Expresso Itaquerão

Para sair de Tokyo e ir para Toyota, onde o Corinthians jogou a sua primeira partida na busca do bi-mundial, o meio mais rápido e eficiente é o trem. São 2 horas, com conforto e qualidade para chegar até Nagoya, maior cidade grande próxima do estádio. O trem marcado para sair 11:03h, saiu às 11:03h, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos, e chegou na hora programada. Muito tranquilo e com direito a uma bela vista do monte Fuji pela janela.

Com os milhares de corinthianos que estavam na estação, não deu para não pensar em como será o acesso para se chegar ao Itaquerão e refletir sobre a infra-estrutura (ou a falta dela) do Brasil. A viagem teve seus elementos pitorescos como o término da cerveja a bordo, abordagem de membros das torcidas organizadas vendendo badulaques para ajudar a pagar a sua estadia e um guardinha desesperado com os passageiros (por coincidência não eram os japoneses) que andavam de um lado para o outro, sentavam no braço das cadeiras e falavam alto.

Nada comparável a saga para se conseguir trocar os ingressos comprados pela internet e a desorganização pós jogo no metro de Nagóia.Se o trem é mesmo bala, lidar com uma multidão latina não é a maior fortaleza dos japoneses…ficam perdidinhos…Ainda bem que a vitória amenizou os problemas e o frio…

UFC nipônico

Como parte da imersão na cultura local e tentando ampliar o universo esportivo para além de uma bola de futebol, fomos em busca de uma luta de sumô. Fomos rapidamente informados pelos nativos que não era época dos campeonatos e que deveríamos nos contentar em assistir os lutadores praticando em uma academia. Lá fomos nós…Imaginava que chegaria a uma Cia Athletica nipônica, dotada de tecnologia e equipamentos de ponta. Nada…um ginásio simples e discreto perdido no universo urbano de Tokyo. Chegamos lá, tiramos os sapatos e fomos orientados a assistir em silêncio ao treino. Os lutadores obesos,certamente alimentados com algo mais que sushi e sashimi, vestem apenas um traje que lembra uma fralda e ostentam penteados estilo “Pedrita” , a filha dos Flinstones. Lutam em um piso que parece ser de saibro e não há tatame, o que contribui para deixar os lutadores imundos. Também não há octógonos ou cordas, apenas um círculo, que delimita a área da luta. Em Tokyo porém , um grande ginásio onde se realizam os campeonatos nacionais e que tem capacidade para 45.000 pessoas. Mais do que no UFC número 384.

Depois de uma hora de sumô, vendo os gigantes se trombando, a cota de paciência já tinha acabado. Desconcentrado, fiquei analisando quais dos lutadores alí teriam condição de limpar seu próprio traseiro…Todos ali pareciam aptos. Sim, fomos informados que esta é uma tarefa nobre destinada aos iniciantes, que devem ajudar os lutadores mais obesos que não conseguem realizar tal atividade. Antes de ir embora a minha conclusão é que também no Japão acabam maltratando o estagiário !

O início da epopéia

Chegar ao aeroporto e ter a convicção que você está no estádio gera uma sensação de alucinação, como se você estivesse imaginando coisas…. Em todos os guichês de check in, independentemente do destino: Londres, Cingapura e Paris, a cena se repetia…Passageiros vestidos de preto e branco por todos os lados. A passagem pela polícia federal lembrava a entrada do Pacaembu, onde se respeitar filas não é um hábito muito consolidado. Na minha rota, via Londres, todos os meus vizinhos de voo estavam uniformizados criando uma cumplicidade diferente a bordo. Viajavam contidos…nada de gritos de guerra ou batucadas.Todos calmos e comportados, guardando energia para a sua longa jornada.

Falar inglês não parecia ser a principal virtude da maioria e depois de interceder para ajudar um comissário que obtinha “Coke” como resposta a sua oferta de English Newspapers, fui informalmente nomeado por ele como seu ajudante na vizinhança. Ele me perguntou incrédulo se era verdade que todos ali viajavam para o Japão e quanto tempo duraria o tal campeonato. Quando respondi que eram dois jogos, vi surgir aquele leve sorriso irônico britânico e ele me disse: espero que seu time ganhe, senão o voo de volta será um pouco longo…A simpatia só foi retomada na chegada a Londres, quando o comissário, depois de agradecer a todos pela preferência e lembrar para não esquecer os pertences de mão, desejou boa sorte aos corinthianos. Aí não teve jeito…o avião virou arquibancada.

Algumas horas de espera, tempo para visitar a rainha e felicitar a Kate pela gravidez. Mais 12 horas , atualização completa dos filmes e cheguei ao Japão. A viagem está começando !

 

Temporada Japonesa

Hoje começa a temporada japonesa do Blog. Ver o Corinthians jogar era o pretexto perfeito para eu me aventurar pelo oriente. Umas 10.000 pessoas tiveram a mesma idéia. Mais do que uma viagem de turismo, esta experiência tem tudo para ser uma grande experiência antropológica. Haverá a cultura local, os templos, os samurais, as gueixas, a modernidade, o respeito, a disciplina e tudo isto se encontrando com um bando capaz de cruzar o mundo para ver seu time jogar . Ganhar ou perder será o menos importante, o mais divertido será testemunhar este encontro. O Japão jamais esquecerá estes dias e eu tenho certeza que não faltarão histórias para contar.


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Rumo a um bilhão de hits

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