Vendedor de coco

Quantas e quantas vezes voltei de um feriado de sol pensando em largar tudo para vender coco na praia…Pensava, esta foi a última vez… Neste feriadão, fui para o Nordeste e  caminhando pela praia parei para tomar uma água de coco. Era quase meio dia e perguntei como estava o movimento de turistas. Desanimada a vendedora disse que estava fraco e que aquele era o segundo coco vendido do dia. Dia bom segundo ela, era dia com 30 unidades vendidas…Como eu tinha cara de turista e ainda mais de turista paulista, ela aproveitou e superfaturou o coco, que me custou R$ 2,50. Baseado naqueles preciosos insights resolvi simular os meus planos de aposentadoria . Fazendo uma projeção de que com um bom plano de marketing e com diferenciação em minha barraca, eu seria capaz de vender em média 20 cocos/dia (não sobrevalorizando temporadas  chuvosas, dias úteis com praias desertas etc…) com um mark up de R$ 2,00 por unidade de coco, consegui projetar uma renda mensal  otimista de cerca de R$ 1200,00.  O meu futuro como vendedor de cocos ruiu como um castelo de areia…Decidi rever meus planos futuros e agora meus novos sonhos para manter viva a fantasia da aposentadoria praiana são virar pescador ou vender redes. Isto sim deve dar dinheiro !

A velocidade e o tempo

Era uma vez um cara que surgiu do nada. Parecia ter potencial. Mereceu uma chance. Começou a vencer. Não parou mais de vencer. Ficou temido. Era imbatível. Ganhava de tudo e de todos. Foi eleito o melhor de todos os tempos. Um dia achou que a sua vida estava sem graça, monótona e resolveu se aposentar para ficar com a família e fazer outras coisas. Saiu dos holofotes, sentiu falta das glórias e pediu para voltar. As portas se abriram…O mito retornava. Onde está o mito ? O tempo passou, as vitórias do passado viraram lembranças. Os erros que antes eram perdoados e tratados como um sinal de arrojo, passaram a ser vistos quase como traços de senilidade. O respeito do passado se transformou em chacota no presente. O mito virou mortal. Pior do que mortal, virou descartável. Michael Schumacher foi gentilmente convidado pela Mercedes a abrir caminho para os mais jovens. Seus títulos serviram apenas para fazer com que merecesse uma saída com um pouco de mais classe. Depois de tantos anos lidando com a velocidade, ele deveria ter aprendido que nada passa mais rápido do que o tempo e que não adianta querer pará-lo. Ele sempre vence no final…a juventude sobrevive apenas nos retratos.

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