Medidas de segurança

Cada país tem suas próprias leis e regras e cabe a você como visitante respeitá-las e em alguns casos, no máximo, tentar decifrá-las. Nos Estados Unidos, a preocupação com terrorismo gerou uma série de regulamentações que se espalharam pelo mundo. O semi strip tease para se embarcar em um avião e a restrição a líquidos a bordo da mala de mão são bons exemplos. São as “medidas de segurança”. Nesta viagem, aprendi mais algumas para ampliar o meu repertório…a primeira foi em uma loja de departamentos, onde ao comprar um par de sapatos, eu disse que não precisava da caixa. Vetado! Por questões de segurança eu necessitaria levar a caixa embora. Assim procedi. Até agora não entendi a lógica mas deve existir alguma. Será que sem a caixa, eu ficaria propenso a dar sapatadas em outros consumidores ?

Um dia depois, uma nova aula de segurança. Desta vez no estádio de futebol ao comprar um refrigerante em garrafa pet . Me entregaram a garrafa aberta e  a tampinha foi confiscada ! Tentei implorar pela tampinha, sem nenhum sucesso…Enquanto minha bebida perdia o seu gás, concluí que aquilo era uma forma de prevenir que em um acesso de fúria eu arremessasse a garrafa na cabeça de alguém. A verdade é que mesmo sem tampinha, uma garrafa cheia ainda tem um bom potencial de estrago…

Descobri também que nos EUA,  exibir bebida alcoólica na rua não pode, mas no estacionamento de estádios e autódromos é permitido.  Ou seja, o churrasco na lage (no asfalto, para ser mais preciso) rola solto e o “esquenta”  é liberado. A turma fica calibrada já do lado de fora. Acho que se a tampinha é proibida, a lata de cerveja no estacionamento deveria ser muito mais…vai que alguém arremessa no carro do lado. Fiquei com a certeza que ainda irão proibir…. É só uma questão de tempo para alguém se atentar…

Nós vamos invadir a sua praia

Depois de dez anos chegou a hora de renovar o meu visto para entrada nos Estados Unidos.
Eu nunca havia ido ao consulado. Todos os meus outros vistos anteriores haviam sido providenciados por despachantes e as histórias que ouvia sobre o processo, para mim eram apenas lendas e exageros. Bem, ontem foi dia de testemunhar e vivenciar a experiência. Antes de chegar já vem os alertas: celulares e eletrônicos não são permitidos (o meu token do Banco Itaú é qualificado como um eletrônico de última geração e também não entra), o que fez prosperar o negócio dos guarda volumes na região. Por R$ 5,00 eles se encarregam de proteger os seus bens. Horas de espera (no meu caso, sendo liberado de fazer a entrevista, foram 3 horas admirando a minha senha número 3161) permitem que você observe as pessoas…2 grupos distintos: o grupo 1 é composto por executivos engravatados aborrecidos com as filas, preocupados com os seus compromissos da sequência da tarde e fazendo cara de que vão com tanta frequência para os EUA que chamam o Obama de Barack… exalam um ar de menosprezo e repulsa pelo processo e ficam isolados, solitários. Já o outro grupo é bem mais divertido: pessoas que estavam lá pleiteando o seu primeiro visto. Um grande contingente de estudantes, famílias indo para as férias na Disney e aqueles que ainda acreditam que podem “fazer a América” pensando em conseguir um trabalho por lá. Este grupo ao contrário, transpira tensão. Não sabem se obterão ou não o visto…Trazem pilhas de documentos, compartilham entre si histórias escabrosas de pessoas que tiveram seu visto negado, analisam quais pessoas nos guichês tem uma aparência mais amistosa, trocam dicas sobre o que falar e o que não falar para o entrevistador. Sente-se no ar uma cumplicidade e solidariedade. Um “torcendo” pelo outro…
O mais interessante é no final…depois de todo o longo circuito interno com triagem de documentos, digitais e entrevistas, ainda há uma fila do “Sedex”, onde se fazem os pagamentos para que os passaportes já com o visto, sejam remetidos de volta aos seus donos. As pessoas do grupo “executivo” mantém a sua aparência blasé…entendiadas em encarar mais meia hora de fila. Já o time do grupo 2 não esconde a alegria pela conquista. Sorriem, se cumprimentam mutuamente e compartilham os seus planos de viagem aos Estados Unidos. A sensação de inclusão social é enorme! Todos foram aceitos no chamado “primeiro mundo” e estão ansiosos para colocar os chapéuzinhos com as orelhas do Mickey e comprar eletrônicos na Best Buy.
Valeu pela etnografia do dia mas fico feliz de apenas ter que passar por isto novamente daqui uma década….

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