Fatiem os Salamitos

Hoje acordei no meio da madrugada, coração acelerado. Despertei de um pesadelo monstruoso em que estava sozinho no meio de uma batalha entre bocas assassinas e Salamitos Sadia. Nesta praça de guerra, exércitos de bocas carnudas (doravante denominadas de “periquitas flamejantes”) perseguiam voluptuosamente os pobres e indefesos Salamitos Sadia (a quem me referirei neste post como “bigulinhos indefesos”).  Enquanto me recompunha do susto e me beliscava para ter certeza de que não adormeceria e voltaria ao terror noturno, tive um lampejo de lucidez que me sinalizou que para reencontrar a minha paz interior, eu precisaria denunciar os responsáveis por criar e aprovar a campanha publicitária mais tosca dos últimos anos.

salamitoQualquer profissional envolvido em um projeto de lançamento de um “mini salame”, deveria pensar que uma coisa básica da estratégia de comunicação da marca, seria evitar as piadinhas e os risinhos abafados por conta do formato fálico do produto. O mesmo valeria se uma hipotética Associação Nacional dos plantadores de pepino, nabo, mandioca ou cenoura resolvesse divulgar os seus nobres produtos.

Parece que pularam esta parte…e os pobres Salamitos, viraram “bigulinhos” animados, sorridentes, infantilizados, que nasceram para serem devorados pelos bocões, sedentos e erotizados. Tudo isto feito de uma maneira vulgar e sem graça. O conceito da campanha é tão primitivo que em um primeiro momento, juro que imaginei que fosse uma daquelas peças fantasmas, nunca veiculadas, que os estagiários da área de criação das agências fazem para satisfazer seu insaciável ego (que nem 1000 pacotinhos de Salamitos seriam capazes de alimentar).

A minha aflição aumenta ao saber que os Salamitos vieram ao mundo cercados de uma polpuda verba de marketing, o que faz com que eu os veja em intervalos comerciais na TV, em pontos de ônibus, dentro de elevadores e até nas telinhas dos aviões antes do vídeo em que a aeromoça me ensina como apertar o cinto de segurança. De tanto encontrá-los, fico tenso pois significa que fui identificado como um consumidor target para Salamitos !!!! Ou seja, eles continuarão me perseguindo… Ainda bem que a verba um dia acabará e esta campanha entrará para os anais de peças bizarras da propaganda brasileira . (#ficaadica para o gerente de produto e para os criativos de plantão: Salamitos, anais…ha,ha. quem sabe a partir desta duplinha não tenhamos um tema igualmente divertido e refinado para a campanha do ano que vem ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leo e Oscar

O RegressoLá fui eu assistir “O Regresso”, filme dirigido por Alejandro Iñarritu candidato a 12 Oscars e com o qual Leonardo de Caprio finalmente deverá ganhar a sua estatueta de melhor ator. O filme se passa durante o inverno de 1823, e conta a história real do  explorador e comerciante de peles Hugh Glass (personagem do Leozinho) que depois de ser atacado por um urso e abandonado à beira da morte pelos seus companheiros, sobrevive e parte  em busca de vingança contra aqueles que o deixaram para trás.

Se eu não soubesse que o tal sr. Glass um dia existiu, teria certeza que o roteiro contava a história de uma espécie de MacGyver, aquele do Profissão Perigo, de Neardental. Di Caprio passa frio, fome, sofre, grunhe, rasteja, fica sujo, mal cheiroso, de vez em quando até fala mas sempre dá um jeito de sobreviver. Judiaram da criatura. Eu como espectador me senti vingado…Está achando que a vida é só Gatsby e “Lobo de Wall Street”  ? Glamour, gel no cabelo, Bar Refaeli, baladinhas, champa, tipinho “rei do camarote”? Não…vai lá virar papinha de urso, degustar um fígado de bisão congelado, tirar uma sonequinha dentro de uma carcaça de pangaré.

Merece um Oscar ? Em “O Regresso”, DiCaprio só precisou fazer cara de ogro por duas horas e meia. Um “Cigano Igor”padrão Hollywood. Até cantar na proa do Titanic exigiu mais dele do que este papel. É justo que ele seja reconhecido pelo conjunto de sua obra mas este filme está longe de representar uma de suas melhores performances. Não por culpa do ator, mas o fato é que representar Hugh Glass demandou muito menos de DiCaprio do que Scorcese exigiu dele em seus últimos filmes. Bom para ele, perderá a sua virgindade de Oscars, mas reforça a tese que o trabalho premiado não é aquele que exige mais técnica do ator e sim aquele em que a criatura exibe o maior grau de transformações corporais e estéticas. No pain, no Oscar. Foi assim com a gagueira de Collin Firth, com a magreza esquelética de Matthew McConaughey, com a esclerose de Eddie Redmayne. Será assim com a neo-feiura de DiCaprio.

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