Gangnam e Tchan

Nos últimos meses tem sido constante a disseminação de algumas pragas musicais que em função de seu ritmo e de alguma dancinha tipo Macarena ou YMCA reloaded , se espalham pela internet, ganham o reforço de algum famoso que se submete ao mico de tentar imitá-las e que se tornam unanimidades globais. Não há festinha infantil, baile de debutante, happy hour ou velório em que a tal música não seja reverberada…”Ai se eu te pego” e  “Gangnam Style”  foram exemplos recentes.  Mais do que a musiquinha em si, parei para pensar em quem eram estes cantores antes, no que se transformaram e qual será o seu futuro…Em um momento de tédio internético, fui pesquisar se o tal PSY, cantor de Gangnam Style,  também era uma versão coreana do Michel Teló, ou seja, alguém que passou de total desconhecido em seu país para ter alguns minutos de celebridade universal. Para enriquecimento de minha cultura de assuntos para conversas de bar, descobri  que diferentemente do Michel, que era bastante famoso nos almoços da família Teló e que dava autógrafos apenas quando assinava cheques, PSY já era um ícone pop na Coréia do Sul. Já tinha feito sucesso no passado e foi um dos grandes agitadores da torcida coreana durante a Copa do Mundo de 2002. A sua produção cultural provavelmente não lhe assegurará um lugar na Academia Coreana de Letras mas o conjunto de sua obra (aprendi isto com o “Oscar”) tira um pouco daquela sensação de que o cara ganhou na loteria, com uma música e nada mais …No caso do PSY, ele já foi condenado a cantar e dançar Gangnam Style umas dez vezes ao dia pelo resto de sua existência, mas descobri que ele poderá seduzir a platéia e tentar emplacar seus outros hits como “We are the one” and “Champions”, que por enquanto animaram apenas os seus fãs de Seul.  

Resta esperar para ver qual será o próximo fenômeno midiático e se ele sobreviverá por mais de quinze dias…Eu fiquei imaginando o Compadre  Washington e sua frustração de não ter comandando uma multidão na Times Square dançando “É o Tchan” …A internet era mais fraquinha alguns atrás… Se fosse hoje em dia, as Sheilas seriam celebridades globais, fariam filmes do Almodovar e o Jacaré se sentaria no sofá do Oprah…

Nuestra…

Estava em reunião com gente de vários cantos do mundo. Os papos sobre o Brasil giravam sobre o crescimento da economia, preparativos para a copa e afins. De repente um mexicano se aproximou de mim e perguntou se eu me incomodaria de responder alguns perguntas culturais sobre o Brasil. Imaginava algo sobre Niemeyer, Jorge Amado, Chico Buarque ou coisas do gênero. Eis que o mexicano me pergunta em qual contexto nós utilizamos a expressão “ai se eu te pego”…Tentei explicar para ele que a expressão não fazia parte do meu vocabulário mas que havia um certo contexto sexual na maneira como ela era usada.
Ele ficou meio desapontado…disse que a filha dele de cinco anos adorava a música e especialmente aquela parte. Seguiu o interrogatório e me perguntou quais eram os grandes sucessos do Michel Teló, ídolo do momento no México. Nova decepção, falei para ele que o Teló não tinha mais sucessos – era aquilo e nada mais. Por fim ele me falou que buscou no google translator o significado de “nossa”(….do “nossa, assim você me mata) e apareceu “nuestra”e ele não entendeu nada. Expliquei que “nuestra” equivaleria a um “uau”. Ele ficou meio desconfiado mas aceitou. A globalização por vezes nos faz passar vergonha.

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