Gente como a gente

IMG_2295Diz a lenda que uma cidade desenvolvida não é aquela onde cada um tem o seu próprio carro, mas sim onde todos utilizam os transportes coletivos (que funcionam!) e as pessoas sequer sabem o que é IPVA.

Uma coisa boa de viajar é que nos podemos brincar de ser cidadãos civilizados por alguns dias. Usamos transportes coletivos : pegamos metrô, encaramos vagões lotados, tomamos pisões no pé, sentimos aromas bem diferentes de um Channel número 5 e nos sentimos integrados a uma cultura cidadã.

Bonito ? Super. Mas enquanto eu via um rato robusto, realmente bem nutrido, se deslocando tranquilamente pelos trilhos do metro nova-iorquino, eu tive uma recaída e pensei: será que um morador rico e famoso do Upper West Side  também se submete a este nobre ritual diário de  encontro com a comunidade ?

Pois bem…Lá estava eu, humildemente sentado no banco duro do meu vagão de metrô, quando vejo se juntar a mim na minha intrépida jornada, Sarah Jessica Parker. Sim, Sarah Jessica Parker, atriz e protagonista de Sex and the City, salário anual que daria para comprar todo o trem para dar para o filhinho brincar de maquinista. Será que era ela mesma ? Poderia ser uma clone indo participar de algum programa de imitações no Raul Gil…Quando eu vi a sua malinha no chão, com direito a monograma e tudo, minhas dúvidas acabaram…

Obrigado, Sarah, você me deu uma lição prática de cidadania. Foi um prazer tê-la como companheira de viagem por cinco minutos (#tamojunto,#toisnovagao).IMG_2298

Sandy sem Jr.

Nos últimos dias só dá Sandy (a tempestade americana, não a filha do Xororó e irmã do Júnior)…Chuva, inundação, destruição, falta de eletricidade, perspectiva de proliferação de ratos. Tudo muito ruim para toda a região atingida mas tem um aspecto interessante que é uma discreta solidariedade exibicionista aparecendo entre os  brasileiros das redes sociais . Ficou cool falar coisas como:  Vocês viram como ficou o Holland Tunnel ? E o Battery Park, destruído ? Para baixo da 27 ficou tudo completamente sem luz… Chelsea ficou intransitável… Acho que Bloomberg terá trabalho…Meatpacking foi muito atingido.Estão aproveitando a desgraça alheia para demonstrar uma enorme intimidade com NYC. Não estou falando dos nativos ou das pessoas que moram lá que devem estar absolutamente espantadas com o que aconteceu…Estou falando de uma parcela da Brazucada, que sempre que tem a chance, adora parecer “in” das cidades mais legais do planeta.  Estou esperando alguma campanha de mobilização organizada pela elite paulistana com o propósito de  ajudar os desabrigados New-Yorkers (os de New Jersey não dão muito Ibope nas nossas terras…deixemos que o Obama cuide deles)…Vamos arrecadar cupcakes,bagels e donnuts para as vítimas da Sandy. Pega bem entre as amigas e é  importante que a cidade se reconstrua rápido para dar tempo de nossa tchurma voar e fazer compritchas de natal. Sujeira e destruição deixamos para São Paulo em Janeiro, quando o Tietê transbordar…isto não combina com NY.

Janelas do mundo

Sempre que viajo a trabalho por aí, tenho o hábito de abrir a cortina do quarto do hotel, tirar uma foto da vista e mandar para a minha mulher. Ela faz a mesma coisa. É a maneira que encontramos de nos aproximarmos, mostrar ao outro onde estamos, em que lugar do mundo viemos parar e emprestar os nossos olhos para quem gostaríamos que estivesse conosco. Não importa se a vista é bonita ou feia, isto não é importante para o nosso pequeno ritual.
Hoje, entrei no meu quarto de hotel em New Jersey e lá fui eu abrir a cortina e olhar pela janela. Quando puxei a cortina dei de cara com a vista da construção da nova torre do World Trade Center, do outro lado do rio. O prédio que terá 104 andares, está com 90 pisos construídos e já se destaca muito no horizonte de Nova York. Ao invés de ver o futuro, confesso que vi o passado. Mesmo depois de quase 12 anos, olhei pela janela e não vi um prédio novo subindo…Vi o antigo desabando. Não tive vontade de fotografar, não tive vontade de lembrar. Mandei uma foto tirada meio de lado, que mostra um singelo supermercado que fica na direção oposta. Menos opulência, menos pensamentos ruins, mais acolhimento, mais cara de casa.

Hamburger socializado

Shake Shack no verão

Quem conhece Nova York sabe que existe uma disputa sobre qual o melhor Hamburger da cidade. Nada diferente da disputa por quem é a melhor baiana de Acarajé em Salvador, qual o melhor pastel de feira de São Paulo e qual o melhor bolinho de bacalhau do Rio de Janeiro. Tem um lugar dos cotados, que se chama Shake Shack que eu gosto bastante. Muito menos pelo Hamburger em si e mais pela experiência, afinal o Shake Shack é um quiosque no meio de uma praça. Alivia um pouco a sensação de culpa pelas calorias você poder comer o seu Hamburger a céu aberto. Seria bucólico não fosse pelo ataque de esquilos e pombas que sofri hoje. Os animais também estavam interessados em degustar o hamburger e socializar minha comida. Parte do tomate do meu cheeseburger foi furtado por um objeto voador não identificado e tive que me proteger de esquilos com olhar ameaçador que miravam minha batata frita. Eram uma espécie de Tico e Teco possuídos…
Confesso que já tive experiências gastronômicas mais divertidas e menos participativas. Valeu para matar a saudade mas da próxima vez voltarei a procurar ambientes mais tradicionais, mesmo que a culpa pela comida trash aumente.

A aranha e a cigarra

Tenho enormes dificuldades com os espetáculos da Broadway. Respeito as super produções mas confesso que a cantoria dos musicais não é exatamente a coisa que mais gosto. No passado fui até rever Fantasma da Ópera para ver se eu nõo havia entendido ou se eu era chato mesmo. Concluí que eu e o Fantasma tínhamos mesmo incompatibilidade de gênios…
De passagem por NY fui assistir ao mais recente sucesso da Broadway: Homem Aranha. Os motivos para tentar superar meu preconceito foram as relatadas performances acrobáticas do super herói que voa pelo teto de todo o teatro e a trilha sonora feita pelo U2. Meu veredicto é que enquanto o Homem Aranha é aranha, o espetáculo é realmente legal, com voos pelos três pisos do teatro e telões com imagens de alta definição que fazem você pensar que está em um show de uma banda de Rock. O problema é quando a aranha resolve virar cigarra e cantar. Tem pelo menos meia hora de cantoria do personagem Peter Parker para a Marie Jane que são soníferos de primeira qualidade. Vou minimizar e não dar muita ênfase a questão do figurino do vilão Green, que parece ter sido inspirado na Cuca do Sítio do Picapau amarelo (quem assistir concordará comigo !).
Estou atualizado, tenho assunto com todos os brazucas que também estão por aqui mas a missão Broadway do ano,está cumprida, sem perspectivas de repetição futura.

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