaria metade da graça do filme mas para ter uma noção, ele começa com um cientista high tech (representado pelo Antonio Bandeiras e que está parecendo o Júlio Iglesias reloaded) que desenvolve uma pele artificial e no final você constata que está diante de uma mistura de Ivo Pitangui com Maníaco do Parque. O lado bom de tudo isto é perceber que se você resistir firme na poltrona, o filme tem realmente a capacidade de te incomodar e tirar o seu sono. Confesso que no final da noite estava procurando alguma reprise de filme com a Meg Ryan, tipo “Mensagem para você” para adoçar o começo do final de semana.

Viajando sem sair do lugar

Existem vários dias em que entro no modo piloto automático e a inércia me leva… Quando me dou conta nem sei como cheguei até o escritório..tenho certeza que fui teletransportado…banho, escolher roupa, café da manhã, dirigir, trânsito…parece que um ET assumiu o comando do meu cérebro, me abduziu e me trouxe para o trabalho. Hoje em um momento de dispersão total (em que o ET continuava comandando as minhas atividades…), fiquei pensando o que estaria fazendo naquela mesma hora o guia turístico que eu conheci no Butão, qual seria o tamanho da fila para visitar o Kaddafi na geladeira, se a Cristina Kirchner estava comemorando a vitória na eleição na Argentina. Me lembrei (em um momento de distração do ET ) que a Mariana me falou de um projeto de fazer um filme que usaria como base vídeos enviados através do Youtube mostrando o que as pessoas de todo o mundo estavam fazendo em um determinado dia. Descobri que o filme ficou pronto, chama-se “Life in a day”, teve direção do Ridley Scott, já foi lançado nos EUA no começo deste ano (não sei se foi exibido aqui.. se foi, o ET não me levou) e compilou 80.000 vídeos ,oriundos de 140 países , todos produzidos no dia 24/07/2010. A idéia é muito boa e me deu vontade de assistir e dar uma viajada, mesmo que sem sair do lugar.

Algum ator brasileiro te tira de casa para ir ao cinema ?

Acabamos de chegar do cinema onde fomos assistir a um filme chamado “Um conto chinês”, co-produção argentina e espanhola. O filme conta a história de um chinês que se perde pelas ruas de Buenos Aires em busca de seu tio e é acolhido pelo personagem principal do filme, um dono de uma loja de ferragens, rabugento e solitário. O roteiro é ótimo, o filme é bem humorado e consegue ser emocionante sem ser piegas. Isto tudo nós descobrimos depois…

Fomos ao cinema basicamente porque era um filme com o  Ricardo Darin que estrela dez entre dez filmes argentinos e que achamos muito bom. Somos rivais no futebol, temos nossas diferenças com os argentinos, mas temos que reconhecer que em matéria de cinema eles estão na nossa frente. “9 rainhas”, “O pai da noiva”, “O segredo dos seus olhos” são filmaços e todos eles tem um show do Darin. Fiquei pensando se tinha algum ator brasileiro que me tirava de casa para ir ao cinema na base da confiança e concluí que não. Até pensei no Wagner Moura mas por enquanto ele ainda é ator de um personagem só (apesar de ótimo como Capitão Nascimento). Entre o Conto Chinês e os 3 mosqueteiros, não tenham dúvida…contribuam com o Mercosul !

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