Verde desbotado

Acabaram de vez com as sacolinhas plásticas no supermercado. A principal causa alegada é a consciência ecológica e uma preocupação com o futuro do planeta. Será que esta é mesmo a percepção das pessoas ? Tem vários momentos em que o meu lado marketeiro dialoga com o meu lado consumidor e se pergunta se as pessoas estão realmente acreditando nestas histórias. Quem esteve em qualquer quarto de hotel do mundo recentemente viu aquelas mensagens apelativas no banheiro para não se trocarem as toalhas todos os dias , convidando o hóspede a contribuir com o meio ambiente. Eu penso: é para ajudar o meio ambiente ou para gastarem menos com sabão em pó e amaciantes e as suas margens de lucro subirem… ?
Outra novidade agora são garrafinhas de água de algumas marcas que alegam que foram feitas com menos plástico pensando na sustentabilidade. Você abre, a garrafinha amassa na sua mão e a água derrama . É péssima e você fica com a convicção absoluta de que fizeram aquilo para reduzir custos. Será que não é a hora de algumas empresas fazerem um pouco mais de marketing da sinceridade ? Queremos ter preços competitivos e precisamos da sua ajuda. Você concorda em não trocar as toalhas ? Em beber água em uma garrafa que amassa ? Em trazer suas sacolas de casa ? Fazemos tudo isto e ainda ajudamos o meio ambiente ! A minha sensação é que o consumidor ficaria bem menos desconfiado com esta súbita mudança de conduta das empresas, as apoiaria e os argumentos da sustentabilidade, seriam utilizados onde eles são realmente necessários, de maneira consciente e correta. Usar a ecologia para justificar redução de qualidade de produtos e serviços é ruim para a causa e não contribui em nada com as empresas. Desbota a imagem verde que elas querem construir.

Se identificando (ou não…) com uma causa…

Sempre que vejo ações como “Criança Esperança”, minha primeira reação é pensar porque a TV Globo ao invés de pedir para milhões de telespectadores doarem R$ 10,00, não anuncia que x % da verba publicitária arrecadada no break comercial do Fantástico, seria revertida para sustentar esta Ação Social ?

Acharia mais legal, honesto e certamente a verba doada seria muito maior…Eu admiraria mais a emissora e não teria a impressão de que estão contando com a compaixão dos “fracos e oprimidos” ouvindo o chamado do Luciano Huck e do Faustão. Certamente a Globo gasta um bom dinheiro para colocar o programa de pé, doa alguma coisa e não faz apenas o show mas para mim falta sustentação, visibilidade e um real engajamento da emissora para me convencer.
Tive a sensação oposta ao ver esta ação da Innocent, fabricante inglesa de “smoothies”. Desde 2003 quando a marca foi lançada, ela coloca “chapeuzinhos” em suas garrafas por duas semanas durante o ano.

Estes “chapeuzinhos” indicam que a empresa doa 0,25 cents de cada garrafa vestida para entidades que ajudam os idosos por todo o país. No primeiro ano, a Innocent vendeu 20.000 garrafas. Em 2011, venderão 650.000 e os velhinhos indiretamente receberão mais de 1,0 milhão de libras que os ajudarão a enfrentar o inverno. O que é mais interessante é que quem produz os chapéus não é a empresa e sim, voluntários, consumidores do produto. Depois os chapéus são colocados manualmente pela empresa em cada garrafa…O círculo se fecha perfeitamente…você se identifica com o produto, apóia a causa e contribui duplamente com os velhinhos. Me deu vontade de importar umas garrafinhas…

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