Inclusão gasosa

Todo mundo parece estar obcecado para entender os hábitos de consumo das classes sociais mais pobres e encontrar produtos que possam atender as suas necessidades e caber no seu bolso.A Coca-Cola aprendeu na América Central que um número enorme de consumidores não tinha dinheiro para comprar a garrafa do refrigerante em função dos centavos a mais que tinham que pagar como depósito pelo “vasilhame” ( me senti bem velho escrevendo “vasilhame”, coisa da década de 70), ou a embalagem de vidro retornável do produto. Os consumidores continuavam querendo a sua Coca e encontraram sua fórmula: pagavam apenas pelo líquido que era colocado em saquinhos plásticos pelos comerciantes. Coca-Cola em saquinhos ? Sim…Nada de garrafas icônicas ou experiências completas com a marca… Como aproximar a marca deste consumidor para quem cada centavo conta ? A Coca-Cola então teve a idéia de distribuir para os pontos de venda saquinhos com a forma de sua garrafa…o consumidor manteve seu hábito mas agora desfila orgulhoso a sua compra. Coca-Cola em saquinhos mas com cara de garrafa de Coca-Cola. Fiquei pensando no que deve acontecer com o gás do refrigerante mas isto pouco importa para estes consumidores, agora ainda mais próximos da marca. Foi  um movimento de inclusão gasosa…


Incluir é não diferenciar

As grandes empresas no Brasil estão ficando mais responsáveis e atentas a importância de promoverem a diversidade em seu quadro de funcionários. Ainda que a lei que que determina cotas de pessoas com deficiência nas empresas precise de muitos ajustes , a verdade é que de modo geral, ela contribuiu para que os ambientes de trabalho fiquem mais inclusivos e um pouco menos preconceituosos. Há menos espaço e tolerância para discriminações motividadas por religião, sexo, cor ou deficiências físicas. A adaptação de espaços físicos começou a acontecer. Estamos engatinhando mas a minha sensação é que ao menos já existe a sensibilidade e a preocupação com o tema.
A comunicação externa e as propagandas das nossas empresas no entanto, ainda refletem bem pouco este despertar e ainda existe um modelo bastante rígido e inflexível de clones genéricas de Giseles. Isto poderia ser bem diferente. Vejam que interessante a história que encontrei no http://www.adweek sobre um menino de 9 anos, chamado Ryan e que é modelo fotográfico nos EUA. Ryan tem síndrome de Down e é uma das estrelas do catálogo de roupas da Target, depois de também já ter feito campanhas para a Nordstrom. A aparição de Ryan nas campanhas de ambas as empresas, gerou uma onda de mensagens positivas e simpatia, não pela presença do menino mas sobretudo pela maneira como ocorreu. Em ambas as campanhas, Ryan foi tratado como um menino qualquer, misturado a outras crianças, sem nenhum alarde, sem dizer que existiam roupas especiais para crianças especiais e sem apelo piegas ou com chantagem emocional. Inclusão pura e simples,sem diferenciação.

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